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O trabalho desenvolvido neste primeiro capítulo teve como objetivo auxiliar na compreensão do que seriam os estereótipos para que, no capítulo seguinte, possamos apresentar um estudo sobre cultura e identidade. O intuito seria o de entender como a

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Patriotismo fanático.

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interculturalidade contribuiria para a construção e o uso dos estereótipos. Neste caso, observaremos percepções da cultura alemã a partir do ponto de vista de alemães residentes no Brasil.

Com base nos dados da coleta procuraremos ilustrar o resultado do processo contrastivo com fundamento nas vivências interculturais e como as diferenças e semelhanças se materializam no discurso.

Destacamos que, diante de um número considerável de termos, não tivemos como diretiva esgotá-los neste capítulo, mesmo porque essa tarefa se mostraria complexa para uma dissertação. Dito isso, finalizamos esta seção elaborando um resumo da forma como os entendemos e sua relação com os estereótipos:

clichê: é uma palavra usada no contexto linguístico para indicar as expressões fixas usadas com frequência na Literatura, no teatro, na música, no cinema, no dia-a-dia. Além disso, refere-se ao uso de formatos padronizados (tipo de fotos, caracterização de personagens, frases de efeito). Não manteria relação direta com os estereótipos quando consideramos o uso linguístico, contudo, partilham a condição de repetição de um conjunto de palavras; ela aproxima-se do significado de lugar comum no sentido de colocar em uso algo recorrente;

estêncil (poncif): o uso dessa palavra não seria usual nas áreas da linguagem, tendo maior aplicação no domínio das artes, sejam elas gráficas ou não, para indicar à técnica de cópia e o modelo feito com punções para produzir tais cópias. Não manteria relação direta com os estereótipos no sentido linguístico, salvo por partilhar a ideia de repetição de traços com relativa regularidade;

senso comum (idées reçues): no sentido elaborado por Flaubert em sua obra literária seria um conjunto de crenças vigentes ou verdades vigentes. Nesse sentido, entendemos que sua significação seja a mesma de doxa, ou seja, conjuntos de representações. A relação direta com os estereótipos existiria, pois estes pertenceriam a esse espaço, já que eles seriam um tipo de senso comum, muito embora este último não se limite à estipulação de características a grupos sociais como os estereótipos;

doxa: seria a mesma coisa que senso comum (idées reçues), seriam conjuntos de conhecimentos validados por cada grupo social, aquilo que

contribui para a sua significação do mundo, seus valores, suas representações;

lugares comuns (topoï):59 similar ao termo clichê, embora um lugar comum não aponte para as expressões em si, mas para seu uso. A relação com estereótipos existiria, pois ao dizer que algo ou alguém é desta ou daquela forma sem que haja fundamentação seria uma forma de reforçar os estereótipos. Logo, o ato de repetir tais informações infundadas e compartilhadas seria cair em um lugar comum;

protótipo: uma categorização que elenca membros que possuem as características essenciais para representar uma categoria. Um protótipo não se limita à categorização de seres humanos, mas a relação direta com os estereótipos existiria, pois eles são exemplos de protótipos, uma vez que reúnem um conjunto de características identitárias essenciais para a classificação de determinado grupo social, tornando-se, assim, um modelo padrão de referência para tais classificações;

representações sociais: construções mentais de grupos sociais resultantes de processos de categorização com o objetivo de significar o mundo e agir sobre ele. Os imaginários participariam dos processos das representações sociais fornecendo o substrato a partir do qual elas serão construídas e os estereótipos seriam um de seus produtos, representações generalizadas de grupos sociais com ênfase nos seus aspectos físicos e comportamentais;

impressão representacional (ethos) e reputação (ethos prévio): participam do processos de construção, modificação ou ativação de representações que se baseiam nas crenças vigentes e verdades vigentes, seriam influenciados pelos processos culturais e dependentes do imaginário que estaria disponível para os parceiros comunicacionais. A relação com estereótipos existiria no sentido do processo de elaboração mental em si. Um estereótipo, assim como uma impressão representacional ou reputação, seria um produto dos processos representacionais;

imaginários: seria o substrato que surge do estabelecimento de relações entre as representações já existentes no indivíduo e aquilo no mundo material que necessariamente funciona como o gatilho para as ativações

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dessas representações. Os imaginários existiriam apenas no plano mental e funcionariam como a matéria-prima das novas representações. Sua relação com os estereótipos existiria, pois estes seriam produtos deles, como qualquer outro tipo de representação também o seria.

II – CULTURA

O tema cultura tem se mostrado inesgotável no campo da Antropologia60 nos últimos 100 anos. Tendo essa diversidade em vista, uma definição para esse conceito seria de grande utilidade para viabilizar a compreensão da extensa variedade cultural do planeta (LARAIA, 2009, p. 7). Neste capítulo iremos tratar de alguns conceitos de cultura e identidade, bem como apresentar um modelo que estamos desenvolvendo para uma sistematização do que chamamos de conhecimento cultural.