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Forskningsspørsmålene

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Quanto ao tipo de frase em epígrafe, houve um registo de 46 ocorrências no corpus do português europeu das quais 20 são interrogativas totais e 26 interrogativas parciais. No corpus do português brasileiro, houve, por conseguinte, oito ocorrências de frases interrogativas totais e de 20 interrogativas parciais:

Frases Interrogativas

Totais Parciais Total

Corpus Europeu 20 26 46

Corpus Brasileiro 8 20 28

Tabela n.º 10 Frases interrogativas

Nas frases interrogativas totais, a ordem dos constituintes é a direta no português europeu e brasileiro, ou seja, não há alteração/inversão da posição básica, canónica ou habitual das palavras na frase:

(191) a. O star system fez dele um intelectual integrado? (Público, 26 de fevereiro de 2016, p. 6).

b. Alguém está a discutir isso em Portugal? (Público, 03 de junho de 2016, p. 2). c. As medidas continuam, têm é outro nível de incidência? (Público, 03 de junho de 2016, p. 2).

d. A filiação do perfilhado é mais moral do que a filiação daquele que o pai rejeitou? (Público, 20 de abril de 2016, p. 4).

(192) a. Toda música é uma apropriação? (O Globo, 21 de março de 2016, p. 2). b. O hip hop seria uma espécie de vingança estética dos colonizados? (O Globo,21 de março de 2016, p. 2.).

c. Paixão e serenidade se opõem? (O Globo, 21 de maio de 2016, p. 1).

d. Já tem uma decisão do Henrique Alves sobre isso. Agora querem mudar para beneficiar o Cunha? (O Globo, 01 de junho de 2016, p. 3).

Em todos os exemplos, o padrão sintático é o SVO (sujeito, predicado, objeto), similar aos das frases declarativas afirmativas. Desta forma, as frases interrogativas totais constituem um universal sintático entre a norma do português europeu e brasileiro.

No entanto, nas frases interrogativas parciais, a ordem das palavras pode ser direta e derivada no português europeu e brasileiro. Tal como observaremos, a diferença entre as interrogativas parciais diretas e derivadas está no tipo de morfema interrogativo que determina a propriedade semântico-pragmática de cada frase. Relativamente ao número de frequência, houve, no corpus do português europeu, um registo de nove interrogativas parciais cuja ordem das palavras é a direta, bem como um registo de 17 interrogativas parciais 17 cuja ordem das palavras é a derivada. No corpus do português brasileiro, por

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conseguinte, houve um registo de 18 interrogativas parciais cuja ordem é a direta e, portanto, um registo de duas interrogativas parciais cuja ordem é a derivada:

A ordem das palavras nas frases interrogativas parciais

Direta Percentagem Derivada Percentagem Ordem Dominante

Português Europeu 09 33 17 89 Derivada

Português Brasileiro 18 64 02 11 Direta

Tabela n.º 12 A ordem das palavras nas frases interrogativas parciais

Verifica-se, com efeito, que a ordem derivada constitui o padrão sintático dominante das frases interrogativas parciais no português europeu porque, nesta variante e em conformidade com os dados estudados, a ordem direta só ocorre com frases que contenham estruturas interrogativas complexas, ou seja, formadas por um morfema interrogativo seguido da expressão expletiva é que. A este tipo de estruturas interrogativas atribuiremos a designação de locução pronominal ou adverbial interrogativa. Reparemos o contraste entre (193) e (194):

(193) a. E como é que isso se combate? (Público, 03 de junho de 2016, p. 2). b. Como é que isso se faz? (Público, 03 de junho de 2016, p. 2). c. O que é que isso significa? (Público, 03 de junho de 2016, p. 2).

d. […] até que ponto é que essa busca pode passar por uma refundação da social-democracia na Europa de uma forma que a resgate a contaminação neoliberal? (Público, 03 de junho de 2016, p. 2).

(194) a. Quantas páginas deve ter um livro? (Público, 26 de fevereiro de 2016, p. 2). b. Que mal fiz eu para ser tratada com indiferença […]? (Público, 20 de abril de 2016, p. 3).

c. [...] E que disse Costa? (Público, 01 de junho de 2016, p. 1).

d. Como está hoje o socialismo democrático? (Público, 03 de junho de 2016, p. 2).

Em (193), a ordem dos constituintes é a direta, uma vez que o sujeito (isso, essa busca) se localiza à esquerda do predicado (combate, faz, significa, pode passar). Em (194), a ordem dos constituintes não é a direta, mas a derivada pelo facto de o sujeito (um livro, eu, Costa, socialismo democrático) se localizar à direita do predicado (deve ter, fiz, disse, está) e pelo facto de o objeto direto (páginas, mal) presente em (194 a e b) se encontrar deslocado da sua posição habitual, que é à direita do predicado. Em síntese, podemos assinalar que, no português europeu, a ordem inversa constitui o padrão sintático dominante das frases interrogativas parciais, afinal a ordem direta ocorre, principalmente, com locuções pronominais ou adverbiais interrogativas, como que é que, quando é que, quanto é que. A tabela n.º 12 também demonstra que, no português brasileiro, a ordem direta constitui o padrão sintático de base das frases interrogativas parciais. Nesta variante do

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português, a predominância da ordem direta, em detrimento da derivada, deve-se, em nossa opinião, à inexistência de parâmetros de restrição sintática entre interrogativas parciais complexas (195 a) e simples (195 b, c e d):

(195) a. Como é que a gente vai fazer um evento às segundas? (O Globo, 29 de fevereiro de 2016, p. 1).

b. Como o Rio pode responder a isso? (O Globo, 01 de março de 2016, p. 2). c. Quantos atletas brasileiros conhecem duas rainhas? (O Globo, 02 de março de 2016, p. 3).

d. O que a cantora quer que enxerguemos em seu olhar escuro sob a sombra? (O Globo, 06 de abril de 2016, p. 4).

Verifica-se, pois, que, independentemente de a frase ser formada por uma estrutura interrogativa complexa (como é que) ou simples (como, quantos, o que), não ocorre a inversão da ordem básica dos constituintes. Em (196), embora as estruturas interrogativas sejam simples, é possível notar a inversão da ordem básica dos constituintes: o sujeito (essa mulher, Dulce Veiga) encontra-se localizado à direita do predicado (é, andará):

(196) a. Onde andará Dulce Veiga? (O Globo, 24 de fevereiro de 2016, p. 1). b. Mas quem é essa mulher? (O Globo, 18 de março de 2016, p. 2).

A partir do que se descreveu nos parágrafos anteriores, procedeu-se à representação do estudo da ordem das palavras nas frases interrogativas parciais no seguinte gráfico analítico-diferencial:

Gráfico n.º 9 Ordem das palavras nas frases interrogativas parciais

Com um registo de duas ocorrências, constatamos que, nas frases exclamativas parciais, a ordem das palavras é a direta e não a derivada na norma escrita do português brasileiro: 0% 20% 40% 60% 80% 100%

Português Europeu Português Brasileiro Interrogativas parciais

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(197) a. Ajudou a levar o Brasil para o mundo, vendo e apontando filmes para festivais internacionais. Quantas janelas ele abriu para o Brasil! (O Globo, 18 de março de 2016, p. 1).

b. Que alegria essa, a do diálogo sereno! Sem gritaria, panelaços e palavras de ordem (O Globo, 21 de maio de 2016, p. 3).

Fica, assim, assinalado que, nas frases interrogativas totais, a ordem das palavras é direta no português europeu e brasileiro, ao passo que, nas interrogativas parciais, a ordem derivada constitui o padrão dominante em Portugal e a direta no Brasil. Importa referir, por último, que, em Portugal, há restrição sintática quanto à inversão/não inversão da ordem dos constituintes no subtipo de frase em estudo: a ordem direta ocorre essencialmente com locuções pronominais/adverbiais interrogativas e não o contrário. No Brasil, esta restrição é praticamente inexistente, porquanto as duas ordens podem ocorrer com pronomes/advérbios interrogativos ou com locuções pronominais/adverbiais interrogativas.

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Capítulo 3

Da sincronia à diacronia: a estrutura da

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