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6.2 Skyggesystemets potensialer

6.2.2 Formelle kvalifikasjoners betydning i et nordisk perspektiv

A difusão de informações científico-tecnológicas é parte inerente do processo de criação de novos conhecimentos. O ciclo não se fecha na produção dos fatos científicos, mas sim, na comuni- cação para além da academia e institutos de pesquisa. A comunicação dos resultados de pesquisas pode servir diferentes propósitos, como buscar aprovação e legitimação do conteúdo entre profis- sionais da mesma área, atrair empresas que assimilem inovações e de informar o público leigo.

Vogt demonstra o caminho da produção e divulgação das informações científicas com a re- presentação da “espiral da cultura científica” (Figura 1):

Figura 1: Espiral da cultura científica (reproduzido de Vogt, 2003)

Tomando-se como ponto de partida a dinâmica da produção e da circulação do conheci- mento científico entre pares, isto é, da difusão científica, a espiral desenha, em sua evolu- ção, um segundo quadrante, o do ensino da ciência e da formação de cientistas; caminha, então, para o terceiro quadrante e configura o conjunto de ações e predicados do ensino pa-

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ra a ciência e volta, no quarto quadrante, completando o ciclo, ao eixo de partida, para i-

dentificar aí as atividades próprias da divulgação científica (VOGT, 2003, grifos do autor).

A difusão científica pode ter diferentes objetivos: educacional, cívico ou de mobilização po- pular. Na diferenciação feita por Albagli (1996, p.397), o objetivo educacional serviria para esclare- cer as pessoas sobre os fenômenos científicos do mundo natural e como lidar com eles em seu coti- diano. Já o cívico procura desenvolver a opinião crítica do público sobre os impactos sociais, eco- nômicos e ambientais do desenvolvimento científico e tecnológico na sociedade, “particularmente em áreas críticas do processo de tomada de decisões”.

Por último, a função de mobilização popular pretende ampliar a possibilidade e a qualidade da participação da sociedade na formulação de políticas públicas de C&T. “Trata-se de transmitir informação científica que instrumentalize os atores a intervir melhor no processo decisório” (AL- BAGLI, 1996, p.397).

É possível classificar duas modalidades de difusão que se diferem em relação ao seu públi- co-alvo: a disseminação e a divulgação científica. Para Bueno, a intersecção entre eles, ou o que ele chama de “território comum”, é que ambos são “processos, estratégias, técnicas e mecanismos de veiculação de fatos e de informações que se situam no universo da ciência, da tecnologia e da ino- vação” (BUENO, 2009, p.158). O autor argumenta que os dois nem sempre estão distantes e po- dem, inclusive, complementar-se. A difusão científica acontece nos mais diversos meios, por exem- plo: periódicos científicos, bancos de dados sobre ciência, tecnologia e inovação (C,T&I), as pági- nas de C&T dos jornais e revistas, livros didáticos e acadêmicos, documentos de patentes, museus etc.

A disseminação científica cumpre o papel de informar aos pares aquilo que vem sendo pes- quisado em suas respectivas áreas e também em áreas conexas ou diversas. Muitas vezes, a finali- dade pode ser agregar apoio de outros pesquisadores ou ter seu trabalho certificado ou aprovado por outros especialistas. As características principais da disseminação são o público especializado, o

65 conteúdo específico e o código fechado, difícil de ser decodificado pelo público não especializado (BUENO, 2009, p.160).

A disseminação acontece em dois níveis, definidos de acordo com o público-alvo que se in- tenciona atingir: intrapares e extrapares. A primeira se dá entre profissionais da mesma área ou de áreas relacionadas, em periódicos e revistas científicas, congressos especializados etc. Já a segunda acontece entre “especialistas que não se situam exclusivamente, por formação ou atuação específi- ca, na área objeto da disseminação” (BUENO, 2009, p. 161).

A divulgação científica é a difusão pensada para um público universal. “A divulgação cientí- fica compreende a utilização de recursos, técnicas e processos e produtos (veículos ou canais) para a veiculação de informações científicas, tecnológicas ou associadas a inovações ao leigo” (BUENO, 2009, p.162). Sua linguagem seria, de acordo com o autor, recodificada para que o conteúdo seja facilmente assimilado por um público heterogêneo.

Na prática, a divulgação científica não está restrita aos meios de comunicação de massa. Evidentemente, a expressão inclui não só os jornais, revistas, rádio, TV ou mesmo o jorna- lismo on-line, mas também os livros didáticos, as palestras de cientistas ou pesquisadores abertas ao público leigo, o uso de histórias em quadrinhos ou de folhetos para veiculação de informações científicas (...), determinadas campanhas publicitárias ou de educação, espetá- culos de teatro com a temática de ciência e tecnologia (...) e mesmo a literatura de cordel (...) (BUENO, 2009, p.162).

A necessidade de divulgação dos produtos da ciência no Brasil se justifica na prestação de contas do que se tem realizado nos laboratórios de institutos e universidades públicas do país. Duar- te aponta que “as instituições públicas que atuam com ciência são atores sociais mantidos pela mesma sociedade que percebe, no dia-a-dia, problemas sérios em alimentação, saúde, educação, infra-estrutura, mas que apóiam investimentos em pesquisa porque acredita que obterá retorno” (2004, p.1).

O autor argumenta que, além da prestação de contas sobre o uso de recursos, a divulgação tem seu papel contribuindo com a evolução da sociedade e seu crescimento mais justo, pois “a di-

66 vulgação revela a produção do conhecimento, mas pode assumir o papel de inserir a ciência nas preocupações e interesses cotidianos” (2004, p.2).

Em 2006, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) realizou uma pesquisa nacional so- bre a percepção pública em C&T com uma amostragem de 2004 homens e mulheres, com idade igual ou superior a 16 anos. A uma pergunta sobre o interesse em C&T, 76% dos entrevistados res- ponderam que se interessavam pelo assunto. Já a uma pergunta em relação à busca de informações sobre o assunto, 46% responderam que se informavam pouco e 27% não se informavam. Entre estas pessoas, 32% disseram que não se informavam porque não entendiam, e % 30% responderam que não se informavam porque não tinham tempo (MCT, 2006).

Pode-se interpretar que, apesar da vontade de conhecer mais sobre C&T, as pessoas ainda não enxerguem o assunto como algo pertencente ao seu cotidiano, mas sim, como algo distante de sua realidade e de seu entendimento, e que exigiria tempo extra para que pudessem ser compreendi- das. E esta seria a principal função da divulgação na visão de Duarte, “criar mecanismos de aproxi- mação (da ciência) com a sociedade, estabelecer instrumentos e fluxos que permitam ao cidadão integrar-se às questões de ciência, suas políticas, implicações, prioridades; que levem à formação de uma cultura de interesse pela ciência na sociedade” (2004, p.5)

Segundo Duarte, os meios para se divulgar ciência são diversos como: concursos, museus, cartazes, mesas-redondas, prêmios, oficinas, debates, palestras em escolas, campanhas, eventos co- mo feiras de ciências, exposições itinerantes, portais na internet, histórias infantis, eventos, vídeos, folhetos, revistas, livros, sites, visitas dirigidas, brinquedos, lojas de ciências, quadrinhos etc (2004, p.5). O autor também estende o papel de divulgadores de ciência para diferentes profissionais, “os físicos, químicos, biólogos, agrônomos, engenheiros, dirigentes, técnicos (...), todos aqueles com- prometidos com os desafios que a sociedade impõe às instituições que atuam com ciência” (p.5).

Para Caldas (2009), o que não faltam são novos espaços para a divulgação dos avanços da C&T, contudo, a maneira na qual estes espaços são ocupados pode afastar o público ávido por in-

67 formações. A pesquisadora chama a atenção para a necessidade da divulgação científica feita de forma crítica e analítica.

É essencial que a opinião pública compreenda os processos e os mecanismos da produção de ciência e também os seus limites. (...) O crescente interesse do cidadão comum pela ci- ência e a ampliação do espaço nos meios de comunicação a assuntos dessa natureza não são, porém, acompanhados por uma reflexão crítica da produção científica e tecnológica do país (CALDAS, 2009, p.60).

Segundo a autora, os meios limitam-se a tratar dos resultados da ciência e as novas tecnolo- gias como produto acabado, desvinculado de seu contexto social. As questões, por exemplo, de po- lítica científica, que revelam os aspectos sociais no desenvolvimento científico-tecnológico, não costumam aparecer nos meios de comunicação. Caldas (2009, p.61) aponta a ausência dos seguintes questionamentos:

Como são estabelecidas as prioridades para os financiamentos das pesquisas? As alocações de recursos estão vinculadas aos interesses sociais? Quais áreas são determinantes para re- duzir o gap tecnológico que afasta o Brasil dos países desenvolvidos? Em tempos de globa- lização, de abertura de mercado e de competição desenfreada, qual o papel que a C,T&I o- cupam?

Albagli (1996, p.398) argumenta que a divulgação científica voltada para a cidadania, feita de maneira crítica como mencionado por Caldas, deve ser motivada pela necessidade de maior con- trole social dos impactos da C&T; da necessidade de fazer a ciência compreensível para não especi- alistas e, assim, evitar manipulações e para que as aplicações da C&T sejam decididas de maneira mais democrática. Sobre a questão da compreensão, Albagli diz: “Mais importante do que populari- zar o conteúdo científico em si, ou os métodos e processos científicos, é informar a sociedade sobre os mecanismos institucionais relacionados com o controle, o financiamento e a organização da ci- ência” (p.398).

Vitor, Caldas e Bueno (2009, p.08) resumem a importância da divulgação científica:

Como mobilizar a sociedade em geral para a formação de uma cultura científica em que o conhecimento prevaleça sobre a informação fragmentada, descontextualizada? Como fazer para que nos bancos escolares, professores e alunos utilizem a mídia de forma analítica e

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crítica para o desenvolvimento de ações sustentáveis? A Divulgação Científica tem, portan- to, um papel fundamental neste processo. Jornalistas e cientistas devem estar unidos nesta tarefa urgente de possibilitar ao cidadão comum participar do seu próprio destino,para transformar-se em sujeito de sua história.

Contudo, para Moreira (2006), o país ainda não criou políticas públicas voltadas para a di- vulgação de C&T. Segundo ele, “ao longo dos anos surgiram alguns programas ou iniciativas tópi- cas como editais para centros e museus de ciência ou o prêmio José Reis do CNPq, mas há a neces- sidade urgente de se estabelecerem políticas gerais e de se formular e executar um programa nacio- nalmente articulado nesta direção”.

Apesar dos objetivos da divulgação científica e do jornalismo científico não serem muito di- ferentes, já que ambos preocupam-se em transferir informações especializadas ao público não- especializado, há uma distinção entre as duas atividades. “O que distingue as duas modalidades são as características particulares do discurso utilizado ou do sistema particular de produção que as de- fine” (BUENO, 2009, p.163). Para Levy (2009, 76),

o primeiro termo (a divulgação) seria designado aos grupos de cientistas e pesquisadores acadêmicos que trabalham com a propagação de informações científicas, mas que não são formados em Comunicação Social. Já a expressão jornalismo científico seria designada aos profissionais da informação (repórteres e editores) que trabalham em veículos especializa- dos.

Define-se, então, que a produção de informações científicas veiculadas por meio de canais midiáticos, produzidas por profissionais da comunicação social, seria chamada de jornalismo cientí- fico.

Como outros tipos de jornalismo especializado, o científico obedece aos critérios de atuali- dade, periodicidade, universalidade e difusão coletiva (BUENO, 2009, p.164). A cobertura de fatos científicos também está sujeita às rotinas da profissão do jornalismo e as conseqüências que as a- companham, seja na seleção do que cobrir, ou na apuração dos fatos ou, por último, na escolha do que será transformado em notícia.

A diferença, para alguns autores, é que este tipo de jornalismo especializado tem uma função em destaque: a missão social. Bueno relaciona esta função à “preocupação em situar a informação

69 científica e tecnológica em um contexto mais amplo. Ela prevê o debate dos temas de Ciência e Tecnologia à luz das aspirações e demandas da sociedade e faz coincidir os interesses com os obje- tivos da produção e da divulgação científica” (2009, p.173). O autor destaca ainda outras cinco fun- ções: 1) informativa; 2) educativa; 3) cultural; 4) econômica e 5) político-ideológica (p.170).

Bueno (2009, p.169) define os objetivos do jornalismo científico:

1) criação de uma consciência nacional e continental de apoio e estímulo à divulgação cien- tífica e tecnológica; 2) divulgação de novos conhecimentos e técnicas, possibilitando seu desfrute pela população; 3) preocupação com o sistema educacional que fornece recursos humanos qualificados para desempenhar a tarefa de investigação; 4) estabelecimento de uma infra-estrutura de comunicação e consideração das novas tecnologias e conhecimentos como bens culturais, medidas que objetivam democratizar o acesso à posse da ciência e da tecnologia e 5) incremento da comunicação entre investigadores.

Para atingir estas metas, existem obstáculos a serem superados. Para Sousa e Silveira (2001), a falta de interesse da grande mídia em cobrir ciência ou reservar um espaço considerável em suas páginas, o baixo custo das notícias de ciência vendidas por agências internacionais, a má formação do profissional para cobrir ciência e a falta de entendimento entre os jornalistas e os cien- tistas são as principais dificuldades do jornalismo cientifico no país.

Victor (2009, p.26) aponta que “como todo jornalismo especializado, o científico deve re- correr à interpretação, à contextualização e ao resgate histórico dos fatos. (...) O discurso do cientis- ta, como pensam ainda muitos jornalistas, não é sinônimo de isenção, de senso crítico e indepen- dência”. Para isto, o jornalista deveria “interpretar os fatos, o contexto social, político, cultural e ideológico no qual se encontra o objeto da notícia. Para isso, é necessário elevar a sua formação e capacitação para cobrir a área de ciência” (VICTOR, 2009, p.29). Segundo esta autora, quanto mais frágil a formação de um jornalista, mais dependente ele será da fonte (cientista) e menos crítico ele será sobre seu discurso. “O jornalista foi criado e preparado numa sociedade que o ensinou a ver a ciência e o cientista como autoridades intocáveis, de verdades irrefutáveis” (p.28).

Outro problema é a relação distante e, algumas vezes, tempestuosa entre os jornalistas e ci- entistas:

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Há ainda outra discussão sobre a relação mídia ciência: a que trata da tensão entre jornalis- tas e pesquisadores, uma tensão que se situa, também, no nível da formação (ou da falta de formação). A comunidade científica teme a divulgação de sua produção, sob a alegação de que os jornalistas não sabem escrever sobre ciência, e criam dificuldades para estabelecer o diálogo com a mídia. Por sua vez, os jornalistas, agindo na defensiva, também não se apro- ximam da comunidade científica (Sousa e Silveira, 2001, p.39).

Caldas argumenta que “a ótica do jornalista na divulgação científica quase nunca coincide com a do cientista” (2009, p.63). Segundo ela, este problema tem raiz nas diferenças do cotidiano das duas profissões; o tempo que cada um destes profissionais leva para atingir seus propósitos; as diferenças de linguagem; o detalhamento de um e a simplificação de outro; a diferença de público- alvo, entre outros. No caso do jornalismo, a publicidade e linha editorial do veículo também podem causar discordância entre o que é possível fazer e o que o cientista espera que o jornalista faça. A autora explica:

A diferença fica por conta do método e do tempo disponível para a investigação. (...) Se, por um lado, o jornalista é movido pela atualidade dos fatos que imagina serem de interesse da opinião pública, o cientista, portanto, persegue a explicação para esses mesmos fatos por meio de hipóteses que formula, apoiado numa prática metodológica de pesquisa mais rigo- rosa, que lhe permita encontrar respostas e explicações para os fenômenos estudados (CALDAS, 2009, p.63)

Ultrapassar ou equilibrar estes limites da divulgação e do jornalismo científico depende não só da formação do comunicador, como também da maneira como o jornalista encara a importância da difusão e quais os objetivos que pretende alcançar junto ao público. “O conceito de Jornalismo Científico deve incluir essa postura crítica e não aderir ao empenho de alguns cientistas, pesquisa- dores ou profissionais, dentre estes os jornalistas, que insistem em proclamar a Ciência, Tecnologia e a Inovação como instrumento de salvação da humanidade e a serviço do aumento da qualidade de vida” (BUENO, 2009, p.168).

Levy (2009, p.76) resume os desafios do jornalismo científico praticado no Brasil: desmisti- ficar a ciência, democratizar o conhecimento e inserir a sociedade no debate sobre políticas públicas

71 de C,T&I. “Sem esses pressupostos, o jornalismo sobre ciência não passará de produto oco, não obstante enfeitado com embalagens sedutoras”.

Outro obstáculo a ser vencido pela comunicação da ciência é a tendência de os meios de comunicação produzirem estereótipos que podem reduzir o significado das políticas de C&T, resul- tando no que tem sido chamado de fetichização da ciência.

Subtraindo o lugar dos atributos propriamente políticos das questões de pesquisa e desen- volvimento, “estão matérias que preferem destacar traços pitorescos das descobertas, apresentando enfoques personalistas e sensacionais que, mais uma vez, oferecem ao público leigo o espetáculo necessário ao entretenimento evasivo”, indica Rothberg (2005, p. 75). “A ciência fetichizada no noticiário aparece como uma contribuição da humanidade para o progresso e o bem-estar geral da nação. Não estão em questão os atributos propriamente políticos da pesquisa como atividade supor- tada por fundos públicos (ou privados, mas sob a coordenação das instituições do Estado)”, segundo Rothberg (2005, p. 76).

Esta distorção pode acontecer devido às escolhas do cotidiano da profissão que os jornalistas fazem durante a produção de notícias. São decisões que fazem parte da rotina das redações e da lógica produtiva dos meios de comunicação de massa e têm a função de ajudar os jornalistas a lidar com o grande número de informações que recebem e fatos que acontecem diariamente.

Assim posto, quem seria, então, o responsável pela decisão sobre o que vira notícia e o que é não? Quais são os critérios utilizados? Um dos temas da pesquisa em comunicação é o que investiga o viés dos emissores na produção jornalística. Segundo Wolf (1999, p.178), o emissor “ocupa uma posição fundamental num tecido social, com a possibilidade de recusar e de selecionar a informação em consonância com a gama de depressões que se exercem num determinado sistema social”.

O autor identifica “zonas de filtro” (p.180) que são controladas pelos chamados gatekeepers, profissionais que decidem se a informação vai passar ou se vai ser bloqueada. Os critérios levados em conta podem ser profissionais, organizacionais, ou ainda, pessoais. A prática do gatekeeping dá

72 conta de todo tipo de controle da informação: como a mensagem será escrita, a realidade que será construída, a seleção e a exclusão de parte ou de toda a mensagem.

A escolha é feita avaliando-se o material que se tem em mãos em busca da noticiabilidade em cada fato. Segundo os critérios de cada veículo, de cada gatekeeper, um fato terá mais “va- lor/notícia” que outro. Quais acontecimentos são mais interessantes ou relevantes para virar notícia? Como decidir? “Estas perguntas definem o âmbito e expõem os problemas de que se ocupa a abor- dagem do newsmaking”. (WOLF, 1999, p.188).

Sant’Anna (2008, p.13) particulariza o newsmaking para o estudo da divulgação científica:

que particularidade ou aspecto da ciência pode ser apresentado como notícia, e de que for- ma será publicada? Neste ponto, podemos trabalhar com um conceito básico do jornalismo, que é o de newsmaking, ou seja, tudo aquilo que envolve o processo de produção de notí- cias, e, principalmente, a noticiabilidade, as características que fazem de um fato uma notí- cia.

Wolf defende que os “valores/notícia” se definem por pressupostos relacionados “às caracte- rísticas substantivas da notícia; à disponibilidade do material e aos critérios relativos ao produto informativo; ao público e à concorrência” (1999, p.200).

O primeiro critério, das características substantivas da notícia, guia-se pela importância e o interesse que a notícia pode gerar. O autor cita que a importância seria determinada por quatro vari- áveis: “grau e nível hierárquico dos indivíduos envolvidos no acontecimento noticiável; impacto sobre a nação e o interesse nacional; quantidade de pessoas que o acontecimento envolve e relevân- cia e significatividade do acontecimento quanto à evolução futura de uma determinada situação (WOLF,1999, p. 201).

Já os critérios relativos ao produto buscam avaliar se o acontecimento é acessível aos jorna- listas e se há material suficiente para a apuração. Seria dada preferência a eventos breves, atuais, à qualidade da história e seu equilíbrio no conjunto do noticiário (p. 206).

O critério relativo ao público trata do “papel que a imagem que os jornalistas têm do público desempenha” (p. 212). O autor discute que, mesmo os jornalistas conhecendo pouco seu público, “a

73 referência às necessidades e às exigências dos destinatários é constante e, nas próprias rotinas pro- dutivas, estão encarnados pressupostos implícitos acerca do público” (p. 213). Neste caso, o profis- sional faria uma projeção do que pensa agradar ou desagradar o público.