NA MITIGAÇÃO DE EVENTUAIS DANOS
De forma inconclusiva e preocupante, parte deste artigo é finalizada. Ao investigar-se as práticas da CA buscou-se, ao mesmo tempo, ver seus oponentes neste mercado azul.27 Apesar de ser possível, em dezembro
de 2019, observar a participação ativa de novas empresas e players (pessoas físicas e jurídicas com interesse privado por trás pelo financiamento e participação societária nessas empresas), é difícil saber se a CA foi o
catalisador para que novas empresas fossem criadas após seu escândalo, aprendendo que o mundo inteiro
obteve conhecimento e aperfeiçoando, em especial, a segurança do banco de dados proprietário das novas empresas.
Ao mesmo tempo, não é possível ter certeza de que algumas dessas empresas já existiam antes do es- cândalo da CA. O vazamento de informações e a investigação jornalística apenas lançaram luz sobre empresas que já atuavam no mercado, porém com um perfil mais discreto e que também aumentaram suas respectivas medidas de proteção e salvaguarda de seus bancos de dados.
22 CAMERON, Dell. AggregateIQ Created Cambridge Analytica’s Election Software, and Here’s the Proof. Nova Iorque: Gizmodo Media Group,
2018. Disponível em: https://gizmodo.com/aggregateiq-created-cambridge-analyticas-election-softw-1824026565. Acesso em: 9 dez. 2019.
23 Disponível em: https://datapropria.com. Acesso em: 9 dez. 2019.
24 FARIVAR, Cyrus. Data Propria, run by Cambridge Analytica alumni, working on Trump 2020 campaign. São Francisco: Arstechnica, 2018.
Disponível em: https://arstechnica.com/tech-policy/2018/06/data-propria-run-by-cambridge-analytica-alumni-working-on-trump-2020- campaign/. Acesso em: 9 dez. 2019.
25 Ver também: HORWITZ, Jeff. AP: Trump 2020 working with ex-Cambridge Analytica staffers. Nova Iorque: The Associated Press, 2018.
Disponível em: https://apnews.com/96928216bdc341ada659447973a688e4. Acesso em: 9 dez. 2019.
26 Disponível em: https://www.civisanalytics.com. Acesso em: 9 dez. 2019.
27 Por Mercado Azul atribui-se a interpretação da terminologia aplicada à Gestão de Negócios, em especial muito aplicada a Novos Modelos
de Negócios e Startups. Trata-se, em síntese, de Mercados Nunca Explorados, logo a cor azul turquesa, de tom claro e quando é percep- tível até onde se pisa na areia (uma analogia de o quão profundo é o potencial deste mercado). A criação deste novo Mercado existe há cerca de uma década: alguns indicam as campanhas presidenciais de Barack Obama, visto como o pioneiro na aplicabilidade de métricas ao seu mote “Yes, we can!” (Sim, nós podemos! – em tradução livre). Outros afirmam que foi a S.C.L., sob sua subsidiária Cambridge Analytica, a primeira empresa a vender serviços usando psicométricas combinadas, como estudos comportamentais e outras práticas mais invasivas já descritas neste artigo, e como a pioneira no ramo do que atualmente se busca rotular o termo electioneering (ou engenharia eleitoral).
Por ser um tema recente, a única conclusão plausível é de que é possível inferir neste ponto que um próximo vazamento há de ocorrer mais cedo ou mais tarde (em relação a uma eleição). Isso28 deve-se, acima
de tudo, por que empresas sempre serão feitas, mantidas e administradas por seres humanos, como Wylie e Kaiser.
Agências de Inteligência também estão vulneráveis a vazamentos. Apenas a título de anedota: Edward Snowden era analista de dados para uma das maiores agências de inteligência do mundo: a NSA (National Se-
curity Agency). Uma agência de inteligência americana centenas de vezes maior que o FBI (Federal Bureau of Investigation) e a CIA (Central Intelligence Agency) juntas. Snowden foi o whistleblower no caso supracitado.
Assim como Wylie, tinha uma jornalista séria e comprometida com sua carreira, agindo com lisura: Cadwalldr. Snowden, da mesma forma, confiou no trabalho jornalístico sério e competente, como Glenn Greenswald.
Pode-se notar, em dezembro de 2019, que perceptivelmente surge uma nova preocupação que evita
holofotes do jornalismo investigativo e da sociedade civil e organizada. Emerge como expressão do escândalo
da CA: trata-se de um novo mercado chamado de electioneering a favor de grupos políticos, empresariais, bélicos ou quem pague mais, além de diversos Predectible Analytic Toolkits (conjunto de ferramentas digitais que servem para coletar dados, classificar determinados grupos de eleitores e inferir conclusões, tendências e probabilidades de previsões) estarem à venda na deep web (a internet não indexada por website – indexado- res de conteúdo – como o Google e parte do Facebook).29
Por fim, resta uma inferência sob uma perspectiva humanista. Percebe-se que, enquanto o componente humano estiver por trás de empresas com interesses privados e por ventura perversos, sempre haverá a pos- sibilidade para alguém vazar, delatar e resistir às pressões de grandes corporações. Sempre haverá o potencial para o civismo, isto é, atitudes e ideias que fazem com que o indivíduo queira compartilhar certas noções e práticas como se fossem deveres fundamentais para a vida compartilhada da sociedade, para o bem da coisa
pública e manutenção das instituições democráticas.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em dezembro de 2019, menos de 360 dias dos resultados das eleições municipais no Brasil, percebe-se uma nova forma de acesso entre candidatos com reais chances ao Poder Público e seus respectivos eleitores: o (ab)uso em mídias e redes sociais e aplicativos, no ocidente (no Brasil), como o WhatsApp, de forma extre- mamente frequente com o único intuito: aproximar os possíveis eleitores da versão dos fatos, sejam eles Fake
News, Deep Fake30 ou não, sejam perfis falsos criados por bots (contas falsas criadas em massa) com o intuito
de, em poucas horas, reproduzirem, como se fossem cabos eleitorais virtuais, uma espécie, ao contrário de a
vida imitar à arte, de forma perversa e inconsequente.
Na primeira seção do texto buscou-se estudar, sob um forte viés cronológico dos fatos, o arco de as- censão e o fim da CA. Mediante depoimentos detalhados de Christopher Wylie e de Brittany Kaiser, ambos ex-funcionários da CA, concluí-se que não era possível para o CEO da empresa, Alexander Nix, desconhecer as práticas invasivas que a empresa fazia. Tudo leva a crer que Nix sabia de todo o modus operandi da empresa; tanto é que, mesmo sabendo de sua única saída sem ter de enfrentar tempo encarcerado, Nix decretou a fa- lência da empresa, fechando todos os arquivos pessoais da CA sem antes sacar a enorme quantia de 8 milhões de libras esterlinas dias antes da falência ter sido decretada.
Já na segunda seção do artigo buscou-se entender a forma como a CA atuava: tanto pelo emprego de disseminação de Fake News quanto pelas práticas de data mining, data scraping e big data analytics. A empre- sa conseguiu obter – sem o consentimento dos usuários da rede social Facebook – um volume de informações
28 Por mais que empresas tomem diversas medidas e protocolos de segurança, inclusive com a incorporação de Inteligência Artificial para
medir o comportamento de seus funcionários.
29 Na internet não indexada, ou seja, na deep web, existe um porta de acesso à plataforma da rede social Facebook. Seja o Facebook verda-
deiro ou apenas uma forma de indivíduos de índole extremamente duvidosa capturarem os nomes de usuários e suas senhas (uma prática imoral chamada de phishing), redirecionando-os em seguida ao Facebook verdadeiro, uma porta para o <Facebook.onion> realmente existe. É necessário o navegador Tor para acessar a página, porém aqui fica o alerta de acessar de um computador não seguro tal página.
30 AFONSO, Nathália. #Verificamos: menina atirando em vídeo não é ativista sueca Greta Thunberg. Disponível em: https://piaui.folha.uol.
Ano XXIX – nº 53 – jan./jun. 2020 – ISSN 2176-6622
CAMBRIDGE ANALYTICA: ESCÂNDALO, LEGADO E POSSÍVEIS FUTUROS PARA A DEMOCRACIA
193
pessoais nunca antes obtido. Ademais, a empresa fez uso de propagandas no Facebook com a intenção arti- ficial de polarizar questões raciais, como foi o caso da propaganda #BlackLivesMatter versus #AllLivesMatter. A CA atacava perfis de usuários mais vulneráveis, mais facilmente manipuláveis, com práticas de microtarget-
ting, endereçando especificamente a eles notíciais absurdamente falsas: Fake News.
A terceira seção do texto aborda o futuro pós-falência da CA. Apesar de formalmente não mais existir no mercado, é certo que a empresa impulsionou que uma série de outras empresas entrassem no ramo de
electioneering, inclusive à título meramente exemplificativo a Data Propria. Também foi abordado que a CA já
estava em negociações com a empresa Ponte Estratégia, no Brasil, para captar novos potenciais clientes. Bol- sonaro não foi bem-visto pela CA naquela época, porém a utilização massificada de Fake News em aplicativos de mensagem com criptografia ponta a ponta, como o WhatsApp, foi algo surpreendente para a empresa com sede em Londres. André Torretta, responsável pela joint-venture CA-Ponte no Brasil, detalhou que partiu dele a ideia de utilizarem o WhatsApp como ferramenta eficiente para eleger o próximo candidato à presidência da República.
A quarta e última seção do texto aborda o dever cívico das pessoas que trabalhavam tanto em empre- sas privadas quanto em agências de inteligência no mundo. Em outras palavras, às vezes é necessário tomar medidas antipatriotas e nocivas aos ganhos de determinada empresa em privilégio da segurança dos dados pessoais das pessoas, assim como a proteção da manutenção da democracia em Estados soberanos. Nenhu- ma agência de inteligência, nem empresa privada, deve ter tanto poder para conseguir manipular os resulta- dos de um determinado processo democrático, sob o risco de romper com a própria essência da Democracia. Posto os presentes pontos, é inegável que a hipótese do presente artigo se confirma: a Cambridge Analytica, com sua práxis, deixou o mundo sem antes desestabilizar os processos democráticos em algumas das maiores potencias mundiais; milhões de cidadãos tiveram a sua intimidade e privacidade coletada via mídia social a troco de elegerem o candidato que masi bem pagou a empresa. Basta recordar que, antes de Donald Trump contratar a CA, a empresa prestava consultoria nos EUA para Ted Cruz, seu adversário dentro do Partido Republicano. A operação continuada de Fake News, somada à práticas de microtargetting e coleta de dados via data mining & scraping, demonstrou a terrível essência do setor privado em querer minerar e gerar lucro de processo democráticos.
Dito isso, é necessário perceber que seria temerário afirmar que todos os problemas relacionados com as práticas da CA foram-se quando a empresa faliu. Hoje existem novas empresas, como a Data Propria, que operam de maneira similar para não dizer de forma mais sofisticada que antes. É necessário ter modéstia ao observar uma nova e crescente onda de empresas que veem em electioneering uma forma de lucrarem às custas de rupturas e danos irreparáveis aos processos democráticos. Foi a função deste artigo alertar, porém sem esgotar o tema, pois, na medida em que se entra na década de 2020 a 2030, novas práticas de coleta de dados, assim como de Fake News, irão se popularizar. É necessário ter olhar crítico para essas novas empresas que prometem, porventura por pseudociências, como psychometrics, que é possível alcançar-se a eleição de um candidato por um preço x. Práticas como Deepfakes estão apenas no início de serem desenvolvidas para esse fim e certamente até o final dessa década teremos novos casos sofisticados de Fake News capazes de en- ganar milhões de eleitores em potencial.
Infelizmente, para 2020 a combinação de i) uma escolha de Estado nas últimas décadas (para não se de- dicar um capítulo historiográfico remontando às práticas em que a norma social proibia o acesso à educação desde antes do Brasil Império) pela falta de educação formal e cívica para a enorme parcela da população bra- sileira, somada a uma ii) sociedade atualmente polarizada entre uma extrema direita com indícios de fascismo e uma extrema esquerda reativa a ela, e, por fim, iii) a falta de diálogo, do debate de ideias e propostas para
um país melhor, com a tolerância com a pluralidade de opiniões e de cidadãos de diversos brasis: prevê-se não apenas o contínuo e eficaz uso ilegal de propagação em massa de notícias falsas, mas também a propagação de vídeos que possam até parecer realistas, porém são falsos: trata-se de vídeos Deepfakes.31
Cidadãos e Estado, contudo, são atores de seus próprios processos, e têm não apenas um direito de opinar e de expressar o desgosto com práticas nocivas à Democracia, porém se pode, em conjunto, mediante atuação simbiótica de troca de informações, estabelecer conexões com outros atores que mostrem a mes- ma indignação diante de mentiras perpetradas por determinadas campanhas eleitorais, com fantoches de interesses corporativos grandes. Somente dessa forma é possível evoluir em direção a um futuro democra- ticamente promissor, não apenas levando consigo todo o Legado do escândalo da Cambridge Analytica, mas estando prontos para o próximo escândalo.
7 REFERÊNCIAS
AFONSO, N. #Verificamos: menina atirando em vídeo não é ativista sueca Greta Thunberg. Disponível em: https://piaui.folha. uol.com.br/lupa/2019/12/11/verificamos-atirando-greta/. Acesso em: 13 dez. 2019.
BERGHEL, H. Malice Domestic: The Cambridge Analytica Dystopia. Nevada: University of Nevada, 2018.
BROWNLEE, J. GameStation EULA collects 7,500 souls from unsuspecting customers. San Francisco: Geek.com, 2010.
Disponível em: https://www.geek.com/games/gamestation-eula-collects-7500-souls-from-unsuspecting-customers-1194091/. Acesso em: 5 dez. 2019.
CADWALLADR, C. The great British Brexit robbery: how our democracy was hijacked. Londres: The Guardian; The Observer, 2017. Disponível em: https://www.theguardian.com/technology/2017/may/07/the-great-british-brexit-robbery-hijacked- democracy. Acesso em: 30 nov. 2019.
CAMERON, D. AggregateIQ Created Cambridge Analytica’s Election Software, and Here’s the Proof. Nova Iorque:
Gizmodo Media Group, 2018. Disponível em: https://gizmodo.com/aggregateiq-created-cambridge-analyticas-election- softw-1824026565. Acesso em: 9 dez. 2019.
CAMPOS, M. Cambridge Analytica, Microtargeting, and Power: “A Full-Service Propaganda Machine” in the Information Age. Trail Six: Undergraduate Journal of Geography, British Columbia, v. 13, 2018-2019.
DAVIES, H. Ted Cruz using firm that harvested data on millions of unwitting Facebook users. Londres: The Guardian, 2015. Disponível em: https://www.theguardian.com/us-news/2015/dec/11/senator-ted-cruz-president-campaign-facebook-user- data. Acesso em: 28 nov. 2019.
EDWARDS, L. Cambridge Analytica and the deeper malaise in the persuasion industry. Londres: LSE Business Review, 2018.
FARIVAR, C. Data Propria, run by Cambridge Analytica alumni, working on Trump 2020 campaign. São Francisco: Arstechnica,
2018. Disponível em: https://arstechnica.com/tech-policy/2018/06/data-propria-run-by-cambridge-analytica-alumni-working- on-trump-2020-campaign/. Acesso em: 9 dez. 2019.
HEAWOOD, J. Pseudo-public political speech: Democratic implications of the Cambridge Analytica scandal. Londres: Impress, 2018.
HORWITZ, J. AP: Trump 2020 working with ex-Cambridge Analytica staffers. Nova Iorque: The Associated Press, 2018. Disponível em: https://apnews.com/96928216bdc341ada659447973a688e4. Acesso em: 9 dez. 2019.
GRASSEGGER, H.; KROGERUS, M. The Data That Turned the World Upside Down. Nova Iorque: Vice, 2017. Disponível em: https://www.vice.com/en_us/article/4x4x8n/the-data-that-turned-the-world-upside-down. Acesso em: 29 nov. 2019.
KANTER, J. Cambridge Analytica’s CEO allegedly took $8 million from the firm before its closure. Nova Iorque: Business Insider.
2018. Disponível em: https://www.businessinsider.com/alexander-nix-allegedly-took-8-million-cambridge-analytica-2018- 6?r=UK. Acesso em: 8 dez. 2019.
KOZLOWSKA, I. Facebook and Data Privacy in the Age of Cambridge Analytica. Seatlle: Henry M. Jackson School of International Studies; College of Arts and Sciences; University of Washington, 2019.
PASSARINHO, N. Ex-sócio da Cambridge Analytica no Brasil diz que empresa não tinha banco de dados de brasileiros. Londres:
31 Vídeos de Deepfakes podem ser considerados uma evolução tecnológica do Fake News. O objetivo é o mesmo: a disseminação de infor-
mações inverídicas com a intenção de prejudicar os demais candidatos em uma eleição democrática. De forma simplista, porém, pode-se afirmar que, enquanto o Fake News é estático, basta uma foto com letras garrafais e um meme agressivo; o vídeo de deep fake é dinâmico; trata-se de um vídeo que utiliza técnicas avançadas de edição de imagem e de geração de computação gráfica – às vezes com o auxílio de uma Inteligência Artificial para editar (juntar todos os frames ou quadros e sincronizar as camadas de áudio com os quadros do vídeo) – com o intuito de emular, copiar e simular não apenas o rosto de um adversário político à uma situação constrangedora, mas utilizar a fala dele de outros vídeos verídicos e descontextualizar o áudio, inserindo na edição final – em camadas de áudio secundárias – o vídeo de deep fake vídeo.
Ano XXIX – nº 53 – jan./jun. 2020 – ISSN 2176-6622
CAMBRIDGE ANALYTICA: ESCÂNDALO, LEGADO E POSSÍVEIS FUTUROS PARA A DEMOCRACIA
195 BBC Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43481279. Acesso em: 9 dez. 2019.
PLATÃO. A República: Livro VII: 514a–541b. E-book (296-298 p.) Disponível em: https://www.netmundi.org/home/wp- content/uploads/2017/07/Platao_A_Republica.pdf. Acesso em: 28 nov. 2019.
ROSSI, M.; MARREIRO, F. O marqueteiro brasileiro que importou o método da campanha de Trump para usar em 2018. Madrid: El País – Brasil (parte do Grupo PRISA), 2017. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/11/ politica/1507723607_646140.html. Acesso em: 9 dez. 2019.
VANHEMERT, K. This Simple Data-Scraping Tool Could Change How Apps Are Made.San Francisco: Wired, 2014.Disponível em: https://www.wired.com/2014/03/kimono/. Acesso em: 28 nov. 2019.