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4.1 Enquadramento

Os séculos XVIII e XIX caracterizaram-se como um período de revolução industrial e de revolução social que marcou profundamente toda a Europa, gerando o êxodo rural, saída dos campos para as cidades, sobrecarregando, assim, os seus limites. Devido ao desmesurado e rápido crescimento habitacional, surgiu a necessidade de crescimento dos edifícios em altura, assistindo-se na Europa a um período denominado de “arquitetura de ferro e do vidro”, que veio revolucionar as soluções construtivas e permitindo a adaptação da construção às novas exigências.

A realidade Portuguesa, nos edifícios de habitação, não acompanha essa evolução. Apesar de serem utilizadas a estandardização e a seriação, o uso de novos materiais como o ferro, por exemplo, não se adaptou às construções da habitação corrente portuguesa, continuando a ser utilizado com intensidade e preferência os materiais não transformados, nomeadamente a pedra e a madeira (Appleyard, 1977).

No caso da cidade do Porto, o uso dos materiais como a pedra e a madeira foi corrente, originando um saber, um conhecimento, muito forte e pormenorizado sobre o sistema construtivo utilizado cujo constante aperfeiçoamento faz com como afirma Teixeira (2004) “basta olharmos para uma qualquer rua dos séculos que estamos a tratar para constatarmos que a uniformidade dos alçados das suas casas se deve à sistematização dos elementos que constituem o sistema construtivo desses alçados e consequentemente da sua arquitetura”.

4.2 Contextualização histórica da casa burguesa do Porto

A habitação unifamiliar burguesa é o tipo de construção característica do centro histórico do Porto, habitualmente apelidada de casa do Porto do século XIX. Esta construção foi a base de expansão urbana da cidade até meados do século XX. De acordo com Barata (1999) “a habitação corrente da cidade, aquela que domina anonimamente no meio urbano é a habitação burguesa”. Com a análise da casa do Porto, surge a necessidade de perceber a evolução e organização desta casa, compreendendo a capacidade de adaptação da habitação às sucessivas exigências.

Segundo Barata (1999) o desenvolvimento da tipologia da casa do Porto considera-se “em três grandes fases de desenvolvimento e expansão: a cidade mercantilista, a cidade iluminista e a cidade liberal. (…) Dentro de muralhas (…) domina o preenchimento integral do lote de matriz medieval: trata-se do processo de formação da casa do Porto mercantilista. Fora de muralhas, mas na sua proximidade, e nas áreas de expansão Almadina, aumenta a grandeza do lote, altera-se a relação do edifício com o logradouro (alguns destes logradouros, realmente profundos, mantêm área ajardinada e horta): são as casas do Porto iluministas (…). Ainda na área de expansão Almadina e nas posteriores extensões desta, que a partir da segunda metade do século XIX se promoveram, surge um novo tipo de edifício de habitação burguesa,

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que denominaremos como o caso do Porto liberal. Resumidamente, é possível agrupar este tipo de habitação em três períodos distintos, compreendidos entre os séculos XVI e XIX: período Mercantilista, período Almadino ou Iluminista e período Liberal. Apesar de, aparentemente, existir uma uniformidade no seu aspeto visual, são todos distintos. O período Mercantilista decorre desde o século XVI até meados do século XVIII, implantando-se na zona da Ribeira, nos quarteirões da Sé e na baixa de Miragaia. O período Almadino ou Iluminista concentra-se na expansão da cidade além muralha, e vai desde meados do século XVIII até meados do século XIX. O último período, apelidado de Liberal, engloba os edifícios construídos a partir de meados do século XIX. (Ferrão,1997)

Tabela 9 - Análise das características dos diferentes períodos da casa do Porto

Período Mercantilista (habitação de uma frente) Mercantilista (habitação de duas frentes) Iluminista Liberal Localização - Interior da muralha - Ribeira - Miragaia - Sé - Interior da muralha - Ribeira - Miragaia - Sé - Zona envolvente da muralha (exemplo: Rua do Almada, Rua de Cedofeita e Rua de Santa Catarina)

- Eixo Avenida Rodrigues de Freitas – Rua do Heroísmo, Rua do Bonfim – Rua de São Roque, Praça do Marquês de Pombal – Rua de Costa Cabral Dimensões do lote - Frente: entre 3 a 5m - Profundidade: entre 10 a 15m - Frente: entre 3 a 5m - Profundidade: entre 20 a 30m - Frente: entre 5 a 7m - Profundidade: entre 20 a 30m - Frente: entre 5 a 7m - Profundidade: entre 15 a 20m Número de pisos

- 2 a 3 pisos - 2 a 3 pisos - 2 a 4 pisos - 2 a 4 pisos

Tipo de caixa de escadas - Escadas de tiro para o primeiro piso - Escadas de dois lanços para os restantes - Escadas de tiro para o primeiro piso - Escadas de dois lanços para os restantes

- Dois lanços - Escada de tiro para o

primeiro piso

- Escada de dois lanços para os restantes Localização da caixa de escadas - Paralela à profundidade e junto à parede de meação - Junto à parede tardoz - Paralela à profundidade e junto à parede de meação - Centro do lote e transversal à profundidade - Centro do lote e transversal à profundidade - Paralela à profundidade e junto à parede de meação

Alteração

- Uso da claraboia e do logradouro - Maior numero de divisões

- Cave sobre elevada - Instalação sanitária - Aumento do pé direito - Uso do logradouro

Como se pode verificar após análise da tabela anterior, a evolução da casa é modificada consoante o período em que se insere, uma vez que os séculos XVII, XVIII e XIX se caracterizam pela existência de vários acontecimentos a nível socioeconómico, político e cultural que influenciaram, certamente, a evolução da casa burguesa do Porto.

Oliveira (1990) caracteriza a casa do Porto como “a casa estreita e alta, na sua forma e sentido originário, além de derivar das construções próprias dos burgos amuralhados ou, de um modo geral, dos locais onde se verifica a necessidade ou a conveniência do adensamento da

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população em áreas limitadas, constitui um tipo híbrido funcional de residência urbana e estabelecimento comercial ao mesmo tempo, referidos à mesma família, estritamente utilitário”.

A tipologia da casa caracteriza-se por possuir duas frentes, uma voltada para a rua, outra para as traseiras (logradouro), rés-do-chão e três pisos superiores. O piso do rés-do-chão geralmente era amplo, localizando-se, inúmeras vezes, neste espaço a área comercial. As escadas são de dois lanços, localizadas no interior e possuem, quase sempre, uma claraboia, que permite a iluminação direta deste espaço. A organização funcional da habitação é básica, não existem conceitos espaciais elaborados, sendo os espaços amplos e singulares. Na maioria das casas apenas o piso da cota da rua é construído em pedra, apresentando-se os restantes em tabique. A habitação portuense implanta-se com o mesmo tipo de lote e tipologia que sempre predominaram na cidade. Geralmente as casas destinavam-se apenas a uma família, contudo surgem casas de divisão horizontal, para permitir que os espaços fossem utilizados por diferentes famílias em cada piso da casa. A habitação plurifamiliar aparece como readaptação do espaço anteriormente ocupado pela tipologia unifamiliar, assistindo-se essencialmente a uma readaptação dos acessos. Assim, os acessos verticais – caixa de escadas, são um elemento fulcral no interior das habitações (Freitas, 2012).

4.3 Caraterização e tipificação do sistema construtivo

A origem da Casa do Porto está “seguramente dependente de um fator tão particular quanto universal – os materiais que naturalmente abundam dentro ou à volta da cidade” (Teixeira, 2004; Freitas, 2012). Tal como já se referiu anteriormente, apesar da evolução da casa ao longo do tempo, existem características comuns e que demarcam esta construção: os materiais e as técnicas construtivas. O sistema construtivo assume-se como um dos principais pontos base de conceção, influenciando diretamente o próprio projeto.

A origem do sistema construtivo da casa do Porto relaciona-se com a origem dos materiais que abundavam próximo da cidade. Os materiais que mais se destacam nestas construções são a pedra e a madeira. O conhecimento da construção resulta do “saber empírico” gerado através da aprendizagem que o Homem vai realizando com os materiais que explora, conseguindo resolver problemas construtivos nos vários elementos que constituem o edifício, como por exemplo, a estrutura, o isolamento, impermeabilização e caixilharias. (Teixeira, 2004; Freitas, 2012).

A partir de inícios do século XX inicia-se uma nova fase na construção, com a incorporação de novos materiais e técnicas construtivas. Os edifícios em estudo são os edifícios não monumentais, de construção corrente, que fazem e definem as nossas cidades, mais especificamente os seus centros históricos. Estas construções caracterizam-se por serem construídas, como já anteriormente se referiu, em lotes estreitos e compridos, geralmente com uma forma retangular.

As fundações nas casas tradicionais são executadas sempre em alvenaria de pedra, constituída por travadouros, que se organizam para formarem o alargamento que é necessário

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às sapatas. As fundações, devido ao terreno na cidade do Porto, possuem profundidades distintas, dependendo da localização do solo firme. Geralmente as fundações possuem pouca altura, porque existem muitas áreas com afloramentos rochosos, porém, quando o terreno se apresenta com pouca resistência e compacidade é necessário realizar estacaria de madeira para assentamento. As paredes exteriores apoiam-se, diretamente, sobre o nivelamento definido para as fundações.

As paredes da fachada da rua e de tardoz são em alvenaria e caracterizam-se por servirem de suporte a uma parte da estrutura da cobertura e ao travamento das paredes de meação, sendo que, normalmente, não servem de suporte ao vigamento dos sobrados. As paredes compõem- se por peças aparelhadas em cantaria de alvenaria de pedra de granito que constituem os vãos das portas e das janelas. Estes elementos tornaram-se cada vez mais sistematizados permitindo que a sua construção fosse cada vez mais económica, funcional e decorativa. A espessura destas paredes é sempre significativa, porque são autoportantes e com grande área de vãos. Nos edificados do século XIX, por exemplo, é possível relacionar a dimensão dos vãos e os elementos de proteção com a espessura das paredes. No interior as paredes são sempre emboçadas e regularizadas com uma argamassa constituída por cal, areia e saibro. O revestimento final realiza-se com um barramento de cal, sendo posteriormente caiado ou pintado.

O revestimento exterior, inicialmente, efetuava-se com reboco de enchimento e regularização, que era executado com argamassa de saibro, areia e cal, podendo ser caiado ou pintado. Porém, este processo é cada vez mais refinado, sendo introduzida uma fina camada à base de cal, areia fina e pigmento. A partir de inícios do século XX é pintado com tintas à base de óleo, apenas na segunda metade do século XX é que o uso do azulejo, como revestimento exterior, se torna típico. Este torna-se um revestimento muito usado porque a necessidade de manutenção é muito baixa, permitindo funcionar como primeira camada impermeabilizante e possuindo um elevado valor e limpeza visual. Também se aplicava uma segunda camada de impermeabilização à base de asfalto, o que permitiu assegurar uma elevada impermeabilização.

Segundo Oliveira (1990), para além das paredes referidas anteriormente usa-se tabique que é “uma técnica de construção anterior ao século XVII com largas raízes ou manifestações provinciais, mas que, certamente por constituir um processo barato e fácil continuou a utilizar- se revestido de telhas, lousas ou chapa, para acréscimos, trapeiras e outras formas de vãos suplementares.” Estas paredes surgem na continuidade das paredes de alvenaria, e permitem a realização de pisos recuados, não fazendo parte da estrutura base das habitações. Ainda que as paredes exteriores de tabique sejam elementos muito delicados de madeira, sendo muito degradáveis, eram um elemento muito utilizado devido à sua abundância. As paredes de tabique podem ser simples, que se apelidam de taipa de fasquio, ou simples reforçada, com o nome de taipa de rodízio, sendo que são muito semelhantes, apenas alterando o número de elementos estruturais. Também existem paredes de tabique misto, que se compõe por uma estrutura em gaiola, formada por barrotes quadrangulares com uma secção entre os 7cm e os

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10cm de lado, dispostos em prumos, frechais, travessanhos e escoras, posteriormente preenchidos com pedra miúda. Porém, estas estruturas são pesadas, sendo necessário apoia- las nas paredes de alvenaria das fachadas. As paredes de tabique simples constituem-se por uma estrutura de barrotes de secção quadrangular com 7cm de lado, formadas com prumos verticais, que se afastam cerca de 1m entre si e se apoiam diretamente sobre o vigamento do sobrado ou sobre um frechal. Sempre que é necessário rasgar vãos esta estrutura completa-se com um frechal superior, travessanhos e vergas. As peças unem-se com encaixes por samblagem a meia madeira ou malhetes em forma de cauda de andorinha. Toda esta estrutura é preenchida com um duplo tabuado que se forma com tábuas de 2 cm de espessura que se colocam na vertical e na diagonal. No interior coloca-se um fasquiado para ser rebocado e no exterior um ripado para permitir a fixação dos soletos de ardósia ou outro material. As paredes de tabique simples reforçado são constituídas por uma estrutura em gaiola muito semelhante à estrutura de tabique misto, sendo o interior preenchido com restos de madeira ou cortiça. Os revestimentos são similares aos das paredes de tabique simples (ver figura 23) (Teixeira, 2004; Freitas, 2012).

Figura 23 – Pormenor tipo de uma parede exterior em tabique (adaptado de Freitas, 2012).

1-Viga 2- Argamassa 3- Fasquio 4- Estuque 5- Tarugo 6- Frechal 7- Vara 8- Ripa 9- Telha vã 10- Argamassa de saibro 11- Telha marselha 12- Rufo em chapa de zinco 13- Ripa para fixação de rufo 14- Chapa ondulada 15- Guarnição exterior 16- Ripa para fixação de rodapé 17- Prumo

18- Soalho

19- Tábua inferior de rodapé 20- Tábua superior de rodapé 21- Frechal ou travessanho 22- Tabuado

23- Alizar 24- Tábua de peito

25- Travessa inferior da folha móvel 26- Pinásio

27- Travessa superior da folha fixa 28- Aro

29- Calço 30- Travessanho 31- Beirado de madeira

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As paredes de meação das casas são de alvenaria, de pedra ou em tabique misto, podendo ser individuais ou comuns a duas casas. As construídas em alvenaria de granito com perpianho ou travadouros são assentes em argamassa de cal, areia e saibro, variando a sua espessura entre os 30cm e os 60cm. No interior revestem-se de forma similar às paredes de fachada. No exterior, quando formam empenas revestem-se a reboco, ou com soletos de ardósia. A partir de inícios do século XIX usa-se um barramento de asfalto para impermeabilizar. As paredes de meação em tabique – misto ou simples reforçado, têm um processo construtivo e acabamentos idênticos aos descritos anteriormente. Existem elementos singulares nas fachadas que caraterizam este tipo de construção, como por exemplo os óculos. Estas aberturas, de dimensão muito pequena, com forma circular ou retangular, com caixilho envidraçado distinguem as fachadas. Localizam-se junto ao piso da rua ou no cimo das portas de entrada, muitas vezes, quando utilizadas na fachada tardoz servem de ventilação das instalações sanitárias.

Além dos óculos existem outros elementos muito característicos das fachadas tradicionais, como é o caso dos cachorros que possuem dupla função: a decorativa e a de suporte dos beirais e das lajes das varandas. Estas peças possuem uma grande diversidade nas suas formas, sendo quase sempre de granito. (Teixeira, 2004; Freitas, 2012)

Segundo Oliveira (1990) existem vários tipos de cachorro, mas o mais baixo e largo, com formas rudes e fortes que terminam em espiral voltada para baixo e para fora são os mais utilizados. (ver figura 24 e figura 25) (Veigas de Oliveira, 1990)

Figura 24 e Figura 25 – Pormenores tipo de sacadas – apoiadas na fachada em cachorro e constituídas por uma única peça apoiada na fachada (adaptado de Freitas, 2012).

Para além dos elementos referidos, temos ainda as cornijas, Oliveira (1990) afirma “nestes telhados aparecem, como elemento fundamental, que dá uma fisionomia muito peculiar à velha casa do Porto, largos beirais salientes e acolhedores, que prolongam a água frontal. Nas casas antigas ou modestas, de fachada de tabique, esse beiral, como as varandas, assenta num entablamento de madeira, com os caibros à vista, geralmente com os topos arredondados. No século XVIII à medida que as casas de pedra e cal se vão tornando mais frequentes e

1 – Lancil de padieira exterior 2 – Lancil de padieira interior 3 – Lancil de sacada exterior 4 – Lancil de sacada interior 5 – Cachorro

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cuidadas, com molduras e ornatos de granito, vemos substituírem-se os velhos beirais de madeira por belos entablamentos de pedra, apainelados e enriquecidos com cachorros, no mesmo estilo das demais cantarias da casa.” Além da função decorativa as cornijas possuem um carácter funcional porque prolongam o beirado de telhões e telhas de canal para protegerem as fachadas e consequentemente levarem a água das chuvas para a via pública (Veigas de Oliveira, 1990).

As varandas também são um elemento que caracteriza e embeleza a fachada principal da casa do Porto. Para Rebelo da Costa as casas do Porto “têm largos balcões ou sacadas com parapeitos de ferro lavrado em grades, que se rematam em pirâmides douradas, ficando deste modo livres do rançoso e melancólico uso das rótulas de pau com que os antigos portugueses se figuravam recatar a honestidade das suas famílias.” Os elementos que as constituíam no século XVIII eram de madeira, sendo posteriormente substituídos por pedra. Contudo os balanços nunca ultrapassavam os 50 cm, com uma espessura que ronda os 20 cm.

São, ainda características de algumas casas as platibandas, que surgem em finais do século XVIII com a influência do estilo neo paladino. Estas caracterizam-se por possuírem um desenho simples ou com balaústres, podendo conter elementos decorativos como vasos ou estátuas. Este elemento introduziu a necessidade de um novo pormenor construtivo – a necessidade de algeroz para efetuar a drenagem de águas pluviais da tacaniça e a impermeabilização da junta onde existe o apoio sobre a cornija. (ver figura 26) (Teixeira, 2004 e Freitas, 2012)

Figura 26 – Pormenor de platibanda com os balaústres em cachorro (adaptado de Freitas, 2012).

A estrutura dos sobrados, vulgarmente apelidados de pisos, constituem-se por um vigamento de troncos de madeira, paus rolados, com diâmetros que variam entre os 20 cm e os 30 cm e comprimento máximo de 7m. Este vigamento tem apoio em 2/3 das paredes de meação, sendo dispostos paralelamente entre si com espaçamentos entre os 50 cm e os 70 cm. Todo o vigamento é travado com tarugos que se espaçam cerca de 1,5m. O pavimento realiza-se com um tabuado – soalho, geralmente em madeira de pinho, com uma espessura que varia entre os 2,5 e os 5cm, e largura entre os 12 e os 30cm, possuindo um comprimento até aos 10m. Estas

1 – Alvenaria de pedra 2 – Cornija

3 – Platibanda 4 – Telha marselha 5 – Argamassa de saibro 6 – Algeroz em chapa metálica 7 – Tábua de barbate 8 – Vara

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tábuas de soalho uniam-se por encaixe em forma de macho-fêmea, e eram pregadas ao vigamento. Eram afagadas manualmente para que a superfície se tornasse uniforme. Numa fase inicial eram enceradas para aumentar a sua proteção e conservação. (ver figura 27)

Figura 27 – Pormenor tipo de uma parede interior de tabique simples, com frechal que assenta nas vigas de sobrado e é preenchido com um tabuado (adaptado de Freitas, 2012).

Até finais do século XVIII os tetos eram constituídos por madeira, sendo os tabuados pregados diretamente ao vigamento. Contudo, durante o século XIX os tetos são realizados em estuque. Esta técnica consiste na realização de uma estrutura de ripas trapezoidais de pequena dimensão, denominadas de fasquios que se dispõem em forma de grelha, após esta era colocada uma primeira camada de argamassa à base de saibro e cal através do piso superior e antes de ser colocado o soalho. A segunda camada à base de areia fina e cal aplicava-se sob os fasquios, regularizando o teto, sob o qual era aplicado o acabamento em estuque, executado com pasta de gesso.

Outro elemento muito característico da casa do Porto é o telhado, como referido por Oliveira (1990) “pode-se dizer que salvo raríssimas exceções, até meados do século XIX as casas do Porto (mesmo já as velhas casas estreitas e altas de fachadas de tabique, dos bairros da Sé e da Vitória) têm telhados de quatro águas, de telha caleira portuguesa o que significa que os

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