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Forpliktelse til resiliens

5.6   U FORMELLE VIRKEMIDLER

5.6.4  Forpliktelse til resiliens

De início, os próprios DiMaggio e Powell (1991b) destacam que a estrutura de um campo organizacional não pode ser determinada a priori. Dizem eles, que, a mesma deve ser definida com base na investigação empírica, visto que os campos existem somente na medida em que são definidos institucionalmente. DiMaggio apud DiMaggio e Powell (1991b), por sua vez, deteve-se na busca de etapas pelas quais os campos passariam à medida que se estruturam, e apontou quatro indicadores característicos do processo de definição ou “estruturação” institucional dos campos organizacionais, São eles:

1) um aumento no grau de interação entre as organizações no campo;

2) a emergência de estruturas de dominação e de padrões de coalizão claramente definidos; 3) um aumento no volume de informação que as organizações em um campo devem lidar; 4) o desenvolvimento de uma consciência mútua entre os participantes de um grupo de organizações sobre o fato de que estão envolvidos em um empreendimento comum.

Carvalho, Pacheco e Guimarães (2004, p.3) apontam, a partir dos requisitos propostos por DiMaggio (1991), que: “a idade das organizações que compõem o campo, assim como o seu tamanho, são dimensões consideradas pelo autor”. Em síntese, esses autores baseiam-se no fato de que as organizações grandes e maduras tendem a formar laços, via entidades representativas, para proteger seus interesses e ampliar seu poder junto aos outros atores envolvidos no campo. Por deterem uma quantidade maior de recursos para fortalecer os intercâmbios com outras organizações e estabelecer fluxos mais intensos de informação, estas organizações conseguem produzir “leituras” comuns sobre as questões que interessam aos atores do campo.

Pré-formação Organizações isoladas e independentes Campo emergente Enlaces inter- organizacionais e concentração Campo em expansão Aumentam os enlaces e valores convergentes Campo institucionalizado Alto nível de enlaces e valores

compartilhados

Além dos indicadores de DiMaggio (1991), outro esforço de destaque repousa em Scott (1995 p.173), que adicionou quatro indicadores àqueles já existentes, sendo eles:

1) extensão do acordo sobre a lógica institucional que direciona as atividades no campo; 2) o aumento do isomorfismo estrutural entre as populações no campo;

3) o aumento da equivalência estrutural de conjuntos de organizações no campo; 4) o aumento da definição das fronteiras do campo.

Consoante à Carvalho, Andrade e Mariz (2005), pode-se depreender que Scott (1995, p.103) almeja com isso identificar que “fatores determinam as fronteiras dos campos e a forma na qual os campos estão organizados, em particular, sua estrutura de governança e o seu grau de estruturação”. Advogando pela utilização de uma lente cognitiva, o autor procura quebrar a falsa distinção entre organizações e ambiente (VIEIRA e CARVALHO, 2003), partindo do princípio de que “os sistemas de crenças existem tanto objetivamente, como fatos sociais em um sistema cultural, como subjetivamente, enquanto concepções nas mentes dos indivíduos” (SCOTT, 1995, p.103). Segundo Lopes (2007), Scott refinou o conceito ao introduzir os sistemas de significados na análise.

No contexto brasileiro, destaca-se o modelo de Vieira e Carvalho (2003), resultante de um aperfeiçoamento daquele elaborado por Holanda (2003), e cujas bases remontam tanto os indicadores de DiMaggio quanto os de Scott (1995), mas que, diferentemente de ambos, não propõe indicadores e sim etapas pelas quais os campos organizacionais passam:

Figura 01: Etapas de Formação de um Campo Organizacional Fonte: Vieira e Carvalho (2003) adaptado de Holanda (2003)

Segundo Vieira e Carvalho (2003, p.7) a figura procura traduzir que um campo organizacional em seu estágio inicial é composto de organizações isoladas e especializadas, que não se reconhecem num campo e que não compartilham valores. Porém, com o passar do tempo, conforme o campo se estrutura, as organizações reconhecem a importância umas das outras, estreitam seus relacionamentos, aumentam a interação e convergem para o compartilhamento de valores.

Embora seja inegável que os indicadores e etapas são de grande valia para as pesquisas empíricas que se debrucem sobre a formação e a estruturação de um determinado campo, percebe-se que o caráter dinâmico do campo persiste em tornar o assunto nebuloso. Principalmente, pela questão da delimitação – também chamada de equalização - dos campos, que tende a uma natureza arbitrária, como apontam Silva et. al. (2005). E, além disso, pelo aspecto temporal, pois, como salientam alguns autores (MACHADO-DA-SILVA, GUARIDO FILHO e ROSSONI, 2006), os campos são sempre conhecidos a posteirori, logo, tornam-se sempre um caso particular do possível. Para o aspecto temporal, não se vislumbra grandes contribuições entre os estudos já realizados, e aparentemente isto é uma dificuldade inerentes a outros níveis de análise. Porém, no que tange à delimitação das fronteiras e à escolha dos atores a serem investigados, pode-se recorrer ao próprio DiMaggio (1991, p.276), que aponta o estado e as profissões como os principais atores de influência em um campo organizacional, evidenciando mais uma vez entrelaçamento com noção de isomorfismo.

De acordo com DiMaggio e Powell (1991b. p.147), o Estado e as profissões seriam os maiores racionalizadores desde a segunda metade do século XX. O Estado, por ser um agente coletivo que opera basicamente via processo normativo, exercendo um controle regulatório de atividades, estabelecendo leis, alocando recursos, impondo taxas e impostos, e garantindo patentes, por exemplo. E, já os grupos profissionais, por exercerem um controle através de processos normativos e cognitivos. Processos esses que, monitorados pelos sistemas de crenças que definem a realidade, acabam criando tipificações e calcando os princípios de conduta e ação (SILVA, et. al. 2005).

No entanto, além do aspecto temporal e das dificuldades de equalização – mediada pela inclusão dos “principais atores” -, alguns pontos ainda foram pouco explorados e permanecem gerando interrogações entre aqueles que se atém sobre o tema. Reafirmando o caráter dinâmico dos campos, um desses pontos consiste na dissolução desses espaços, uma questão que parece bastante relevante quando se considera que os campos não são “imortais”; assim como surgem e se desenvolvem, são passíveis de desaparecimento.

Um dos poucos estudos que enveredaram por essa discussão, no Brasil, foi o de Silva et. al. (2005), que tratou da ascensão e da queda da indústria pesqueira no Rio Grande do Sul/RS. Resgatando argumentos de Fonseca (2003), Silva et. al. (2005) mostram que o processo de desinstitucionalização é plausível de investigação, pois, mesmo que a legitimidade não possua clara intervenção de escolhas racionais, algumas organizações podem passar a questionar aquelas regras e práticas impostas pelo ambiente externo às quais devem se adequar. Em outras palavras, “o colapso resultante expõe a organização a um estado de vulnerabilidade, criando um vácuo institucional passível de ser preenchido somente por meio da redefinição e posterior relegitimação de novas concepções e operações, o que caracteriza um processo de reinstitucionalização” (FONSECA, 2003, p.58) apud (SILVA et. al. 2005. p.9).

Mediante dissonâncias e “pontos cegos”, fica bastante evidente que diversos aspectos afastam a dinâmica de um campo organizacional de uma “receita de bolo”. E, justamente por isso, corrobora-se com os argumentos de Vieira e Carvalho (2003), para quem:

“(...) a análise da formação e configuração de um campo organizacional exige um olhar interdisciplinar, onde elementos históricos, antropológicos, sociológicos e econômicos exercem um papel fundamental na explicação da complexidade deste nível de análise.” (VIEIRA e CARVALHO, 2003. p.5).

Não obstante esse “olhar interdisciplinar”, acredita-se, contudo, que, para aprofundar o conhecimento a respeito do conceito de Campo Organizacional, as investigações empíricas devem reconhecer a importância da crítica como um elemento edificador. Sobretudo, quando a crítica for acompanhada de possíveis caminhos que contribuam para o desenvolvimento desse conceito. Portanto, dedica-se parte desse estudo para expor e discutir algumas das críticas lançadas sobre o conceito de campo organizacional, as quais, pode-se antecipar, misturam-se em diversos momentos com aquelas direcionadas ao Neoinstitucionalismo de modo mais amplo.