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Forskning  om  evnerike  barns  sosiale  og  emosjonelle  vansker

3.   Oppsummering  av  teoridelen

5.1   Forskning  om  evnerike  barns  sosiale  og  emosjonelle  vansker

O primeiro núcleo de significação encontrado em praticamente todas as entrevistas significa o trabalho como uma necessidade, como forma de sobreviver. A literatura tradicional sobre significados do trabalho demonstra que, em outros grupos populacionais investigados, os significados do trabalho apontam igualmente para essa questão da “necessidade para sobreviver” (Borges, 1997; Soares, 1992). Algumas frases dos participantes ilustram esse ponto.

(...) você cresce e tem que ter alguma forma de garantir meios de se sustentar e de viver. Não pode viver eternamente preso, e dependente de outras pessoas. (Josué)

Mas o emprego é o alicerce da sua vida, ele define quem você é, os círculos que você frequenta. Porque você passa mais tempo no seu emprego que na sua casa. É onde você vai conhecer as pessoas que vão interagir com você é onde você vai ter seus círculos de amizade, seus círculos de conhecimento, tudo isso que vai acontecendo, define isso. Além do mais ele vai dar sua potência financeira, pra você poder comprar, pra você poder viver, para você poder se manter. O trabalho não define quem você é, mas lhe dá base para você ser quem você quer ser. (Daniel)

A necessidade do trabalho está vinculada à necessidade do dinheiro. O sujeito, então, como evidenciado nas falas de Josué e Daniel, só é sujeito, e não sujeitado, se tiver dinheiro. E, apesar do trabalho significar, para ambos, a necessidade do dinheiro para a subsistência, eles atribuem sentidos próprios ao expressar que o motivo dessa necessidade, no caso de Josué, é a “compra” sua liberdade de ser alguém, de ter uma individualidade e de não ser dependente de outras pessoas. Ou, no caso de Daniel, a

necessidade do dinheiro está relacionada a possibilidade de que, com dinheiro, ele pode ser quem ele quiser.

Os aspectos relativos às histórias de vidas dos participantes também influenciam os motivos que fazem significar o trabalho como necessidade, na fala, a seguir de Judite tem-se:

Eu acho que o que me faz levantar e vir trabalhar ... é a questão financeira, eu me mantenho. Então assim, eu não sou casada, eu sou arrimo de família, minha mãe mora comigo, eu sustento minha mãe em muita coisa, e acabo ajudando a família [tio, primo, irmão] de outras várias formas. (Judite).

O trabalho, como no caso de Judite, não é apenas uma necessidade para seu próprio sustento, mas também para o da sua família. O fato de Judite significar o trabalho como uma necessidade, é perpassado pela atribuição de sentidos próprios devido ao valor que a família possui para ela, e pela dependência que eles aparentam ter da ajuda financeira proveniente dela. O fato da mesma não ter constituído uma família nuclear própria, pode indicar uma possível justificativa para que a mesma continue exercendo esse papel, que de acordo com o uso da palavra “arrimo”, é um papel de responsável pelos cuidados dos familiares.

Os relatos das participantes, que eram mães, apresentaram como motivo principal do significar o trabalho como uma necessidade de subsistência, o fato de terem um filho, ou filha, para criarem. Diferentemente dos participantes, que eram pais, e, não caracterizaram a necessidade de subsistência atrelada ao motivo de ter um filho.

Teve um dia que eu olhei assim e pensei ‘gente, eu tenho que dar o futuro dessa criatura [a filha]!’ Vamos estudar, vamos seguir o conselho das pessoas ... eu trato meu trabalho como forma de sustento para sustentar minha filha.. (Isabel)

Isabel faz esse relato ao contar que, na sua história profissional, só começou a se preocupar com a busca por concursos, ou empregos de melhor qualidade e remuneração, depois que se viu tendo que cuidar de sua filha, logo após o processo de separação do marido. O significado do trabalho como uma necessidade, é perpassado por sentidos próprios de acordo com sua história de vida e possivelmente de sua posição em relação ao papel de mãe. Outra participante afirma:

Hoje em dia meu filho é minha motivação para tudo. Ele está em primeiro lugar... preciso do salário... E trabalho eu acho que é uma necessidade mesmo, por que quando você chega em sua casa e não tem mais papai e mamãe para ficar te sustentando. É importante você ter um trabalho, tem sua independência, pagar suas contas, sua vida particular, sua interação... acho importante. Ainda mais com um filho, aí é muito mais importante ainda, por que tem muitas necessidades que ele depende dos pais. Eu vejo isso, é uma necessidade, não tem como você viver e não trabalhar. É também um marco na vida adulta. (Rute)

Rute significa o trabalho como uma necessidade a medida que expressa o sentido do trabalhar como um marco na vida adulta. Em sua história, ela relatou que logo após os primeiros empregos formais, teve um filho não planejado, e que ambos os acontecimentos (emprego formal e filho) foram os fatores decisivos para se considerar uma adulta. Pois, além de sua própria independência, ela teria que prover seu mais novo dependente.

Esse núcleo de significação, caracterizando e significando o trabalho como necessidade é encontrado em pesquisas (e.g.: Coutinho et al., 2005; Diogo 2007, Coutinho, 2009), com os mais diversos públicos, e parecem corroborar a centralidade econômica do trabalho e a concepção do trabalho como emprego. E, ainda que atualmente seja possível presenciar mudanças nas formas de trabalho, associadas à globalização, ao

emprego de novas tecnologias, os sentidos e significados ainda são relacionados às formas tradicionais de trabalho (Coutinho et al., 2005), pois, apesar das mudanças citadas, o trabalho continua a ser representado como um meio de obtenção de renda, isto é, de venda da força de trabalho nos marcos de uma sociedade de mercado (capitalista).