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9. Oppsummering og anbefaling om videre arbeid

9.2. Forprosjektets anbefaling

A Semiótica Discursiva é um modelo teórico elaborado durante o período do chamado estruturalismo francês, na década de 1960, que abarca o estudo das significações. Como explica Fiorin, no prefácio da edição brasileira do Dicionário de Semiótica128, Saussure já propusera a elaboração de uma teoria geral do signo, que seria chamada semiologia129, No entanto, “é Greimas quem lidera o projeto coletivo que transforma em realidade o desiderato saussuriano, não mais concebido como teoria geral

128 GREIMAS, A. J.; COURTÉS, J. Dicionário de Semiótica. Trad. Alceu D. Lima, Diana L. P. Barros,

Eduardo Puñuela Cañizal, Edward Lopes, Ignacio A. da Silva, Maria José C. Sombra, Tieko Y. Miyazaki. São Paulo: Contexto, 2013, p.8

129 De acordo com Greimas e Courtés, (2013, p.444), o termo semiologia se mantém em concorrência com

semiótica, para designar a teoria da linguagem e suas aplicações a diferentes conjuntos significantes. Remonta a F. de Saussure que defendia ser possível, sob esse rótulo, um estudo geral dos “sistemas de signos”. Os dois termos, Semiologia e Semiótica, foram constituídos, nesse domínio do saber, na França, nos anos de 1960, no cenário do estruturalismo francês, em torno de nomes como Merleau-Ponty, Lévi- Strauss, Dumézil, Lacan, entre outros. No plano linguístico, foi influenciado por L. Hjelmeslev (herdeiro de Saussure).

58 dos signos, mas como teoria geral da significação”130, debruçando-se sobre toda manifestação, em qualquer substância de expressão de um discurso.

Apesar disso, o termo semiologia continuou a ser solidamente implantado na França, especialmente por Roland Barthes, que volta os seus interesses de pesquisa à dimensão conotativa da linguagem, quando aprofunda-se nas Mitologias131, um estudo que impactou pela originalidade de seu encaminhamento, com a investigação do significante das linguagens conotativas disseminadas ao longo dos discursos, possível de se abordar pela postulação arbitrária e prévia do significado132.

O modelo semiótico torna-se um instrumento que permite o aprofundamento linguístico tanto no campo semântico (formas), quando sintático (relações). Greimas postulava que a “teoria semiótica deve apresentar-se inicialmente como o que ela é, ou seja, como uma teoria da significação. Sua primeira preocupação será, pois, explicitar, sob a forma de construção conceptual, as condições de apreensão e de produção do sentido”133. A semiótica greimasiana opera como uma rede de relações hierarquicamente organizada, dotada de uma existência paradigmática e sintagmática, o que a torna um processo semiótico, provida de pelo menos dois planos de articulação – expressão e conteúdo – cuja reunião constitui a semiose.

A semiótica discursiva está fundamentada em torno da significação, como um conceito-chave, visando constituir modelos capazes de dar conta de todo tipo de discurso. Greimas entendia que as categorias, mesmo as mais abstratas, são de natureza semântica e, por isso, significantes. A significação pode ser compreendida como “produção de sentido” ou como “sentido produzido”. Os caminhos para a semiótica discursiva foram abertos a partir dos anos de 1960, quando se começou a fazer a semântica estrutural, cuja

130 Id.

131 Cf. capítulo 1, subtítulo, 1.4.

132 GREIMAS, A. J.; COURTÉS, J, Dicionário de Semiótica, op. cit., p. 445. 133 Ibid., p. 455.

59 experiência metodológica tornou possível uma nova reflexão sobre a teoria da significação. Ao buscar novos paradigmas, Greimas observou que uma semântica deve ser gerativa, apontando modelos que possibilitem encontrar os níveis de invariância do sentido, mesmo mostrando diferentes elementos no nível superficial. Também deve ser sintagmática, permitindo a produção e a interpretação do discurso; e geral, tendo como princípio um sentido único que pode ser manifestado por diferentes planos de expressão. A gramática semiótica é composta pela semântica e pela sintaxe. De acordo com Greimas e Courtés, a sintaxe se dedica a descrever as relações e/ou estabelecer as regras de construção de uma frase134. As relações sintáticas se estabelecem entre as classes sintáticas, independentemente de seus investimentos semânticos e constituem, assim, uma classe de organização autônoma.

É importante destacar o conceito de texto. O significado original, que remete a “tecido”, “entrelaçado”, pode ser entendido como entrelaçado de temas e de relações. Assim, todos os recortes, ressemantizações, enfim, tudo que se apresenta, é entendido com texto-objeto passível de ser estudado semioticamente. Quando se tem a aliança de um plano de expressão (meios para a veiculação da mensagem tais como cinema, livro, jornal, revistas etc) a um plano de conteúdo (aquilo que está construído no texto) acontece a manifestação. Dessa forma, o mesmo conteúdo pode ser manifestado em diferentes planos de expressão (como um livro que se torna um filme, por exemplo). Aí está a diferenciação entre a imanência (plano de conteúdo) e a manifestação, pois um mesmo conteúdo veiculado em diferentes planos de expressão é passível, inclusive, de sofrer alterações devido aos efeitos estilísticos e ao material utilizado.

A semiótica discursiva é conhecida também como sociossemiótica, pois procura captar as interações efetuadas com a ajuda do discurso entre “sujeitos” individuais ou

134 Ibid., 471.

60 coletivos que nele se inscrevem e que, de certo modo, nele se reconhecem135, como justifica Landowski.

Semioticamente falando, porém, nada do que vai nos reter é dado a priori, nem a existência de um “campo social”, nem a realidade das “relações sociais”. Tudo que faz sentido é construído e, por conseguinte, pressupõe um fazer de ordem “cognitiva”, remetendo, nos sujeitos, ao que chamaremos sua “competência semiótica”. Por conseguinte, formulado em termos ingênuos, o objetivo da Sociossemiótica será compreender melhor “o que fazemos” para que, de um lado, o “social”, o “político” ou ainda o “jurídico” existam enquanto tais para nós como universos relativamente autônomos (isto é, de que modo construímos seus objetos) e para que, de outro lado, as relações que ai se estabelecem entre atores sociais sejam, elas próprias, carregadas de significação para os sujeitos que as vivem ou que as observam e, consequentemente, dotadas de certa eficácia quanto à determinação de suas próprias práticas (LANDOWSKI, 1992, p.11).

Landowski observa que não há fronteiras do semiótico, o que pode haver são semióticas diferentes. “Tendo assim por princípio não excluir a priori de seu campo de pertinência nenhum dos sistemas ativos na produção do sentido, a teoria semiótica proporciona a si mesma os meios de renovar a abordagem de uma primeira série de fenômenos de ordem pragmática”136.