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início do século XX, está diretamente ligada a entrada dos imigrantes europeus no Brasil. Partindo do contexto de exploração vivenciada por estes trabalhadores nas fazendas de café, parte desses imigrantes, vão saindo pouco a pouco destas fazendas e deslocando-se para as cidades. É exatamente a partir desta situação que surgem as primeiras organizações sindicais.

Segundo Rossi & Gerab (2009, p. 25-26)

Em 1905, é criada a Fosp (Federação Operária de São Paulo). Já, em 1906, o Rio de Janeiro sedia o 1º Congresso Operário Brasileiro, que chegou às seguintes definições:

a) Organização federativa e não centralizada; b) Sindicalismo de resistência e não assistencialista;

c) Combate ao parlamentarismo: o fundamental é a ação direta da classe operária;

d) Luta contra as propostas dos agentes do governo e da Igreja; e) Formar a COB (Confederação Operária Brasileira).

Neste sentido, surge a partir do I Congresso Operário Brasileiro (COB) realizado no ano de 1906, na cidade do Rio de Janeiro, a Confederação Operária Brasileira (COB). Os patrões, atentos as atitudes destes imigrantes, estavam sempre tentando impedi-los de se organizarem politicamente.

Os donos das fábricas, tinham como objetivo central, destruir as inúmeras formas de organização que estavam germinando e se espalhando para os outros estados brasileiros. A organização destes trabalhadores estava pautada na liberdade e na autonomia sindical, defendendo a destruição do Estado burguês. Apresentavam como principal meio de organização a utilização das greves. Ressalta-se que inúmeras greves ocorreram nos primeiros 30 anos do século XX.

Já no ano de 1913, é organizado o II Congresso Operário Brasileiro pela Confederação Operária Brasileira (COB). Após dois anos, tem-se o surgimento do Comitê de Defesa Proletária, que se transformou na liderança central da greve realizada no ano de 1917. No que se refere ao ano em destaque, Rossi & Gerab (2009, p. 28) colocam

O ano de 1917 foi, sem dúvida, de intensa agitação, não apenas em São Paulo onde os comícios e passeatas juntaram em torno de 80 mil pessoas. O Rio de Janeiro e o Recife tiveram inúmeros movimentos grevistas, a tal ponto que levou o governo a decretar estado de sítio no Rio de Janeiro, proibindo as greves e fechando sindicatos. As greves de São Paulo tem um final vitorioso, conquistando aumento salarial de 20%, a não dispensa de operários, enquanto o governador e o prefeito da cidade se comprometem a fiscalizar as condições de trabalho das mulheres e menores, a combater os aumentos de preços dos gêneros alimentícios e a liberar os operários presos. Apesar do compromisso realizado pelo governador e o prefeito do estado de São Paulo com os trabalhadores operários, não foi isso que acontece na prática. Diante disto, Rossi & Gerab (2009, p. 28) afirmam

[...] a polícia deixa sua marca de violência, com o assassinato do sapateiro Antonio Martinez, três dias antes da grande manifestação dos trabalhadores paulistas. No dia 12 de julho, enquanto dezenas de milhares cruzaram os braços, pelo menos dez mil trabalhadores acompanhavam o enterro.

A violência governamental e patronal aumenta. Há relatos de mortes de operários em São Paulo e Campinas – SP. O estado de sítio marca a década de 1920 e a repressão vai destruindo as organizações operárias.

Desta maneira, com a I Guerra Mundial (1914 - 1917) tem-se como um de seus efeitos imediatos a diminuição das exportações do café, resultando no aumento do desemprego no país. Este aspecto, serviu de mola propulsora para os trabalhadores organizarem mais lutas.

Sendo assim, pode-se entender que, o sindicato é um organismo de resistência e de luta dos interesses dos trabalhadores, tanto no âmbito profissional como no econômico, onde este não podia sofrer a interferência pessoal de ninguém.

Em relação a Revolução Russa e os anos de 1917, Rossi & Gerab (2009, p. 28-29) destacam

Mas a Revolução Russa e a greve de 1917, aqui no Brasil, eram apenas parte dos fatos que assustavam as elites dominantes brasileiras. A guerra havia provocado, a partir de 1916, uma completa paralisação do comércio marítimo; com isso, a especulação e o encarecimento dos preços dos gêneros alimentícios se generalizam.

Tudo isso, somando-se as condições indignas de trabalho e à atuação de militantes anarquistas e comunistas no meio operário, fazia essas elites vislumbrarem, equivocadamente, a possibilidade de os trabalhadores estarem almejando o poder político.

No período de 1919 a 1922 tem-se o governo do presidente Epitácio Pessoa e de 1922 a 1926 o de Arthur Bernardes. Estes dois períodos foram caracterizados pela forte repressão aos movimentos sociais. Porém, foram nestes dois governos que as primeiras leis trabalhistas foram promulgadas, sendo elas: 1919 – aprovação na Câmara Federal a Lei de Acidentes de Trabalho; 1923 – constituído o Conselho Nacional do Trabalho; 1925 – surgimento da Lei que dá direito a 15 dias de férias anuais e finalmente no ano de 1926, surge a primeira Lei que regulamenta o trabalho do menor (ROSSI & GERAB, 2099, p. 29).

As organizações por parte dos trabalhadores vão ganhando força e no campo da organização político-partidária, funda-se, no ano de 1922, o Partido Comunista do Brasil (PCB). O PCB, foi o primeiro de muitos partidos políticos que iriam surgir ao longo da história. Contudo, até os anos de 1960, o PCB teve um papel de grande relevância nos âmbitos político, ideológico e organizativo das lutas pautadas pelos trabalhadores desse país.

Mesmo diante dessa melhor organização sindical por parte dos trabalhadores, o movimento anarquista ainda continuava muito presente na dinâmica de lutas pelo país. Porém, aos poucos, o movimento anarquista vai perdendo sua força no movimento operário brasileiro.

Desta maneira, o movimento anarquista, desde o seu início, sempre sofreu uma forte repressão. Este modelo, por sua vez, foi perdendo cada vez mais sua força. Rossi & Gerab (2009, p. 31), definem os anarquistas como aqueles

[...] baseavam sua ação nos escritos e nas propostas do filósofo e militante revolucionário russo Bakunin. Eram internacionalistas, antimilitares e anticlericais. Buscavam a ação direta das massas para construir uma nova sociedade e viam a participação no Parlamento e a construção de partidos como posturas antagônicas e esse objetivo. Essa corrente, vítima da repressão e do aparecimento das outras articulações, que disputavam os espaços entre os operários, já vinha se enfraquecendo desde o final da década anterior.

A partir de 1930, com o aumento das medidas governamentais, que tinham como objetivo acabar com a liberdade e a autonomia sindical por parte dos trabalhadores, o movimento anarquista sofre o golpe final e entra em colapso.