3 Resultater
3.2.1 Forsuring
Por sugestão de Bernardes e Oliveira (2000), Gomes et al. (2005), Lima et al. (2005), Bastos (2006) e Figueiredo, Silveira e Sbragia (2008), os fornecedores da Embraer podem
ser divididos em três grupos: parceiros de risco, fornecedores e subcontratados12.
Os parceiros de risco são grandes organizações internacionais (BASTOS, 2006) que fornecem sistemas complexos e mantêm um relacionamento próximo com a Embraer (o que é intrínseco a esse tipo de aliança): participam do desenvolvimento do programa, fazem especificações técnicas e agregam tecnologia (BASTOS, 2006; FIGUEIREDO, SILVEIRA e SBRAGIA, 2008). A própria natureza dos sistemas fornecidos exige uma interação entre os parceiros durante o desenvolvimento do programa, conforme já discutido. Os parceiros da Embraer são apresentados no Quadro 8.
Dos fornecedores a Embraer obtém desde componentes até sistemas. Enquanto
que alguns itens são mais padronizados, outros são fabricados segundo as especificações técnicas da Embraer ou dos parceiros de risco (BERNARDES e OLIVEIRA, 2000; BASTOS, 2006; FIGUEIREDO, SILVEIRA e SBRAGIA, 2008). Os fornecedores de matéria-prima e
hardware também estão neste segundo grupo. Este grupo é constituído, em sua maioria, por
11
A fabricação de hardwares elétricos e mecânicos demanda vários tipos de matéria-prima, como o cobre (para a fabricação de fios e cabos) e o alumínio (parafusos, rebites, etc).
12
Independentemente dessa divisão, neste texto todos os fornecedores da Embraer são tratados indistintamente pelo termo “fornecedor”. Quando a discussão envolver um grupo específico, isto será explicitado.
empresas estrangeiras (LIMA et al., 2005), muitas das quais pertencem a ou são grandes
organizações. O Quadro 9 apresenta exemplos de fornecedores da Embraer13.
Quadro 8 – Parceiros de risco da Embraer e principais itens fornecidos14
ERJ 145 (a)
Aernnova (Espanha) Asas, portas do trem de pouso principal
Sonaca (Bélgica) Segmentos da fuselagem, portas (principal e do compartimento de bagagem) Enaer (Chile) Estabilizadores horizontal e vertical
C&D Zodiac (França) Interior
Embraer 170/19015 (b)
General Electric (EUA) Propulsão Honeywell (EUA) Aviônicos Liebherr (Suíça) Trens de pouso
Hamilton Sundstrand (EUA) Unidade auxiliar de potência, sistemas elétrico e de ar-condicionado Kawasaki (Japão) Superfícies de controle das asas e das portas do trem de pouso principal16 Aernnova (Espanha) Segmento da fuselagem e estabilizadores horizontal e vertical
Sonaca (Bélgica) Segmento da fuselagem C&D Zodiac (França) Interior
Latécoère (França) Segmentos da fuselagem
Parker Hannifin (EUA) Sistemas hidráulico, de combustível e de controle de vôo Grimes17 (EUA) Iluminação externa e da cabine de comando
Goodrich (EUA) Sistema anemométrico18
Phenom (c)
Pratt & Whitney19 (EUA) Propulsão Garmin (EUA) Aviônicos
Eaton (EUA) Sistema hidráulico
Fontes: site da Embraer e também: (a) Dorna et al. (2004), Bastos (2006), Embraer (2007a, 2008a) e Martinez (2007); (b) Lima et al. (2005), Bastos (2006), Bedaque Junior (2006), Embraer (2007a, 2008a) e Figueiredo, Silveira e Sbragia (2008); (c) Embraer (2007a, 2007b, 2008a)
As empresas subcontratadas podem ser divididas em dois subgrupos. O primeiro é formado, tipicamente, por pequenas e médias empresas nacionais (BERNARDES e PINHO, 2002; CASSIOLATO, BERNARDES e LASTRES, 2002; LIMA et al., 2005) que fornecem componentes e subsistemas cuja complexidade tecnológica varia de baixa até alta (BEDAQUE JUNIOR, 2006). Essas empresas, na realidade, fornecem um serviço, já que o projeto e os insumos necessários são fornecidos pela Embraer (BERNARDES e OLIVEIRA, 2000; BEDAQUE JUNIOR, 2006; FIGUEIREDO, SILVEIRA e SBRAGIA, 2008). Entre os serviços prestados, estão: montagem de subsistemas, usinagem, estamparia, fabricação de componentes em material compósito, tratamento químico e térmico, acabamento superficial,
13
Ver também: Cassiolato, Bernardes e Lastres (2002); Martinez (2007).
14 O país indica a localização da sede da organização. 15
Especificamente no caso do programa 170/190, são apresentados os principais parceiros. Segundo Embraer (2004b), Bastos (2006) e Martinez (2007), foram formadas dezesseis parcerias de risco nesse programa.
16
Informação à imprensa divulgada pela Embraer em seu site em 01/06/2006.
17 Atualmente, pertence à Honeywell. 18
Responsável pela indicação da altitude e velocidades vertical e horizontal.
etc. Alguns exemplos de empresas: Lanmar, Fastwork, Mirage e ThyssenKrupp Autômata (usinagem), Graúna Aerospace (usinagem e montagem de subconjuntos aeroestruturais) e InbraAerospace (componentes em material compósito, transparências). O outro subgrupo é formado por empresas de base tecnológica que têm o porte das do subgrupo anterior (BERNARDES e OLIVEIRA, 2000) e que também fornecem um serviço, mas de outra natureza: elas projetam partes específicas do avião, desenvolvem softwares e projetam e
fabricam ferramentais20. Exemplos: Solutions Design & Engineering (projeto de vários
sistemas e de ferramentais), Serco Engenharia (engenharia e consultoria) e Akaer (projeto de sistemas aeroestruturais).
Quadro 9 – Exemplos de fornecedores da Embraer e principais itens fornecidos21
ERJ 145
Rolls-Royce (Inglaterra) Propulsão Honeywell (EUA) Aviônicos
ELEB (Brasil) Trem de pouso principal Liebherr (Suíça) Trem de pouso auxiliar
PPG Aerospace (EUA) Para-brisa e janela de mau tempo
Avtech Corporation (EUA) Sistema de comunicação interno (passenger address)
Embraer 170/190
Crane Aerospace & Electronics (EUA) Sistema de controle de freio
Meggitt Sensing Systems (Reino Unido) Sistema de monitoramento de vibração do motor Pacific Scientific (EUA) Sistema de detecção e extinção de incêndio do motor e da unidade auxiliar de potência Cobham (Reino Unido) Antenas
GKN Aerospace (Reino Unido) Transparência das janelas dos passageiros Eaton (EUA) Botões
Phenom
Enviro Systems (EUA) Sistema de ar-condicionado ELEB Equipamentos (Brasil) Trens de pouso
Geven (Itália) Assentos do piloto e co-piloto Saint-Gobain (França) Radome22
Esterline Power Systems (EUA) Sistema de aquecimento do para-brisa Astronics Luminescent Systems (EUA) Iluminação externa e da cabine de comando
Matéria-prima e hardware23
Alcoa (EUA) Alumínio VSMPO-AVISMA (Rússia) Titânio
Hexcel (EUA) Material compósito Allfast Fastening Systems (EUA) Hardware mecânico
Tyco Electronics (Suíça) Hardware elétrico
Fontes: Embraer (2007b, 2008a), Martinez (2007) e site da Embraer
20
Para mais exemplos de empresas subcontratadas (de ambos os subgrupos), ver: Bernardes e Oliveira (2000), Bernardes e Pinho (2002) e os sites da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil e do consórcio High Technology Aeronautics: <www.aiab.org.br> e <www.hta.com.br>, respectivamente.
21 O país indica a localização da sede da organização. 22
A tampa dianteira (“bico” ou “nariz”) do avião, onde está localizado o radar.
Nos dois primeiros grupos, os parceiros de risco e os fornecedores, estão centenas
de empresas (EMBRAER, 2004b; LIMA et al., 2005; BASTOS, 2006;MARTINEZ, 2007) que
fornecem de um ou poucos itens até várias centenas deles24. Essas empresas respondem
pelo fornecimento dos itens mais importantes e de maior valor – motivo pelo qual a pesquisa
de campo focou a parte da função compras da Embraer que é responsável por eles25. De
acordo com a Embraer (2007a), “mais de 80%” dos custos de produção dos programas da empresa “consistem de materiais e equipamentos adquiridos de [...] parceiros estratégicos de compartilhamento de risco e outros importantes fornecedores” (p.120).
Na Embraer, o custo de um avião segue as seguintes porcentagens aproximadas, em termos de tipos de material (CASSIOLATO, BERNARDES e LASTRES, 2002; BASTOS,
2006;MARTINEZ, 2007): trens de pouso, matérias-primas e hardwares (6%); aeroestruturas
e interior (34%); propulsão, aviônicos e outros sistemas (60%).
A cada novo programa lançado, ocorre um processo de seleção de fornecedores. Assim, é possível afirmar que cada programa tem a sua própria cadeia de suprimentos, pois: primeiro, há fornecedores específicos a determinados programas; segundo, mesmo no caso dos fornecedores que participam de mais de um programa, os contratos de fornecimento e
os itens fornecidos podem ser específicos26.
O próximo item discute o modelo de integração de sistemas que tem sido adotado pelos fabricantes de avião.