KAP 3: Forskningsmetodiske refleksjoner
3.2. Forskeren som “instrument” - min forforståelse
As vias de acesso são o tipo de infraestrutura mais importante em áreas naturais protegidas, visto que elas são projetadas para facilitar o acesso do visitante aos atrativos turísticos (TOMCZYK; EWERTOWSKI, 2013). Entretanto, a falta de planejamento e monitoramento pode conduzir a situações conflitantes com os propósitos das áreas protegidas, causando impactos ao meio físico.
2.2.1 Impactos
As trilhas tendem a modificar as relações sistêmicas da paisagem, por isso podem ser consideradas forças de tensão, acarretando distúrbios mais ou menos intensos de acordo com as características da área em que são implantadas (KROEFF; SILVA, 2010). Kabashima (2011) afirma que a maneira como a trilha é planejada, implantada e também sua infraestrutura (traçado, ergonomia, estruturas de drenagem, sinalização) exercem grande influência na intensidade dos impactos negativos ocasionados.
Dentre os impactos causados pela construção de estradas e trilhas, a erosão é um dos problemas mais comuns e permanentes, pois o processo erosivo uma fez desencadeado se mantém independentemente do uso do acesso continuar, diferentemente dos outros impactos, como a compactação do solo e perda da matéria orgânica (HAMMITT; COLE, 1998). Essa situação se agrava ainda mais por as trilhas serem construídas sem planejamento formal, sem seleção de traçado ou sem compreensão das condições biofísicas da área onde são implantadas. Isto se deve ao fato de muitos considerarem as trilhas como construções de "baixo nível", ou seja, não apresentarem alteração significativa ao meio ambiente (COSTA, 2006).
A estrutura linear das estradas, juntamente com a sua tendência de cruzar diferentes gradientes topográficos, exerce uma influência nos processos hidrológicos, em
escala de bacias hidrográficas, muito maior que poderia se esperar da pequena área de solo exposto que ocupam (LUCE, 2001). A superfície compactada das estradas não pavimentadas reduz a infiltração da água, consequentemente aumentando as taxas do escoamento superficial. As estradas além de receberem águas diretamente sobre seu leito, podem também servir para o escoamento das águas oriundas de áreas laterais à estrada, o que aumenta ainda mais os danos causados pela água (MACIEL, 2010).
Jones e Grant (1996) estudaram o efeito da construção de estradas para a extração de madeira sobre a alteração das vazões de pico na Cordilheira das Cascatas, Oregon, e constaram que seus valores aumentaram consideravelmente. Uma das principais causas desse efeito se deve é a interceptação dos canais de drenagem pelas estradas (Figura 4), sendo a situação mais crítica a alta densidade de drenagem combinada à alta densidade de estradas.
A proximidade das estradas com os cursos d’água, principalmente nas porções mais baixas do relevo que correspondem à zona de maior acúmulo de escoamento superficial, é preocupante no que se refere ao transporte de sedimentos e assoreamento dos rios (CATELANI; BATISTA; TARGA, 2005). Pesquisas realizadas em diversas áreas mostram as estradas como um dos principais contribuintes para o assoreamento dos rios em áreas de floresta. As estradas podem aumentar as taxas de turbidez em até três ordens de grandeza, quando comparado às condições naturais (GRACE III, 2002).
Figura 4 - Efeito da densidade de vias sobre a densidade de drenagem e da rede de vias sobre o número de cruzamentos vias/drenagem na paisagem (JONES et al., 2000).
2.2.2 Estudos para planejamento e monitoramento de vias de acesso
Considerando as dificuldades existentes em se isolar os elementos que condicionam os impactos provocados pela implantação de vias de acesso e buscando reduzir a subjetividade na coleta de informações, vários estudos vêm sendo desenvolvidos a fim de aperfeiçoar a compreensão e encontrar alternativas mais eficazes (KABASHIMA, 2011).
Leite (2002) analisa os aspectos do meio físico, declividade, hipsometria, solos (análises físicas e químicas), uso do solo, geologia, potencial à erosão laminar e traçado das trilhas, por meio de trabalhos preexistentes, ensaios de laboratório, levantamento de campo e interpretação de fotografias aéreas, com o objetivo de reestruturar as trilhas existentes no Morro do Cuscuzeiro/ SP em consoante às suas características físicas. O trabalho de Retzlaf (2008) avalia as consequências da localização das trilhas e sua suscetibilidade à erosão frente às atividades turísticas nos parques estaduais dos Campos Gerais Paranaenses (PR). Feola (2009) realizou o monitoramento da seção transversal da trilha do Parque Estadual Pico do Marumbi, no munícipio de Morrotes (PR), com vistas à análise dos fatores controladores dos processos erosivos, objetivo este semelhante ao de Olive e Marion (2009) que por meio de análise de regressão determinou a declividade, landforms, alinhamento com a rede de drenagem e tipo de uso como os fatores mais influentes na perda de solo.
Geralmente a maioria dos estudos que envolvem o monitoramento das condições das trilhas são realizados em escalas grandes, considerando trilhas de pequena extensão. Normalmente o traçado das trilhas é levantado por meio de GPS e não por fotografias aéreas ou imagens de satélite. Os impactos são analisados em nível local, principalmente pela comparação das propriedades físicas e químicas do solo entre a área da trilha e áreas adjacentes.
Quanto aos estudos referentes ao planejamento para a implantação de trilhas, estes envolvem na sua maioria o levantamento do caminho de melhor custo por meio da sobreposição de atributos em ambiente SIG, como geologia, solos, topografia (landforms, elevação, declividade, forma e orientação das encostas, visibilidade), hidrologia (drenagem, lagos, áreas úmidas) e tipos de vegetação (XIANG, 1996; SNYDER et al., 2008; TOMCZYK; EWERTOWSKI, 2013). De modo geral, estudos destinados ao planejamento de vias de acesso são bem escassos, principalmente no Brasil, normalmente o que se desenvolvem são estudos que visam corrigir ou minimizar os impactos em vias já existentes.
2.2.3 Trafegabilidade
Trafegabilidade é a capacidade de uma região em possibilitar o movimento de veículos e é dependente das condições da área e do desempenho e características do veículo (SCHREIER; LAVKULICH, 1979).
Vias de acesso localizadas em regiões de baixa trafegabilidade não só dificultam o deslocamento, como também tendem a desencadear processos impactantes ao meio, além de exporem os visitantes às situações de perigo.
Os primeiros trabalhos que buscaram analisar a trafegabilidade foram desenvolvidos para fins militares e envolviam uma análise integrada das especificações do veículo juntamente com as condições do terreno, como o estudo elaborado pelo exercito americano (Department of the Army, 1994), que combinava a classificação do solo no Sistema Unificado de Classificação dos Solos, suas propriedades físicas, condições topográficas e climáticas e parâmetros de desempenho de diversos veículos militares para conferir a probabilidade de um terreno ser trafegável.
Schreier e Lavkulich (1979) ressaltam que devido à complexidade e dinâmica, a carta de trafegabilidade deveria ser elaborada individualmente para cada tipo de veículo.
Apesar desta recomendação somente poucos trabalhos, por exemplo, Eichrodt (2003) e Shoop (2005), avaliam conjuntamente as condições do terreno e desempenho dos veículos. Por razões de ordem prática, a maioria dos mapeamentos de trafegabilidade avaliam apenas as condições do terreno, como os de Santos e D’Alge (1990), Schreier e Lavkulich (1979), Slocum (2003), Gumós (2005) e Oliveira (2006). Os principais atributos do terreno considerados são: geologia; movimentos de massa; solos (textura, limites de Atterberg, resistência ao cisalhamento, permeabilidade, capilaridade, suscetibilidade ao congelamento); uso do solo; topografia (altitude, declividade e índice topográfico); hidrologia (bacias hidrográficas, rede de drenagem e reservatórios); rede viária; e condições climáticas (precipitação e temperatura).
Department of the Army (1994) ressalta que a carta de trafegabilidade deve ser elaborada para diferentes condições meteorológicas, seca e úmida, visto que os parâmetros do solo, principalmente a resistência, são totalmente alterados.