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Kapittel 7 - Avsluttende refleksjoner

7.2. Forslag til videre forskning

Examinando a posição e quantidade de superfícies usadas, destacam-se três variáveis: os artefatos com uma superfície utilizada, artefatos com duas extremidades utilizadas e aqueles com duas superfícies opostas. No gráfico 5.2 podem-se verificar as diferentes localizações das marcas de uso nos artefatos.

2% 22% 18% 1% 20% 4% 3% 6% 6% 1% 13% 1% 2% 1% 0% 5% 10% 15% 20% 25%

0 - Não há Sinais de Uso 1 - Uma Superfície Utilizada 2 - Duas Opostas 3 - Duas Laterais 4 - Duas Extremidades 5 - Quatro Superfícies 6 - Duas Opostas/Uma Extremidade 7 - Duas Extremidades/Uma Superfície 8 - Uma Superfície/Uma Extremidade 9 - Uma Lateral 10 - Uma Extremidade 11 - Duas Laterias/Uma Extremidade 12 - Duas Extremidades/Uma Lateral 13 - Duas Laterais/Uma Superfície

Gráfico 5.2 – Posição e quantidade de superfícies utilizadas.

Figura 5.1 – Artefato com duas extremidades de uso

A análise do suporte entre os artefatos brutos demonstrou que 97% deles são seixos, 2% são blocos e 1% não foi identificado. Dessa forma, pode-se considerar que a indústria lítica de Mar Casado é uma indústria sobre seixos. Esses seixos, segundo o professor Humberto Cordani (sem data), tratam-se de seixos rolados de origem fluvial, alguns se apresentaram achatados, possuindo um dos lados mais desgastado do que o outro e com curvatura mais suave que o oposto, o que pode indicar um retrabalhamento pela ação do mar em depósito de cascalho marinho.

A análise da cor dos artefatos demonstrou que neste caso, 79% das peças são de coloração cinza-escuro, isto é, apresentam entre 60 e 90% de minerais escuros (rochas melanocráticas). Cerca de 8% apresentaram um tom de cinza mais claro, 8% brancos, 4% são amarelos e apenas 1% dos artefatos apresenta cor preta.

A textura das rochas é um aspecto importante na seleção da matéria-prima. Os antigos artesãos sabiam explorar essas características e utilizaram a granulometria natural das rochas para alisar superfícies, para alterar a textura de alguma substância trabalhada entre duas pedras ou ainda para trabalhar superfícies de outros materiais como madeira, osso, concha. A granulometria natural também pode apresentar mudanças conforme seu uso, por exemplo, a textura do artefato de grãos finos pode tornar-se mais áspera pelo ato de bater em outra superfície como um martelo. Desse modo, a identificação da granulometria natural é capaz de mostrar características do uso dos artefatos, bem como se deu a alteração de sua superfície (ADAMS, 1994; 1996). Para verificação da textura, os grãos foram separados em finos (tamanho de até 1 mm), médios (1 a 2 mm), grossos (2 a 4 mm) e conglomerados (acima de 4 mm). Em algumas peças não foi possível a determinação desses grãos, por serem extremamente finos, portanto foram designados como sendo de textura afanítica (não são visíveis a olho nu).

5% 7%

56% 27%

5%

Afanítica Finos Médios Grossos Conglomerado

Gráfico 5.3 - Textura dos artefatos brutos.

A textura revelada no gráfico 5.3 demonstra que os grãos de tamanho médio prevaleceram, seguidos pelos grãos grossos. É importante frisar que as peças caracterizadas com o tamanho médio dos grãos também apresentaram grãos grossos e aqueles caracterizados com a medida grossos também apresentaram grãos de tamanho médio.

A população de Mar Casado fez grande uso do diabásio como demonstra o gráfico 5.4. A maior parte deles apresenta algum tipo de fratura. O acebolamento ou intemperismo esferoidal consiste em uma espécie de descamação da rocha, onde as camadas exteriores vão se deteriorando primeiro (característica típica dessa rocha). Tal característica está presente nesses artefatos, assim como pequenas fraturas. Essas rochas apresentam proporção considerável de magnetita. As rochas básicas vulcânicas também apresentaram magnetita e piroxênio. Em geral, as rochas básicas sub-vulcânicas apresentaram pouca magnetita e são caracterizadas especialmente pela presença de grandes minerais de anfibólio (minerais ricos em magnésio e óxido de ferro). As peças em quartzito, além do quartzo apresentaram minerais escuros (que podem ser micas).

Segundo Cordani (sem data), o basalto, de origem vulcânica, apresentou fenocristais milimétricos de olivina e augita titanífera, em uma massa fina constituída por plagioclásios e piroxênios, além da magnetita. São encontrados com freqüência na região de Santos e São Vicente sob a forma de diques encaixados nos gnaisses. Também são encontradas na Ilha de Santo Amaro. Quanto às demais, não identificadas, encontram-se bastante intemperizadas. As figuras 5.2a e 5.2b exibem os tipos de fragmentação naturais do diabásio.

4%

66% 4%

9%

11% 5% 1%

Não Identificada Diabásio

Basalto Rocha Básica Vulcânica

Quartzito R. B. Sub-vulcânica

Outros

Gráfico 5.4 - Tipos de matéria-prima dos artefatos brutos.

a) Artefato intensamente fragmentado b) Pouca fragmentação

Figuras 5.2 - Tipos de fragmentações naturais comuns encontradas na indústria de Mar Casado.

Os aspectos morfológicos nem sempre designam a forma real do artefato, aqui foi considerada a morfologia aproximada. A forma elíptica se sobressaiu sobre todas as outras. A maior parte das peças em forma elíptica poderia ser apoiada facilmente no chão, pois as faces superior e inferior, de modo geral, são achatadas. No gráfico 5.5 há alguns dados sobre a morfologia desses artefatos. Nas peças fragmentadas esse atributo não foi considerado.

13% 1% 8% 4% 4% 41% 7% 3% 11% 3% 5% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 0 - Fragmentada 1 - Cilíndrico 2 - Circular 3 - Ovóide 4 - Irregular 5 - Elíptico 6 - Retangular 7 - Quadrangular 8 - Sub-circular 9 - Triangular 10 - Trapezoidal

Segundo Adams (1994; 1996) o uso consiste na progressiva perda de substância da superfície de operação de um artefato polido como resultado dos movimentos entre as superfícies de contato. Para Adams, a intensidade de uso de um objeto é medida pela quantidade de tempo gasto em cada tarefa, se um artefato foi manipulado por quatro horas em um dia, foi intensamente mais usado do que aquele manipulado uma hora durante 4 dias. O aumento da intensidade pode se limitar pela força e resistência humana e pela resistência do material utilizado. Conhecendo essas limitações os artesãos poderiam selecionar matérias-primas mais resistentes ou desenvolver técnicas de administração do uso. Essas técnicas deixam distintas características morfológicas que podem ser usadas para verificar a intensidade das atividades.

A quantidade de uso observada neste trabalho evidenciou que pouco mais da metade dos artefatos foram usados de forma moderada correspondendo a 52%, 27% revelaram-se pouco usados, 18% revelaram uso intenso e em 3% não houve utilização do artefato. Os artefatos de uso intenso mostraram-se como o menos expressivo, enquanto os de uso moderado prevaleceram. A análise da quantidade de uso, neste caso, foi considerada em relação a totalidade do artefato, isto é, as marcas de uso não foram observadas separadamente no mesmo artefato, procurou-se verificar a utilização do artefato como um todo. Esses resultados, no entanto, são bastante relativos. Somente um estudo experimental ou um estudo traceológico poderia revelar com precisão a intensidade de uso deixada nos artefatos.

As alterações de superfície demonstraram que o picoteamento foi a característica predominante revelada em 22% dos artefatos, 18% apresentaram apenas fraturas, 13% apresentaram apenas polimento. Esses foram os aspectos mais relevantes verificados. Contudo, considerando as diferentes combinações, as fraturas foram os aspectos que prevaleceram. Outros artefatos apresentaram combinações dessas marcas, sendo que 12% das peças apresentaram marcas de picoteamento e algum tipo de fratura; 4% apresentaram marcas de polimento e algum tipo de fratura; 2% apresentaram diferenças de coloração e algum tipo de fratura; 2% apresentaram marcas de picoteamento, polimento e fratura; 1% demonstrou marcas de picoteamento, carbonato de cálcio e fratura; 1% demonstrou diferenças de coloração, polimento e fratura; 1% demonstrou brilho, diferenças de coloração e algum tipo de fratura; 1% apresentou fratura e concreção, restando ainda 14% de artefatos que não apresentaram quaisquer alterações de superfície. É difícil determinar se as quebras ou fraturas foram causadas naturalmente ou devido ao uso. As fragmentações ou grandes quebras podem ter sido provocadas pelo uso, entretanto, muitas delas tratam-se descamações ou leves fraturas

e rachaduras naturais. Outras combinações que não envolvem qualquer tipo de fratura correspondem a 1% de polimento e brilho; 1% de diferenças de coloração e polimento; 2% de diferenças de coloração e picoteamento; 1% de polimento e picoteamento; 1% de brilho e estrias e 2% de picoteamento e carbonato de cálcio.

A figura 5.3 ilustra artefatos com marcas de picoteamento em diferentes localizações

a) Marcas de picoteamento na extremidade da peça b) Marcas de picoteamento na porção central e em uma das extremidades

Figura 5.3 – Artefatos com marcas de picoteamento

As dimensões oferecem uma idéia aproximada do volume das peças, contudo a quantificação do peso contribui para fixar a importância relativa de matérias-primas diferentes no contexto da indústria, gerando assim um parâmetro individual para as peças (ARAÚJO, 2001). Neste trabalho foram observadas as dimensões de todas as peças, excluindo aquelas fragmentadas. Com exceção de duas peças excessivamente grandes e pesadas, o comprimento da menor peça apresentou 59 mm e as maiores 156 mm; a largura mostrou peças com 47 até 123 mm; a espessura mostrou peças com 24 até 76 mm e o peso apresentou artefatos com 0,118 a 2,154 kg.

Depois desta breve apresentação, as principais relações entre os atributos serão explanadas.