KAPITTEL 4. RESULTATER
4.1 Forståelse av lese- og skrivevansker
Fonte: Dados da Pesquisa, 2017.
Menino Jesus constitui um território que se apresenta idealizado por dezenas de famílias que no passado foram expropriadas e expulsas de suas terras. Nesse “reino de lutas” (SCOTT, 2011.), ou nesse campo de batalha pela regularização dos territórios quilombolas, revelam-se a territorialidade quilombola, evidenciada pela divergência nas ações entre a materialização do capital e a busca pela conquista da cidadania. Para Fernandes (2009), as divergências produzidas pelas relações sociais criam espaços e territórios heterogêneos, gerando conflitualidades.
As classes sociais, suas instituições e o Estado produzem trajetórias divergentes e diferentes estratégias de reprodução socioterritorial. [...] âmago da conflitualidade é a disputa pelos modelos de desenvolvimento em que os territórios são marcados pela exclusão das políticas neoliberais, produtora de desigualdades, ameaçando a consolidação da democracia. (FERNANDES, 2009, p. 7)
Na comunidade quilombola de Menino Jesus, a família Castro é a mais antiga e dela descendem os habitantes atuais através de várias gerações. Presenciaram as mudanças ocorridas na região a partir do inicio dos anos 1970, do século passado, com a abertura de estradas e as especulações fundiárias, expansão da pecuária. Nos dias de hoje, vivem da pequena atividade agro-extrativa.
As transformações decorrentes da implantação de um novo modelo agrícola têm provocado uma resignifcação, não apenas das relações de apropriação, mas tambem no modo de vida, ou seja, nas atividades cotidianas dos quilombolas que lutam para resistir à lógica capitalista que se permeia espaço agrário.
A territorialidade quilombola, também gera encontro de trajetórias, das pessoas de fora com os de dentro, daqueles que vivenciam a cotidianidade com aqueles que pensam ela como objeto de estudo. O que acaba por revelar um espaço relativamente aberto de possibilidades, porém, está cada vez mais fechado pelo tipo de apropriação, pela vivência de outro tempo, que pode encontrar barreiras para se materializar.
A produção agrícola na comunidade de Menino Jesus se desenvolveu dentre as diversas atividades a partir do trabalho de roça, atividade preponderante das famílias dessa região, que se caracterizou como uma fonte de rendimento para a população local. As roças em Menino Jesus são feitas no sistema de corte e queima, as áreas cultivadas são pequenas. Entre os principais produtos estão à farinha de mandioca (média produzida p/tarefa: 2 sacos/ano 2016), logo após a produção, a farinha é vendida para
comprar roupas, calçados e gêneros industrializados. Os que não têm terra, às vezes, conseguem uma pequena área para cultivo com parentes, ou arrendam terras fora da comunidade. Nesta mesma dimensão Almeida (1989) assevera:
Por seus desígnios peculiares, o acesso à terra para o exercício das atividades produtivas, se dá não apenas através das tradicionais estruturas intermediárias da família, dos grupos de parentes, do povoado ou da aldeia, mas também por um certo grau de coesão e solidariedade obtido face a antagonistas e em situações de extrema adversidade que reforçam politicamente as redes de relações sociais. (ALMEIDA, 1989, p. 163).
Também tem aqueles que saem para trabalhos temporários, sejam eles urbanos ou rurais, pelos municípios da região. Observei que algumas propriedades criam animais bovinos. As aves e os suínos criados nos quintais são poucos e usados para consumo e venda no local. O artesanato é inexpressivo economicamente e quem faz não comercializa, “já houve oficinas de cestarias, bijuterias, mais ninguém levou adiante”. (NYANSAPO, QUILOMBOLA DE SÃO MIGUEL DO GUAMÁ, 2017). Não são muitas as pessoas aposentadas, existem duas funcionárias públicas e não identifiquei a existência de comécio. A maioria das famílias é beneficiária dos programas de transferência de renda do governo (Cadastro Único e Bolsa Família).
A Maioria das casas é construída em alvenaria e poucas são de barro ou madeira. As estradas que servem a comunidade estão conservadas e só perde a qualidade durante período de inverno, o que é comum na região. No local tem um telefone público (orelhão) e alguns telefones celulares particulares. A Escola Municipal de Ensino Fundamental I funciona em um prédio construído em alvenaria com cobertura de telhas de barro, piso de cimento tem uma sala de aula, uma cozinha – depósito e dois banheiros.
A maioria da população é católica e frequenta cultos dominicais na igreja localizada no centro do arraial. Menino Jesus é o santo padroeiro da comunidade e sua festividade é realizada no mês de dezembro. Durante uma semana antes do dia da festa são realizadas as novenas de casa em casa pelas famílias e no dia da festa há a presença de um número maior de pessoas, sobretudo de outras comunidades é mais bonita.
Na década de 1980 houve um fluxo migratório da comunidade para a cidade de São Miguel do Guamá. Famílias inteiras ou integrantes de famílias da comunidade venderam seus lotes a caminho da cidade. Lá ocuparam os bairros periféricos.
Nesta década, este processo se inverte quando famílias que migraram no passado retornaram para a comunidade. Soube em campo que este retorno se devia as melhorias de infraestrutura, (tais como eletrificação rural, água encanada e o PNHR), que vinham ocorrendo na comunidade neste momento. Hoje está completamente tomada por residencias, velhas e novas, pessoas que nunca saíram pessoas que migraram e retornaram e novos moradores que aos poucos foram se estabelecendo na comunidade.
4.3 Nossa Senhora de Fátima do Crauateua
A comunidade quilombola de Nossa Senhora de Fátima do Crauateua fica localizada ao longo do igarapé Crauateua, que desemboca no igarapé Patauateua. A Comunidade surge pela irradição de outras comunidades de uma prática conhecida como “derrubada”, a partir de 1987 com o deslocamento das famílias da “beira” para o “centro”. Os primeiros moradores do centro foram Dorico Felix de Sousa, Lino Gomes e Afonso feliz Damasceno, filho de Dorico. A construção da Igreja ocorreu de forma tímida, às rezas eram realizadas em baixo de um cajueiro, depois na escola Isaias Gil de Oliveira e até que foi construído um barracão para realização de novenas e orações.
A luta pela titulação de um território quilombola teve inicio no ano de 2003, quando os moradores iniciaram o processo para conseguirem a titulação com a criação da associação em junho do mesmo ano. A comunidade vive no presente as relações que essas dinâmicas criaram que se projetam certamente em permanente conflito com os interesses que permeiam o território. O sonhado título definitivo significa a garantia da autonomia da comunidade, embora o ITERPA tenha finalizado em 2008, as etapas de desapropriação da área a ser idenizada.
Nossa Senhora de Fátima do Crauateua é um lugar onde as pessoas vivem em estreito contato, partilham valores, hábitos culturais e práticas do uso dos recursos. Nessa comunidade, o trabalho de roça é predominante, em media são cultivadas 5 tarefas por família que tem seu calendário de cultivo e colheita. No roçado são cultivados arroz, milho, mandioca, macaxeira, maxixe, quiabo, cariru e melancia. A mandioca ocupa toda a área do roçado.