• No results found

Forskjeller mellom distriktspsykiatriske sentre

Santo Agostinho, em sua doutrina da Iluminação Divina, pondera que a finalidade do homem, como ser racional, é a busca da verdade. Ela (a verdade) é definida como sendo o Verbo de Deus.

A descoberta da verdade é, em primeira e última análise, a descoberta do homem interior: “E dizer que os homens vão admirar as encostas das montanhas, os vastos fluxos do mar, as amplas correntes dos rios, a extensão do oceano, o girar dos astros, e abandonam a si mesmos” (ZILLES, 2006, p. 101).

Com essas palavras, Agostinho faz crer que nenhuma resposta está no mundo exterior, e volta as atenções ao homem, como o único caminho a ser percorrido em busca da verdade13.

Os objetos sensoriais são percebidos pelos sentidos, e essa alteração do corpo é apreendida pela alma que busca em seu interior – não nos sentidos externos – a representação desses objetos, criando a sensação. Nota-se que nesse

13 “Não saias de ti, mas volta para dentro de ti mesmo, a Verdade habita no coração do homem. E se não

encontras senão a tua natureza sujeita a mudanças, vai alem de ti mesmo. Em te ultrapassando, porém, não te esqueças que transcende tua alma que raciocina. Portanto, dirige-te à fonte da própria luz da razão. Aonde pode chegar, com efeito, todo bom pensador senão até a Verdade? Se a Verdade não é atingida pelo próprio raciocínio, ela é justamente, a finalidade da busca dos que raciocinam” (AGOSTINHO, p. 106-107).

processo o corpo é passivo e a alma é ativa. A alma, ativa, julga essa sensação de modo racional, segundo critérios de conhecimento imutáveis, perfeitos e necessários, superiores até aos próprios objetos observados e à própria alma. Se superiores à própria alma, tais critérios não podem ser um produto dela própria, mas derivam de uma Lei que se chama verdade.

A verdade é, pois, objeto superior à alma, que, por sua vez, julga através dela, mas por ela também é julgada. A verdade é a medida de todas as coisas, inclusive da própria alma humana.

Agostinho, aqui, se aproxima de Platão, e também se distancia. Para ele, essa verdade que captamos com o intelecto é constituída pelas Ideias, as supremas realidades inteligíveis (rationes intelligibiles incorporalesque rationes). No entanto, divergindo de Platão, faz das Ideias os pensamentos de Deus e rejeita a teoria da reminiscência, substituindo-a pela da iluminação (o que faz todo sentido no contexto do criacionismo como base da doutrina agostiniana).

O acesso ao verdadeiro, em Agostinho, obviamente está vinculado à assimilação do divino, e a pureza da alma torna-se condição indispensável para a visão e fruição da verdade.

Tomás de Aquino, por seu turno, toma de empréstimo alguns aspectos da lógica aristotélica para pensar sobre a verdade (princípio da identidade, princípio da não-contradição, princípio do terceiro excluído), porém, defende que, além da lógica, deve a metafísica se ocupar da verdade, posto que o mundo e as criaturas são expressão de um projeto divino, frutos do pensamento de Deus.

De suma importância é reconhecer que o tomismo efetivamente considera estar a verdade tanto no objeto cognoscente quanto no intelecto:

Do mesmo modo que o bem está na coisa, enquanto ordenada ao apetite e por isso a razão da bondade passa da coisa que atrai ao apetite, de modo que o apetite se diz bom, conforme é do bem, assim também o verdadeiro, estando no intelecto à medida que ele se conforma com a coisa conhecida, é necessário que a razão de verdadeiro passe do intelecto à coisa conhecida, de modo que esta última seja dita verdadeira na medida em que tem alguma relação com o intelecto. (...)

Assim como o bem tem a razão de ser atrativo, assim o verdadeiro está ordenado ao conhecimento. Ora, na medida em que uma coisa participa do ser, nessa mesma medida ela é cognoscível. Por esta razão se diz no tratado sobre a alma: “A alma é, de certo modo, tudo”, segundo o sentido e segundo o intelecto. Daí resulta que assim como o bem é convertível ao ente, assim o é o verdadeiro (AQUINO 2001, p. 358- 363).

Na Suma Teológica o filósofo responde a alguns questionamentos precisos a respeito da verdade. Nos chama a atenção dois deles, o sexto e o oitavo. No sexto artigo Tomás intenta responder a pergunta sobre se há ou não uma única verdade como critério de todo o verdadeiro14. Segundo essa inteligência, o filósofo parece admitir certa relativização da verdade caso sua compreensão estivesse restrita única e exclusivamente ao juízo particular de

14

“Solución. ‘Hay que decir’: En cierto modo una es la verdad por la que todo es verdadero, y en cierto modo no lo es. Para probarlo hay que tener presente que, cuando algo se atribuye a muchos unívocamente, aquello mismo se encuentra en cada uno propiamente, como animal se encuentra en cualquier especie de animal. Pero cuando algo se dice de muchos análogamente, aquello mismo se encuentra en uno solo de ellos propiamente, por el que son denominados todos los demás. Como sano se dice del animal, de la orina y de la medicina, no porque la salud esté en el animal sólo, sino porque por la salud del animal se llama medicina sana porque la produce, y orina sana porque la manifiesta. Y cuando la salud no está ni en la medicina ni en la orina, sin embargo, en ambas hay algo por lo que una la produce y otra la manifiesta. Se ha dicho (a.1) que la verdad está primero en el entendimiento y después en las cosas, en cuanto que están orientadas hacia el entendimiento divino. Por lo tanto, si hablamos de la verdad en cuanto que está en el entendimiento, según su propia razón, en muchos entendimientos creados hay muchas verdades; lo mismo que en un solo entendimiento si conoce muchas cosas. Por eso, la Glosa 24 al Sal. 11,2: ‘¡Cuan pocas son las verdades entre los hombres!’, etc., dice que así como por una sola cara humana resultan muchas imágenes en un espejo, así para una sola verdad divina resultan muchas verdades. Y si hablamos de la verdad según está en las cosas, todas serían verdaderas con una sola verdad, a la que cada una se asemeja según su propia entidad. De este modo, aun cuando sean muchas las esencias o formas de las cosas, sin embargo, una sola es la verdad del entendimiento divino, según la cual todas las cosas son llamadas verdaderas” (AQUINO, 2001, p. 229).

cada indivíduo.15 Contudo, a considerar que o intelecto que apreende a verdade estaria conectado ao divino - e para este há uma única verdade – as diversas essências ou formas pelas quais se manifesta a coisa no intelecto decorreriam desta única verdade, tornando-as, assim, verdadeiras.

De outro dizer, seriam verdadeiras todas as coisas enquanto consequência de uma única verdade divina, ainda que percebidas individualmente segundo um viés pessoal de verdade que, teoricamente, é apofântico.

Surgiria, então, o problema de comunicar a verdade aos outros, já que em cada juízo ela se manifestará de modos distintos, mesmo que conectada ao verdadeiro divino. No enfrentamento dessa problemática, que Tomás de Aquino faz na Suma contra os gentios, surgem algumas digressões que nos remetem à definição do que mais tarde seria conceituado como a verdade consensual:

Com efeito, o que é afirmado por todos é impossível ser totalmente falso. A opinião falsa é uma certa fraqueza da inteligência, como, por exemplo, um juízo falso a respeito do objeto próprio do sentido acontece por fraqueza do sentido. Ora, os defeitos são acidentais porque estão fora da inclinação da natureza. Ademais, o que é acidental não pode ser sempre e em tudo, por exemplo o juízo feito a respeito de um gosto comum não pode ser falso. Logo, o juízo que por todos é feito a respeito da verdade não pode incidir em erro. Ora, é sentença comum de todos os filósofos que do nada, nada é feito. Isto, pois, deve ser verdadeiro. (TOMÁS DE AQUINO, 1990, p. 219)

Retomando o estudo da Suma Teológica, o aspecto relativo à imutabilidade da verdade defendida por Agostinho é assertado no oitavo artigo. A verdade do entendimento divino é imutável, enquanto a verdade de nosso entendimento é modificável, não porque ela própria está submetida à mutação, mas porquanto nosso entendimento passa da verdade à falsidade em decorrência do câmbio das formas.

15 Essa menção se faz com o conhecimento de que a teoria tomista da verdade não é relativista. A considerar que

E reforça: Mas a verdade do entendimento divino, critério para se concluir se tudo é ou não verdadeiro, é absolutamente imutável (TOMÁS DE AQUINO, 2001, p. 231).