3.5.2 ‘Hardcore’-røykere
3.11 Mulige forklaringer på endringer i tobakksforbruket
3.11.2 Forsinkelser i endringer blant kvinner
Segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) 43, o número relativo aos mestres e doutores titulados no Brasil dobrou no início
deste século. De 2001 a 2010, a quantidade de pesquisadores formados por ano no país de 26 mil passou para, aproximadamente, 53 mil; sendo em 2010, 12 mil receberam o título de doutor e 41 mil de mestre. Conforme a CAPES, em 2009, 161 mil estudantes estavam matriculados em programas de mestrado e doutorado em universidades brasileiras e; este número equivale a 90% da soma dos mestres e doutores titulados no país de 2003 até 2009. Esses números são significativos para os estudos interpretativos sobre a situação ocupacional dos cientistas da religião no mercado de trabalho, sobretudo aquele relacionado ao Brasil. Diante deste contexto, sete pontos, a seguir, foram delineados, com objetivo de apresentar uma interpretação sobre a situação ocupacional do cientista da
42 Disponível em: http://oglobo.globo.com/emprego/94-dos-brasileiros-querem-mudar-de-emprego-diz-
pesquisa-3979832 (Acessado em 10 de março de 2012).
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religião no mercado de trabalho e, na seqüência encontra-se um breve resumo das informações contidas no presente item.
Primeiro, os dados da presente pesquisa referente à função profissional dos cientistas da religião demonstram que, dos 75.5% titulados no mestrado formados pela PUCSP, 16% não atuam na área da Ciência da Religião e nem no campo educacional. Destes, 46% encontram-se trabalhando no setor privado, 27% no público e 27% atuam como profissionais liberais ou sem vínculo de emprego formal. Isso se dá, provavelmente, em razão das condições salariais na medida em que, 24% dizem respeito àqueles que exercem atividade na indústria, 17% na saúde, 17% no comércio – prestação de serviços –, 17% no setor de segurança e, 8% declararam trabalhar em outros setores (não enumerados).
Segundo, é pelo fato de que, 40% dos sujeitos pesquisados não trabalham na área da Ciência da Religião devido à falta de opção/oportunidade para atuar nessa área, outros 30% dizem ao fato que, não atuam no ramo dessa ciência por escolha pessoal, 30% devido aos baixos salários oferecidos. Esses números favorecem a interpretação de que, muitas pessoas/estudantes procuram a Ciência da Religião por conta de uma curiosidade acadêmica, não objetivando atuar, necessariamente, como um cientista da área. Por outro lado, trata-se de profissionais que, apesar da maioria, receberem cerca de 4 até 5 salários mínimos, muitos (44% dos indicados) estão satisfeitos com a titulação de mestre e doutores em Ciência da Religião, porque 64% dos pesquisados compreenderem que, o curso em questão serve, também, como uma atuação intelectual aplicada à área acadêmica que não esteja vinculada apenas na área da Ciência da Religião – daí a oportunidade/opção de atuar em outras áreas, como gestores paroquiais, escritores, pesquisadores e, ou palestrantes sobre a temática religião, acessórias empresarias e telemarketing religioso.
Diante dessas informações pode-se perceber que, há um grupo de cientistas da religião que estão satisfeitos com a Ciência da Religião, mas outros nem tanto. Isso significa que, os representantes dos Programas de Pós-Graduação dessa ciência, também, precisam aperfeiçoar os cursos de Ciência da Religião valorizando a capacitação dos seus alunos para uma expectativa extra acadêmica, sem perder de foco o processo de profissionalização discente, o qual precisa concentrar-se na perspectiva epistemológica diferenciada, focada no ofício pleno dos saberes, sendo estes constituídos em uma situação com características próprias e com práticas específicas na profissão, oficio ligado ao conhecimento.
Terceiro, a “falta” de opção para atuar como cientista da religião e os baixos salários ofertados para esses profissionais da área; por outro lado, o fato de não atuarem estar relacionada a uma escolha pessoal e, ou soberba intelectual são aspectos demonstram que a autonomia da Ciência da Religião na universidade e nos espaços extra universitários é uma questão de responsabilidade do próprio cientista da religião. Usarski ajuda-nos a esclarecer isso ao dizer que, “pode exigir que os cientistas da religião devam institucionalizar, como uma de suas rotinas acadêmicas, o costume de auto-reflexão crítica da própria abordagem para entender melhor as limitações de sua disciplina” (Usarski, 2006: 107).
A esse respeito, como pode se perceber, existe uma porcentagem (16%) significativa de cientistas da religião que trabalham, mas não atuam na área da Ciência da Religião e nem no campo educacional. Outras porcentagens que merecem destaque estão relacionadas aos que não atuam na área da Ciência da Religião, mas trabalham no campo educacional (31%) e, aos cientistas da religião que atuam estritamente na área da Ciência da Religião, somam 25%. Esses aspectos revelam certa preocupação dos cientistas da religião em tornar esta ciência prática, aplicada cotidianamente. Também, esse mosaico de atuação profissional do cientista da religião, talvez, dá-se pelo caráter multidisciplinar dessa ciência, ao admitir pesquisadores de vários ramos do conhecimento acadêmico favorecem a existências de vários perfis de funções e atuações profissionais dos formados na Ciência da Religião.
Quarto, por seu caráter polimetodológico e poliepistemológico, a Ciência da Religião favorece que o profissional formado na área atue nos mais variados segmentos de trabalho, desde em instituições privadas às públicas, dos setores das industriais, comércios, turismos ao sistema de ensinos-educacionais ou, até a própria escolha de não trabalhar, ficar na torre de marfim. Por um lado, isso demonstra a riqueza de saberes científicos da Ciência da Religião, a habilidade e competência que a Ciência da Religião tem em dialogar com outras ciências, da agilidade que os cientistas da religião têm para atuarem nós mais diversos campo de trabalhos. Por outro, denuncia que não há um conceito de cientista da religião, mas há policonceitos para esse profissional no sentido de que, existe a figura de diferentes modelos da profissionalização do cientista da religião; ou seja, o sujeito forma- se em Ciência da Religião, mas atua como empresário, empregado comercial e industrial, psicólogo da religião, antropólogo da religião, sociológico da religião, historiador da religião, turismólogo da religião ou, até mesmo, como filósofo da religião ou como
teólogo. Para tanto, talvez por causa disso, o profissional em Ciência da Religião do Brasil seja um dos profissionais mais preparados para o mercado de trabalho brasileiro.
Quinto, particularmente, dois dados merecem atenção quanto aos doutores em Ciência da Religião que atuam na área da Ciência da Religião. 74% desse público exercem atividades no campo da educação e 26% na área da saúde – sobretudo no ramo da psicologia. Isso significa que, a educação é o principal alvo de trabalho para os cientistas da religião. São professores e professores-pesquisadores que trabalham em cursos de graduação, em pós-graduações e na educação básica. Provavelmente, muitos desses doutores estão trabalhando na educação básica, não pelo fato, necessariamente, de gostarem de trabalhar com esse público, mas porque é a única ou mais uma razão para agregar mais uma renda ao seu salário mensal, com objetivo para incrementar a manutenção de gastos com a familiar e para aplicar em sua formação continuada. Os que trabalham nos cursos de graduação, 95% dos desses não trabalham em curso de graduação em Ciência da Religião, mas na História, Geografia, Sociologia e, sobretudo em Cursos de Filosofia e de Teologia.
Sexto, quando perguntados sobre a satisfação com seus salários, quase todos responderam que precisam mais de uma renda para cumprir com suas responsabilidades financeiras relativo aos seus estudos/pesquisa; haja vista que, os dados do questionário demonstram uma jornada de trabalho semanal superior a 30 e 40 horas (27%) dos cientistas da religião, seguido de 22.5% entre 20 e 30 horas, 16% entre 10 e 20 horas, 13% entre 5 e 10 horas, 3% trabalham mais de 40 semanal. Na tentativa de socorrer financeiramente os cientistas, a CAPES (65%dos entrevistados), CNPq (11%) e FAPESP (4%) teve financiando, pelo menos, parte das pesquisas desses cientistas da religião. Isso significa que, os cientistas da religião não estão, totalmente, satisfeitos com a sua área de atuação profissional, mas ainda estão na área da Ciência da Religião por uma comodidade, por necessitar de um título de doutor para acessão no cargo de trabalho e aumento salarial devido e, a Ciência da Religião é um curso, “mais”, fácil de ser selecionado no processo seletivo.
Sétimo, em resumo: a) os cientistas da religião atuam nos mais variados ramos do ensino brasileiro, desde a educação básica (ensino fundamental e médio) ao ensino superior (graduação e na pós-graduação) como professores e professores-pesquisadores; b) nenhum sujeito da pesquisa responderam estarem, totalmente, satisfeito com seu rendimento como cientista da religião, havendo necessidade de buscarem uma segunda ou
terceira renda; c) a maioria dos cientistas da religião trabalham nós setores de comércio, industrias e como trabalhadores autônomos; d) a maioria trabalham na iniciativa privada; e) a maioria dos doutores em Ciência da Religião trabalham no setor educacional, enquanto que a maioria dos mestres atuam nos setores da industria, empresário ou comerciante empregados; f) a sensação que se tem é que, muitos procuram a ciência da religião porque não conseguiram passar no mestrado ou no doutorado em sua área da graduação e, procuraram a Ciência da Religião no segundo momento; g) o caráter polimetodológico e poliepistemológico é um dificultador na definição de um perfil, conceito, de cientista da religião; h) sobre aqueles que dizem atuarem estritamente na Ciência da Religião, a educação e a religião (igreja) são os principais alvos de atuação profissional.