• No results found

Com vista a atingir os objetivos apresentados anteriormente, operacionalizou-se um instrumento de recolha de dados (questionário) por intermédio da ferramenta/técnica

Qualtrics Research Suite (ver questionário em Anexo 4), o qual serviu de base ao

inquérito. A tradução dos itens das escalas usadas/adaptadas passou por um processo reverso (tradução e retroversão) para se chegar à validade das traduções.

O questionário online, após validado através de um pré-teste, chegou até à população-alvo por intermédio de uma página web própria para o efeito: Qualtrics

Survey Software (http://www.qualtrics.com/) que oferece a possibilidade de criar,

distribuir, monitorizar, tratar e exportar os dados obtidos.

Os meios de difusão utilizados foram (1) as redes sociais, nomeadamente o

linkedin e facebook, (2) os e-mails de funcionários (docentes e não docentes) e alunos

das bases de dados de algumas universidades, institutos politécnicos e escolas profissionais a nível nacional e de várias áreas de formação e de grau de ensino. Recorreu-se ainda (3) às bases de dados de antigos alunos, que terminaram as suas

licenciaturas há 10 anos e que, em grande parte, são indivíduos ativos no mercado de trabalho, de algumas Universidades e Institutos Politécnicos, e de diferentes áreas e diferentes graus de formação. Procurou-se ainda ter uma (4) contribuição e perspetiva de indivíduos que operam em empresas, quer ao nível da produção, quer ao nível da comercialização e distribuição, na área dos produtos orgânicos, através do contributo das respetivas empresas (por exemplo, “Supermercados BRIO”, “KOPPERT Portugal21”, “BIOFRADE22”). Por último, (5) procurou-se o contributo de associações de alguma forma ligadas à área (por exemplo, entidades certificadoras, associações de agricultura e desenvolvimento rural, associação dos profissionais de marketing) de que são exemplo a “AGROBIO23” “ECOCER PORTUGAL24”, a “INTERBIO25”, a “BIOCOOP26” e a DGADR27.

A referida difusão contou com a colaboração e intermediação dos gabinetes de comunicação de cada uma das associações, instituições e empresas que, gentilmente e de acordo com os seus princípios de transmissão e divulgação de informação, acederam ao pedido.

Neste sentido, recorrendo ao método de amostragem não aleatório, mais concretamente a uma amostragem não probabilística por conveniência, receberam-se 917 respostas válidas de indivíduos maiores de idade, residentes em Portugal. Para se determinar o tamanho da amostra, considerou-se a sugestão proposta por Hair et al. (2005: 593), de que, para se aplicar o modelo de equações estruturais, deve ter-se um mínimo de cinco casos para cada item do questionário. Tendo em vista que o questionário é constituído por 148 itens, o número mínimo de casos seria de 740.

9.2.1 O questionário

Para se garantir um correto envolvimento dos diferentes inquiridos fez-se, por intermédio de um pré-teste, uma análise prévia do tempo de preenchimento do questionário. O tempo médio aproximado de preenchimento foi de 20 minutos, sendo assim possível informar previamente os inquiridos, motivando-os para o completo preenchimento do questionário. Com o mesmo intuito, na introdução do questionário,

21

Comércio de Produtos Biológicos, Lda.

22 Agropecuária. Produção e Comercialização de Produtos de Agricultura Biológica. 23

Associação Portuguesa de Agricultura Biológica.

24 Organismo de controlo e de certificação para um desenvolvimento sustentável em Portugal. 25

Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica.

26 Cooperativa de Produtos de Agricultura Biológica. 27

informou-se o participante sobre qual o âmbito e os objetivos do mesmo, realçando a importância da sua colaboração.

O questionário aplicado consistiu em questões fechadas. Este método permitiu orientar os inquiridos no que toca à uniformidade das questões e, simultaneamente, permitiu também uma maior objetividade e simplificação na codificação e tratamento estatístico das mesmas. Posteriormente, foram maioritariamente agrupadas em conjuntos que visaram analisar uma determinada dimensão, tendo em conta os objetivos de análise propostos. Para tal, utilizaram-se, em grande parte, escalas ordinais, de Likert, de sete valores, ancoradas nos extremos que traduziram duas situações opostas de resposta e que variaram entre o discordo totalmente e o concordo totalmente; entre o

muito improvável e o muito provável e entre o nunca e o sempre, de modo a que a

população em estudo pudesse, com apenas uma hipótese de resposta, graduar a sua posição relativamente aos aspetos em causa de cada uma das afirmações sobre objetos de estímulo, sendo 1 o nível mínimo, 7 o nível máximo e 4 o nível de indiferença (ver exemplo na Figura 8). Foram ainda utilizadas pontualmente escalas contínuas de classificação gráfica (numéricas/percentuais) que oscilam entre 0 % e 100 % com opção de escolha de apenas um valor percentual, bem como escalas de escolha múltipla.

1. As afirmações seguintes descrevem possíveis situações relacionadas com QUESTÕES ECOLÓGICAS. Pedimos-lhe que indique o seu grau de concordância com cada uma, clicando na opção correspondente à sua opinião:

Discordo totalmente Discordo Discordo em parte Não Concordo/ Nem Discordo Concordo em parte Concordo Concordo totalmente ‒ (…)

‒ Procuro limitar o uso de produtos feitos com base em recursos escassos.

‒ (…)

Figura 8.

Escala ‒ avaliação do nível de concordância/discordância dos consumidores perante objetos de estímulo.

Procurou-se uma maior uniformidade e clareza nas questões para se evitar que a alteração de sentido pudesse criar confusão nos inquiridos e dar origem a respostas menos corretas.

Por forma a minimizar e tentar evitar situações de dificuldades de compreensão e de resposta ao questionário, procedeu-se à elaboração de um pré-teste a uma amostra não probabilística por conveniência (n=10). Neste sentido, durante o período referente ao mês de maio e parte de junho de 2013, os inquiridos responderam ao questionário na

sua versão preliminar, fornecendo contribuições importantes, sobretudo, em termos de redação e formato das questões.

Embora se tenha dado início ao processo de inquirição em julho de 2013, foi no mês de outubro do mesmo ano que houve maior frequência de resposta (37 %) ao inquérito. Em janeiro de 2014 conclui-se o processo de recolha de informação. Houve 1388 questionários iniciados, 510 completos e 917 com um nível de resposta completa que permitiu algum tipo de análise (n=917).

9.2.2 População do estudo e amostra

A população alvo (também designada de “população do estudo”) é constituída pelos indivíduos que possuem a informação procurada pelo investigador e, para os quais, deve ser feita inferência (Malhotra, 2006). Neste sentido, a população-alvo em estudo foi constituída por indivíduos de ambos os géneros com idades superiores a dezoito anos, residentes em Portugal.

Dadas as limitações temporais e financeiras e, cientes da subjetividade das gene- ralizações (pelo facto da amostra poder ou não ser representativa da população em estu- do), a amostra utilizada para o estudo é não probabilística (ou não aleatória), por conve- niência. Neste sentido, nem todos os indivíduos da população teórica, portugueses maiores de 18 anos, tiveram probabilidade conhecida e não nula de pertencerem à amos- tra. Trata-se, portanto, de uma técnica de amostragem não probabilística que procura obter uma amostra de elementos convenientes (Marôco, 2011).

Embora não se tenham definido limitações, à exceção da idade (maioridade) e da amplitude geográfica (Portugal), os meios de difusão utilizados, bem como o recurso a alguma das fontes de respondentes atrás referidas, permite antever e, de certa forma salvaguardar, a representatividade de uma amostra constituída por indivíduos jovens com um grau elevado de formação e com interesses atuais de formação ao nível da licenciatura, mestrado e doutoramento e, simultaneamente, por indivíduos que são atores ativos do mercado de trabalho nas áreas de interesse prováveis da aplicabilidade dos resultados do presente estudo.

Os consumidores jovens revestem-se de particular importância nesta área de conhecimento por serem os consumidores do futuro e, porque podem influenciar o consumo atual de familiares, conhecidos e amigos (Stobbelaar et al., 2007), incluindo os AO’s, quer pelo consumo por si só desta categoria de produto, quer pela prescrição dos mesmos à sua rede de sociabilização informal (amigos, familiares, conhecidos).

Com base na amostra definida, pretende-se que os resultados do presente estudo contribuam para um perfil mais estável do consumidor EC, por complementaridade aos resultados obtidos inicialmente, por Roberts (1996), sustentados numa amostra de con- sumidores adultos, e aos resultados obtidos por Straughan e Roberts (1999) através de uma amostra de estudantes universitários, bem como aos resultados de estudos mais recentes, como por exemplo o de Fisher et al. (2012) e o de Meyer et al. (2010).