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FORSVARETS LOGISTIKKORGANISASJON OG REGIONALE

4. TILLEGGSOPPDRAG TIL FORSVARET MILITÆRE ORGANISASJON

4.7 FORSVARETS LOGISTIKKORGANISASJON OG REGIONALE

Casa s.f. qualquer construção destinada a habitação; prédio; residência; vivenda; cada uma das divisões de uma habitação; conjunto dos membros de uma família (Casteleiro, 2001: 719).

A palavra casa, remete-nos para dois universos, um arquitetónico e outro antropológico, o primeiro por ser uma construção ou uma estrutura que abrigue, e um segundo pela componente humana intrínseca ao uso a que se destina. Recuando às sociedades antigas, todos os elementos eram responsáveis por responder às suas

necessidades básicas, desde a procura de alimento, à construção das próprias cabanas. Desta forma, a casa era concebida por quem a ia habitar, estando assim agregadas as funções de conceber, construir e habitar. A evolução da sociedade levou a uma divisão destas funções, numa primeira fase as casas deixaram de ser concebidas e construídas por quem as habita, surgindo assim a arquitetura como profissão, e numa segunda fase acontece uma divisão de funções entre quem as projeta e quem gere as construções (Duarte, 1995).

As pessoas chamam ao apartamento a sua casa (Toussaint, 2010).

Para Toussaint (2010) é possível perceber um conjunto características intrínsecas à habitação, como por exemplo o facto da casa ou o fogo em altura já existir na Roma antiga. Surgiu como resposta à densidade urbana e à necessidade da utilização do pouco espaço, passando assim de casa térrea à casa em altura. O autor explica a necessidade da habitação que despoletou na Europa depois da I Guerra Mundial, assim como a transformação que a família-clã sofreu resultando numa família mais restrita – pais e filhos. A esta necessidade, os arquitetos procuraram então responder com uma casa eficaz e barata. Foram então estudadas formas de habitação de massas, através da libertação do solo, agregação de apartamentos em conjunto com alguns equipamentos necessários de apoio aos moradores como creches, biblioteca e ginásio, entre outros. Também a invenção da tipologia duplex na Unidade Habitacional de Marselha, procurou a união entre dois conceitos: moradia e apartamento.

Fig. 6. Unite d' Habitation, Le Corbusier, in Archdaily © Rik Moran.

A adaptação das pessoas ao espaço doméstico vai além das paredes desenhadas pelos arquitetos, como Monteys e Fuertes defendem na Casa Collage, a perceção do espaço e da arquitetura muda consoante as pessoas que lá estão, tal como com a decoração. Os pertences de uma família revelam os seus hábitos e culturas, e por outro lado também revelam os objetos mais comuns transversalmente às culturas e crenças diferentes. Una de las razones para utilizar insistentemente la palabra “casa” – con preferencia a “vivenda” – es la indentificatión que el término establece com sus ocupantes (Monteys e Fuertes, 2001: 14).

No filme do grupo Habitar - “Mudanzas”, a palavra mudança adquire um duplo sentido, mudança porque o filme retrata uma família que está à espera da carrinha para fazer as mudanças para uma outra casa, e mudança de ponto de vista relativamente à casa e às suas possíveis qualidades. A ideia principal do filme é a da mudança de perspetiva como um elemento chave para a adaptação e apropriação do espaço doméstico, duma forma mais adequada e ajustada aos moldes de quem o habita. Após a “desconstrução” da casa como sempre a viram, a família fica apenas com as caixas onde guardavam os seus pertences, e as divisões totalmente “despidas”, estando criadas as condições para um novo “olhar” sobre a casa. No final do filme, a família percebe que já não precisa de mudar de casa, uma vez que o problema estava na forma como usufruíam os espaços. Ainda sobre a questão do ponto de vista do “mau uso” das coisas e dos espaços, Monteys e Fuertes (2001) chamam à atenção para a capacidade que as crianças demonstram em dar usos diferentes às coisas, por exemplo aos armários. Além da escala, para as crianças, constituir uma predisposição para outra perspetiva sobre os espaços, o pensamento do uso do espaço também não está formatado, nem “infetado”, com ideias pré-concebidas acerca da utilização e função dos objetos. As portas também são referidas pelos mesmos autores, como um elemento determinante na perceção e uso do espaço doméstico, permitindo simultaneamente a comunicação ou a separação de espaços ou divisões.

Fig. 7. Portas e as suas utilizações, in Monteys e Fuertes, 2011: 13.

Os eletrodomésticos também contribuem para a forma como os espaços domésticos são vivenciados, em Portugal, o fogão, o frigorífico e a televisão estavam presentes em 96% das habitações (Barreto e Preto, 1996: 11). Podemos dissecar os eletrodomésticos em três categorias: os essenciais, os agregadores e os facilitadores. Na primeira categoria enquadram-se o frigorífico e o fogão, uma vez que cumprem funções essenciais básicas de primeira necessidade: armazenamento e confeção de alimentos; os agregadores, por sua vez levam a uma agregação dos utilizadores, como por exemplo a televisão ou o rádio; por fim, os eletrodomésticos facilitadores serão todos aqueles que permitem uma “libertação” das tarefas domésticas, como as máquinas de

lavar a loiça e a roupa, o aspirador, ou até a máquina do café. Pelos anúncios é visível que o público-alvo dos eletrodomésticos é o sexo feminino, refletindo ainda uma maior atribuição das tarefas domésticas (ver fig. 6). Todos estes elementos interferem e modificam a forma como se “vive” dentro da casa, seja a nível projetual quando desde a raiz se destina o local desses elementos, seja na apropriação do espaço quando a família se junta para ver um programa televisivo. Em Portugal, aconteceu em Março de 1957, o lançamento da televisão portuguesa com emissões regulares da RTP (Sardica, 2012: 1966).

Fig. 8. Anúncios de eletrodomésticos, in Donas de Casa, nº 53, 1966: 23.