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Forslag til satsningsområder

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Era o ano de 1861 quando uma bela mulher, sedutora e perigosa entrou na vida de Sacher-Masoch, sua primeira Vênus. Ela lhe inspirou três de suas obras: Don Juan

de Kolomea (1864); Noite de Luar (1868) e a Mulher Divorciada (1869).

Anna von Kottowitz. Ela tentava se aproximar de Masoch, que a evitava por saber que era casada. Mas ela soube seduzi-lo. Infeliz em seu casamento, pois seu marido, rico e da alta sociedade, tratava-a como um bibelô. Sua única preocupação era desfilar ao seu lado com caríssimas toaletes.

A fama de Masoch já se espalhava nessa época e ela se dirigiu com curiosidade ao jovem escritor, tendo lido, inclusive, duas obras dele.

Idealista, moralista, hostil ao adultério, embaraçado nas condutas do código de honra, nem por isso menos sedutor. Eis que surge uma mulher que põe tudo isso ao chão! Kottowitz assim lhe fala: “anjos decaídos, e veja os princípios que você tanto se orgulhava estão aos meus pés, em farrapos, como cavalinhos de papel”.33

Aos 26 anos Sacher-Masoch, vencido e rendido, fazia amor pela primeira vez, uma entrada tardia, visto toda sua fama de conquistador. Masoch descreve-a sob o pseudônimo de Aldona em seu livro Coisas vividas:

Aldona de K., polonesa, de família aristocrática, casada com aristocrata, era uma das mulheres mais belas e mais espirituosas que eu já encontrara. Seu retrato estava sendo feito para a galeria das beldades austríacas. Eu freqüentava sua casa; ela vinha ver meus pais. Todos estavam a seus pés. Eu era o único que não a cortejava e foi justamente essa atitude para com ela que lhe sugeriu a idéia de tramar sua delicada teia

em torno de mim. O que de início era apenas uma brincadeira, uma implicância, uma pequena vingança contra o catão juvenil, iria tornar-se uma fatalidade para nós dois.34

O marido de Anna descobriu seu caso de amor e a expulsou de casa. Masoch precisou alugar um local para ela no subúrbio. Ele pediu um duelo ou uma declaração pública, mas o marido de Anna recusou.

Masoch e Anna enfrentaram duras críticas dos conhecidos e da sociedade. Devemos reconhecer que ela foi muito corajosa. Abandonou a vida luxuosa, perdeu a guarda dos filhos e com seus 30 anos, cansada da vida que levava, se permitiu viver seus desejos:

Ela me conduziu a um subúrbio afastado. Descemos diante de uma casinha. Ali, me tomando pela mão, ela me fez subir uma escada sombria e atravessar um corredor; finalmente me fez entrar num quarto, em que reinava também a penumbra. Assim que entrei meu guia desapareceu. Ouvi que fechava a porta à chave, depois o frufru de um vestido. Logo dois braços me enlaçaram e lábios ardentes, febris, procuraram os meus. Envolvi com meus braços uma cintura fremente, maleável e flexível como a de uma pantera. Eu lhe pertencia então, à bela traidora triunfante! Ela fizera de mim seu escravo, mas ao mesmo tempo obedecia minha vontade. Naquele momento de suprema felicidade em que ela me fazia prisioneiro, em que me vencera tão completamente, arranquei aquela mulher frívola do mundo. Na mesma noite raptei-a de sua casa e após tê-la colocado em lugar seguro, fui encontrar seu marido para me pôr à sua disposição. Ela possuía a arte de amar e ser amada e conhecia como nenhuma outra mulher a poesia da volúpia.35

O divórcio ainda não existia na Áustria e o pai de Anna, advogado, conseguiu uma separação de corpos amigável, de forma que ela pudesse receber uma pequena pensão. Não teria direito a nada mais de sua fortuna. Todos a desprezaram - a rainha destronada. As portas se fecharam. Ela ficou reduzida a Masoch e seus amigos.

Na casinha do subúrbio ela se dedicou a ler e pintar. Para pagar suas toaletes, Masoch teve que aceitar os trabalhos forçados da pena. Por ela ele se lançou no teatro, escreveu artigos e novelas para várias revistas. A década de sessenta foi aquela que ele mais produziu.

Mas, ao mesmo tempo em que o sucesso vinha, o relacionamento começou a deteriorar e segundo ele, foi por causa de Anna:

A infidelidade de Kottowitz, por quem eu havia feito tantos sacrifícios, foi uma catástrofe em minha vida. Desde então não tive mais confiança na fidelidade de uma mulher. Terrível era, ver a mulher amada pertencer a outro; terrível era a idéia de ser perfidamente enganado, ali onde pusera meu amor e minha confiança.36

34Sacher-Masoch. Choses vécues, XV, 1889, p.431-433. Ver Bernard Michel, op.cit., p. 162.

35 Ibid., p. 163-164.

Esse desabafo de Masoch deve-se a história de um polonês, de nome Meciszewski, que se fez passar por um conde. Tentando se beneficiar do prestígio de combatente da liberdade, dizia ser refugiado da insurreição de 1863 e procurou asilo político na Áustria, justificando ser perseguido pela injustiça dos russos. Na realidade, ele era um simples prático de farmácia, escroque, obrigado a fugir para evitar a justiça de seu país. Ele se aproximou de Masoch, que se mostrava ingênuo e generoso nas relações com seus amigos - como veremos, no capítulo sobre Wanda, esse não seria o único escroque de que ele seria vítima.

Meciszewski dizia ter a receber em breve da Rússia, uma soma considerável de vinte mil rublos e pediu a Masoch que assinasse em novembro de 1865, uma letra de câmbio de duzentos florins sacada ao agiota Köllner a qual venceria em 1866.

No entanto, em meio à suposta amizade e às freqüentes visitas à casa de Masoch, Meciszewski começou a cortejar Anna. Posteriormente, ela informou isso a Masoch para lhe provocar ciúmes. Não obstante, Masoch ficou furioso e chamou o rival para um duelo. Mas o polonês era covarde demais e os amigos de Masoch vieram lhe comunicar que o duelo seria impossível.

Certamente não foi Masoch quem avisou a polícia sobre a índole de Meciszewski, mas as queixas contra o falso conde se multiplicaram e ele acabou preso, expulso para a Suíça em 23 de abril de 1866. Foi em meio a essa confusão que terminou a relação de Anna e Masoch, que durara cinco anos.

1.6 Fanny von Pistor, a Vênus das Peles

Em 1866 houve a derrota da Áustria em Sadowa. Era a separação da Alemanha que realizava sua unidade em torno da Prússia. Cavava-se o fosso entre o império dos Habsburgo (Áustria/Hungria) e a Alemanha do Norte. Masoch sempre atento aos acontecimentos políticos sentiu essa derrota e quis dar ao público uma revista de língua alemã cujo conteúdo fosse austríaco.

Nessa época ele era diretor da revista A Pérgula que era um sucesso literário. Porém, não se podia dizer o mesmo do retorno financeiro - Masoch não tinha tino para negócios.

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