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3 Teoretisk grunnlag 3.1 Skipshåndtering

6.3 Forslag til videre arbeid

Acompanhando as transformações mundiais, o Brasil, na segunda metade do século XX, caracterizou-se por uma rápida evolução tecnológica que era colocada ao dispor das populações para a melhoria da sua qualidade de vida. O uso da água cresce em paralelo, para atender a novas e diferentes demandas: a população cresce com a melhoria das condições de saúde e cresce o número de economias que necessitam de abastecimento de água. Conseqüentemente, aumenta a demanda por alimentos e para atender a essa necessidade são introduzidos novos processos de cultivo para a produção, que incluem irrigação e energia, ambas altamente consumidoras de água14. No Brasil, 69% da demanda de água é exercida pela agricultura (cf. gráfico 2) . Em seguida vem o abastecimento urbano e animal com 11% cada, depois vem a indústria com 7% e por fim o abastecimento rural com 2%. (ANA, 2005).

14De acordo com estudos elaborados por Christofidis (1998), são necessárias cerca de 2.000 toneladas (t) de

água para produzir uma tonelada de arroz ou soja. Para produzir uma tonelada de trigo ou milho precisa de aproximadamente 1.000 t de água. Já na produção de alimentos de origem animal, o requerido é bem maior: 7.000 t de água para obter uma tonelada de carne bovina, 4.000 t de água para uma tonelada de carne suína, 5.000 t de água para a obtenção de uma tonelada de leite e 6.600 t de água para resultar em uma tonelada de queijo. 68 16 7 6 3 45 19 7 11 18 7 6 15 43 29 0 20 40 60 80 100

Norte Centro Oeste Sul Sudeste Nordeste

(%)

Gráfico 2 – Demanda de consumo para os diferentes usos de água no país Fonte: ANA, 2005

Em função de suas qualidades e quantidades, a água propicia vários tipos de uso, isto é, múltiplos usos. O uso dos recursos hídricos por cada setor pode ser classificado como consuntivo e não consuntivo, como segue adiante:

a) Uso Consuntivo – é quando ocorre a retirada de uma determinada quantidade de água dos mananciais e depois de utilizada, uma quantidade menor e/ou com qualidade inferior é devolvida, ou seja, parte da água retirada é consumida durante seu uso. Exemplos: abastecimento urbano, irrigação, etc.

b) Uso Não Consuntivo – é quando a água utilizada permanece nos mananciais, ou seja, a água não é consumida durante seu uso. Exemplos: pesca, navegação, geração de energia hidrelétrica etc.

Em relação aos usos consuntivos, como citado anteriormente, a irrigação é a que mais domina a demanda da água. Com as novas tecnologias, o empresariado vem buscando cada vez mais o uso da irrigação para deixar de depender dos regimes naturais de ocorrência de chuvas e categorizar a atividade agrícola como uma opção estratégica de redução dos custos com a terra e com o capital investido na exploração agrícola. Dessa forma, vem se ampliando e intensificando a prática de irrigação para além das áreas tradicionais do semi-árido. Entretanto, de uma maneira em geral, o manejo da irrigação não é controlado, tornando o custo de produção das lavouras elevado pelo excesso de irrigação e o conseqüente custo de energia usada no bombeamento da água. Outra característica é que a eficiência da prática de irrigação depende não apenas da seleção do sistema, mas também da adequação do método às características do solo, da topografia e da lavoura a ser irrigada, o que muitas vezes não ocorre, aumentando assim o desperdício de água e energia (BRAGA, 2005).

Já em relação aos usos não consuntivos, destaca-se o uso para a geração de energia elétrica. No Brasil, a energia de origem hídrica responde por cerca de 97% do total da energia gerada. A capacidade de geração de energia hidrelétrica instalada é de 57.640 MW, porém o potencial hidrelétrico brasileiro é estimado em 258.686 MW, dos quais 20% já foram explorados, ou seja, o país ainda possui um potencial enorme de exploração dos recursos hídricos nessa área (BRAGA, 2005).

Situação semelhante acontece com o transporte hidroviário, que possui um grande potencial de exploração, mas é muito pouco utilizado. De acordo com um estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV, 2000), se o Brasil utilizasse toda a extensão de rede hidroviária de águas doces teríamos cerca de 40.000 km navegáveis, porém apenas 26.000 km são navegáveis e de forma bastante precariamente. Embora o Brasil, aparentemente, apresente alta capacidade potencial para a navegação de rios e lagos, sugerindo uma densa rede de circulação, esse potencial é mal ou pouco utilizado15. A rede hidrográfica se constitui de rios facilmente navegáveis, que poderiam servir para o transporte de cargas pesadas de longas distâncias, porém ela é subutilizada e se constitui de uma rede precária que se caracteriza pela falta de operação de transporte, disponibilidade de infra-estrutura e serviços portuários.

Além dos problemas gerados pelo aumento da demanda de recursos hídricos no Brasil, o aumento populacional e industrial acelera o processo de produção de rejeitos e dejetos dos novos processos produtivos. Toneladas de lixo se acumulam por todos os lugares, de todas as atividades, contaminando os solos, que por sua vez liberam resíduos para as águas de escoamento superficial e ou subterrâneo. Esse processo é denominado poluição hídrica.

Apesar da grande carga poluente gerada pela agricultura, pecuária e indústrias, o maior impacto hoje no Brasil é provocado pelos esgotos domésticos. Considerando-se o volume de esgoto não coletado, somado aos 50% do volume coletado e não tratado, diariamente são lançados no ambiente aproximadamente 11 milhões de m3, sem nenhum tratamento (ABICALIL, 2003 apud BRAGA, 2005). No que se refere ao esgotamento sanitário, apenas 47,2% dos domicílios estão ligados às redes coletoras, sejam elas exclusivas ou de drenagem de águas pluviais. A ausência ou precariedade dos serviços de saneamento básico constitui grande risco à saúde pública, podendo causar doenças graves como febre tifóide, tracoma, esquistossomose, desinteria bacilar, amebíase, gastrointerites, infecções cutâneas entre outras (HELLER, 1997). Por conseqüência, a poluição das águas

15

O transporte aquaviário de cargas corresponde a apenas 13,6% de toda a carga que é transportada no Brasil, segundo a Confederação Nacional do Transporte (www.antaq.gov.br. Acesso em 16 de junho de 2010)

limita os usos múltiplos dos recursos hídricos, como os de abastecimento de água, irrigação e lazer, repercutindo negativamente inclusive na economia das regiões afetadas.