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Forskningstilnærming

Discente: Joana Santos Nº33

Docente: Prof.ª Doutora Paula Diogo

NOTA INTRODUTÓRIA

O estágio no serviço de internamento de pediatria tem em conta uma lógica de complexidade crescente que caracteriza a Unidade Curricular Estágio com Relatório preconizada no âmbito da ESSIP. Os clientes cuidados são crianças com doença crónica complexa e com outros indicadores de vulnerabilidade acrescida, como por exemplo o número e o tempo de internamento hospitalar.

Na atualidade defendesse-se que a permanência hospitalar deve ser reduzida ao máximo, sendo essencial que desde o início se optem por programas de parceria de cuidados com a família, filosofia inserida no conceito “Medical Home” da Academia Americana de Pediatria.

É nesta parceria que se desenvolve com a família que surgem muitas vezes limitações de comunicação, que podem ser encaradas como obstáculos.

A comunicação com os pais/pessoa significativa da criança com doença crónica surge como uma variável sujeita a diferentes stressores inerentes à doença crónica. Perante a filosofia de cuidados da enfermagem pediátrica, os Cuidados Centrados na Família e Cuidados Não Traumáticos, o enfermeiro envolve ativamente os pais/pessoa significativa na prestação de cuidados à criança e para tal é necessário que a comunicação que se estabelece com os mesmos seja eficaz e de acordo com as necessidades individuais de cada criança/família.

Num serviço onde desde o início se prepara a alta para o domicílio das crianças internadas, como nos refere a OE (2011), o mesmo é um processo complexo, devendo-se iniciar na admissão e prosseguir durante o internamento, incentivando o envolvimento da família nos cuidados, sendo assim exigente na necessidade de uma efetiva comunicação entre elementos da equipa, a criança e sua família (Guia orientador de boa prática: preparação do regresso a casa da criança com necessidade de cuidados).

Os referentes bibliográficos na área da criança com doença crónica, a entrevista semiestruturada à Sr.ª Enfermeira Chefe e a peritos na área, a prestar cuidados neste contexto, e o período de observação documentado em diários de campo, permitem-me apontar como fatores de stress desencadeantes de limitações de comunicação:

- Sentimentos / Emoções;

- Linguagem utilizada pela equipa de enfermagem; - Dinâmica do serviço;

- Falta de confiança na equipa multidisciplinar;

- Referir a mesma informação à equipa de saúde multidisciplinar várias vezes.

Perante o descrito, foi solicitado a cada elemento da equipa que classificasse de 1 a 6 os fatores desencadeantes de limitações de comunicação, acima referidos, sendo 1 o menos frequente e 6 o mais frequente. Após recolha dos dados identifico 2 categorias mais frequentes: a aceitação da doença crónica pela família - sete vezes referida - e os sentimentos/emoções (ansiedade, medo, receio, raiva, dúvida…) - dez vezes referida. Saliento que obtive várias respostas onde ambas as categorias eram igualadas como fator desencadeante de limitação de comunicação. Posteriormente, defini como temática de formação a categoria de maior expressão, “Sentimentos/Emoções".

FINALIDADE

A situação emocional apresenta-se muitas vezes como um fator associado a limitações de comunicação numa situação de internamento hospitalar. “Os pais que trazem o filho doente para o hospital estão ansiosos, não entendem muitas das informações que lhes dão, mas raramente pedem explicações, intimidados pelo tipo de discurso (instrumental quando os profissionais lhe falam e hermético quando falam entre si). Em conjunto com as diferenças culturais, a situação emocional pode tornar incompreensível as informações mais simples” (Jorge, 2004, citando Martins 1991). Também o mesmo autor nos refere que o stress diminui a capacidade de receber e compreender muita informação, sendo necessário intervenções na sua diminuição em benefício da(o) criança/jovem e sua família. Assim, a situação emocional que a família vivência cria muitas vezes limitações de comunicação na relação estabelecida com os enfermeiros, assumindo-se a importância do trabalho emocional em enfermagem, centrado na gestão das emoções do cliente e tendo o objetivo de tornar estados emocionais perturbadores e de tonalidade negativa em estados de tranquilidade e bem-estar nas crianças, jovens e familiares.

Muitas vezes o trabalho emocional não é reconhecido, Mercadier (2004), sublinha que o mesmo é uma das componentes invisíveis do trabalho em enfermagem, tornando-se implícito, mas não reconhecido por vários atores dos cuidados, mas é indispensável à qualidade dos cuidados prestados. Também Hesbeen salienta o referido anteriormente por Mercadier “quando se atingem os limites de intervenção dos outros prestadores de cuidados, (...) os enfermeiros terão sempre a possibilidade de fazer mais alguma coisa por alguém, de o ajudar, de contribuir para o seu bem-estar, para a sua serenidade, mesmo nas situações mais desesperadas. (...) os cuidados de enfermagem são assim, compostos de múltiplas ações que são sobretudo, apesar do lugar tomado pelos gestos técnicos, uma imensidão de «pequenas coisas» que dão a possibilidade de manifestar uma «grande atenção» ao beneficiário de cuidados e aos seus familiares (...)” (Hesbeen, 2000, p. 47). O enfermeiro gere as emoções do cliente presentemente nos seus cuidados estando atento ao contexto (Diogo, 2015): o porquê (vivências emocionais potencialmente intensas inerentes à hospitalização e à doença, problemas emocionais anteriores) e fatores que facilitam (acesso prévio a informação do estado

emocional, saber experiencial, sensibilidade vigilante, relação construída); as suas ações/interações: gestão emocional de antecipação e gestão de emoções reativas; as suas consequências: evitar experiências de emoções com tonalidade negativa, promover a tranquilidade e bem estar-emocional e potenciar o autocontrolo emocional e conquistar a confiança. Esta gestão das emoções do cliente tem como finalidades não iniciar ou não acentuar emoções de tonalidade negativa, gestão emocional de antecipação, e minimizar estados emocionais perturbadores, já presentes, gestão de emoções reativas. Saliento de seguida, segundo o mesmo autor, as ações especificas de gestão emocional de antecipação: postura calma e carinhosa, mostrar disponibilidade, preparação para procedimentos, fornecer explicações/informações, favorecer a expressão de sentimentos, dar reforço positivo e a distração; ações de gestão das emoções reativas: envolver a família nos cuidados, explicar e esclarecer dúvidas, colocar-se ao lado, fazer pausas, fomentar a esperança, dar carinho, diferenciar os momentos, desviar o foco de atenção e encorajar e restringir.

Numa situação de internamento a relação de proximidade e confiança entre o enfermeiro e a família da criança de quem cuida cresce e leva a uma predominância da “gestão emocional de antecipação” ao invés da gestão de emoções reativa, o que permite prevenir picos emocionais intensos e incrementar qualidade e bem-estar.

É fundamental que na comunicação que se estabelece com a família da criança o enfermeiro utilize estratégias de trabalho emocional que minimizem as emoções negativas como o medo, a raiva, a angústia, o desespero, entre outras, tantas vezes vivenciadas pela família da criança com doença crónica, e que estando presentes surgem como limitações de comunicação.