3 Resultat og diskusjon
3.1 Forsøksmaterialet
Com a intenção de traçar um breve perfil da política paraense a partir de alguns personagens centrais, para tanto, neste tópico, destaca-se algumas figuras do cenário que até aqui vem se construindo. Foram políticos que até hoje, ou ainda hoje, exercem forte influência na região.
Parte-se, com isso, do período do golpe militar de 1º de abril de 1964, que permitiu o ingresso no cenário político paraense daqueles que logo seriam as duas maiores lideranças do regime dos generais no Estado – Jarbas Passarinho, feito governador, e Alacid Nunes, que se tornou prefeito de Belém. Em torno de Jarbas Passarinho e Alacid Nunes desenvolveram, respectivamente, o jarbismo e o alacidismo, as duas vertentes de poder no Pará durante a vigência do regime militar. Jarbistas e alacidistas retaliavam-se, mutuamente, de acordo com a circunstancial relação de forças (LOPES; BAIA, 2010).
Ao longo do regime militar, Jarbas Passarinho edificou uma das mais brilhantes biografias políticas da história do Pará. Ele foi governador, senador e ministro – do Trabalho, da Educação e da Previdência – e ganhou expressão nacional, inclusive pelo seu perfil intelectualizado. Segundo Lopes e Baia (2010), marcou sua biografia ao mandar os escrúpulos às favas, no caso da decretação do AI-5, o Ato Institucional nº 5. No plano nacional, Jarbas sobreviveu aos estigmas e se fez respeitar em Brasília por sua integridade pessoal e as inegáveis virtudes como orador, chegando a presidente do Senado. Mais tarde, já em plena democracia, foi Ministro da Justiça do governo Fernando Collor de Mello.
Alacid Nunes, depois de prefeito de Belém, foi governador do Pará por duas vezes, além de deputado federal. Embora sem a projeção nacional de Jarbas Passarinho, do qual se tornou inimigo real, revelou-se politicamente pragmático e investiu pesadamente, nas suas passagens pelo governo do Pará, em uma política municipalista. Os dividendos dessa política municipalista certamente contribuíram para ele impor uma derrota ao seu maior adversário político, dentro da bipolaridade, que, também, embutiu em uma nova versão, o regime dos generais.
Ambos, Jarbas Passarinho e Alacid Nunes, polarizaram as disputas políticas durante a ditadura militar e foram personagens que estiveram no epicentro do jogo de pressões e contrapressões, que permeou a redemocratização no Estado, na esteira da qual emergiu Jáder Barbalho.
A alternância de poder que pontua a sucessão estadual, ao longo do regime dos generais, se faz como reflexo da bipolaridade que opunha os dois coronéis da política paraense. Dos prefeitos de Belém do período, invariavelmente submetidos a um dos coronéis, que pontificaram no Pará durante o regime militar, nenhum sugeriu dispor de densidade eleitoral capaz de tornar algum deles em um candidato em potencial, e assim sepultar a bipolaridade protagonizada por Jarbas Passarinho e Alacid Nunes (LOPES; BAIA, 2010).
Segundo Lopes e Baia (2010), a partir do momento que fez migrar para o PMDB seu grupo parlamentar, Alacid Nunes, na época governador, passou a ser hostilizado sob a acusação de ter traído a confiança do presidente João Figueiredo. Segundo a versão disseminada pelos jarbistas, ele supostamente não respeitara um
acordo pelo qual, ao ser escolhido governador em 1978, acordara que seu sucessor seria indicado por Jarbas Passarinho.
Foi sob esse cenário, que em 1982, o Partido Municipalista Democrático Brasileiro (PMDB) lançou Jáder Barbalho, candidato ao governo, com o apoio do então governador Alacid Nunes. Jáder fora eleito. Fez um governo pontuado por denúncias de corrupção, ao mesmo tempo, que já permitia entrever a esperteza política que viria a torná-lo notável. Carismático e com um perfil populista, aparentemente frustrou as expectativas de seu principal cabo eleitoral em 1982, o ex-governador Alacid Nunes, a quem era atribuída à intenção de se tornar a “eminência parda” do novo governo.
Cumprindo totalmente seu mandato como governador, Jáder Barbalho “deu as cartas” nas eleições de 1986 ao lançar mão do uso da máquina administrativa estadual e a sua reconhecida sagacidade política, potencializada pelo seu carisma. Nas eleições de 1986, para prefeito, foi eleito Fernando Coutinho Jorge, o candidato do PMDB, partido que já naquela altura confundia-se com Jader Barbalho, desde então líder inconteste da legenda no Pará. Aquele pleito marcou o retorno das eleições diretas para prefeito (LOPES; BAIA, 2010).
Com o jarbismo derrotado em 1982, segundo Lopes e Baia (2010), na qual também afundou o próprio Jarbas Passarinho, e o alacidismo enfraquecido, porque sem benesses do poder que emanavam da figura de Alacid Nunes, cristalizava-se o jaderismo. De forte inserção popular e com raízes particularmente no interior, o jaderismo ainda se estende até Belém, apesar de ser expressiva na capital paraense a rejeição ao seu inspirador, Jáder Barbalho.
Jáder Barbalho é um dos casos, na história do Brasil, de políticos que enriqueceram na vida pública. Depois de atuar na política estudantil, Jader elegeu- se vereador por Belém, após o golpe militar de 1964. De lá para cá, exercendo única e exclusivamente cargos públicos, Jader construiu uma fortuna. Nela estão incluídos mansões, casas, apartamentos, emissoras de rádio, a Rede Brasil Amazônia de Televisão, e um jornal – O Diário do Pará.
Além de vereador na capital, Jáder Barbalho elegeu-se sucessivamente deputado estadual, deputado federal, governador do Estado (1983-1987), foi
indicado Ministro da Reforma Agrária (1987-1988) e Ministro da Previdência Social (1988-1989) pelo ex-presidente José Sarney. Depois, elegeu-se novamente governador do Pará (1990-1994) e Senador da República (1994-2001). Nesses anos todos – Jáder, formado em Direito, nunca exerceu a advocacia. Mas, mostrou muita habilidade para enriquecer no poder. Apesar de todas as denúncias, ele ainda é uma figura muito presente no Estado, além de exercer influência nos pleitos eleitorais nos últimos anos.