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4.1. Consumo e digestibilidade dos nutrientes

Os menores consumos de MS, MO EE, CNF e NDT na dieta contendo apenas SE em relação à dieta com SM provavelmente se deve ao efeito de enchimento causado pela SE, decorrente da maior concentração de lignina e FDNi, como relatado por Silva et al. (2012). Em geral as leguminosas tropicais apresentam maior concentração de lignina em comparação às gramíneas e também em relação às leguminosas de clima temperado como a alfafa (Mupangwa et al., 2000; Ruppet et al., 2003; Filya et al., 2007; Foster et al., 2014).

Os valores de consumo de MS das dietas com concentrado (33,8 e 31,5 g/100kg de peso corporal, para SM e SE, respectivamente) observados no presente trabalho foram semelhantes aos observados por Moreno et al. (2010) em ovinos alimentados com dietas contendo 40% de concentrado (31,3 kg/100kg de peso corporal). Cardoso et al. (2006) observaram consumo de 31,9 kg/ 100 kg de peso corporal em cordeiros Ile de France alimentados com dietas contendo aproximadamente 40% de concentrado.

No presente trabalho observou-se que os animais apresentaram maior preferência para a dieta com SE + C. Essa observação permite afirmar que provavelmente não houve inibição ou limitação do consumo dos animais por fatores não relacionado às características da fibra, como elevadas concentrações de ácido butírico. Souza et al. (2014) observaram valores de ácido butírico praticamente semelhantes entre SM e SE (1.8 e 1.5 g/kg, respectivamente). Além disso, pode ter ocorrido o efeito associativo proporcionado pela adição de concentrado à dieta com SE.

O consumo de PB semelhante nas dietas sem concentrado e maior para a SE na presença de concentrado, se deve ao fato de que os animais alimentados com SE selecionaram mais folhas nestas dietas, as quais apresentam maior concentração de PB em comparação àquelas com SM. Esta seletividade pode ser comprovada pela elevada proporção de talos nas sobras dos animais alimentados com SE.

Provavelmente, para atingir a mesma demanda energética os animais consumindo silagem de estilosantes em associação com concentrado selecionaram uma dieta mais rica

em energia e consumiram mais MS no total em relação às dietas com silagem de milho, dadas as caraterísticas nutricionais da silagem de estilosantes, como o elevado teor de FDNi. Dessa forma, na presença de concentrado os valores foram semelhantes para SE e SM, mesmo com menores valores de digestibilidade da MS para a SE. Entretanto, o fato de a silagem de estilosantes apresentar menor digestibilidade não constitui uma limitação, pois o consumo de nutrientes não foi alterado quando as dietas continham concentrado.

A ausência de efeito sobre a digestibilidade da FDNcp para as diferentes silagens pode ser explicada pelo aumento no tempo de retenção ruminal das partículas em dietas com maior participação de volumoso, como observado em outros trabalhos com ovinos (Mupangwa et al., 2000; Silva et al., 2012).

A adição de concentrado à dieta com SE possibilitou que os efeitos da menor digestibilidade da MS ou o menor consumo na dieta contendo apenas SE fossem amenizados, resultando em valores de digestibilidade aparente da MO semelhantes à dieta com SM e concentrado.

4.2. Amônia ruminal e pH

O maior pH ruminal naqueles animais alimentados com SE sem concentrado em relação àqueles alimentados com SM (6,74 vs. 6,08), provavelmente se deve à maior concentração de sais aniônicos em leguminosas que aumentam a capacidade tamponante destas plantas (Playne e McDonald, 1966; Heinritz et al. (2012). Entretanto, ao adicionar concentrado às dietas o pH ruminal foi o mesmo para as dietas SE e SM. Ladeira et al. (2002) observaram pH ruminal igual a 7 em ovinos alimentados com feno de Stylosanthes

guianensis. Os valores de pH em função do tempo de coleta foram ajustados ao modelo

cúbico pois este engloba todos os tratamentos juntos, por isso o baixo ajuste da equação. Entretanto é possível inferir que a presença da SE ocasionou a elevação dos valores de pH após a alimentação, uma vez que o comportamento geralmente observado para dietas com gramíneas é de decréscimo do pH após a fermentação (Costa et al., 2013; Pereira et al., 2008). Em geral, todas as dietas apresentaram valores de pH ruminal maiores do que 6, o que permite maior desenvolvimento das bactérias celulolíticas e maior degradação da fração fibrosa (Van Soest, 1994; Mouriño et al., 2001).

A maior concentração de amônia ruminal nos animais alimentados com SE (com ou sem concentrado) provavelmente se deve ao maior aporte de nitrogênio no rúmen, devido ao maior consumo de PB, como explicitado anteriormente. A concentração de amônia ruminal observada no presente trabalho foi semelhante à observada por Ladeira

et al. (2002). Detmann et al. (2009) preconizaram que a concentração mínima de amônia ruminal para suprir a demanda de compostos nitrogenados aos microrganismos ruminais é de 8 mg/dL de fluido ruminal, com base em dados de gramíneas tropicais.

4.3. Derivados de purina e síntese de proteína microbiana

As excreções diárias de derivados de purina foram semelhantes às proporções recomendadas por Chen e Gomes (1992), que são de 60 a 80% para alantoína, 10 a 30% para ácido úrico e de 5 a 10% de xantina e hipoxantina.

O incremento na produção de proteína microbiana com a adição de concentrado aa s dieta se deve à maior disponibilidade de energia, devido ao maior consumo de NDT, para o desenvolvimento dos microrganismos ruminais. A ausência de efeito para o tipo de silagem indica que a SE pode substituir a SM sem comprometer o desenvolvimento dos microrganismos ruminais. O aumento na EfMic na dieta SE pode ser justificado pela diminuição no consumo de NDT, uma vez que este parâmetro é uma relação entre o a produção de PBMic e o consumo de NDT. Além disso, é provável que os animais alimentados com SE sem concentrado apresentaram um aumento na reciclagem do nitrogênio, devido ao baixo consumo de MS e NDT.

A utilização das leguminosas, seja na forma conservada ou in natura, ainda não apresenta adoção em escala de propriedade no Brasil, devido à existência de alguns paradigmas como baixa produtividade de MS e a baixa capacidade fermentativa para produção de silagens. No entanto, não se considera que a inclusão das leguminosas no sistema de produção animal pode prover benefícios que vão além de estimativas de produtividade, como a diminuição no uso de adubo nitrogenado e uma possível diminuição no uso de concentrados proteicos. No presente trabalho, as dietas contendo SE necessitaram de menores quantidades de ureia para atingir o teor de PB desejado. Dessa forma, torna-se importante avaliar a utilização das leguminosas considerando aspectos como a redução na quantidade de nitrogênio aplicada via fertilização e principalmente a possível redução no uso de concentrados proteicos de elevado custo.