Iniciamos com a pesquisa documental, não por considerarmos a técnica mais relevante, mas porque queríamos saber, em primeiro lugar, se as competências gerais a observar na prática pedagógica constavam dos projectos da escola.
O Projecto Curricular de Escola e o Projecto Curricular de Turma continham, de facto, as competências gerais a serem desenvolvidas por todos os alunos. Aliás, do Projecto Curricular de Turma, além do enfoque numa aprendizagem por competências gerais e transversais e dos princípios estratégicos de intervenção educativa do MEM, os quais constituem um caminho para uma verdadeira vivência democrática activa, constava, ainda, de forma saliente, as prioridades definidas no Projecto Educativo de Escola, denominado Viver Em Cidadania, e as linhas de acção fixadas no Projecto Curricular de Escola, a serem concretizadas junto de todos os alunos.
Na opinião de Sampaio (1996: 211), é necessário ter presente o sentido do Projecto Educativo da Escola, onde estão definidas, de forma partilhada, as prioridades da organização escolar, para que se construa um projecto comum que seja significativo para todos os intervenientes.
A professora titular da turma em estudo corrobora desta ideia, pois, refere que só através de uma actuação pedagógica em contexto real que promova as prioridades definidas no PEE, a democracia, a auto-estima e o respeito mútuo entre todos, se consegue uma superação progressiva e autêntica dos problemas detectados naquela comunidade educativa.
Face à importância do PEE e à relevância atribuída pela professora às linhas orientadoras da acção pedagógica, apresentamo-las na tabela n.º 13.
Tabela n.º 13 Prioridades e opções fixadas no PEE, PCE e PCT
Prioridades definidas no Projecto Educativo da
Escola Opções fixadas no Projecto Curricular de Escola
Facilitar a integração dos alunos na escola e proporcionar-lhes a aquisição e atitudes autónomas visando a formação de cidadãos civicamente responsáveis, autónomos, criativos e intervenientes na vida democrática.
Motivar, informar e formar a família, de modo a criar condições que facultem a participação no processo educativo.
Criar oportunidades de desenvolvimento e auto- estima, e de respeito mútuo de forma a potencializar comportamentos adequados nos alunos.
Promover o sucesso escolar.
Proporcionar a formação contínua de docentes.
Proporcionar aos alunos métodos e técnicas que os preparem para a sua participação activa e critica na sociedade;
Motivar, informar e formar a família de modo a criar condições que facultem a participação no processo educativo;
Criar oportunidades de desenvolvimento e auto- estima, e de respeito mútuo, de forma a potencializar comportamentos adequados;
Promover o sucesso escolar/educativo;
Melhorar a competência cívica e reduzir comportamentos menos adequados, tendo sido escolhido como domínios prioritários a trabalhar: Cognitivo e Sócio-Afectivo.
Baixar o nível de insucesso de 11% para 10%. Incutir os valores que os pais sugeriram que a Escola
desenvolva nos filhos: → Justiça → Verdade → Amizade → Honestidade
→ Respeito pela natureza → Respeito pelos outros.
Em entrevista a alguns intervenientes educativos, conferimos que os professores se reuniram para discutir e interpretar as novas orientações curriculares e, de acordo com as sugestões presentes no Currículo Nacional, tentaram elaborar o PEE, PCE, PCT e gerir o processo de aprendizagem, o mais adaptado possível ao contexto e população daquela escola.
“Apresento os conteúdos a trabalhar para desenvolverem as competências necessárias, ou seja, as que estão definidas no Projecto Curricular de Escola e de Turma, a partir do Currículo Nacional de 2001. Andámos lá na escola a estudá-lo todo. Depois explicámos aos alunos que eles podem aprender tudo o que quiserem, mas que também existe um currículo oficial que temos que cumprir e que devem trabalhar e aprender. É claro que esta aprendizagem vai sendo feita aos poucos. Eu planificava sempre com mais duas professoras, mas como elas trabalhavam de uma maneira e eu de outra, então, só dizia aos alunos que devíamos trabalhar aqueles conteúdos e eles desenvolviam.” (E1, 18/07/2006).
Através destas palavras, deduzimos que houve um trabalho cooperativo na elaboração dos projectos da escola, facto que, segundo Landsheere (1994: 29-33), é imprescindível, pois em educação é necessário uma reflexão prévia sobre a política educativa, a qual se concretiza com a elaboração do PEE e do PCE, ao nível colectivo.
A nível da concretização das competências na sala de aulas, esta professora deixa transparecer que a planificação e a gestão das actividades, bem como o tipo de
experiências a proporcionar aos alunos, fica ao critério de cada professor. Este facto tem razão de ser, pois, para respeitar os alunos verdadeiramente, o professor não planifica longe dos alunos. Pelo contrário, envolve-os de forma cooperada na planificação, gestão e avaliação de todas as actividades.
Além do material escrito, existia, na escola, registos audiovisuais e produções artísticas, indicadores de uma grande participação dos alunos na dinâmica educativa, em diversos contextos e situações, o que contribui para o desenvolvimento de competências. Esta realidade podia ser observada em fotografias, pinturas e esculturas:
“Para fazer uma construção é preciso mais do que o material, mas o metro já está construído e está aí pendurado na cantina da escola.” (E5, 20/06/2006).
Ou através de gravações em vídeo que eram projectadas para toda a escola: “Os alunos começam a gritar pelas equipas e a professora pede para pararem porque tem uma surpresa para todos. Então, começou a passar no grande ecrã trabalhos que os alunos fizeram ao longo do ano, desde Outubro até agora, Julho. Aqui houve algum barulho porque os alunos reconheciam os trabalhos e falavam ao mesmo tempo.” (Obs. 28/06/2006).
Ou, ainda, através da entoação de várias canções, próprias da escola:
“Antes de começar propriamente com o concurso, A Malta vai Pensar, a Prof. da sala do 4.º ano A pede para cantarem a Canção da Despedida e o Hino da Escola. Cantaram alto e com muita força.” (Obs. 28/06/2006).
“Após o discurso do Senhor Secretário da Educação, Dr. Francisco Fernandes e da madrinha, Dra. Maria Aurora, todos cantaram o Hino Nacional, o Hino Regional e por fim, o Hino da Escola. Este último foi o que mais sobressaiu, pois os alunos, e não só, cantaram com muita ênfase.” (Obs. 10/07/2006).
“Muitas vezes quando era para representar a escola, a Sra. Directora vinha pedir para eles participarem e eles gostavam. Em tudo o que os outros participavam, a nível da escola, esta turma também participava.” (E1, 18/07/2006).
Alguns destes dados podem ser consultados na Internet, através do Projecto Digitar, criado pelo professor Paulo Brasão, durante o tempo em que esteve naquela sala a desenvolver um trabalho de investigação.