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Os projetos de reutilização de água diferem no nível de tratamento implantado e, portanto, no custo, no tipo de utilizadores finais e, também, no nível de exposição humana que é compaginável com a salvaguarda da saúde pública (Tabela 3.4) (USEPA, 2012).

Tabela 3.4 - Tipos de reutilização adequada para diferentes níveis de tratamento, de utilização final, de exposição humana e de custo (USEPA, 2012)

Nível de tratamento

Aumento da exigência de tratamento →

Primário Secundário Filtração e Desinfeção Avançado

Processos • Sedimentação • Oxidação biológica e desinfeção • Coagulação química, filtração e desinfeção • Remoção biológica ou química de nutrientes, filtração e desinfeção • Carvão ativado • Osmose inversa • Processos avançados de oxidação • Tratamento aquífero do solo • Outros

Uso final • Nenhum uso recomendado • Rega de pomares e vinhas • Rega de culturas não destinadas a consumo humano • Rega paisagística restrita • Recarga de

aquíferos para usos não potáveis • Zonas húmidas, habitat selvagens, aumento do caudal • Processos de refrigeração industrial • Rega paisagística e de campos de golfe • Autoclismo • Lavagem de veículos • Rega de culturas destinadas a consumo humano • Uso recreativo sem

restrições

• Sistemas industriais

Uso potável indireto: • Recarga de aquíferos

com água potável • Aumento da

capacidade de reservatórios de água de superfície

Exposição

humana Aumento aceitável dos níveis de exposição humana

Custo Aumento expectável dos custos das tecnologias de tratamento

Nesse sentido, diversas ferramentas têm sido desenvolvidas, particularmente Sistemas de Apoio à Decisão (SAD), que auxiliam na implementação de novos projetos de reutilização de água ao compreenderem aspetos relativos à viabilidade técnico-económica, ambiental, social e local (Tabela 3.5) (Salgot et al., 2018).

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Tabela 3.5 - Aspetos a considerar num SAD para o tratamento de água residual, com a finalidade de reutilizar água

Fatores Considerações Observações

Características da água residual

Depende da sua origem (e.g. doméstica e industrial) e do sistema de drenagem.

A carga carbonácea orgânica dos efluentes influencia a seleção do tipo de tratamento. Quantidade de água

a tratar

Depende da procura dos utilizadores e do tipo

de economia e de políticas das sociedades. Uso eficiente de água. Normas e regulações

atuais

Aplicação de diretrizes e recomendações nacionais ou internacionais.

Define a qualidade da água final apta a reutilizar para cada tipo de utilização. Tecnologia

disponível

Recurso às melhores tecnologias disponíveis, atendendo às capacidades tecnológica e económica.

Necessidade de atualização: investigação, desenvolvimento e inovação.

Integração Paisagística

Depende do tipo de tecnologia e da localização específica da instalação.

Sistemas cujas soluções são baseados na natureza representam uma melhor integração paisagística.

Economia

Capacidade para adequada operação e manutenção do sistema de tratamento. Capacidade financeira limita a seleção das tecnologias a implantar.

Os custos inerentes a todo o tratamento devem ser incluídos no preço da água.

Aceitação Social

Depende da localização e características da instalação, bem como do nível de educação da população.

Influenciada pela comunicação de políticas e pelas necessidades dos utilizadores.

Centralização vs. Descentralização

Diversos centros urbanos usufruem da mesma ETAR vs. Cada centro urbano tem a sua própria ETAR.

Depende dos custos (particularmente dos afetos ao sistema de drenagem) e da necessidade de resposta das áreas suburbanas e centros rurais.

Qualidade do efluente

Depende das diretrizes e recomendações, que podem definir, legalmente, a escolha das tecnologias, bem como das atividades das populações servidas.

Aplicação de sistemas de avaliação e gestão de riscos (e.g. Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos)

Gestão de nutrientes Identificação dos meios recetores, particularmente dos que são sensíveis.

Redução intensiva de nutrientes conduz ao consumo extensivo de energia e aumento de custos de exploração.

Possibilidades de reutilização

A qualidade final necessária é fixada pela legislação, em função dos usos finais.

Agricultura e indústria são, comumente, os setores com uma maior procura.

Possibilidades de reciclagem

Água com qualidade suficiente para ser reciclada, em fluxos internos de um sistema.

Utilização sucessiva da mesma água numa instalação em processos como a refrigeração.

Área disponível Implantação de tecnologia em terrenos de custo reduzido.

A localização afeta o tipo de tratamento (e.g. nas zonas costeiras as ETAR estão dentro de um edifício)

Subprodutos Resíduos gerados no pré-tratamento e

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Os autores Chhipi-Shrestha, Hewage, & Sadiq, (2017a) propõe um SAD específico para a seleção de opções tecnológicas no tratamento de água apta para reutilizar (Figura 3.2), que inclui diversas componentes ambientais (e.g. consumo energético e emissões de carbono), a análise dos riscos afetos à salvaguarda da saúde pública, assim como um aspeto característico da economia circular, a análise de custo do ciclo de vida.

*QMRA - Quantitative microbial risk assessment,

Figura 3.2 - Diagrama SAD para tecnologias de tratamento de água para reutilizar

O custo do tratamento da água residual pode ser estimado com base na análise de custo do ciclo de vida (LCCA), sendo expresso em termos do valor atual líquido (VAL) do projeto (Chhipi-Shrestha, Hewage, & Sadiq, 2017b).

O LCCA é um método de avaliação económica, particularmente adequado para selecionar alternativas, que considera todos os custos decorrentes da aquisição, projeto e construção, operação e manutenção, reabilitação, fim de vida e rendimento (Langdon, 2007; Yerri & Piratla, 2018). Assim, o LCCA avalia a relação custo-eficácia a longo prazo de um projeto (Chhipi-Shrestha et al., 2017a).

De notar, que a sigla QMRA é afeta a um sistema de avaliação de riscos microbiológicos, que será enquadrado no subcapítulo seguinte (Sistemas de Avaliação e Gestão de Riscos).