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6. Diskusjon

6.1 Drøftelse av forskningsspørsmål og proposisjoner

6.1.3 Forskningsobjektenes design av insentivsystem

Como já foi dito, o objetivo do questionário era selecionar, dentre todos os alunos que ingressaram no curso de Pedagogia noturno, aqueles que se encaixavam no perfil socioeconômico desejado para a pesquisa, como também revelar o nível de intimidade que os mesmos tinham ou não com o universo digital, no que se refere unicamente ao uso da internet: aqueles que sabem lidar apenas com ações básicas – mandar e-mail, por exemplo – ou não sabem lidar com nada.

Inicialmente, para chegar aos alunos das camadas populares, foi necessário estabelecer o perfil socioeconômico dos mesmos. Ciente de que há diferentes frações nas classes sociais, tive a intenção de buscar os estudantes que pleitearam a isenção de taxas de inscrição no vestibular; estudantes que eram trabalhadores ou estavam desempregados; estudantes egressos das escolas públicas; e filhos de pais com níveis baixos de escolaridade. Em relação ao uso das novas tecnologias, busquei aqueles que não possuíam computadores em casa e, finalmente, que sabiam lidar com poucos recursos do computador/internet ou não sabiam nada.

Tomando o universo dos 60 alunos (que responderam o questionário) que ingressaram no curso de Pedagogia noturno, pelo vestibular, constatei que o mesmo é composto por uma grande maioria de mulheres jovens, solteiras e sem filhos49.

Mais da metade desse universo é constituído por sujeitos que têm um ou dois irmãos. É importante esclarecer que as pessoas que têm dez e 11 irmãos são praticamente caçulas, ou seja, ocupam na família respectivamente os lugares de 11º e 10º filhos. Além disso, tais caçulas são provenientes do interior de Minas Gerais e

49

Havia seis homens e 54 mulheres, a grande maioria com idades entre 20 e 27 anos. 48 solteiros, dez casados e dois que assinalaram a opção de outro estado civil. A grande maioria dos sujeitos – 47 – não tem filhos; seis têm um filho, cinco têm dois filhos e dois não responderam a questão.

afirmam, em suas respostas ao questionário, que os pais apresentam pouca escolaridade. Pode-se supor que, por serem caçulas, tiveram a oportunidade de estudar na capital, talvez com a ajuda de irmãos mais velhos que vieram antes, em busca de trabalho, e aqui se estabeleceram, proporcionando assim a vinda de irmãos mais novos com intuito de estudar e conseguir uma vaga em uma universidade pública, em que o processo de entrada é realizado por meio de uma rígida seleção (Tabela 1).

A questão relativa ao tipo de residência mostra que a grande maioria – por ser mais jovem – reside com a família em casa própria. Mas não há informação sobre a localização ou estilo da casa (número de cômodos, nível de conforto, etc.) (tabelas 2 e 3).

A participação dos sujeitos no programa de isenção da taxa do vestibular é significativa: 21 vestibulandos tentaram a isenção. Apenas três afirmaram não conhecer o programa oferecido pela universidade e 36 não tentaram participar.

No questionário, três questões estão bastante interligadas: “Você exerce atividade remunerada atualmente?”, “Qual sua condição de manutenção?” e “Qual a sua participação na renda familiar?”. Decidi reunir as respostas dessas questões para observá-las integradamente, o que me revelou que, de modo geral, quase metade dos sujeitos não trabalha e a outra metade trabalha cerca de 21 a 40 horas semanais – a maioria em empresas - e tem participação no sustento familiar50.

50

Do universo de 60 sujeitos, 14 sujeitos afirmaram que não exercem atividade remunerada e dez afirmaram ser sustentados pelos pais. Apenas dois sujeitos afirmaram trabalhar eventualmente, cinco trabalhavam até 20 horas semanais e, entre estes, havia os que eram mantidos pela família e aqueles que contribuíam para o sustento familiar. Vinte e cinco sujeitos declararam que trabalham de 21 a 40 horas semanais. Destes, mais da metade trabalhava em empresas, com participação na renda familiar. Quatorze sujeitos trabalhavam mais de 40 horas semanais – quase todos também em empresas – e mais da metade destes também contribuíam para o sustento familiar. Apenas cinco declararam ser unicamente responsáveis por sustentar a família.

A escola pública estadual predomina no quesito “Tipo de escola em que cursou a maior parte do ensino médio”. Em seguida, vem a escola particular e, depois, a escola pública municipal. Mas, considerando o ensino público de maneira geral, o dado nos revela que a maior parte dos sujeitos que ingressaram no curso de Pedagogia noturno em 2007 é oriunda desse sistema de ensino (Tabela 4).

Dentre os sujeitos pesquisados, 40 revelaram ter estudado no turno da manhã. Vale ressaltar que 52 fizeram curso pré-vestibular. A expansão dos pré- vestibulares populares é uma explicação possível para tantos alunos terem freqüentado cursinhos, visto que os mesmos são normalmente de custo alto.

Em relação à escolaridade dos pais, todos declararam que eles são alfabetizados, mas o nível de escolaridade varia muito. Há uma relação quase direta entre o nível de escolaridade dos pais e a profissão que ocupam na sociedade. Em quase todos os casos, pode-se prever o nível social que o sujeito ocupa, observando principalmente a profissão do pai. Há alguns casos em que o pai tem ocupação profissional mais alta e a mãe é dona de casa (tabelas 5 e 6).

Essas foram questões que me possibilitaram identificar quais eram os alunos provenientes das camadas populares. Principalmente a última questão, que trata da escolaridade e ocupação dos pais, foi definidora. No entanto, foi preciso lançar questões relativas aos usos do computador e da internet para conseguir perceber quais eram aqueles que, além de serem do meio popular, não tinham afinidade com os recursos oferecidos pelo universo digital.

Primeiramente, partindo do “passado escolar”, é possível afirmar, neste caso, que a escola não teve uma participação efetiva na formação do letrado digital, mesmo com um número considerável – 22 – de sujeitos provenientes das escolas particulares. Talvez esse dado revele a defasagem da escola no que se refere ao

uso do computador como ferramenta ou como fonte de informação. Apenas oito sujeitos afirmaram utilizar o computador com freqüência no ensino médio51.

Nas respostas dadas ao questionário, é possível perceber que muitos sujeitos que não herdam a condição de letrado digital na família – até mesmo porque não há como herdar aspectos de um fenômeno tão recente – têm a possibilidade de desenvolver habilidades digitais em outros espaços de formação, como o trabalho. Aponto isto com base em questionários de sujeitos que não possuem o computador em casa, mas afirmam utilizá-lo, na maioria das vezes, em seu ambiente de trabalho. Assim também ocorre com os sujeitos que possuem o computador em casa, mas utilizam-no prioritariamente para trabalhar (Tabela 7). Diversos artigos sobre inclusão digital têm apontado o ambiente de trabalho como principal lugar de contato com a cultura digital:

À medida que o acesso às TIC's virou negócio e deixou de estar restrito às universidades e centros de excelência em pesquisa científica (conforme ocorria, por exemplo, nos EUA, nos anos 1950 e 1960; por outro lado, a partir dos anos 1980, nos EUA, e a partir de meados dos anos 1990, no Brasil, o acesso à internet massificou-se), aumentou expressivamente o número absoluto de pessoas classificadas como “digitalmente incluídas”. (MATTOS & CHAGAS, 2008, p. 23)

Um número muito pequeno de sujeitos afirma não ter computador em casa. Dos 60 participantes, apenas nove não possuem52. Com relação ao uso prioritário do computador, são poucos aqueles sujeitos que o utilizam desconectado da internet53 (Tabela 8).

51

Temos como exceção o caso de uma aluna da turma G, que, em entrevista realizada em outubro de 2008, contou que incentivada pelo colégio particular onde estudava, desde o ensino médio, já utilizava os portais acadêmicos de busca, como o Scielo.

52

Desse universo de 60 alunos, nove sujeitos não possuem computador, 20 têm computador com internet banda larga, 25 usam acesso discado e seis têm computador, mas sem acesso à internet.

53

“Os usuários residenciais brasileiros usaram a internet, em junho de 2008, por 23 horas e 12 minutos em média, segundo dados do Ibope/NetRatings. Houve uma queda de 36 minutos em relação a maio, mas os internautas do país são os que mais tempo usam a rede em comparação com outros dez países”. (Extraído de PAÍS conectado: Brasil é líder em tempo de uso. Folha de S. Paulo,

Ao tabular os dados, descobri uma incoerência entre essa “questão sobre os usos” (Tabela 8) e o “local de uso” (Tabela 7), pois, como se pode observar, na Tabela 8 há cinco sujeitos que afirmam não usar o computador e na Tabela 7 apenas dois sujeitos permaneceram dizendo que não utilizam o equipamento. Tal dado me deixou em dúvida quanto ao número de sujeitos que conseguiria selecionar para uma próxima etapa da pesquisa.

Uma forma de me certificar um pouco mais a respeito dos sujeitos que não sabem lidar com o computador/internet foi pedir que revelassem as habilidades das quais tinham conhecimento. Para isto, selecionei um conjunto delas, desde as mais simples até aquelas mais complexas e específicas. Meu objetivo nessa questão era saber o quanto eles somavam conhecimento sobre as habilidades ali expostas, não só o “saber fazer” como também “o saber o que significam tais expressões típicas do universo digital”. Há, na íntegra, no questionário em apêndice, todas as habilidades selecionadas por mim para “avaliar” o nível de conhecimento de cada sujeito participante.

A primeira coluna do questionário relaciona as habilidades selecionadas. A segunda foi pensada para detectar aqueles sujeitos que desde adolescentes fazem uso da internet. A terceira coluna, para detectar aqueles que só tiveram a oportunidade de interagir com o universo digital a partir do ingresso no trabalho ou em casa. Essas colunas são eficazes para diferenciar os sujeitos, pois há uma distinção entre aprender a fazer uso das habilidades durante a adolescência e na vida adulta, já que parece existir, por parte dos adolescentes, disposição e curiosidade diferenciadas no que se refere às possibilidades oferecidas pelo universo digital. Em pesquisa realizada por mim no ano de 2002, tendo como São Paulo, 30 jul. 2008. Caderno Informática. Disponível em:

sujeitos adolescentes de classe média com acesso sistemático à internet, foi possível atestar que nessa fase da vida há, naturalmente, uma curiosidade, um desejo de buscar novidades e ter um papel ativo em relação ao uso das novas tecnologias, de uma maneira geral (BANDEIRA, 2003).

A quarta coluna (“Conheço a prática, mas não a utilizo”) foi criada para detectar aqueles sujeitos que sabem fazer uso das habilidades mais simples da internet/computador e conhecem, mas nunca experimentaram, habilidades complexas ou distantes de seus objetivos. A quinta coluna foi criada para identificar exclusivamente aqueles que não interagem com o universo digital.

Não é preciso dominar muitas habilidades dentro do universo digital para que ocorra uma entrada satisfatória no mesmo. As primeiras ações apresentadas no quadro de habilidades do questionário (mandar e receber e-mails, navegar descompromissadamente, anexar arquivos em e-mails e gravar arquivos em disquete, CD ou pen drive) já são suficientes para que o estudante consiga atender às principais demandas da vida acadêmica, mas, como são as formas de apropriação desse novo saber? Responder essa questão é um dos objetivos desta pesquisa. Além disso, foi importante captar situações singulares pelas quais os alunos calouros selecionados passaram no início de sua trajetória e perceber o impacto inicial e o processo lento e dificilmente construído por alguns para entrar nesse ambiente digital, que requer um tipo de letramento, em parte, diferente do impresso.

Após a aplicação do questionário foram selecionados os 12 sujeitos que terão seus perfis descritos brevemente no tópico a seguir.

1.2.6. Os 12 sujeitos selecionados (perfis gerais construídos em agosto de