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Forslag til videre arbeid

Com a necessidade de assegurar a colonização do Brasil, a Coroa estabeleceu algumas mudanças em relação às Capitanias, procurando incentivar a colonização para assegurar o território. Diante não somente dos ataques franceses e de La France Antarctique, mas, propriamente do contexto conturbado da política europeia, criou-se em 1549 o Governo Geral.

Alguns anos após a produção de açúcar ter sido implantada no Brasil observou-se que ela prosperou bastante. O engenho que foi transportado para a América pelos portugueses, logo após a iniciativa de assegurar o território, tinha uma longa duração histórica, com inovações técnicas, e estavam bastante aperfeiçoadas pelos italianos, principalmente, os genoveses que transferiram o conhecimento do leste para o oeste do Mediterrâneo e posteriormente para a península ibérica.

Os portugueses, por sua vez, disseminaram as técnicas nas ilhas Atlânticas, Madeira, Açores e Cabo Verde, onde algumas mudanças ocorreram: a utilização da mão-de- obra escrava e africana foi a principal delas. A organização da produção em termos de mão- de-obra variou um pouco, no entanto, em geral, obedecia a uma linha com técnicos pagos que faziam o processo especializado: cañaveiros, espumeiros, mestres de açúcar, entre outros. O trabalho braçal era feito por escravos (africanos). Por fim, os labradores, colonos que não tinham cabedais para montar um engenho, o que era extremamente caro, plantavam cana, a qual era produzida no engenho de outrem e cuja parte da produção era dividida entre produtor e proprietário. Esse processo se transplantou para a América (SCHWARTZ, 1996, p. 22 - 26).

O engenho americano não se constituiu ao acaso. Havia uma história centenária por traz da produção que se instalou no novo continente, na qual os portugueses se tornaram mestres. Ligado a esses aspectos o contexto americano no qual os portugueses encontraram um excelente solo, rios, madeira abundante, no começo mão-de-obra indígena em grande número, entre outros aspectos que os levaram a aperfeiçoarem ainda mais o processo produtivo. As ilhas do Atlântico, com a introdução da produção americana e seu crescente desenvolvimento, quase desapareceram frente ao concorrente.

Não obstante, na América, no início do processo de montagem da empresa açucareira, isso no século XVI, observou um desenvolvimento lento, pois, sua função estava mais ligada à colonização do território americano de maneira a inibir os ataques estrangeiros do que, propriamente, o de a Coroa tirar proveito maciço do seu comércio, como aponta Blackburn: ―por longo tempo o Brasil fora pouco mais que uma parada intermediária e

atrasada dentro do Império português (...) a colonização portuguesa limitava-se a alguns enclaves costeiros”(BLACKBURN, 2003, p. 203).

Exceto pelo pau-brasil, não se pensava em uma colonização com bastante cabedal inicial, voltada para a grande produção. O que se evidencia é que o resultado de uma política para assegurar o território, acabou por desenvolver o crescente interesse comercial pelo açúcar. Ou seja, até cerca de 1560, a colônia da América era apenas mais uma dentro do

império português, longe de dar grandes lucros à Coroa. Assim, em comparação com as outras, a sua importância era minoritária. Nesse momento, Portugal estava preocupado em cuidar da colonização do Oriente, a qual com o comércio das especiarias sustentava a sua economia e as suas aspirações políticas. O Oriente era o que chamava a atenção dos cabedais, porque era aparentemente mais lucrativo (FERLINI, 1988, 14 - 15).

A noção de colonização americana dos portugueses mudou a partir do momento em que viram sua possessão ser ameaçada por navios estrangeiros que rondavam à costa e, sobretudo, pela instauração de La France Antarctique, no Rio de Janeiro (BLACKBURN, 2003, p. 204). Essas questões levaram a uma mudança de atitude dos portugueses em relação à importância dada à colônia da América, pois, havia a expectativa de se encontrar ouro, tais quais os espanhóis, e tais ataques representavam uma ameaça ao empreendimento (FERLINI, 1988, 14). Em resposta aos invasores, os portugueses instituíram o Governo Geral, expulsaram os franceses do território e incentivaram a colonização que teve como resultado o desenvolvimento da produção açucareira.

A partir da década de 50 do século XVI, portanto, em respostas a esses problemas, decidiu-se povoar com mais afinco o litoral americano, utilizando a cana de açúcar como meio para isso (FERLINI, 1988, 16). Lavouras e engenhos de açúcar começaram a ser montados, com uma série de incentivos da Coroa. O próprio governador geral, Mem de Sá (1557 – 72) montou dois engenhos. O que se notou nesse período é que, devido às facilidades que a Coroa portuguesa proporcionava aos senhores de engenho americanos, a fertilidade do solo, facilidade de comunicação e segurança, alguns proprietários de São Tomé se transferiram para a América e com eles vieram também as técnicas e os cabedais que lá utilizavam. Os jesuítas também receberam inúmeras concessões que facilitaram a instalação dos seus engenhos, como a isenção do pagamento do dízimo (BLACKBURN, 2003, p. 206). O desenvolvimento foi, sobretudo, no Estado do Brasil, nas capitanias de Pernambuco e Bahia, e depois, do Rio de Janeiro.

Stuart Schwartz notou que logo após esse crescimento inicial houve um período de crise que durou até a década de 20, mas, logo foi amenizada devido ao crescente interesse dos comerciantes que migravam do Oriente. Como afirmou Godinho, há uma viragem na economia do Coroa portuguesa que passou a sustentar-se do circuito Atlântico.

A economia portuguesa do século XVII participa profundamente deste conjunto Atlântico. O tráfico com as índias orientais torna-se muito anemiado em consequência da vitoriosa concorrência dos holandeses, ingleses e franceses. Depois da derrocada da primeira companhia (1628-

1633), o pensamento econômico deixa mesmo de se preocupar com o assunto, durante um meio século. Mas Portugal, ou antes, a sua superestrutura de grandes cidades, da nobreza e do Estado, continua a alimentar-se das relações marítimas, agora no quadro Atlântico (GODINHO, 1968, 298 - 299).

O tráfico de escravos, juntamente a esse processo, teve um crescimento equivalente30. Criou-se, assim, um circuito muito vantajoso aos comerciantes envolvidos no trato açúcar/tráfico de escravos. A Coroa passou a lucrar muito com as diversas taxas, embora os comerciantes de açúcar e de escravos e os senhores de engenho também lucrassem. O açúcar produzido com mão-de-obra escrava africana passou a ser elemento muito importante dentro do bloco econômico português, excedendo as relações de produção e se transformando num aglutinador social. Como apontou Alencastro sobre o tráfico negreiro, ele foi um ―instrumento de alavancagem do Império do Ocidente”(ALENCASTRO, 2006, p. 28). Desenvolvem, dessa forma, a criação de uma sociedade voltada para o engenho escravista e produtor. Em resumo, o grande crescimento da produção de açúcar e seu alto poder de venda no mercado europeu chamaram a atenção das potências europeias.