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Forskningsdesign

2 Metode

2.1 Forskningsdesign

A humanidade ao longo de sua história tem demonstrado grande poder de adaptação diante dos inúmeros reveses proporcionados por conquistas, guerras e dominações. Não se pode negar que é a partir da esperança e do amor que a humanidade deposita seus ideais mais sublimes, portanto, tornando-se assim uma fonte de otimismo e busca por bem-estar. Contudo, as forças adversas ao otimismo humano também ajudam a amadurecer as estruturas sociais.

A Gaudium et Spes foi escrita em meio a uma “euforia” de esperanças e otimismo no contexto pós II Guerra Mundial. Com precedentes históricos tão obscuros não é de se espantar que a Gaudium et Spes tenha sida confeccionada em meio a “considerações teológicas e argumentos sociológicos, entre otimismo evangélico e ingênua confiança no progresso”.90 Na década de 60, do século passado, havia no “ar”

uma sensação de que homem se dirigia para o tão esperado “paraíso” terreno. Como a história comprovou, não foi bem isso que ocorreu.

A segunda metade do século XX e o início do terceiro milênio ocorreram transformações políticas, econômicas e culturais que não afetaram somente o mundo ocidental, mas espraiaram-se por todo o globo. Em meio a isso, a humanidade desejosa por esperanças suscitadas pelo desenvolvimento técnico, econômico e científico, torna- se abatida pelas angústias de uma realidade que grita por respostas (Cf. GS, n. 4).

As grandes transformações não afetaram somente o estilo de vida contemporâneo em sentido de progresso material, mas trouxeram grandes

consequências em níveis filosófico, psicológico e existencial. Se outrora, as filosofias se enquadravam perfeitamente em “sistemas” muito bem arquitetados, hoje, as filosofias são fragmentadas e de difícil síntese. No campo psicológico vê-se um entrelaçamento cada vez mais estreito entre o real e o virtual sendo que a dependência do mundo cibernético é cada vez maior, senão onipresente e onisciente. O que ocorre na contemporaneidade é uma verdadeira mudança de época. Assim como a Gaudium et

Spes há cinquenta anos teceu considerações importantes para seu tempo, a encíclica do

Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, traz importantes considerações sobre a situação atual:

A humanidade vive, neste momento, uma viragem histórica. Esta mudança de época foi causada pelos enormes saltos qualitativos, quantitativos, velozes e acumulados que se verificam no progresso científico, nas inovações tecnológicas e nas suas rápidas aplicações m diversos âmbitos da natureza e da vida. Estamos na era do conhecimento e da informação, fonte de novas formas de um poder muitas vezes anônimo (EG, n. 52).

O Homem atual é marcado por uma oscilação constante entre o otimismo e preocupação. No Brasil, por exemplo, onde ondas de violência se avolumam, quanto mais sistemas de segurança são desenvolvidos, a ansiedade e a falta de tranquilidade aumentam em igual intensidade. A ausência de um sistema que proporcione a inclusão e crie condições reais de oportunidades a todos para que haja maior equilíbrio social, é em grande parte responsável pelos inúmeros déficits sociais. O capital não pode ser critério único para estabelecer metas para todas as dimensões da existência. Com a derrocada do comunismo em 1989, queda do muro de Berlim, bem como o desencantamento com as grandes utopias o capitalismo e o neoliberalismo vicejaram com força. No campo político há cada vez maior descrédito por parte das populações, cita-se o caso da América Latina, devido aos altos índices de corrupção e populismo.

Na Europa, por sua vez, o Estado de Bem-Estar Social sofre as agruras da crise econômica iniciada em 2008. Além do surgimento de movimentos e até de partidos políticos de extrema direita tirando do “armário” ideologias (neo) nazistas e fascistas. É digna de nota a crescente força econômica e política da China, sendo que há forte probabilidade de uma mudança no eixo geopolítico do Ocidente ao Oriente. E isso trará uma mudança radical para a visão de mundo a partir de paradigmas orientais, mais

propriamente chineses. O mundo que se conhece com forte influência da religião judaico-cristã, direito romano-germânico e filosofia greco-romana que moldou nossa cosmovisão de mundo ocidental, terá que se realinhar numa nova dinâmica global. Essa situação se desenvolve em uma velocidade ímpar na história, pois os fenômenos da globalização e do neoliberalismo potencializam esse processo.

No caso específico do Brasil, em matéria de política, há uma crescente transição da tomada de posição da política à justiça, ou seja, do Congresso ao Supremo Tribunal Federal. Essa realidade brasileira também é percebida em outros países como fenômeno do juristocracismo.91 Tal fenômeno segundo o cientista político Ran Hirschl, da

Universidade de Toronto, é a força do jurídico sobre o político. “É diante da estátua da justiça que ficam as manifestações sobre o casamento homossexual, aborto de fetos com anencefalia, pesquisas com células-tronco embrionárias”.92 O homem religioso está

inserido nesse panorama de mudança radical.

É de se notar também que há um processo em andamento que busca um estilo de vida sustentável e menos agressivo ao planeta. O mundo das religiões muito tem a colaborar para a concretização desse intento. A busca por fontes de energia sustentável assim como também uma economia que respeite o meio ambiente também são almejadas nesse cenário ainda mais quando se tem uma população global de sete bilhões de pessoas. O caminho é árduo e moroso, mas há esperanças. A Gaudium et Spes tenta proporcionar alento em meio ao crescente individualismo e indiferentismo social e apela para que a vida plena e livre torne-se um desejo comum a todos (Cf. GS, n. 9).

Diante desses inúmeros cenários a teologia se ocupou em dar uma colaboração para o progresso da pessoa humana, progresso não semelhante àquele das forças do mercado, mas ao modelo que entende o bem-estar do ser humano em sua integridade de mente, corpo e espírito. Após o Vaticano II novas reflexões provenientes da América Latina, África e Ásia ofereceram uma tonalidade diferente às tradicionais respostas provenientes formuladas a partir do “Velho Mundo”. Novos temas, tais como: paz, justiça, libertação, ecologia e bioética assim como também ecumenismo, diálogo inter- religioso e intercultural tornaram-se pauta do dia.93 É necessário deixar uma visão

míope da realidade humana e tentar a partir de um discernimento evangélico ler os sinais dos tempos (Cf. EG, n. 50). O ser humano de hoje, levado pelo método científico

91 Cf. REVISTA VEJA. Editora Abril. n.16. Abril de 2014. p. 48.

92 Ibidem, p. 50.

e maior acesso à cultura, questiona a fé e essa por sua vez o questiona. A teologia é ponte de diálogo com o mundo social, cultural e religioso.

Em resposta ao homem e ao mundo contemporâneo a teologia tenta se adaptar a esse novo cenário e ao entrar em contato com o mundo das ciências e culturas vai assumindo novos formatos tais como teologia transcendental, da história, da salvação, analítica, política, da libertação.94 É o esforço racional da fé em buscar respostas que

acalentem as inúmeras angústias existentes em cada pessoa humana. Fato é que independente das adversidades, o Reino de Deus vai acontecendo e frutificando. Inúmeras são as propostas para a melhoria da sociedade atual e de suas estruturas marcadas pelo subjetivismo, consumismo e individualismo. Mas qualquer que seja a proposta não poderá se prescindir da busca pela solidariedade, cooperação em vista do bem comum.