1. Innledning: Kontekst
1.4 Metode
1.4.6 Utfordringer og begrensninger
·'Proust. sentindo a irregularidade do calçamento sob seus passos, recupera o tempo perdido. Apenas um momento do passado? Muito mais, talvez: alguma coisa que. comum ao passado e ao presente, é mais essencial que ambos. Sacode- o um frêmito de felicidade ao experimentar sob os pés a pavimentação irregular
comum ao pátio dos guermantes e ao batistério de São Marcos. Compara este sentir com a observação do presente, com a investigação do passado riscado. pela
inteligência, com a expectativa de um futuro que a vontade constói do presente e do passado. dos quais extrai ainda mais a realidade, só conservando o necessário aos fins utilitários que lhes fixa. Mas, através de um som, de um perfume, logo se libera a essência permanente das coisas, ordinariamente escondida, o nosso verdadeiro eu, que parecia morto, por vezes havia muito, desperta, anima-se ao receber o celeste alimento que lhe trazem. .. Não procurara as duas pedras em que tropeçara no pátio.
Mas o modo fortuito, inevitável porque surgira a sensação constituía justamente uma
prova da verdade do passado que ressuscitava, das imagens que desencadeava, pois percebemos o seu esforço para aflorar à luz, sentimos a alegria do real
capturado"32.
Como disse, busco outros lugares, cuja a primeira imprensão não parece ser
diferente dos demais. Voltando a Ranchonete, indo para a direita e possível avistar a
Rua Floriano Peixoto e a Rua Sacramento, paralelas entre si e com a Avenida
Principal.
O livro Memória Histórica de Nova Ponte, editado pela CEMIG (Centrais
Energéticas de Minas Gerais) sobre as ruas Floriano Peixoto e Sacramento nos diz:
32 Ecléia Bossi em Memória e Sociedade. Lembranças de Velhos, cita: Marcel Proust. O Tempo redescoberto. Porto Alegre, Globo, 1958. pp. 125 e 130.
"Ambas são ruas cuja as calçadas estão sempre ocupadas põe seus moradores depois das cinco horas da tarde, não pelo fato de nelas localizarem vários estabelecimentos comerciais e de atraírem para si muitos moradores de outras ruas. ou de serem ruas de passagem para a praça. É o próprio movimento dos moradores das ruas Floriano Peixoto e Sacramento que as tornam atraentes"33.
De manhã meninos andam de bicicleta. Algumas donas de casa descem a rua em direção ao Armazém do Loura, outras caminham até o Armazém do João
Tarcísio e outras. ainda, enquanto arrumam suas casas, chegam a janela para
cumprimentar as que passam. De tarde, os homens. de volta do trabalho. fazem uma rodinha ali no boteco, isto é no Bar do Tázio. As moças e os rapazes ocupam os bancos na calçada e a rua. O trânsito relativamente pouco in�enso deixa a rua livre para os pedestres.
Na esquina da rua Floriano Peixoto com a Rua Manoel Pires de Miranda, há cerca de vinte e cinco anos funciona o armazém Nova Ponte. O primeiro proprietário
do armazém foi José Malaquias que depois de quinze anos. de balcão, passou para
o seu filho, José Humberto Malaquias, Depois José Humbe�o vendeu para Lourival Pereira Arantes, o Loura. O armazém do Loura abre as seis da manhã, e
dependendo do movimento só fecha às sete ou às oito horas da noite. Ainda que o
Lora não venda bebidas alcoólicas alguma, no balcão ou na porta ·de seu armazém há sempre uma turminha de fregueses fazendo lanches e conversando. No poste da
esquina oposta à do armazém, os cavaleiros costumam prender seus cavalos enquanto vão às compras34.
33 Memória Histórica de Nova Ponte. Editado pela CEMIG. 1997, Belo Horizonte.
34 Informações adquiridas com Senhor Lourival Pereira Arantes. o Lora, em depoimento a mim concedido em Julho de 1998.
Ourante todo o dia. no quarteirão da Rua Sacramento acima da Rua Olímpio de Góis. meninos jogam bolas de gude e futebol, andam de bicicleta. Aos sábados e domingos na casa do seu Valdir Medeiros. no quarteirão seguinte, reúnem-se os jogadores de truco da rua e a "turma da Sinuca". vai de tarde para o Bar do Roldão. na esquina com a Rua Presidente Vargas.
No quarteirão entre as Ruas Presidente Vargas e Manoel Pires de Miranda. meninos brincam. As mães, da janela ou dos banquinhos na calçada, observam. No beco próximo a Cerâmica. sob a sombra de uma árvore, outros meninos brincam. Da janela de sua casa, defronte a esta árvore, seu João Sapateiro, reparador de calçados, atende a seus fregueses. Na varanda da casa em frente, pessoas sempre conversam animadamente.
Neste mesmo espaço, está presente, também a serralheria do senhor Adelino Campos Caetano. embora sendo particular, quase todos já haviam passado por lá. E ao fazer uma visita em sua residência, o Senhor Adelino me informou, que trabalhava na serra de mão, na cidade de Três Ranchos, estado de Goiás, depois veio para Nova Ponte, onde comprou um terreno do Senhor Custódio e Codoveu Jacó, e do Senhor Armando Espíndola comprou uma máquina de serralheria. Buscava as toras de madeiras nas proximidades da região, e delas retiravam vigotas, ripas e tábuas para construção.
A maioria das casas de Nova Ponte tinha em sua gênese um pouco da serralheria do Senhor Adelino, sem contar que com toda a sua simplicidade era conhecido por todos, pelo seu jeito de ser e principalmente por gostar de andar descalço, efetivando um forte relação de amor com a antiga Nova Ponte.
Na Rua Sacramento com a Rua Antônio Caetano, existia um salão fé Forró.
antes tinha sido o inferninho do João do Som. Este local era muito freqüentado nos finais de semana. o salão pertencia ao senhor Ronan Espíndola, mas ele o próprio nunca havia tocado o empreendimento, sempre alugava para outras pessoas.
Voando pela Rua Floriano Peixoto, na esquina com a Presidente Vargas, de um lado é possível ver o Bar do senhor João Francisco Fernandes, o João Frio, e sobre o bar o próprio dono me informou:
"Comprei o bar em 1976 do Antônio Gomes. Ele tinha ali um comércio pequenininho: sorvete, picolé, pinga, sinuca. Comprei uma mesa grande de sinuca.
Passei a vender coisas de armazém e de bar. O
movimento era muito bom,
o
pessoal vinha no bar para tudo: jogar, beber cerveja, comprar açúcar e óleo. Os jogos que eu tinha era de todo tipo: caixeta, escopeta, vinte e um. Lá também trabalhavam dois tintureiros. Tinha um salão de barbeiros ... Lá trabalhavam Dedé Barbeiro, a !urdes gorda, o Agostinho, o Nica, o Barbinha, o Sebastião, o Gaspar. O movimento era quase toda hora.Uma coisa puxava a outra: o salão puxava o bar, o bar
puxava
o
salão. O Jogo mesmo era num dia, noutro ... Elesbrincavam era na sinuca',35.
Na outra esquina mas no mesmo local, estava a Mercearia do senhor João Tarcísio Borges. Como na maioria dos estabelecimentos comerciais, a residência do senhor João também era ao lado. como extensão de seu comércio. Um quarteirão
abaixo do Armazém do João Tarcísio, na esquina da Rua Presidente Vargas com a Rua Sacramento. ficava a padaria. Segundo o senhor Roldão Naves, proprietário da
padaria:
"Não há separação entre o bar e a padaria. Aindé! que hoje na esquina das ruas Presidente Vargas e
Sacramento funcione o bar, era ali que antigamente
funcionava a padaria, naquele tempo a única padaria de Nova Ponte',36.
A padaria acaba por constituir, também, um local, um ponto de referência
onde as pessoas poderiam se encontrar. "Há de se considerar a importância das
vendas enquanto privilegiado espaço de socialização ativa, ·onde criava-se
significados, valores e práticas exercendo poderosas e imediatas pressões sobre as condições de vida"37.
35 João Francisco Fernandes, atualmente é proprietário de uma padaria, no centro da cidade nova. Depoimento a mim concedido em Fevereiro de 1998.
36 Memória Histórica de Nova Ponte. Editado pela CEMIG em 1997. Belo Horizonte. MG.
37 SAJ\T ANA. Charles
o·
Almeida: Fortuna e Venturas Camponesas: Trabalho. cotidiano emigrações. Dissertação de Mestrado em História. PUC. São Paulo. 1996.