• No results found

3 Kultur i COIN

3.3 Forsvarets analyse av kulturer

Neste momento, faremos uma breve apresentação do material selecionado que vai compor a análise no próximo capítulo. Antes de prosseguirmos, porém, são necessários alguns esclarecimentos. Selecionaram-se 11 produções que se aproximavam dos critérios previamente eleitos / escolhidos, de acordo com a questão da pesquisa, isto é, dissertações ou teses que descrevem ou analisam práticas pedagógicas concretas no cotidiano da Educação Infantil, dando ênfase à organização didática do ensino, produzidas no período de 1998 a 2010. Elaboramos os resumos abaixo, estruturando-os de acordo com dados que deem visibilidade ao objetivo, à metodologia, ao referencial teórico e aos principais resultados alcançados nas pesquisas.

O primeiro trabalho é o de Batista (1998), intitulado A rotina da creche: entre o proposto e o vivido, que teve por objetivo realizar uma investigação com caráter pedagógico sobre a rotina da creche a fim de, ao se contemplar a relação entre o que é proposto pelo adulto e o que é vivido pelas crianças, contribuir para a construção de uma proposta de trabalho pedagógico do adulto com base nas manifestações das crianças: sua cultura, seus tempos, suas necessidades e possibilidades de relação no e com o mundo. A metodologia empregada foi a observação da rotina da creche e o registro em vídeo das ações e reações das crianças perante o proposto pelo adulto no dia a dia da creche.A turma pesquisada tinha 17 crianças entre quatro e cinco anos, numa creche municipal do estado de Santa Catarina, no segundo semestre de 1997. Os principais autores de referência que fundamentam suas análises são, entre outros: Enguita (1989);McLaren (1991); Oliveira (1992); Freire (1993) Brougére (1995), e Sacristán (1998). As principais conclusões da pesquisadora revelam uma prática cristalizada, fortemente marcada pelo modelo escolar, baseada numa estrutura hierarquizada, uniforme e homogeneizadora da rotina, com rigidez e fragmentação dos tempos e dos espaços pré-fixados de atuação. Essa lógica inerente à organização do tempo e do espaço da creche não valoriza as vivências simultâneas e plurais constitutivas das crianças pequenas. Há um descompasso entre as ações e reações das crianças diante do que é proposto à criança e do que é vivido por ela, ou seja, suas múltiplas vivências, desejos, necessidades chocam-se com a

proposta de uma vivência única, cuja uniformização e homogeneidade são critérios para a organização e manutenção da sequenciação das atividades previstas na rotina.

A pesquisa intitulada Por amor & por força: rotinas na Educação Infantil, de autoria de Barbosa (2000), objetiva discutir de onde vieram as rotinas, como elas chegaram às instituições de cuidados e de educação de crianças pequenas, qual a sua função nas pedagogias da educação infantil e como operam no dia a dia das crianças e dos adultos. Considera-se a rotina categoria pedagógica, que representa uma estrutura básica organizadora do cotidiano, implicando controle do tempo, do espaço, das atividades e dos materiais na relação adultos e crianças em creches e pré-escolas. O percurso metodológico envolve pesquisa bibliográfica, dados e materiais empíricos variados, com pesquisa de campo em escolas para crianças de zero a seis anos no Brasil e no exterior, com registros em diário de campo e diário de viagem, material fotográfico e fílmico, observações e entrevistas semiestruturadas. Fundamenta-se em autores da área da história e da sociologia; autores da modernidade, pós-modernidades, clássicos da educação, da pedagogia e da psicologia. Recorre também aos pesquisadores brasileiros da Pedagogia da Educação Infantil. Conclui que a organização da rotina implica formas intencionais de controle e regulação, com um cotidiano marcado por repetição e variação das propostas, alertando sobre a necessidade de refletir e planejar as atividades cotidianas, com organização de ambientes, materiais disponíveis, propostas de atividades que envolvem os conteúdos da vida, que envolvem o não padronizado, o novo, o humor, a fantasia, imaginação, arte, literatura, música, isto é, transforma rotina em vida cotidiana.

A pesquisa intitulada A organização do trabalho pedagógico na Educação Infantil: relato de uma experiência como subsídio para mudança curricular, desenvolvida por Mendonça (2003), teve por objetivo investigar as práticas pedagógicas de algumas pré-escolas de um município do interior do Paraná e confrontá-las com a experiência de atuar e coordenar serviços educativos numa instituição dessa natureza. Para isso, a pesquisa foi realizada em quatro instituições que prestam atendimento às crianças de cinco a seis anos no município pesquisado, sendo duas municipais e duas particulares. Os procedimentos metodológicos empregados para a coleta de dados foram entrevistas com os professores e observação direta com registro em diário de campo, destacando o desenvolvimento e organização das atividades realizadas pelas crianças, como o espaço físico estava organizado e sobre a relação professor- aluno. A fundamentação teórico-metodológica assenta-se na abordagem educacional de Reggio Emilia e no Modelo Curricular High/Scope, com proposições sobre o trabalho pedagógico baseado na Pedagogia de Projetos. Conclui, a partir dos dados levantados, que a

prática pedagógica fica restrita a atividades mecânicas e isoladas, centradas no domínio da linguagem escrita e numérica. Propõe como alteração dessa prática uma proposta pedagógica com base na pedagogia de projetos, que assegure que os objetivos da Educação Infantil primem pelas necessidades e interesses das crianças, respeitando seu ritmo e espaço. Desse modo, o conteúdo e a metodologia do trabalho pedagógico devem ter a criança como referência, e o professor deve potencializar formas de apoio e incentivo para a construção do conhecimento pela criança.

No trabalho de Paixão (2004), intitulado A Educação Infantil e as práticas escolarizadas de educação – o caso de uma EMEI de Marília/SP,o objetivo estava centrado

em analisar e discutir criticamente as concepções e práticas presentes na Educação Infantil, especificamente no trabalho pedagógico desenvolvido em uma turma com crianças entre cinco e seis anos, a partir de um estudo de caso em uma escola de Educação Infantil pública no interior do estado de São Paulo. Fundamenta-se na teoria histórico-cultural e nos estudos da Pedagogia da Infância, com ênfase nas diferentes linguagens na Educação Infantil, tais como o desenho e o brincar, como também considera algumas diretrizes de um trabalho pedagógico cujo cerne são os interesses infantis. A escolha metodológica foi etnográfica, com observações realizadas ao longo no ano letivo de 2002 na turma selecionada, houve entrevista com a professora da turma e análise de documentos, como plano educacional e planejamento semanal da professora. A autora conclui, em análises, que às crianças não era dada a oportunidade de participar da construção da pedagogia, de opinar, sugerir e organizar o cotidiano por elas vivido. Também não lhes era permitido realizar atividades pelas quais tinham interesse, tais como o desenho e o brincar, que eram secundárias às atividades de escrita, e, dessa forma, o ensino da linguagem escrita, do modo como se configurou, não se tornou uma atividade com que as crianças se envolviam inteiramente, mas uma ação mecânica que as levava a atribuir à escrita uma função meramente escolar e não social.

A pesquisa desenvolvida por Rubia Silva (2006), cujo título é Tecendo um diálogo acerca das práticas pedagógicas: atividades desenvolvidas na Educação Infantil, teve por objetivo analisar em que aspectos as atividades elaboradas com base em pressupostos vigotskianos contribuem para a aprendizagem de crianças de quatro a seis anos, pertencentes a duas instituições de Educação Infantil no interior de Santa Catarina. De caráter qualitativo, a pesquisa envolveu entrevista semiestruturada, análise documental do projeto político pedagógico das instituições, observação e proposta de intervenção. Pela observação das práticas pedagógicas, os resultados indicam que as atividades desenvolvidas ficavam restritas a atividades prontas, extraídas de apostilas, reduzidas a cópias, treinos e repetição de modelos

prontos e impressos. Não havia proposições de conteúdos que avançassem na aprendizagem das crianças e produzissem o novo em seu desenvolvimento. Para isso, a pesquisa propôs ressignificar essa prática pedagógica, com o intuito de despertar os verdadeiros interesses, curiosidades, ansiedades e necessidades das crianças. A autora conclui que a pesquisa desenvolvida, além de mostrar a contribuição das atividades fundamentadas nos pressupostos vigotskianos para a aprendizagem infantil, possibilitou que as professoras participantes refletissem sobre sua atual prática pedagógica e vislumbrassem a possibilidade de ressignificá-la com o intuito de contribuir para a aprendizagem dos seus alunos.

A pesquisadora Araldi (2007), com a dissertação Prática pedagógica no cotidiano de uma instituição de Educação Infantil para crianças de 0 a 6 anos: proposta de intervenção visando o brincar, cuidar e educar, explica que seu trabalho tem três objetivos norteadores: a) analisar a organização espacial daquela instituição de Educação Infantil, tendo em vista que o ambiente físico é elemento fomentador de muitas interações; b) registrar a interação entre pares como fator importante para o desenvolvimento infantil na faixa etária de 0 a 3 anos e o papel mediador do educador em facilitá-la ou promovê-la; c) construir uma proposta de intervenção para as crianças da referida faixa etária. Fundamenta sua dissertação nos preceitos de Piaget, com ênfase na teoria da equilibração e nos estágios do desenvolvimento da criança, com destaque no jogo infantil. Utiliza como instrumentos metodológicos a observação, o registro fotográfico, entrevistas e análise documental. Os resultados apresentados na pesquisa revelam: a) a relação entre crianças e professora é permeada com momentos de afetividade e boas interações entre criança-criança; b) falta de planejamento das professoras restringindo as atividades a passeios diários no parque ou no pátio, com brincadeiras livres na sala e em outros ambientes; c) os materiais pedagógicos disponíveis às crianças são precários, sem direcionamento de atividades, e segue-se uma rotina diária estipulada pela instituição. Perante esses dados, a pesquisa propôs, a partir do currículo High/Scope, um programa de apoio pedagógico com sugestões de cantos de experiências, demonstrando aos educadores a utilização dos espaços e atividades que estimulem o brincar, cuidar e educar com o intuito de melhor atender as crianças pesquisadas.

Na dissertação de Giraldi (2008), intitulada A prática da professora no cotidiano de uma creche: pue prática é essa?, o objetivo norteador foi pesquisar sobre o tipo de prática que as professoras oferecem à faixa etária de 4 meses a 1 ano e 4 meses, em uma creche da rede municipal de um município do interior de Santa Catarina. Para fundamentar sua pesquisa, a autora apoia-se em autores como Freire (1993); Warschauer (1993); Oliveira (1995); Zabalza (1998); Kuhlmann (1998, 2001); Barbosa (2006); que auxiliam na

compreensão do processo de construção e reconstrução nos sentidos culturais, históricos e sociais e nas dimensões espaciais e temporais. Os procedimentos metodológicos foram a observação e registro sobre a prática de sete professoras que atuavam no berçário com 23 bebês. As interpretações dos dados foram empreendidas sobre registros e com base nos seguintes eixos de análise: ambiente físico, relação de interação, profissionalização docente e rotina burocrática. Pela conclusão da pesquisa, a autora constatou que os bebês, durante quase todo o período em que estão na creche, vivem dentro das salas e, com isso, têm pouco contato com a natureza, vivem poucas experiências afetivas, as atividades vivenciadas são rotinas básicas de alimentação e higiene, mínima interação entre criança-criança e suas famílias não estão envolvidas no projeto pedagógico da escola.

A pesquisa desenvolvida por Janaina Silva (2008), com o título de Práticas educativas: a relação entre cuidar e educar e a promoção do desenvolvimento infantil à luz da psicologia histórico-cultural, teve por objetivo investigar se as ações educativas estão promovendo o cuidar e educar, considerando a ligação imprescindível entre eles para a promoção do desenvolvimento psicológico das crianças menores de três anos. A pesquisadora tinha como hipótese que, nas instituições de Educação Infantil, o trabalho voltado ao atendimento de crianças de zero a três anos pauta-se, principalmente, no cuidado, realizado pelas educadoras. Fundamenta-se nas contribuições dos teóricos da Psicologia Histórico- Cultural e sua metodologia envolve pesquisa de campo em duas instituições de Educação Infantil – pública e privada –, com observação e registro em diários de campo e análise documental dos projetos e propostas pedagógicas. Em suas análises conclusivas, constata, por meio das observações realizadas nas instituições de Educação Infantil no município pesquisado, que o trabalho docente ainda está mais voltado para questões assistenciais do que educativas. Defende que é necessário que ocorram novas formulações para o atendimento na Educação Infantil que apresentem uma concepção de infância calcada nos pressupostos da Psicologia Histórico-Cultural; uma formação docente que explicite a função do educador, pautada no planejamento, conhecimento sistematizado e práticas educativas. Além disso, deve-se considerar a interdisciplinaridade entre os diversos ramos científicos e buscar políticas públicas verdadeiramente voltadas ao ato de ensinar, com proposições curriculares claras, bem definidas e fundamentadas.

A dissertação intitulada Proposta pedagógica e prática docente na Educação Infantil, de autoria de Cirino (2008), teve por objetivo norteador investigar as relações entre a proposta pedagógica de uma instituição de Educação Infantil e a prática docente. Foi construída num percurso metodológico baseado em pesquisa qualitativa, utilizando como

instrumentos estudo de caso, análise documental, entrevistas semistruturadas com dez professores atuantes na Educação Infantil e observação não participante, com registro em diário de campo em duas salas de Educação Infantil, denominadas nível IV (3 e 4 anos) e nível V (4 e 5 anos). Os dados foram organizados em duas categorias: 1) Concepções que fundamentam a proposta pedagógica e a prática docente; 2) elementos da organização didática. Fundamenta e analisa a pesquisa com base nos documentos oficiais nacionais (RCNEI; DCNEI) e pesquisadores da área educacional, tais como: Wallon (1975); Zabalza (1998); Oliveira-Formosinho (1998); Edwards (1999a; 1999b); Haddad (2002); Oliveira (2002); Vygotski (2003); Kuhlmann (2004); Kramer (2005); entre outros. Constata que vários aspectos na relação da proposta pedagógica não se efetivam nas práticas pedagógicas, apontando as relações de divergências e contradições entre o documento/proposta e a prática docente que ocorrem no que diz respeito ao processo de elaboração, concepção de criança, função da Educação Infantil, desenvolvimento e aprendizagem, conteúdos e atividades.

A pesquisa de Rodrigues (2009), A construção das rotinas: caminhos para uma Educação Infantil de qualidade, teve por objetivo analisar numa turma de jardim I (crianças com 4 anos de idade), como as rotinas contribuem para a construção da qualidade na Educação Infantil. Teve como pressuposto analisar como as rotinas estavam organizadas, vinculadas a que objetivos e quais as implicações com as práticas cotidianas de sala de aula, identificando a função da professora no planejamento e organização. O encaminhamento metodológico baseou-se na abordagem qualitativa em uma instituição pública de Educação Infantil do Distrito Federal, recorrendo a instrumentos como observação participante, entrevista, análise documental e fotográfica. Autores como Vygotsky (1996; 1998; 2000); Zabalza (1998); Kuhlmann Jr. (1998); Machado (1998); Sousa (1998; 2006); Oliveira (2002, 2007); Barbosa (2006); Andrade (2007); dentre outros, contribuíram para fundamentar a pesquisa. A partir dos dados analisados, a autora conclui que a pesquisa enalteceu a importância da organização das rotinas para o desenvolvimento e aprendizagem das crianças pequenas, exigindo que os professores reflitam sobre suas estratégias de ensino em sala de aula, as atividades propostas, a importância da ludicidade, dos jogos e brincadeiras, a contação de histórias, o uso da imaginação, a construção das interações, dos vínculos afetivos e de todas as vivências realizadas no ambiente escolar.

A pesquisa nominada Princípios para a organização do ensino na Educação Infantil na perspectiva histórico-cultural: um estudo a partir da análise da prática do professor, desenvolvida por Pasqualini (2010), teve por objetivo sistematizar princípios para a organização do ensino na Educação Infantil com base na perspectiva histórico-cultural. A

natureza da prática do professor de Educação Infantil como prática social foi objeto da investigação. A metodologia foi organizada a partir de observações assistemáticas realizadas em uma unidade escolar de uma cidade de médio porte no interior de São Paulo, questionários respondidos por todas as professoras que atuam na instituição e do conteúdo de discussões em grupo realizadas como parte do processo de intervenção continuada conduzido pela pesquisadora na instituição. Os dados empíricos para a análise da prática foram coletados por meio de observações em salas de aula das turmas do maternal, jardim I e jardim II e questionários respondidos por dez professoras de uma escola municipal de Educação Infantil. A pesquisa foi desenvolvida paralelamente a um processo de formação continuada com os professores e com a diretora da instituição, o qual também funcionou como fonte de dados. A partir da análise dos dados, a pesquisadora apresenta o produto almejado pela prática singular- concreta tomada como referente empírico da investigação que se materializa em um modelo teórico da prática do ensino na Educação Infantil, que constituiu a unidade de análise da pesquisa. O modelo busca refletir a hipótese de que as relações entre criança(s) – conteúdo – recursos – condições, entendidas como um sistema no qual todos os elementos se condicionam reciprocamente, sejam um possível traço universal (abstrato) da prática do ensino pré-escolar.

Após a breve exposição dos dados mais gerais das produções selecionadas, vamos, no próximo item, analisá-las pelas categorias de análise que abarcam o tema da pesquisa em foco.

4 O QUE OS DADOS REVELAM SOBRE A ORGANIZAÇÃO DIDÁTICA DO