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3.5 Etiske betraktninger

3.5.1 Forskerrefleksivitet

As décadas de 1970 e 1980 foram um período de intensos debates teóricos sobre os museus. Randolph Starn, no ano de 2005, elaborou um guia resumido sobre o que ele chamou de “novos estudos sobre museus”, que mapeia as transformações ocorridas nas maneiras de pensar estas instituições durante a segunda metade do século XX.

To sort out and frame what I take to be the main issues and directions in this literature, I exhibit it (so to speak) in four

1 Para promover estas análises, busquei inspiração na proposta de Mario Grynszpan para a reflexão sobre a produção da Teoria das Elites a partir da concorrência entre Gaetano Mosca e Vilfredo Pareto. Afirma Grynszpan que sua abordagem trata de “lidar com as ideias dos autores de modo objetivado, inscrevendo- as, assim como as opções, carreiras e estratégias de cada um deles, em um conjunto de possíveis. Tal conjunto, por sua vez, será visto como instituído pela interseção de um espaço social de posições estruturadas, no qual os indivíduos, dotados de composições de capitais e de recursos diversos, localizam- se e são localizados de forma diferencial, vale dizer relacional, com um habitus, isto é, com esquemas incorporados de visão, de percepção, de classificação do mundo, geradores de práticas sociais que são, por seu turno, igualmente estruturadoras do espaço estruturado, reproduzindo-o ou transformando-o” (Grynszpan, 1999: 15).

sections, each with its particular theme: the genealogy of museums; the shifting status of the museum object; the politics of museum culture from the ideal of universality to “museum wars” over cultural difference; the past and future of the “museum experience.”(Starn, 2005: 70)2

Impactados pela obra de Michel Foucault, alguns estudiosos postulavam uma mudança do papel dos museus na sociedade. Entretanto, argumenta o autor, em muitos casos, as críticas feitas por eles eram reedições de temas já debatidos. Ao longo das quatro sessões, o estudo de Randolph Starn aborda iniciativas que buscaram transformar determinadas instituições museológicas tradicionais em espaços de reverberação de demandas por identidade e representação de grupos sociais subalternos.

Diferentemente de outras áreas, é possível perceber o impacto das críticas pós- modernistas na configuração do campo dos museus. Diversos agentes do campo museológico incorporaram estas críticas e impulsionaram as instituições nas quais atuavam a responderem a elas alterando suas diretrizes e práticas. 3

Tendo como ponto de partida o estudo de Randolf Starn, que se centra na análise dos impactos que aquelas críticas produziram nos museus ditos tradicionais, partimos para refletir sobre como determinado setor do campo disciplinar da museologia instrumentalizou essas críticas para produzir novas instituições nos interstícios da museologia com a política.

O autor destaca o empenho de profissionais ligados ao mundo dos museus na reelaboração do papel que estas instituições deveriam ter na sociedade. Para reforçar seu argumento, cita editorial da revista do Conselho Internacional dos Museus (ICOM)4 lançada em 1985. Esta publicação discorria sobre a experiência da “Nova Museologia” na França como sendo:

2 Em tradução livre: “Para classificar e enquadrar o que eu considero serem as principais questões e indicações nessa literatura apresento quatro sessões, cada uma abordando um tema particular: a genealogia dos museus; o deslocamento do estatuto do objeto museal; a política para a cultura dos museus do ideal de “universalidade” dos museus de guerra para a “diferença cultural”; o passado e o futuro da experiência museal.”

3 Luciana Heymann deixa especialmente claro o “relativo alijamento” dos arquivos destes debates que movimentaram as Ciências Sociais neste período e que, no campo dos museus, encontraram ressonância e modificaram, efetivamente, alguns de seus paradigmas (2012: 13)

4 Fundado em 1946, é uma organização que tem como objetivo congregar profissionais de museus de todo o mundo. Promove debates sobre o campo e tem estatuto de órgão consultivo para assuntos deste campo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (ECOSOC / ONU). Esta organização tem, desde a sua fundação, definido “linhas mestras que exercem alguma influência sobre as práticas desenvolvidas pelos profissionais de museus” (Santos, 2004: 57).

a movement of criticism and reform incorporating new developments in the social and human sciences with the aim of revitalizing techniques of display, exhibition, and communication, and, ultimately, altering traditional relationships between the institution [of the museum] and the public. (ICOM apud Starn, 2005: 71)5

Os profissionais dos museus, representados nesta reflexão pelo ICOM, estariam, com a mobilização em torno da Nova Museologia, “relativizando técnicas de exposição, exibição e comunicação” e “alterando relações com os públicos”. Estas inovações eram possíveis pela incorporação dos desenvolvimentos teóricos promovidos pelas ciências humanas e sociais naquele período.

É importante destacar que há dois movimentos complementares, porém diferentes, que têm a Nova Museologia como foco. Um é o movimento que a estabelece como categoria, desenvolvida por teóricos, especialmente americanos e ingleses, ligados às questões dos museus, cujos debates podem ser encontrados em obras como The New Museology (Vergo, 1989), The Exhibiting Cultures (Karp & Lavine, 1990), entre outras. Outro é o movimento político e acadêmico que leva este mesmo nome e se lançou a elaborar museus em novos formatos. Ambos apresentam questões próximas sobre o estatuto dos museus na contemporaneidade e se lançam a disputar e criticar definições ditas tradicionais sobre o que é o museu e como devem se desenvolver. Porém, esses dois movimentos ocuparam espaços diferentes e adotaram formas distintas de atuação.

No primeiro movimento, há curadores e estudiosos atuando em museus ditos tradicionais que produzem críticas sobre sua própria prática, com reflexos em exposições produzidas ao longo dos anos 1960 e 1970 em instituições como o Metropolitan Museum e o Museu de História Natural de Londres. No segundo movimento, temos determinado setor da museologia utilizando-se destas críticas para produzir novos museus e definir novos procedimentos expositivos. Das iniciativas deste último grupo surgiriam, posteriormente, as experiências que criaram as condições para a emergência da museologia social.

5 Em tradução livre: “um movimento de crítica e reforma incorporando novos desenvolvimentos das ciências sociais e humanas com o objetivo de revitalizar técnicas de exposição, exibição e comunicação e, recentemente, alterar relações tradicionais entre a instituição [os museus] e o público.”

As críticas elaboradas nas ciências humanas, especialmente na História e Antropologia, criavam rebatimentos no campo dos museus concomitantemente a um processo de construção da museologia como disciplina acadêmica, que se aceleraria na década de 1980. Para Tereza Cristina Scheiner, os anos 1980 foram, justamente, o período no qual a museologia se consolidou como campo disciplinar. Segundo a autora, nessa época, “já se confirmava a existência de uma teoria da Museologia e definia-se para ela um lugar de fala no universo acadêmico.” (Scheiner, 2012: 17)

Percebemos, analisando algumas frentes de trabalho abertas no final dos anos 1980, uma preocupação em definir conceitos e procedimentos específicos deste campo disciplinar que se pretendia constituir. Além disso, atenção relevante é dada à formação dos profissionais autorizados ao trato das questões dos museus, embora esforços em preparar profissionais especializados viessem sendo produzidos desde épocas anteriores.6

É de 1976 a criação do International Committee for Museology (Icofom), grupo de trabalhado pertencente à estrutura do ICOM responsável por desenvolver pesquisas e estudos sobre a museologia como disciplina independente, ainda que interdisciplinar às ciências humanas. 7 Esta instituição foi responsável pela criação de duas publicações: Museologisal Working Papers (MuWoP), caderno organizado em dois volumes lançados em 1980 e 1981, e ICOFOM Study Series (ISS), cujo primeiro número foi lançando em 1983 e está ainda em circulação, com periodicidade anual.

Observando os temas abordados nos primeiros números das publicações, percebe-se a preocupação em estabelecer conceitos e sistematizar procedimentos pertencentes ao campo da museologia. O primeiro número de MuWop trazia como tema “Museology – ssiense or just prastisal museum work?” e se definia como a debate journal on fundamental museologisal problems. 8 Já o segundo número abordava a interdisciplinaridade na museologia. A revista ISS, em seu primeiro número, trazia as

6 A título de exemplo, a Escola do Louvre é de 1882 e, no Brasil, a experiência pioneira neste sentido veio de Gustavo Barroso com a criação, em 1932, do Curso de Museus do Museu Histórico Nacional.

Informações disponíveis em: http://www.ecoledulouvre.fr/ecole-louvre e

http://www4.unirio.br/museologia/escolademuseologia/apresentacao.htm. Ambos os acessos em 12/03/2016.

7 Teresa Scheiner coloca, também, a fundação do Grupo de Trabalho em Teoria Museológica para a América Latina e o Caribe – ICOFOM-LAM, em 1989, como marco importante no desenvolvimento deste campo, pois que ao longo dos anos 1990, possibilitou a produção de teoria museológica em português e espanhol.

8 Em tradução livre: “Museologia – ciência ou apenas trabalho prático no museu?” e “Uma revista de debate sobre problemas museológicos fundamentais”.

comunicações de um colóquio realizado em Londres com o tema Methodology of museology and Professional training.9

O esforço em definir conceitos e procedimentos para a museologia se materializava em categorizações sobre o que deveria ou não concernir aos museus. Estas definições eram produzidas no âmbito de organismos internacionais ocupados com a organização do campo dos museus e dos profissionais autorizados a nele atuar. Estes esforços de nomeação e formação profissional são perceptíveis em momentos anteriores da trajetória dos museus. A inovação que este movimento de consolidação da museologia traz é a caracterização do campo como ciência específica. Segundo Teresa Scheiner, é neste momento que:

A investigação sobre a existência de metodologias próprias do campo e a análise dos limites e das interfaces com outros campos disciplinares (como a Filosofia, os Estudos Culturais, a Ciência Política e a Ciência da Informação) fortaleceram ainda mais a Museologia – definida, a partir de então, como uma disciplina de caráter transdisciplinar, dedicada ao estudo da relação específica entre o Humano e o Real, tendo como objeto de estudo o fenômeno Museu. (Scheiner, 2012: 17)

Simultaneamente à consolidação da museologia como campo disciplinar, concorrências por estas nomeações ocorriam no interior do próprio ICOM. É o que se percebe ao analisar a bibliografia sobre a realização, em 1984, em Quebec, do evento “Ateliê Internacional Ecomuseus – Nova Museologia”10, encontro que pretendia favorecer intercâmbios entre experiências da chamada “nova museologia”, esclarecendo “suas relações com a museologia instituída em geral” (Moutinho, 1995: 26).

A mobilização e os debates produzidos durante este evento possibilitaram a criação, em 1985, do Movimento Internacional da Nova Museologia (Minom). Com o surgimento deste novo organismo, o campo museológico ganhava um espaço que concorreria com o ICOFOM pela produção de definições e reflexões sobre práticas museológicas.

9 Em tradução livre: “Metodologia da museologia e treinamento profissional”. 10 Este evento será analisado no último tópico deste capítulo.

Mario Caneva Moutinho, importante ator na consolidação da Nova Museologia como movimento e da museologia social como categoria, cuja trajetória será explorada mais à frente, afirma sobre a articulação que levaria ao surgimento do MINOM:

Desiludidos com a atitude segregadora do ICOM e em particular do ICOFOM, claramente manifestada na reunião de Londres de 1983, rejeitando liminarmente a própria existência de práticas museológicas não conformes ao quadro estrito da museologia instituída, um grupo de museólogos propôs a reunir, de forma autônoma, representantes de práticas museológicas então em curso, para avaliar, conceitualizar e dar forma a uma organização alternativa para uma museologia que se apresentava igualmente como uma museologia alternativa (Moutinho, 1995: 26).

Destaca-se que o autor se afirma “desiludido” em um momento que é visto por outros agentes como de extremo avanço para a museologia. A reunião citada por Mario Moutinho como símbolo de uma “atitude segregadora” foi o seminário Methodology of museology and Professional trainning, realizado de Londres em 1983. Ele é valorizado pelo ICOFOM, tendo o relato de seus debates ganhado lugar de destaque na publicação do primeiro número da ICOFOM Study Series, revista da instituição que teve existência mais longa. 11

Fica clara a tensão entre, ao menos, duas correntes distintas no ICOM. De um lado, havia os que, organizados em torno do ICOFOM, buscavam delimitar um campo mais específico de atuação da museologia. De outro, havia os que, em torno do MINOM, mobilizavam a categoria museu para nomear novos empreendimentos e se colocavam como “alternativa” a uma prática museológica dita “instituída”.

Houve diversos desdobramentos produzidos pela concorrência entre estes grupos no interior do ICOM. Gostaria de enfatizar o surgimento, no início da década de 1990, da noção de “museologia social”. Da mesma maneira que se verifica o empenho em produzir a museologia, de forma mais geral, como campo disciplinar é possível

11 ICOFOM Study Series. Londres: ICOFOM/ICOM, 1983. Disponível em: http://network.icom.museum/icofom/publications/our-publications/. Acesso em 11/03/2016.

perceber a articulação de um grupo de intelectuais em torno da museologia social, entendida como uma maneira especializada de operar a museologia.

O termo museologia social (ou seus equivalentes “sociomuseologia” e “sociomuseology”) foi produzido por alguns intelectuais que se articulavam no campo mais amplo da Nova Museologia, porém, produzindo algumas especificidades em relação àquele. Como será visto adiante, há personagens determinantes para este processo que, além de se ocuparem com a construção do MINOM, estavam atuando na formação de museólogos e em instituições museológicas de diversos tipos. E foi no âmbito de algumas destas instituições que a categoria ganhou projeção.

Dois atores em especial, Mario Canova Moutinho e Mario de Souza Chagas, se destacam na articulação deste campo, principalmente por sua produção sobre o tema ser considerada, por seus pares, de referência. É também a partir do trabalho destes autores que emergem definições mais precisas para a museologia social.

A identificação do lugar de autoridade conferido a estes profissionais se deu tanto pela análise da bibliografia sobre o tema, que cita de forma sistemática o trabalho destes autores, quanto pela verificação da produção deles na revista Cadernos de Sociomuseologia. Esta publicação, quando lançada, estava ligada ao Centro de Estudos de Sociomuseologia, que era dirigido pelo próprio Mario Moutinho. Como se verá adiante, ela é um importante espaço de produção do campo semântico articulado em torno da noção de museologia social.

Ambos são autores de textos que fundam a museologia social. Seus trabalhos estabelecem os enunciados e as normatizações para a museologia social que serão aceitos pelos que dela se utilizam para tecer reflexões sobre experiências museológicas e, futuramente, para definir políticas de governo. Percebemos, por seus textos publicados na revista, que a preocupação mais urgente era definir práticas e conceitos para a museologia. A elaboração da museologia social é, então, um produto da concorrência destes autores com outros pela definição do que deve ser objeto da museologia.

Mario Caneva Moutinho estudou arquitetura na Ecole Nationale Supérieur des Beaux Arts, na França de 1966 a 1972. Fez especialização em etnologia e cursou o doutorado em Antropologia Cultural na Universidade Paris VII de 1972 a 1983. Em 1979, passou a trabalhar como professor auxiliar na Universidade de Lisboa. Atuou no Museu Nacional de História como assessor de outubro de 1988 a setembro de 2007.

Sua atuação profissional mais importante para esta reflexão, como será visto adiante, foi na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, onde ingressou como professor em outubro de 1994 e da qual é reitor desde 2008.

Mario de Souza Chagas estudou museologia na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) de 1976 a 1979. Sua atuação profissional se iniciou em 1980, no Museu do Homem do Nordeste, ligado à Fundação Joaquim Nabuco. Em 1987, transferiu-se para a Fundação Nacional Pró-memória, onde permaneceu até ser extinta em 1990, quando passou ao IPHAN. Permaneceu nesta instituição até 2009, quando passou ao recém-criado Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), instituição em cujo processo de fundação Mario Chagas teve atuação destacada.

Sua carreira como museólogo em instituições brasileiras de preservação da memória correu concomitante à sua atuação na academia. Desde 1988, é professor da Escola de Museologia da Unirio, onde hoje atua também como professor do Programa de Pós-graduação em Memória Social. Como professor visitante, atuou na Universidade de São Paulo (USP) de 2000 a 2002 e na Universidade Federal de Goiás (UFG) em 2001. É, também, professor visitante da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa desde 1994, para a qual ingressou antes mesmo de concluir seu curso de mestrado. Nesta universidade, atua como professor no curso de mestrado em Museologia, criado, naquele mesmo ano, por Mario Caneva Coutinho.12

Cursou mestrado em Memória Social também na Unirio, de 1992 a 1997, onde defendeu a dissertação “Há uma gota de sangue em cada museu: a ótica museológica de Mário de Andrade”. O trabalho teve como objetivo

identificar e analisar na obra de Mário de Andrade as interfaces com o campo da museologia e, a partir daí, verificar como o seu discurso museal está articulado com o modernismo e como se inserem neste discurso alguns temas, como: nacional e popular, tradição e modernismo, preservação e destruição, memória e esquecimento. (Chagas, 2006: 25)

No doutorado em Ciências Sociais, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) de 1999 a 2003, Mario de Souza Chagas elaborou, sob orientação de Myrian Sepúlveda dos Santos, a tese “A Imaginação museal – museu, memória e poder

12 Vale atentar para o fato de que, em seu currículo da Plataforma Lattes, Mario de Souza Chagas descreve o curso pela antiga nomenclatura, como “mestrado em Museologia Social”.

em Gustavo Barroso, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro” (Chagas, 2003). Seu objetivo central, com esta pesquisa, foi desenhado

a partir da identificação e da análise da imaginação museal em três intelectuais brasileiros: Gustavo Barroso, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro. A seu modo, esses três intelectuais - poetas bissextos - produziram diferentes interpretações sobre o Brasil. Mas, ao se fazerem intérpretes, não se limitaram aos escritos literários e científicos, eles foram também homens de ação política e cultural. (Chagas, 2009: 22)

Estes sujeitos se empenharam na produção da museologia social no campo mais amplo da museologia. Suas ações foram também, posteriormente, muito importantes na consolidação daquela noção como objeto das políticas de governo, que será tema do próximo capítulo. Passaremos então a investigar os espaços acadêmicos em que a museologia social foi construída.

1.2 Espaços de consolidação da museologia social: o Mestrado em Museologia