A.5 Communication and network
B.1.3 Formats
Nosso primeiro instrumento de coleta de dados foi a observação de algumas aulas de Inglês da turma investigada. As aulas tinham a duração de 50 minutos cada, sendo realizadas duas vezes por semana, na quarta-feira e na sexta- feira, no turno vespertino. Observamos apenas as aulas de quarta-feira, no período de 04 semanas, nos dias 03, 10, 17 e 24 de agosto de 2005.
Quando chegamos na escola para assistir à primeira aula, no dia 03 de agosto, o professor regente da turma a ser pesquisada já havia comentado com seus alunos sobre o interesse de uma pesquisadora, aluna de Mestrado em Lingüística da Universidade Federal de Uberlândia, em realizar uma investigação no laboratório de informática da própria escola, com os alunos da 7ª A, no que diz respeito à aprendizagem de Inglês usando material da Internet. Dessa forma, quando entramos na sala de aula da turma escolhida pelo professor, os alunos já
sabiam do que se tratava a nossa presença e estavam ansiosos com a expectativa de poderem usar os computadores da escola.
No entanto, explicamos que para irmos ao laboratório precisaríamos conhecê-los melhor e, assim, observaríamos algumas de suas aulas de Inglês. O interesse pela observação das aulas partiu do nosso anseio em visualizar o modo em que o conteúdo era ministrado.
Conforme Figueiredo (2003), o professor de Inglês, ao contrário de que se advoga, tem suma importância no processo de ensino e aprendizagem de uma LE. Com a globalização, o mundo se “uniu” no sentido de que as barreiras de tempo e distância foram derrubadas. A Internet e a televisão, assim como outros meios de comunicação, mostram a todo o momento os fatos sócio-político-econômicos que ocorrem em todo o globo. Não tem como ignorar esses acontecimentos. Eles estão nas ruas, buscando a atenção do povo. O professor de línguas poderia trazer para seus alunos discussões reais que estimulassem a consciência crítica desses. Como professores de Inglês críticos, em consonância com a autora citada, não podemos sustentar uma posição ‘neutra’, ‘a-política’, ‘divorciada da vida real’. O ensino de Inglês deveria possibilitar ao aluno criar significados por intermédio do uso da língua alvo nas várias habilidades comunicativas.
Voltando ao nosso contexto de investigação, pudemos observar, na primeira aula, que os alunos eram agitados e conversavam bastante. Na tentativa de atrair seus alunos, o professor distribuiu um caça-palavras com o vocabulário de dias e meses do ano. Antes que os alunos perguntassem algo, o professor sugeriu que eles trabalhassem em duplas e encorajou a troca de idéias entre os colegas.
O professor relatou que os alunos já tinham o costume de trabalhar em equipe, de forma autônoma, partindo eles mesmos em busca de respostas. Esse
comentário fortaleceu nossa decisão de colocar os alunos em pares para trabalhar no laboratório de informática, na segunda etapa de nossa pesquisa.
No entanto, ao longo das aulas observadas, notamos que as respostas que os alunos buscavam referiam-se apenas aos exercícios estruturais passados no quadro por alunos voluntários. Em conversa particular, o professor da turma afirmou que seu ensino não se limitava à gramática. Porém, o que conseguimos registrar durante o tempo em que estivemos observando as aulas, é que o conteúdo ministrado enfocava tempos verbais, exercícios de fixação de vocabulário e tradução de textos.
Conforme já discutimos, o ensino da LE precisa desempenhar uma função social de modo a conduzir o aluno a ver “sentido” em aprender a língua ensinada e ter, dessa forma, oportunidades para utilizá-la em suas funções de comunicação.
Em conformidade com os PCN-LE (BRASIL, 1998a), o ensino de Inglês deveria auxiliar os alunos no desenvolvimento de pelo menos uma habilidade comunicativa. Em nossa pesquisa, optamos em trabalhar com a escrita em Inglês, uma vez que propusemos atividades interacionais de intercâmbio com keypals estrangeiros via e-mail. No entanto, seguindo a proposta dos Parâmetros e a Proposta Curricular de Inglês da Educação Básica de Minas Gerais (MINAS GERAIS, 2005), propusemos atividades a serem desenvolvidas colaborativamente, em que os participantes pudessem aplicar o conhecimento sistêmico da língua a fim de expressar suas intenções comunicativas.
O que observamos nas aulas de Inglês foi a aplicação de textos para tradução ou interpretação descontextualizada, sem significado real para o aluno. Várias foram as oportunidades que tivemos de ouvir os alunos reclamarem que as aulas eram monótonas e que gostariam de sair da sala para uma “aula diferente”.
Nosso propósito não era avaliar as aulas observadas. Porém, notamos que a estrutura educacional no presente contexto de investigação corroborava para um ensino da língua inglesa divorciado da vida real, enquanto que nós, professores de Inglês, pretendemos que o ensino da LE deixe de ser uma atividade neutra e proporcione mudanças no modo em que os alunos percebem a aprendizagem da língua alvo, a fim de poderem atuar no mundo. Reconhecemos que o conhecimento sistêmico não é irrelevante, mas não deveria ser o único objetivo do ensino. As regras gramaticais deveriam estar integradas ao ensino da língua, e não serem consideradas o foco da aprendizagem.
Intencionamos, nesta pesquisa, verificar a possibilidade de integrar a tecnologia presente no laboratório de informática do PROINFO nas aulas de Inglês na escola investigada, pois acreditamos na potencialidade dessa ferramenta no que tange à criação de discurso autêntico na aprendizagem de LE, como forma de conduzir os participantes a perceber a relevância do Inglês em contextos diferentes da sala de aula. Assim, estaríamos nos apropriando da tecnologia como possibilidade de capacitar os aprendizes para desenvolver a habilidade comunicativa da escrita visando o intercâmbio via e-mail com keypals estrangeiros.
A seguir, analisaremos as respostas do professor e dos alunos participantes ao questionário inicial.