5.2 Forskningshistorie og forslag til struktur i Qoheleth
5.3.1 Forsøk I: Utgangspunkt i termer fra 1:3
A entrevistada Maria das Graças Bezerra fala das várias atividades que a escola desenvolvia com objetivo de proporcionar o entrosamento entre externas e internas.76 Ao longo
do processo de escolarização, elas destacam várias táticas (cf. CERTEAU, 1994) para permanecer na escola, dada a condição financeira,77 assim como as dificuldades em absorver
os novos conhecimentos em detrimento dos costumes e tradições já estabelecidos.
Comenta, ainda, ser de uma família com poucas condições financeiras. Quando questionada sobre como ingressou no Educandário, diz que foi por ter se destacado nos estudos e uma das Irmãs ter acreditado nela. Fala de suas origens, contando:
“Meu pai era comerciante, os produtos chegavam de lancha pelo quintal de casa, parecia que tínhamos até um porto, isso facilitava muito a retirada e entrega dos produtos. Minha família nunca foi rica, mas também, não passávamos fome, éramos acostumados com muita fartura e lidando com a questão comercial. Num determinado tempo, vimos nosso grande patrimônio familiar se esvair. A partir daí, passamos por privações após a não continuidade do comércio. Devido às relações de amizade do meu pai, esse conseguiu um emprego nos correios, tendo seu aposento anos depois naquele setor”.
Algumas jovens daquela época, por apresentarem interesse nos estudos, pertencerem a famílias numerosas ou por apresentarem boa conduta, eram beneficiadas com bolsas de estudos para cursar o ginásio nas duas únicas escolas que ofereciam o grau de ensino. A professora Maria das Graças Bezerra estudou o primário no Colégio Gonçalves Dias, quando esse ainda funcionava na antiga Casa da Justiça. Depois ela foi fazer o exame de admissão no Colégio São José e passou. Ela conta:
“Eu acho que a Irmã simpatizou comigo porque ela conheceu papai e viu as nossas dificuldades [...]”.
Num outro depoimento, ela destaca que obteve a informação de que estava havendo inscrição para cursar a faculdade através de uma antiga professora da cidade, chamada Raimunda Maria:
76 As alunas internas não eram filhas da cidade de Caxias. Na sua grande maioria, vinham de famílias com posses e que tinham condições de mantê-las residindo no internato.
77 As duas entrevistadas, conforme dito anteriromente, são oriundas de famílias numerosas e com parcas condições financeiras. Mesmo assim, estudaram em escolas privadas da cidade, a citar o Ginásio Caxiense (Edmée Leite) e Colégio São José (Maria das Graças Bezerra). Contudo, suas famílias adquiriram bolsas de estudos para que elas pudessem estudar.
“Foi uma professora, uma das mais ativas da cidade, ela se preocupava muito com a parte educativa da cidade. Foi minha professora no 4º (quarto) ano primário. Ela saía de casa em casa dos alunos fazendo a inscrição e explicando qual o significado da Faculdade... e tal e tal e tal... E ela foi lá em casa e aí eu aderi... Aí eu disse: “eu vou fazer”. E ela fez minha inscrição para o cursinho. O cursinho foi lá no Caxiense. A professora era a Senhora Raimunda Maria Silva. Ela era uma pessoa muito assim, educadíssima, exerceu vários cargos, representando a educação na cidade, pois, naquela época, não havia essa história de Coordenador, como é hoje... diretor de educação, secretário de educação... Eu acho que foi ela que começou a organização. Foi ela quem foi na casa dos alunos que conhecia, e eram muitos, pois conhecia todo mundo da cidade, os alunos que passavam pela cidade. Eu acho que foi ela quem trouxe essa faculdade [...]”.
No que se refere à Faculdade de Educação, trataremos no capítulo 4, pois o que chama a nossa atenção aqui é a dinâmica da professora Raimunda Maria, o cuidado em ir atrás dos seus alunos e alunas para que continuassem seus estudos.
Outro depoimento que traz à baila a ação dessa professora foi relatado pela professora Mercilene Barbosa Torres,78 em entrevista concedida à pesquisadora em agosto de 2017:
“Na minha época, foi a professora Raimunda Maria, através do Grupo Focolares, ela passava na porta de nossa casa chamando para as celebrações aqui na Igreja da Matriz, era ela quem sempre perguntava como estávamos na escola. Como ela não possuía filhos, ela se importava com nossa educação, e as famílias tinha a maior confiança no seu trabalho, ela ajudava muito as famílias que não tinham posses”.
O que me faz trazer essa discussão é o fato de que algumas famílias, mesmo com condições parcas de subsistência, permeavam alguns espaços pelos quais circulavam as que possuíam posses ou, até mesmo, recebiam determinadas ajudas no campo educacional e espiritual.
A escola também recebia ajuda das diversas esferas sociais, desde subsídios oficiais do governo, repassados anualmente, como ajudas das famílias de posse da cidade.
De acordo com a pesquisa da professora Suely Barbosa de Moura (2014), os subsídios eram de ordem do Ministério da Educação e Cultura, do Ministério da Justiça e do Ministério da Agricultura.79 Para a pesquisadora, essas subvenções eram fundamentais para a construção
do prédio do colégio, para a manutenção do internato e compra de material permanente). No Quadro 2, a seguir, o documento que descreve os subsídios.
78 Diretora do Museu da Balaiada em Caxias/MA. 79 Ver MOURA, 2014, p. 38.
Quadro 2 - Subvenções destinadas à manutenção do Colégio São José (1959-1969)
ANO MANTENEDORES VALOR
1957 Ministério da Educação e Cultura CR$ 17.000.00
1958 Ministério da Educação e Cultura CR$ 17.000.00
1965 Secretaria de Educação e Cultura (Plano Trienal de Educação do Maranhão) NCR$ 500,000
1967 Secretaria de Educação e Cultura NCR$ 3.000.00
1965 Ministério da Educação e Cultura NCR$ 6.500.000
1966 Ministério da Justiça NCR$ 5.000.00
1968 Ministério da Educação e Cultura NCR$ 20.000.000
1968 Ministério da Educação e Cultura NCR$ 19.800.00
1968 Secretaria de Educação e cultura NCR$ 3.000.00
1968 Ministério da Educação e Cultura NCR$ 8.600.00
1968 Ministério da Justiça NCR$ 6.000.00
1968 Ministério da Agricultura NCR$ 1.000.00
1969 Ministério da Educação e Cultura NCR$ 34.200.00
1969 Ministério da Justiça NCR$ 6.000.00
Fonte: Moura (2014, p. 37).
Ao observar a folha de matrícula do 1º ano do Curso Normal do ano de 1949 (Figura 16), vimos que muitos dos pais, ali, exerciam trabalhos de baixo poder aquisitivo, como operário, guarda-fio, alfaiate, carpinteiro etc.
Figura 16 - Folha de matrícula do Curso Normal do Educandário São José. 1949
Apresentaremos, a partir de agora, o Ginásio Diocesano São Luís de Gonzaga (ilustrado na Foto 11) para compreendermos melhor essa distinção de ensinamentos.