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Kapittel 2: Samfunnsmessige forhold

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2.4.6 Forsikring

Incompatibilidade E bate louco, bate criminosamente O coração mais do que a mente, bate o pé mais do que o corpo poderia E se você mentalizasse na folia Sabe lá se não seria a solução prá de manhã pensar melhor E caso fosse a incompatibilidade entre o corpo e consciência Iria desaparecer, você não vê Como o corpo preparado pode ser iluminado Como a luz de uma fogueira que precisa se manter E atingido pela plena consciência De que o corpo em decadência faz a tua consciência esmorecer Pelos poros elimina-se o que o corpo não precisa E não precisa pra pensar e abdicar esse prazer Se você dançar a noite inteira não significa dar bobeira De manhã se alienar ou esquecer É a busca do supremo equilíbrio, num processo inteligente sua mente clarear sem perceber (Osvaldo Montenegro)

Durante muitos anos a escrita e a música foram, em minha vida, muito importantes. Escrevia diários, contos infantis e poemas. Tocava um pouco de violão e, nas notas de muitas canções, percebia reverberar meus sentimentos.

A escrita e a música não eram expressão de beleza ou de arte, mas outras linguagens através das quais era possível conhecer a mim e ao mundo.

Sempre fui muito tímida e guardava mais estes escritos para mim. Quando mostrava para alguém, me sentia sem roupa. Ainda que metaforicamente, minhas histórias e poesias me despiam da máscara do socialmente aceito e moralmente correto.

Assim, que algumas vezes meus escritos eram lidos, sem meu consentimento, e eu julgada e castigada. Aprendi então a coibir outras formas de expressão que não as formais, científicas, morais e desejadas.

Além disso, num determinado ponto de minha vida me encontro com colegas conhecedores de arte, literatura e que julgam aquilo que escrevo piegas e medíocre.

Passado isto, e já na idade adulta em que os sonhos, os sentimentos e estas outras linguagens pareciam não ter mais espaço, eu queimei tudo o que tinha produzido. E por vários anos escrevi artigos, explicações, descrições funcionais.

Então, durante a escrita da tese, comecei a sentir e a pensar sobre tantos elementos ao mesmo tempo e a não conseguir traduzir isto em conceitos científicos que por muitas vezes precisei escrever. Escritas íntimas, crônicas, busca de músicas para escutar.

E, hoje, me dei conta de que, primeiro, estava a retomar algumas dimensões abandonadas por mim tempos atrás. Segundo, estava trilhando um caminho parecido com o que Josso (2004) relata ter trilhado na construção de sua tese. Ela conta que produziu uma defesa e uma mostra de pintura no mesmo horário. A busca de si ativou outras dimensões do conhecimento que não apenas as formais, descritas no interior da gramática.

O corpo em atuação, ou o ser no mundo, pode se aventurar em novas instabilidades, ao apostar num movimento caótico de abertura de sentidos ou, inclusive, da busca de um não- sentido, de algo para além da linguagem e da explicação, tal qual uma intensidade sem começo nem fim. (MOEHLECKE & FONSECA, 2008, p.488)

Fiquei pensando sobre a importância da autoformação, seja através de oficinas de pesquisa-formação, ou de qualquer outro meio, e me pareceu que o resgate e o desenvolvimento de diferentes formas de expressão deixadas, por muitos de nós, na infância ou juventude, pode auxiliar a criação de repertórios de experiências que desenvolvam outras formas de ensinar e de aprender.

Neste sentido, a pesquisa-formação, os jogos teatrais (ZANELLA; 2008), a oficina de escrita não são meras técnicas de ensino, mas são projetos auto- formativos em que os docentes se incluem, e ao se incluirem, extendem a seus alunos. O que quero dizer é que sua efetividade depende de não serem espaços em que se tem prescrições e atuações superficiais, sem uma experienciação profunda por parte do grupo.

Ao longo de todo este trabalho construi algumas conclusões27, já apresentadas no texto, com relação a formação de professores:

27 Ainda que numa primeira vista este parágrafo possa tomar a conotação de prescrição, encaixado em toda a perspectiva de singularidade defendida ao longo do trabalho, gostaria que fosse visto como algumas abstrações sobre o campo de formação de professores

Primeiro, precisamos ultrapassar os campos dos discursos e retomar o campo da experiência. Segundo, precisamos proporcionar a experiência de repertórios variados de situações de ensino e aprendizagem nos cursos de formação. Terceiro, a constante reflexão sobre si pode ser a explicitadora de um projeto de formação próprio que dê sentido ao trabalho realizado. Quarto, o professor e os alunos são pessoas. E as pessoas tem múltiplas dimensões, conhecimentos, formas de expressão. Assim, a formação (e a sala de aula) precisaria ter múltiplas dimensões, conhecimentos, formas de expressão. Quinto, encontrar o prazer, a alegria de conhecer, aprender e produzir é uma tarefa essencial para o professor. O professor apaixonado por conhecer, ensina a paixão por conhecer e não apenas os conhecimentos.

O que somos é a elaboração narrativa da história de nossas vidas, de quem somos, relacionados ao que nos passa. Esta interpretação tem seu lugar em um constante movimento no qual nossa história se põe em relação significativa com outras histórias. O processo pelo qual ganhamos e modificamos a auto-consciência não se parece então com um processo de progressivo descobrimento ou um processo em que o verdadeiro eu iria ganhando progressivamente transparência. Minha identidade, quem eu sou, não é algo que progressivamente encontro, mas algo que fabrico, que invento e que construo no interior dos recursos semióticos dos quais disponho, do dicionário, das formas de composição que ouço e leio, da gramática, em suma do que aprendo e modifico dentro desta gigantesca e polifônica conversação de narrativas que é a vida. (LARROSA, 2004)

A metodologia de pesquisa-formação contribui muitíssimo com a ampliação do que Josso (2004) chama de atenção consciente, e o desenvolvimento desta característica é essencial ao educador. Schon (2000) nos fala do professor reflexivo e esta metodologia de pesquisa e de formação, a Pesquisa-formação, põe em prática o desenvolvimento de características importantes a uma prática diária reflexiva: a atenção consciente, o desenvovimento da escuta, a criação de interpretações intersubjetivas. Para além de simples aquisição de informações, os cursos de formação de professores precisam focalizar os aspectos concernentes aos processos de aprendizagem e de conhecimento, conforme Josso (2004, p. 81)

(...) a relação entre o processo de aprendizagem e o processo de conhecimento permite atualizar ao mesmo tempo os recursos e as resistências afetivo-cognitivas em torno da dialética conhecido/desconhecido. Em particular, as

dificuldades de reajuste epistemológicos e pragmáticos necessários para a nova aprendizagem, pois ela obriga, por um lado, a desaprender o que tinha sido precedentemente integrado e, por outro, a recompor uma coerência existencial.

Neste mundo cercado de informações, de diversidade cultural, de inusitados, abrir-se ao acolhimento das constantes oportunidades de aprendizado, concebida como inerente à própria vida do ser humano, e porque não dizer do ser vivo, é uma questão evolutiva. Não apenas na acepção biológica, mas no sentido de que aprendendo podemos buscar conscientemente a criação de espaços de convivência harmoniosa e feliz. Estes aprendizados fazem parte daqueles que precisam estar também na sala de aula. Aprender não tem a ver com armazenar informações na cabeça que em nada nos modifica, mas em mudar, em transformar-se, transformando. Todo o conhecimento é ação, segundo Maturana & Varela (2001). E, a ação de narrar a si mesmo parece poder gerar conhecimentos que modifiquem o próprio curso da ação.

Conforme Larrosa (1995),

esta aventura conduz aonde não está previsto, a consciência de que o eu não é senão uma contínua criação, um perpétuo devir, uma permanente metamorfose. E esta metamorfose tem seu arranque e sua força impulsora no processo narrativo e interpretativo da leitura e da escrita. Somente lendo (ou escutando), se pode tomar consciência de si mesmo. Somente escrevendo (ou falando), se pode fabricar a si mesmo. Mas nosso personagem aprendeu que ler e escrever (escutar e falar) é colocar-se em movimento, é ir sempre mais além de si mesmo. (p.216)

E a pesquisa-formação aparece como espaço de invenção de si, de apropriação dos rumos da própria educação, do que vale a pena ler, estudar, fazer. O professor e o aluno investigando a si e ao mundo em conjunto e conferindo significado ao conhecimento.

No começo deste trabalho afirmo que o professor é regido por modelos culturais introjetados ao longo de sua vida do que é ser professor e, acredito que o mesmo se dê com os estudantes, uma vez que a cultura trata de estabelecer papéis, obviamente dinâmicos, e influenciadores/influenciados por todos nós. Trata- se de ampliar a consciência acerca destas influências para buscar um crescimento crítico em nossos papéis sociais... Conforme Josso (2004, p. 62), “Transformar a

vida socioculturalmente programada numa obra inédita a construir, guiada por um aumento de lucidez”.