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3. METODISK MOMENTER

3.1. Forskningsstrategi og design

Com natureza distinta daquela fundada pelo positivismo, a ciência do social aparece na concepção de Marx e Engels revestida de uma base histórica. Com isso, o percurso desenvolvido por ambos os autores nos fornece outra direção para pensar a realidade social e o próprio estatuto de cientificidade capaz de abarcá-la. A inovação se dá por meio de três noções: Trabalho, História e Classes Sociais, tendo em vista que não é possível separar tais noções entre si e, tampouco, do conjunto do seu pensamento, o que pretendemos, por outro lado, é pensar o que cada uma delas representa em

separado enquanto uma perspectiva crítica ao (1) modelo de pensamento moderno baseado no paradigma da Razão/Consciência, (2) ao horizonte de formação da realidade social defendido pelo positivismo em paralelo com as demarcações das Ciências Naturais e (3) ao sentido que as idéias assumem quando entendidas como expressões da realidade social – com destaque neste último ponto para as implicações da noção de ideologia na constituição das Ciências Sociais.

Conforme demonstramos acima (ponto 2.1.), o pensamento moderno, de matriz filosófica, pode ser resumido pela busca de um novo alicerce da realidade, um suporte confiável para a construção da ontologia de características antropocêntricas. Em conseqüência deste empreendimento, a ciência substituiu as representações religiosas de mundo inerentes ao período medieval e, em vista disso, proporcionou novos elementos desiderativos para o conjunto da mentalidade social, os quais convergiram para a pretensão de um progresso imanente impulsionado pelo avanço do controle do Homem sobre a Natureza. Nos domínios da expansão cientificista, resultante desta mentalidade, a esfera social foi inicialmente gestada dentro do modelo naturalista (ponto 2.2) por meio do positivismo nos séculos XVIII e século XIX. Assim, o primeiro aspecto do pensamento moderno atacado por Marx diz respeito ao lugar designado para Razão dentro do iluminismo de referência racionalista/cartesiana, sendo em contraposição ao estatuto fundante da Razão que a noção de Trabalho contribui para o percurso desta reflexão.

No texto A Ideologia Alemã (Die deutsche Ideologie) escrito entre 1845 e 1846 junto com Engels, Marx não apenas reconstrói os tipos gerais pelos quais o trabalho se desenvolveu na história da humanidade, mas também dá a ele um espaço significativo para o entendimento da formação das representações que os homens fazem do meio em que vivem e de si mesmos. O aspecto material da vida humana, que sustenta tais representações/idéias, reaparece em 1988 com a publicação feita por Engels das Teses sobre

Feuerbach escritas por Marx “O principal defeito de todo materialismo até

aqui (incluindo o de Feuerbach) consiste em que o objeto, a realidade, a sensibilidade, sob a forma de objeto ou de intuição, mas não como atividade

humana sensível, como praxis, não subjetivamente.” (Marx, 1987:11). E, nesta

direção, a noção de Trabalho (atividade humana sensível) ao servir de guisa para a compreensão da formação da razão humana torna-se instrumento de revisão das concepções filosóficas modernas, indagando acerca da vinculação social destas, e, ao mesmo tempo, afirma um novo critério para se pensar a condição de humanidade dos homens. Em 1876, afirmando com ênfase tal perspectiva em seu texto O papel do trabalho na transformação do macaco em

homem, Engels aponta para o Trabalho como sendo “(...) a condição básica e

fundamental de toda a vida humana. E em tal grau que, até certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem.” (Engels, 1984:05).

Assim, por um lado, o Trabalho emerge como elemento de articulação do pensamento à medida que a partir dele se estabelecem as representações que os homens fazem acerca da realidade e, por outro, através dele é possível apontar para a realização da condição de humanidade. Tanto em relação a gênese quanto em relação a realização do ser humano, o Trabalho neutraliza a Razão, fornecendo primazia a esfera material da vida humana. O fundamento material do ser humano proposto por Marx atualiza a crítica na/da modernidade deslocando o seu foco. Se, em defesa do posicionamento crítico em relação aos valores religiosos responsáveis pela ordenação do mundo medieval, pensadores como Descartes e Galileu, por exemplo, mantiveram-se firmes na sistematização teórica de um novo horizonte (Razão) no qual se instaurou o pensamento moderno, então, pode-se suspeitar de que em Marx este horizonte é pela primeira vez abalado em seus alicerces. Isso faz com que a crítica levantada neste momento não seja apenas pautada no ajustamento do racionalismo moderno em termos da sua respectiva eficiência na obtenção de um conhecimento seguro a ser posteriormente efetivado pela ciência; o que Marx promove, distante disso, é a pergunta pela validade da própria Razão nos cânones do discurso filosófico e, simultaneamente, a crítica à centralidade por ela ocupada na formação das idéias por meio das quais a realidade é expressa.

“A produção de idéias, de representações, da consciência, está, de início, diretamente entrelaçada com a atividade material dos homens, como a linguagem da vida real. O representar, o pensar, o intercâmbio espiritual dos homens, aparecem aqui como emanação direta de seu comportamento

material. Os homens são produtores de suas representações, de suas idéias etc., mas os homens reais e ativos, tal como se acham condicionados por um determinado desenvolvimento de suas forças produtivas e pelo intercâmbio que a ele corresponde até chegar às suas formações mais amplas. A consciência jamais pode ser outra coisa do que o ser consciente, e o ser dos homens é o seu processo de vida real. E se, em toda a ideologia, os homens e suas relações aparecem invertidos como uma câmara escura, tal fenômeno decorre de seu processo histórico de vida, do mesmo modo por que a inversão dos objetos na retina decorre de seu processo de vida diretamente físico.” (Marx e Engels, 1987:36-37).

Quando interpretada em conformidade com o percurso da história da humanidade, a noção de trabalho ajusta o movimento social através de sistemas completos, em virtude dos quais os sistemas teóricos tornam-se derivações de um processo mais amplo. É o caso, por exemplo, de se entender qual a base que impulsiona as concepções racionalistas no início da modernidade ou as concepções religiosas no período imediatamente anterior. Em outros termos, uma racionalização extensa do “mundo social” pode aparecer somente quando as condições materiais determinadas pelo desenvolvimento do trabalho humano estão numa fase propensa ao surgimento de um modelo explicativo complexo, acompanhando assim a própria complexidade dos contornos sociais. Neste sentido, a dimensão material não apenas se torna o centro explicativo da realidade como também viabiliza a compreensão dos próprios sistemas teóricos de interpretação do mundo anteriormente estabelecidos: “Até o presente os homens sempre fizeram falsas representações sobre si mesmos, sobre o que são ou deveriam ser. Organizaram suas relações em função de representações que faziam de Deus, do homem normal etc. Os produtos de sua cabeça acabaram por se impor à sua própria cabeça.” (Marx e Engels, 1987:17).

A primeira conseqüência que podemos identificar neste ponto da concepção de Marx e Engels em relação a ciência do social é o fato de que a realidade a ser filtrada pelo procedimento investigativo não mais está fundida com o modelo de realidade das ciências naturais, como aparece no positivismo. De outra maneira, a realidade sobre a qual a ciência do social se debruça a partir da concepção marxiana é essencialmente material/social. No entanto, tal materialidade deve, segundo os autores, ser entendida em

movimento, enquanto um processo ininterrupto, enquanto uma dinâmica que reflete as ações humanas tanto em seu ponto de partida quanto no ponto de sua realização. Trata-se, pois, da dimensão histórica que fundamenta o materialismo fornecendo-lhe o movimento necessário para uma concepção de realidade extra-teórica.

“Em relação aos alemães, situados à margem de qualquer pressuposto, somos forçados a começar constatando que o primeiro pressuposto de toda a existência humana e, portanto, de toda a história, é que os homens devem estar em condições de viver para poder ‘fazer história’. Mas, para viver, é preciso antes de tudo comer, beber, ter habitação, vestir-se e algumas coisas mais. O primeiro ato histórico é, portanto, a produção dos meios que permitam a satisfação destas necessidades, a produção da própria vida material, e de fato este é um ato histórico, uma condição fundamental de toda a história, que ainda hoje, como há milhares de anos, deve ser cumprido todos os dias e todas as horas, simplesmente para manter os homens vivos. (...) A primeira coisa, portanto, em qualquer concepção histórica, é observar este fato fundamental em toda sua significação e em toda sua extensão e render-lhe toda justiça” (Marx e Engels, 1987:39-40).

Assim, da junção da noção de trabalho com a noção de história resulta o método composto por Marx e Engels: Materialismo Histórico. O espaço aberto pelo materialismo caracteriza, conforme anota Habermas (1987), a superação da filosofia idealista promovida por Hegel no instante em que articula a relação do Homem com o meio social fornecendo primazia às condições materiais da existência e retirando do centro explicativo a Razão/Consciência. De maneira semelhante, o materialismo, impossibilitado de sua realização quando alheio ao processo histórico-social, dissolve a dualidade entre exterioridade e interioridade, conformando ambas as dimensões como partes constitutivas de um todo dinâmico e, ao mesmo tempo, reabre a crítica moderna acerca do processo cognitivo alicerçada na dimensão

transcendental do Sujeito em Kant para em seu lugar constituir como

horizonte intransponível a síntese social fornecida pela noção de trabalho.

“A síntese mediante o trabalho social não estabelece uma inter- relação lógica, nem engendra uma unidade absoluta entre homem e natureza. (...) Verdade é que as formas não são, de início, categorias do entendimento mas, isso sim, da atividade objetivada; também a unidade da objetividade de

objetos possíveis não se forma na consciência transcendental, mas no âmbito funcional do agir instrumental: de qualquer maneira, a matéria disponível não adquire forma senão no trabalho e no processo cognitivo” (Habermas, 1987:52).

E, neste caso, acrescenta-se ao materialismo, que recusa a estagnação das concepções filosóficas modernas, bem como do modelo operacional naturalista incorporado à ciência do social por parte do positivismo, o recurso ontológico do seu movimento: a dialética. Em vista disso, o conflito é repensado para além da realização de uma entidade externa ao próprio âmbito do conflito – como havia sido enunciada por Hegel ao pretender a realização do Espírito Absoluto na História –, mas em lugar desta condição, a dialética emerge por dentro do sistema “desde sempre” em movimento.

Nesta direção, a análise histórica da divisão do trabalho realizada por Marx e Engels corresponde à comprovação da influência que a atividade realizada no âmbito material exerce sobre a confecção dos arranjos teóricos/ideacionais responsáveis, em grande medida, pela representação

interior que os homens fazem do meio onde vivem. Assim, o primeiro passo

histórico promovendo a divisão do trabalho é caracterizado pelas corporações, onde cada trabalhador manifestava sua aptidão particular voltada para um ciclo de trabalhos sustentado pelo uso de suas ferramentas. Nesta fase o capital era corporativo, diferentemente do capital moderno não estava, segundo Marx (1987), avaliado em dinheiro, mas sim ligado ao trabalho determinado do possuidor e dele inseparável.

A fase seguinte aponta para o afastamento das corporações devido ao surgimento do comércio. O capitalismo começa a desenvolver-se com base na expansão das relações comerciais, as quais, por sua vez, desconsideram as fronteiras superando as distâncias entre uma e outra localidade. “As cidades entram em relação umas com as outras, novas ferramentas são levadas de uma cidade para a outra e a separação entre a produção e o comércio não tarda a suscitar uma nova divisão da produção entre as diversas cidades, cada uma das quais logo explorará predominantemente um ramo industrial.” (Marx, 1987:83).

A terceira e última fase da divisão do trabalho solidificou o modo de produção capitalista e, com isso, a consciência comum marcada pelo surgimento da burguesia enquanto classe, a qual “(...) só se desenvolveu paulatinamente dentro das suas condições; ramifica-se, por sua vez, em diferentes frações, de acordo com a divisão do trabalho, e acaba por absorver em si todas as classes possuidoras preexistentes, na medida em que toda a propriedade existente é transformada em capital comercial ou industrial.” (Marx, 1987:83-84).

O mercado mundial passa a ter, ligado ao surgimento da burguesia, o suporte da grande indústria. Em outras palavras, a divisão do trabalho culmina nas manufaturas, através das quais o uso das máquinas revelou-se como o mais capacitado ao desenvolvimento. Contudo, o surgimento das manufaturas trouxe consigo quatro fenômenos: o primeiro deles é a vagabundagem resultante da transição entre a dissolução do feudalismo e o surgimento da indústria; o segundo fenômeno localizado no nascimento do capitalismo foi a concorrência entre as nações que deu significação política ao comércio na emergência das lutas e guerras comerciais entre uma nação e outra; posteriormente, as relações patriarcais entre oficiais e mestres foram fragmentadas e, por sobre estas, sobrepuseram-se as relações monetárias entre trabalhador e capitalista; o último fenômeno refere-se ao capital móvel gerado pelo comércio que passa a ser acumulado dando força ao surgimento de uma grande burguesia. A concorrência é, neste caso, o mais fecundo a impulsionar a transformação de uma época histórica.

“Destruiu, onde foi possível, a ideologia, a religião, a moral etc., e onde não pôde fazê-lo converteu-as em mentiras palpáveis. Foi ela que engendrou a história mundial, na medida em que tornou cada nação civilizada e cada indivíduo membro dela dependentes do mundo inteiro para a satisfação de suas necessidades, e que destruiu o anterior caráter exclusivista e natural das diferentes nações. Subsumiu a ciência da natureza ao capital e retirou à divisão do trabalho sua última aparência de naturalidade (Naturwüchsigkeit).” (Marx, 1987:94).

Em suma, através da divisão do trabalho, Marx analisa o modo pelo qual um processo social é capaz de determinar o agir e o pensar dos

indivíduos singulares. Isto é, a concorrência enquanto produto dos homens no desenrolar das suas atividades voltou-se sobre os mesmos de forma a determiná-los. É o que podemos entender como o movimento dialético engendrado no materialismo histórico, ou seja, o homem é, na relação com a natureza e com os outros homens, ativo e passivo ao mesmo tempo.

De maneira semelhante, a apresentação do materialismo histórico articula a vida social em torno da produção dos meios de vida dos homens e a respectiva auto-construção destes por meio deste processo. Em outras palavras, aquilo que os homens fazem tendo por referência a sobrevivência material através da produção retorna sobre si mesmos de forma a constituí-los naquilo que são e, ao mesmo tempo, possibilita que os elementos da produção em cada época histórica sejam o ponto de partida para a compreensão daquilo que as sociedades são e naquilo que elas se transformam. Conforme destacou Engels, “A concepção materialista da história parte da tese de que a produção, e com ela a troca dos produtos, é a base de toda a ordem social; de que em todas as sociedades que desfilam pela história, a distribuição dos produtos, e juntamente com ela a divisão dos homens em classes ou camadas, é determinada pelo que a sociedade produz e como produz e pelo modo de trocar os seus produtos” (Engels, 1986:54). Assim, a modernidade só pode ser explicada a partir do entendimento do modo de produção capitalista e seus elementos constitutivos e, de maneira semelhante, os processos históricos em outras épocas só podem ser explicados quando em face aos seus alicerces formados pelo modo como a produção ocorre.

Com base neste ponto, a crítica empreendida por Marx e Engels às concepções explicativas modernas, em especial no tocante ao discurso filosófico de fundamentação das ciências naturais e sua incorporação pelo positivismo ao pretender o estabelecimento da ciência do social, emergem da necessidade de compreender em primeiro lugar a maneira pela qual a história dos homens é encadeada na fase capitalista. Se, “A história de toda a sociedade até hoje é a história de luta de classes” (Marx e Engels, 1987:35), então, a denúncia das lacunas presentes nos arranjos teóricos modernos é antes de tudo o esclarecimento dos arranjos sociais que os promoveram. Trata-se,

pois, em termos críticos, de decompor a configuração social da modernidade para que em seguida seja possível explicar a configuração das idéias que sustentam a modernidade.

Em vista disso, temos na perspectiva de Marx e Engels dois pontos significativos para a composição da ciência do social de uma maneira original: 1) o estabelecimento do materialismo histórico desfaz a fusão da realidade social com a realidade natural, introduzindo um novo viés teórico para a epistemologia sociológica que gradativamente se afasta da epistemologia das ciências naturais; 2) a combinação do materialismo histórico com a noção de

classes sociais em luta ininterrupta legitima um novo horizonte de

entendimento das construções teórico-científicas, resultando disso a força da noção de ideologia no pensamento marxista e sua respectiva contribuição para as ciências sociais em embate tanto com a Filosofia quanto com as ciências naturais.

O impulso que justifica o primeiro ponto é, seguindo em parte a análise de Löwy (1987), embasado pela pretensão de devolver o elemento da transformação social para dentro da ciência do social, o qual havia sido retirado por Comte e Durkheim. Com isso, em contraste com as concepções de

ordem estabelecida ou de fato social que encontramos nestes últimos surge na

composição feita por Marx e Engels uma noção de realidade social enquanto processo histórico e, portanto, um processo dinâmico. Embora na base de articulação deste processo histórico-social estejam leis fixas (leis gerais) que garantem a antecipação do movimento futuro de realização da humanidade – o que viabiliza a arquitetura de um socialismo científico em contraposição a um socialismo utópico (Engels, 1986), por exemplo –, é através do entendimento das mudanças históricas que torna-se possível explicar de modo correto os elementos presentes em cada estágio. Assim, a história, tomada por princípio da dinâmica com a qual a realidade social é constituída, por um lado “(...) prossegue em condições completamente diferentes a atividade precedente, enquanto, de outro lado, modifica as circunstâncias anteriores através de uma atividade totalmente diversa” (Marx e Engels, 1987:70).

Se, por um lado, o horizonte histórico aparece como agente de constituição da realidade social, por outro, é na apreensão do movimento do processo histórico por meio da luta de classes que Marx e Engels redefinem a ciência do social. Em outras palavras, em se tratando do segundo ponto, Marx e Engels vão além da compreensão da gênese do pensamento para apontar o “conteúdo” de sua configuração. De um lado, a demonstração do materialismo histórico possibilitou a demonstração da determinação que as condições materiais de vida exercem sobre o pensamento e, em decorrência disso, pode- se percorrer o arranjo particular que os complexos ideacionais apresentam em cada época histórica em conformidade com a ordenação de suas respectivas bases materiais. Sendo assim, na modernidade as concepções teóricas expressam a dualidade já constituída na sociedade: “Toda a sociedade está a cindir-se, cada vez mais, em dois grandes campos hostis, em duas grandes classes em confronto direto: a burguesia e o proletariado” (Marx e Engels, 1987:35). Aparece, desse modo, a continuidade inexorável do processo histórico, em vista da qual a tensão entre burguesia e proletariado é expressão de um percurso já em andamento. Tal percurso foi balizado por Marx a partir dos modos de produção presentes na história da humanidade e o antagonismo deles resultante.

“Em grandes traços, podem ser designados, como outras tantas épocas progressivas da formação econômica da sociedade, os modos de produção asiático, antigo, feudal e burguês moderno. As relações de produção burguesas são a última forma antagônica do processo de produção social, antagonismo que nasce das condições de existência sociais dos indivíduos; as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam, ao mesmo tempo, as condições materiais para resolver este antagonismo. Com esta formação social termina, pois, a pré-história da sociedade humana” (Marx, 1984:234).

Por conseguinte, a via de superação do antagonismo emerge com