4 ANALYSE AV BERGENSPROSJEKTET: ”TILBAKE TIL JOBB”
4.1 R ESULTATER HELSERELATERT LIVSKVALITET
4.1.3 Forskjellene i resultat mellom MAU-instrumentene
I. Reflexão
A dinâmica dos encontros caminha para uma implicação e uma corresponsabilização por parte de todos os participantes em deslocarem-se da posição de sujeito que sabe, para a posição de “um” sujeito que faz vacilar seu saber. Nesse sentido, o tempo de refletir mostrou-se importante nos encontros do Laboratório de Inclusão. Os participantes tiveram a oportunidade de olhar suas práticas e dinâmicas vivenciadas com as crianças e/ou adolescentes com sofrimentos psíquicos e reconhecer que existia algo neles próprios que resistia, isto é, que dificultava a relação ou até mesmo a inclusão dessas crianças em suas ofertas didáticas e de convivência. Antes, havia a certeza de que a “formação/capacitação” resolveria os problemas e impasses gerados pelas crianças com sofrimento psíquico; depois foi aberto um espaço para a compreensão que existem outros elementos além da cognição.
Os encontros puderam oportunizar aos seus participantes entrar em contato com o outro da relação: as crianças e adolescentes em questão. Por meio das escolhas dos casos e de leitura clínica, perceber que os desajustes apresentados podem ser manifestações apenas em decorrência de uma condição-estrutura do sujeito. Tal movimento implica o participante a incluir esse outro na cena.
O que é específico da prática entre vários é que, junto à criança, cada adulto não está referindo à sua especialidade, ainda que ela seja psicanalítica, mas assegura, apenas por sua presença, que a ocasião de um encontro seja apreendida (CIACCIA, 2007, p. 73).
Especificamente no campo da psicanálise de orientação Lacaniana, a prática “entre vários” ocorre em instituições que cuidam exclusivamente de crianças psicóticas e neuróticas graves, com a inserção de outros profissionais e campos do saber além da Saúde, na direção de um cuidado “entre vários”. Mesmo que o Laboratório de Inclusão utilize em sua composição elementos semelhantes, não intitulamos nossa prática “entre vários”, apenas nos servimos de seu conceito em nosso dispositivo que se mostra, então, bastante inovador. Outra semelhança com a prática “entre vários” é a posição que sustentamos em nosso dispositivo, de ‘não especialistas’.
A prática entre vários se distingue radicalmente do que chamam, por vezes, a prática pluridisciplinar. Nesse último caso, cada um trabalha segundo sua especialidade: médico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, educador... E se
poderia acrescentar à lista dessas especialidades: o psicanalista. Pois bem, a prática entre vários é o contrário disso porque, na instituição, o psicanalista não é um especialista do sujeito ou do gozo. Ele é desespecializante, ele fura a instituição e o trabalho analítico através de uma construção do caso que atravessa todos os pontos de vista dos especialistas (STEVENS, 2007, p. 79).
Ao entrar em contato com o outro do desajuste, aparece o sujeito da negação, ele, “especialista” da Educação ou Assistência, não foi formado para isso. Convicto de que seu fracasso ocorre por falta de capacitações e conhecimentos técnicos e marcados pelo lugar “institucional” em que ocupam e respondem.
Mas o verdadeiro conflito institucional é o conflito com o Outro, com o discurso do Outro, com o parasita linguageiro posto a nu na loucura. As soluções inventadas por cada um para se proteger do real em jogo são variadas. Elas podem oscilar, poderíamos dizer, entre duas posições extremas. Primeiramente, há a que consiste em se afastar da clínica, uma vez que ela é, em primeiro lugar, uma fala em posta restante. Trata-se-á, então, de não mais ouvir um doente falar (LAURENT, 2007, p. 42).
O Laboratório de Inclusão está no campo da clínica. É um dispositivo do CAPSi, seus participantes trazem casos e mergulham em uma dimensão na qual a clínica é ampliada e o cuidado é compartilhado por todos que pertencem à Rede. Frente a essas diretrizes, o dispositivo lida com a negação, mas sobrepõe essa barreira trazendo à luz a construção e a compreensão do caso clínico.
Observamos durante os encontros que, ao olharmos coletivamente os desajustes e fenômenos apresentados pelas crianças e adolescentes com problemas e sofrimentos psíquicos, e já implicados no processo, o grupo consegue pensar em alternativas de como estar e lidar com essa população. Neste momento, destacamos outra categoria de análise.
II. Criação
Fruto do trabalho coletivo no Laboratório de Inclusão sobre a constatação de que as crianças com sofrimento psíquico não responderão como as outras crianças às aulas ou às programações pensadas e elaboradas, notamos um importante momento de transformação dos participantes do Laboratório. A dimensão de seus
fracassos deu lugar à dimensão do outro na relação. As aulas e dinâmicas eram pensadas para eles, enquanto referências, ou no máximo para as crianças “iguais” a eles, as “normais”. O Laboratório de Inclusão aborda essa passagem, trazendo para a dimensão do outro e sua singularidade. Não havia fracasso porque não havia outro, pois este estava fora da programação. Nesse momento do encontro passa-se a pensar nas saídas possíveis e invenções únicas. Esse estatuto da invenção mostrou- se um dos principais efeitos do Laboratório.
Quanto às falas sobre dúvidas, faltas ou continuar buscando, mostram que o sujeito está disponível a receber esse que antes não fazia parte de suas aulas “perfeitas”, as aulas que nunca ocorreram. O outro já faz parte de sua busca.
Notamos outro grande efeito a respeito do qual discorreremos na sequência.
III. Alívio
Essa categoria de análise foi pensada em razão das falas dos participantes durante os encontros e principalmente ao final desses. O próprio dispositivo de fala, que o Laboratório proporcionou aos seus participantes mostrou-se potente e singular, visto que em seus cotidianos não são oferecidos espaços como esse. Mais do que ouvir ou dizer palavras soltas, os participantes demonstraram envolvimento com o processo e, ao chegarem aos pontos de: reflexão; compreensão e saída frente aos impasses, abandonaram o sentimento inicial de frustração e impotência. Outra nomeação importante que demonstra o efeito do Laboratório enquanto dispositivo intersetorial é o fato das pessoas não se sentirem tão sós frente a casos e situações profundamente complexos. Esses sentimentos de pertencimento e ajuda coletiva são resultantes da existência desse espaço.
Apareceram também nomeações como “leveza” e “sentir-se melhor” como fruto dos encontros. Houve participantes que relacionaram esse espaço como terapêutico, visto que para eles esse foi o efeito apreendido. De forma geral, todos os participantes relataram estar melhores.
Oportunizaremos a seguir um olhar sobre os dois grupos de categorias de análise a fim de aprofundarmos os deslocamentos observados nos encontros com relação ao antes e ao depois dos participantes vivenciarem esse dispositivo.
7.4 (Inter) Invenções possíveis entre Saúde, Educação e Assistência Apresentaremos a condensação de nossas duas categorias de análise:
chegada - processo, portanto, a construção de uma terceira categoria de análise: