• No results found

Forskningslitteratur om OECD sin forvaltningspolitikk i forhold til de

Ah, os estudos, eles abre as portas né, do futuro. Aí, eu estudei até o ensino médio, quando eu fui pra fazer faculdade... aí apertou um pouco por causa do trabalho, eu dei... eu adiantei, aí da outra vez que eu fui fazer, eu engravidei, parei... mas o estudo, ele é muito importante, pra pessoa ter um futuro, pode escolher um trabalho, uma profissão melhor. (PATRÍCIA, 2015, p. 31). Os estudos para esses jovens são vistos apenas como ampliadores das possibilidades de trabalho, o que não significa perspectiva de ascensão social, talvez mais como expectativa do que possibilidades concretas. Tito, entretanto, é uma exceção, visto não acreditar que os estudos possibilitam melhores condições de trabalho:

[...] É.. é... assim... porque pra mim, o estudo... no nosso país eu acho um pouco injusto. Porque aqui... eu costumo dizer sempre: aqui no Brasil pra você ganhar dinheiro, você não... não.... não forma pensando que você vai ganhar dinheiro porque é ilusão. Aqui no Brasil a forma de você ganhar dinheiro é sendo empreendedor. Que nem as pessoas que não tem um... um... não sabe nem fazer uma leitura normal e assim... e a pessoa que é formada ganha bem menos que a pessoa que não sabe nem ler, só porque ele teve a ideia de fazer alguma coisa. Então o Brasil é totalmente injusto. (TITO, 2015, p. 39-40). Mesmo não acreditando em melhores condições de trabalho a partir dos estudos, Tito reconhece a importância do conhecimento e dos estudos na formação humana e, nessa perspectiva, tem como expectativa concluir o curso de teologia (em fase final), fazer um curso

de psicologia e abrir um negócio próprio. Tito foi um entre três - em 173 que responderam aos questionários - que tiveram contato com curso superior, que apesar de presente nas expectativas dos jovens, está longe de ser uma realidade ou materializar-se, como no caso de Patrícia que, enquanto sonha em ser psicóloga, trabalha como fiscal de caixa em uma rede de supermercados para conseguir sustentar a filha.

Pudemos notar uma baixa escolaridade entre os jovens da ocupação, sendo que 41,62% não completaram o ensino fundamental e 32,37% não completaram o ensino médio. Apenas 23,70% dos jovens concluíram o ensino médio que, na visão deles, é a conclusão dos estudos. Entre os jovens entrevistados, 21,39% estão estudando. Notamos uma maior escolaridade entre as mulheres, sendo 54,05% entre os que estão estudando, contra 45,95% dos homens. Entre os que concluíram o ensino médio, 65,85% são mulheres contra 34,15% de homens. Temos uma tendência que a partir dos dezenove anos, cai drasticamente o número de jovens que ainda estudam; 89% dos que estão estudando têm entre 15 a 19 anos, contra 10,81% de 20 a 29 anos (FÁVERO; MORAIS, 2015).

Esse quadro faz com que questionemos a dimensão da moratória concebida pela juventude, alargando o período de estudos e postergando a entrada no mundo do trabalho. Essa vivência juvenil sob moratória está longe para esses jovens, que muitas das vezes são obrigados a abandonar os estudos para a reprodução do núcleo familiar, seja um novo ou o de origem. Há outros motivos que os jovens abandonam os estudos, como é o caso de Rosa, que parou de estudar no primeiro colegial por causa das drogas e agora tem dificuldades para voltar, dificuldade compartilhada por muitos que interromperam os estudos, em suas palavras:

Rosa: Hoje eu sinto falta, porque esses tempo agora eu tentei voltar e fiquei muito sem noção dentro da sala, então eu fiquei com vergonha. Agora eu parei nesse ano passado agora... eu parei por causa de vergonha memo, por causa que a matemática e a física já tava bem num nível elevado que eu já nem lembrava mais aí.

Douglas: E você pretende voltar? Concluir?

Rosa: Ah... mas agora acho que não dá não, mas eu queria... ser assistente social, quatro anos só. Cinco ano eu terminaria tudo né, que só falta um ano. Dá pra fazer segundo e terceiro junto e a faculdade, mas... vamo ver né... só Deus agora [risos]. (ROSA, p. 14).

Conforme aponta Dayrell (2007), no Brasil, a partir da década de 1990, há uma ampliação da escola para uma escola de massas, a qual, mesmo recebendo um enorme contingente de jovens das camadas populares, não leva em conta as experiências desses sujeitos. Apesar de se conformar como um espaço de sociabilidade importante, os jovens não atribuem à escola um espaço de referências de valores, mas como um mal necessário, sobretudo para

melhores condições de trabalho:

Dessa forma, a relação dos jovens pobres com a escola expressa uma nova forma de desigualdade social, que implica o esgotamento das possiblidades de mobilidade social para grandes parcelas da população e novas formas de dominação. Neste caso, a sociedade joga sobre o jovem a responsabilidade de ser mestre de si mesmo. Mas, no contexto de uma sociedade desigual, além deles se verem privados da materialidade do trabalho, do acesso às condições materiais de vivenciarem a sua condição juvenil, defrontam-se com a desigualdade no acesso aos recursos para a sua subjetivação. A escola, que poderia ser um dos espaços para esse acesso, não o faz. (DAYRELL, 2007, p.

1122-1123).

Frigotto (2004, p. 188-190) sugere, a partir da longa história de escravidão no Brasil, uma relação entre escolaridade e trabalho a partir das dimensões de classe e raça. Podemos notar, no âmbito da educação, essa necessidade a partir da tendência nacional em que jovens negros têm menos escolaridade, em todos os níveis e idades, que os brancos, da mesma forma que os negros apresentam menos tempo de estudo que os brancos (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO - OIT, 2015a, p. 11-12). Na ocupação, essa relação parece ser importante, visto que 73,41% dos jovens são negros (FÁVERO; MORAIS, 2015).

Voltando aos jovens que interromperam os estudos, novamente temos uma diferença entre os homens e mulheres quanto aos motivos da interrupção. Quando analisamos os jovens em conjunto, 36,84% deles interromperam os estudos devido ao casamento e/ou surgimento de filhos, enquanto 26,32% por causa de trabalho, 13,68% sem motivo maior, 12,63% por mudança e 5,26% por drogas ou prisão. Outros motivos somados com os que não responderam chega a pouco mais de 5%. Quando analisamos a interrupção a partir de gênero, as mulheres interrompem os estudos por filhos e casamento em 57,45% dos casos, enquanto apenas 10,64% por necessidade de trabalho. Esse quadro inverte-se com os homens, em que 41,67% dos casos de interrupção deram-se por causa do trabalho, enquanto 16,67% responderam interromper os estudos por causa dos filhos (FÁVERO; MORAIS, 2015). Da mesma forma que podemos notar uma maior pressão na esfera da reprodução da vida doméstica nas mulheres, nos homens essa pressão se expressa na orientação para a vida pública e para o mundo do trabalho, característica bem marcante da sociedade brasileira.

A conciliação entre estudos e trabalho não é uma realidade para muitos desses jovens, em que apenas 15% dos jovens que trabalham continuam estudando, como afirma Antônio ao ser questionado se pretende voltar a estudar: “Por enquanto não pretendo não né, porque ta meio difícil né. É muito chato também trabaiá de dia e estudar a noite, mas se Deus quiser eu vou voltar ainda.” (ANTÔNIO, 2015, p. 24). Essa dificuldade em relacionar estudo e trabalho torna-

se determinante na experiência juvenil, uma vez, que no Brasil, “[...] o trabalho afasta o aluno da escola, que, por sua vez, afasta o aluno trabalhador.” (SPOSITO, 2004, p. 81).