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Forslag til videre forskning

In document - Bill Gates (sider 45-68)

Inicia no ioga desde criança com a mãe, professora de ioga formada pelo método do mestre DeRose. No entanto, são com os livros do Prof. Hermógenes que primeiro trava contato literário com a doutrina do ioga. Hermes aos 16 anos inicia a sua formação nas escolas de ioga que DeRose coordenava no Rio de Janeiro na década de 80, aonde se destaca e se transforma professor e a lecionar na própria metodologia.

Anos após professor do Swasthya, rompe com o mestre DeRose e inicia caminhada própria no microuniverso do ioga brasileiro, abrindo escola, organizando formações, palestras e apresentações de método próprio em desenvolvimento. Nesse ínterim, muda-se para São Paulo, lança livros e ganha notoriedade em âmbito nacional. Atualmente organiza também viagens à Índia, mantém seus cursos de formação e venda de produtos de ioga em escola própria.

Assim como outros dissidentes do mestre DeRose, Hermes verte por um ioga mais tradicionalista do que híbrido. Durante as entrevistas, por exemplo, apesar de ser grato pela contribuição do Prof. Hermógenes não vê com bons olhos o sincretismo que promove com o cristianismo e terapia, acreditando que haverá um dia em que todos saberão as deformações que se fez com o hatha-ioga no Ocidente.

4.3.8. Rudá

Estabelece contato com o ioga pela primeira vez com a mãe. Segundo ele, durante o processo depressivo da mãe, o pai de Duda presenteia-a com um livro de ioga do Prof. Hermógenes na ânsia de resgatá-la desse quadro enfermo. Anos mais tarde, ele e a mãe ingressam em curso de formação do Prof. Cláudio Duarte em São Paulo.

O Prof. Cláudio Duarte foi um conhecido iogue brasileiro que nos anos de introdução do ioga no Brasil (anos de 1970-1980), travou dissensões com a autoridade do mestre DeRose e seu “yôga”, por isso Duarte sempre grafou “yóga” justamente para diferenciar-se do Swasthya Yôga. Essa discussão gramatical é clássica entre os iogues brasileiros entre as décadas de sessenta aos anos de 2000, e revela na verdade, uma disputa que ajudou ao ioga brasileiro consolidar-se como fenômeno religioso singular, ao mesmo tempo que acarretou desentendimentos. O que nos interessa aqui, é ter conhecimento que Rudá participou e vivenciou muito dessa contenda, assim como todos os mentores anteriores que descrevi e que entrevistei.

Após formar-se em Educação Física, em 1998, Rudá inicia outra formação, mas agora com o Centurion no método do Asthanga Vinyasa Yoga. A sua formação acadêmica em Educação Física e vivência entre o meio ioguico brasileiro o capacitou ser convidado ministrar o ioga como disciplina de graduação em universidade paulista. Participou integralmente na idealização de uma formação para professores de ioga e, mesmo não desenvolvendo ainda peregrinações periódicas a locais “sagrados” ao ioga como seus colegas, a posição de formador de professores de ioga com a chancela acadêmica, algo realizado apenas por Ravi e DeRose anos passados, o autorizam como um mentor em andamento de sua própria metodologia de ensino espiritual. Por sua vivencia mais abrangente, ensina e professa o ioga híbrido.

4.3.9. Andurá

O cientista Andurá conhece o ioga e a meditação através das artes marciais ainda jovem. Segundo ele, fez e conheceu as mais diversas práticas meditativas, mas as considerava todas “muito místicas”. Quando convidado pela Universidade Federal

de São Paulo para o seu doutorado envereda na discussão das benéficas repercussões da meditação para gestantes.

Em 1994, a sua tese gera ótima recepção da comunidade acadêmica internacional pela definição operacional que concebe para a meditação - descrita na subseção 4.4.4. Atualmente ainda atua como pesquisador, mas a sua principal ocupação está voltada para os cursos que produz e ministra de formação para facilitadores de meditação em saúde. Seu curso, de certa forma, se assemelha com as formações em ioga realizadas pelos mentores do ioga descritos acima, no quesito a referência aos textos do ioga (mesmo que historicamente) a respeito da meditação. Como veremos, o posicionamento de Andurá com relação aos mentores do ioga brasileiro, chega a ultrapassar, em alguns momentos, os limites do que a ciência está autorizada a discutir. Sua figura, no entanto, em alguns núcleos ioguicos é valorizada, enquanto que abolida em outros, e suas definições sobre estados e práticas meditativas/ioguicas podem chegar a desautorizar discursos ioguicos alheios.

4.3.10. Osiris

A cientista Osiris conhece a meditação/ioga através da vida como desportista nas artes marciais. Sua graduação em biologia pela Universidade de São Paulo e depois os anos do mestrado (1999), doutorado (2002) e pós-doutorado (2012) pelo Albert Einstein de São Paulo, a autorizaram ser considerada uma das mais importantes pesquisadoras na área de meditação do país.

Atualmente é professora afiliada do departamento de Psicobiologia da Universidade de São Paulo e as suas principais pesquisas abordam a neurofisiologia de estados de consciência como a meditação através da neuroimagem funcional e a avaliação de intervenções que envolvem treinamento de habilidades cognitivas e comportamentais que promovam uma melhor qualidade de vida e bem-estar. Está hoje também bastante envolvida com o Instituto Palas Athena de São Paulo que divulga, entre outros assuntos, a vinda do Dalai Lama ao Brasil e outros cientistas e monges que investigam práticas espirituais de contemplação.

4.3.11. William

Aprende as práticas de ioga e meditação ainda adolescente com o seu pai em São Paulo. Graduado em Educação Física, deu continuidade a vida acadêmica com o mestrado em Farmacologia e o doutorado investigando o ioga como uso terapêutico.

Praticando ioga depois em Santos/SP, aprende uma espiritualidade muito mais medicinal do que vedântica, pois o seu professor na época foi bastante inspirado nas obras do Prof. Hermógenes. Já adulto resolve ingressar em uma formação para professores de ioga com Ravi, no “ioga científico”. Ministra aulas na rede pública da cidade de Santos/SP, mas depois abandona e segue a vida de professor acadêmico aonde atua até hoje. Seu doutorado concorreu a prêmios nacionais de revelação acadêmica e possui artigos acadêmicos publicados pelo mesmo departamento da Universidade Federal de São Paulo de seus dois colegas anteriores.

4.4. Questões de aproximação

A partir da análise das sete questões pré-elaboradas iniciais (1. Trajetória de vida; 2. Relaxamento; 3. Hinduísmo; 4. Ecumenismo; 5. Ioga, religião e influências espirituais; 6. Ciência; e 7. Klesas, estresse e obstáculos espirituais) agrupei os comentários em quatro subseções que seguem: 4.4.1. Práticas e estados de ioga ressignificados; 4.4.2. Ciência e ioga na construção de uma nova espiritualidade terapêutica em andamento; 4.4.3. Fase de transição na comunidade ioguica brasileira em busca da sua identidade religiosa; 4.4.4. A crença na ordem cósmica e prana estabelecendo dialética entre o estresse e o relaxamento espiritualizados; 4.4.5. Aproximação entre relaxamento-samadhi e homeostase eterna-kaivalya; 4.4.6. A crença na ordem cósmica e prana estabelecendo dialética entre o estresse e o relaxamento espiritualizados.

A ordem das perguntas não necessariamente seguiram-se como expostas acima, mas serviram muito bem de estrutura para as gravações das entrevistas. Os conteúdos das questões formaram a base para elaboração das questões subsequentes e me ajudaram a organizar os argumentos discutidos no capítulo cinco.

Com relação as quatro subseções a seguir, elas são cruciais para se hipotetizar a lógica que sustenta a estrutura do ioga como um novo movimento religioso, desvinculado do hinduísmo e demais denominações advindas da Nova Era, mas sobretudo, para se buscar ampliar a compreensão dos meandros que levaram possivelmente o ioga brasileiro acomodar as causas do Mal/klesas à configuração atual. No primeiro momento, apresento uma divisão que os líderes do ioga realizaram entre “prática ou método” de “estado ou experiência” do ioga, permitindo a eles mesmos excluírem do seu microuniverso qualquer tentativa de secularizar o ioga pela fisiologia científica biomédica. Essa estratégia resguarda a promessa ioguica de salvação/libertação, ao mesmo tempo em que autoriza os avanços da ciência na investigação dos seus benefícios terapêuticos.

Na subseção ulterior, exponho pela primeira vez uma nova categoria de agentes atuando na manutenção e reformulação do discurso do ioga. Mesmo sem a intenção real (e muitas vezes, contra a pretensão dos agentes), o conteúdo discursivo dos cientistas os incluem como parte inclusiva, junto com a dos mentores, ao microuniverso ioguico em formação brasileiro. Logo, posso supor algumas colocações dos cientistas, uma condição destes de “cientistas-monges” ou “meditadores-cientistas”. Esta posição de cientistas-monges, não os encaixa nem como alunos e muito menos como mentores. De alguma forma, durante a análise das entrevistas, foi se evidenciando cada vez mais a importância do conteúdo da fala dos cientistas na construção compreensiva dos klesas ao lado do posicionamento dos mentores sobre o mesmo tema.

A partir do relato dos cientistas entrevistados, aflora em alguns momentos, um discurso que visa desautorizar a fala dos mentores do ioga com relação aos conteúdos doutrinários e práticos, por exemplo. Em palavras mais simples, há críticas de mentores contra posicionamentos de cientistas, mas também de cientistas criticando o conhecimento (e posicionamento ético) inadequado dos mentores sobre suas doutrinas e sistema de atos espirituais. A contenda não reside – reforço - entre ciência e ioga, mas entre cientistas e iogues. Desse modo, ao invés de analisá-los como um posicionamento da ciência, avalio-os como parte integrante da estrutura religiosa “invisível” que, hipoteticamente ainda, parece reger o ioga brasileiro.

Na análise da terceira subseção, mostro uma fase de transição com o fim da disputa entre os agentes mais populares ao longo de setenta anos do ioga brasileiro, o embate entre o Prof. Hermógenes e Mestre DeRose. O término dessa contenda (em processo ainda), entretanto, não impede que novos mentores do ioga surjam em cena com o mesmo mote discursivo: híbridos versus tradicionalistas. A diferença agora fica a cargo do maior tom propalado pelos “herdeiros” atuais da ortodoxia ioguica brasileira. Em suma, a hegemonia está em processo de inversão, agora são os tradicionalistas, herdeiros de certa forma do mestre DeRose, levantarem as suas vozes contra os hibridismos e permissividades religiosas, talvez, no intento de resguardar ou “resgatar” certo “purismo” no ioga em que vivem.

Na última subseção percebo duas crenças antigas que permanecem e alinhavam os novos símbolos e bens de salvação do ioga no país: prana ou energia transfisiológica, e a ideia de ordem cósmica que rege desde a natureza, a sociedade, o funcionamento dos corpos até a vida em si. Essas duas crenças irão substanciar as transformações advindas do entrelaçamento do ioga com a fisiologia científica, sobretudo, estabelecendo diálogo espiritual entre o conceito do estresse-ioguico com os klesas e emoções nefastas à dialética saúde-salvação, já levantada em capítulos anteriores e retomada aqui.

4.4.1. Prática e Estado de ioga ressignificados com vistas a deslegitimar cientistas

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