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2 Teori og forskning

3.5 Forskningens kvalitet

Partindo dessas considerações resulta controverso e polêmico o Estado declarar durante décadas a falta de dinheiro para investir na OSMG e optar por uma gestão compartilhada entregue sem edital e de forma discricionária a uma entidade com interesses pessoais, políticos e partidários, ferindo dessa forma a transparência essencial do modelo atual de administração pública, transparente e democrática.

Fatores como esse motivaram a abertura de Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 923 de 1997, que questionava a transferência de atividades públicas independente de processo licitatório. Embora a liminar tenha sido indeferida pelo STF em 2007, o requerimento aguarda a deliberação. Outro dos pontos negativos que percebemos refere-se à exorbitante remuneração paga aos maestros e aos membros da diretoria executiva da Filarmônica, fixada pelo próprio Conselho Executivo da entidade.

Nem só de crise tem funcionado a vida cultural de Belo Horizonte. Digamos que como ponto positivo, a criação da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais injetou uma vitalidade nova no ambiente musical de Belo Horizonte e ampliou a visibilidade da atividade sinfônica na capital e no Estado. A intensa propaganda realizada

através de todos os meios de comunicação chamou a atenção da sociedade e especialmente dos setores governamental e empresarial.

A imagem ideal modelada a partir dos mecanismos criados em torno do funcionamento da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (como, por exemplo, a programação prevista com muita antecedência, agilidade e eficiência) serviram de aprendizado para mostrar como a estrutura oferecida pelo governo precisava ser melhorada. Não adiantava cobrar dos instrumentistas um nível de excelência internacional sem considerar suas aspirações como cidadãos que se dedicam de alma e coração no desempenho de suas atividades laborais.

O modelo apresentado pela Filarmônica não previu a exclusão do Estado, pelo contrário, ele tornou-se o principal financiador, e sob a égide do incentivo hoje se gasta muito mais dinheiro público do que antigamente. No transcurso de nossa pesquisa tivemos acesso aos relatórios das atividades do Instituto Filarmônica e os termos de parceria, disponíveis para download na internet, fato raro na administração pública direta na área cultural. O custo para manter a Filarmônica

começou com R$ 22 milhões por ano, tendo como fonte recursos públicos85 e

diminuindo a cada temporada. O detalhe é que a Fundação Palácio das Artes como um todo, incluindo a OSMG, tem um orçamento anual de R$ 3 milhões (dados de 2012).

A função orçamentária enquanto atividade formal e permanentemente vinculada ao planejamento foi instituída em 1936 quando da criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), com o objetivo de realizar a modernização administrativa. Eram os primórdios da administração pública que sofria a influência da teoria da administração científica de Taylor, baseada na racionalização através da simplificação, padronização e aquisição racional de materiais, revisão de estruturas e aplicação de métodos na definição de procedimentos.

85 Disponível em: http://www.hojeemdia.com.br/minas/fabio-mechetti-orquestra-jovem-e-academia-

A diminuição orçamentária deixa uma dúvida no ar: o destino da Filarmônica será mais uma instância na mudança permanente das intempéries e dilemas da modernidade?

O sucesso da Filarmônica relaciona-se com a elevação da experiência musical a uma nova dimensão, com concertos bisados nas noites de terça-feira (Série Vivace) e de quinta-feira (Série Allegro) e as manhãs de domingo (Concertos para a Juventude e Clássicos na Praça), além de turnês estaduais e internacionais. Enquanto o Estado financie a orquestra a sociedade mineira poderá contar com mais essa atração na cidade.

A cultura, enquanto experiência social traduz-se na troca de valores e práticas. No entanto, na política, tende a ser separada em duas linhas distintas: a cultura erudita e a cultura popular. A partir de 2010, para evitar a concorrência entre

as orquestras, a atividade da OSMG ganhou uma dimensão mais participativa: o

governo determinou à OSMG a tarefa de desenvolver projetos alternativos.

Até que ponto este vetor avançará ou permanecerá inalterado é difícil de prever. Todavia, é quase impossível que se retroaja nesta questão por causa da dependência da trajetória (path dependence). Para perpetrar uma situação são criados obstáculos ao retorno para o antigo modelo e previstos fatores que impulsionem a continuidade de tais políticas, embora possa surgir um efeito diagonal, no sentido de adaptar ambos sistemas (o Sinfônico e o Filarmônico) em um só. Vai depender da capacidade de cada um sobreviver a partir do caminho construído com o aprendizado daí retirado.

O conceito da dependência da trajetória foi estudado por Margaret Levi (1997, apud Pierson, 2000, p.252), informando que “uma vez que um país ou região tenha começado determinada trilha, os custos de reversão são muito altos. O enraizamento de certos arranjos institucionais obstrui uma reversão fácil da escolha inicial.”

Pierson também argumenta:

Cada ponto ao longo de uma trajetória particular produz consequências que fazem essa trajetória mais atraente para o próximo período. À medida que esses efeitos começam a se acumular, eles geram um poderoso círculo

virtuoso (ou vicioso) de atividade auto reforçada (PIERSON, 2000, p.253- 254).

Segundo o argumento antes apresentado, a opção por criar uma nova

realidade política, diferente da anterior, implicaria nos chamados custos de reversão. Vimos que o Estado continua a crescer e se diversificar quanto aos gostos e preferências auditivas. O setor da cultura está em franca expansão proporcionando ocupação de tempo livre para alguns cidadãos e criando trabalho para outros. A cultura custa dinheiro? Sim, mas o retorno vem em benefícios para a saúde humana e cidadã. Por outro lado, para que trazer músicos esporadicamente se eles podem morar aqui permanentemente. É o que veremos a seguir.

4. A SUBSTITUIÇÃO DA PAISAGEM HUMANA ANTE O

PROGRESSO.

Está claro que a gente nunca volta, sempre vai. Ernesto Sábato

A tônica dominante com a qual a modernidade sempre se apresentou foi a de negar o presente e projetar o futuro, opondo atraso e progresso, o que é e o que poderia ser numa espécie de metamorfose ambulante. O trânsito modernizador, fio condutor de nosso autodesenvolvimento cultural, trouxe consigo a procura pela identidade, assim como a angústia em achar caminhos que pudessem levar o país à consecução do progresso frente às demais nações e frente a si mesmo.

Para o Brasil crescer em estatura internacional, ao longo do século XX teve que se render ao capitalismo industrial e financeiro, cuja avalanche o fez se submeter a um projeto global comum e homogêneo através de um artifício ideológico. O século foi marcado pela polêmica dicotomia entre o combate aos estrangeirismos e a procura por um crescimento acelerado, mediante a convocação de profissionais estrangeiros.