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O envelhecimento é um processo contínuo e inevitável que se repercute na vida do idoso em diferentes domínios – físico, social, cognitivo, psicológico, entre outros. A velhice afigura-se como sendo uma das últimas etapas do ciclo de vida do ser humano, estabelecendo-se como uma etapa bastante significativa (Lima, 2004), perante a qual persiste um grande e único objetivo preventivo: preparar o melhor envelhecimento possível, ou seja, assegurar o chamado envelhecimento bem-sucedido e envelhecimento

ativo por meio de princípios implícitos no modelo de Otimização Seletiva com Compensação (Baltes & Baltes, 1990; 1993; Baltes, 1997).

Nestes pressupostos circundantes ao envelhecimento como última etapa da vida, estão vigentes constructos teóricos da Psicologia do Ciclo de Vida que advogam que o desenvolvimento não termina na adolescência, mas que se estende desde o início de vida até à morte.

Os constructos de envelhecimento bem-sucedido e envelhecimento ativo pretendem, através da implementação de práticas saudáveis, bem como por meio de programas de promoção e ativação cognitiva e/ou física de idosos institucionalizados ou idosos não institucionalizados travar todo o processo de envelhecimento não saudável. Assinale-se que, muitas vezes, o mesmo implica a presença de distúrbios e perdas cognitivas, bem como perdas de capacidades e aptidões físicas que provocam desequilíbrios no constructo de qualidade de vida. Por conseguinte, por meio da adoção de práticas saudáveis (quer sejam treinos adequados de exercício físico ou adoção de hábitos alimentares equilibrados) pretende-se contribuir para a diminuição considerável dos efeitos de um envelhecimento patológico que maioritariamente se consubstancia em perdas físicas e psicológicas. Assim sendo, pressupõe-se que a adoção de novas práticas saudáveis e situações resulte da otimização adequada das três dimensões que influenciam intrínseca e extrinsecamente o desenvolvimento do indivíduo, mais concretamente, o funcionamento biológico, psicológico e social.

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Atualmente considera-se que a satisfação com a vida é uma expressão subjetiva da qualidade de vida, afigurando-se como um dos indicadores primordiais para manter um envelhecimento bem-sucedido (Moody, 2006; Schulz, 2006). De certa forma, torna-se evidente a relevância deste constructo na chamada Terceira Idade, até porque estão inerentes e implícitos nos constructos de satisfação com a vida e qualidade de vida, os pressupostos de prevenção de certos problemas vigentes no decorrer do envelhecimento humano. No entanto, apesar de coexistirem inúmeros estudos na área, os seus resultados ainda são inconsistentes quanto ao papel e importância relativa dos preditores na explicação da variância dos níveis de satisfação com a vida nos idosos (Meléndez, Tomás, Oliver & Navarro, 2008).

Assim, neste estudo, pretende-se conhecer em traços generalistas, quais as principais características que mais distinguem os idosos dos outros? E a institucionalização, será que tem algum efeito específico quanto a estas mesmas características? Poder-se-á enumerar determinadas características que não sendo exclusivas desta faixa etária (idosos), mais facilmente os distinguem dos restantes indivíduos de outros grupos etários? Provavelmente, uma das diferenças mais percetíveis seja a presença de um número avultado de perdas desenvolvimentistas em relação aos ganhos, nas três dimensões – social, biológica e psicológica (Baltes, 1987). Torna-se pertinente enunciar que estas perdas se encontram bem mais marcadas nos idosos institucionalizados, tendo por base que as principais razões de institucionalização englobam o isolamento (diminuição de redes de suporte social), a perda de funcionalidade (declínio da funcionalidade) e a demência (declínio da função cognitiva) (Martins, 2006; Pimentel, 2005).

Os idosos em regime de institucionalização representam um enorme tecido social na nossa cidadania, sendo que, desta forma parece primordial o desenvolvimento de uma investigação que esclareça os níveis e os preditores da chamada satisfação com a vida nestas populações, principalmente se considerarmos o aumento da densidade populacional nesta faixa etária, subsequente ao chamado envelhecimento demográfico.

Para terminar, importa questionarmo-nos sobre a existência ou não de uma relação entre fatores biopsicossociais e a satisfação com a vida nos idosos institucionalizados. Será que efetivamente estes fatores influenciam o bem-estar subjetivo? Será que os idosos institucionalizados estão satisfeitos com a sua qualidade de vida?

Página | 70 4.2. Objetivos da Investigação

Em consonância com a exposição da problemática e do tipo de estudo em causa, o objetivo geral desta investigação repercute-se em:

– Averiguar a existência de associação entre os fatores biopsicossociais na

satisfação com a vida e na qualidade de vida de idosos institucionalizados – mais

especificamente, pretende-se estudar o tipo de associação existente entre os fatores biológicos (como a funcionalidade), fatores psicológicos (como a cognição) e fatores sociais (como a rede de apoio familiar e afetiva) na satisfação e na qualidade de vida do idoso institucionalizado na Aldeia de São José de Alcalar.

Como objetivos específicos pretende-se ainda:

– Caracterizar os idosos institucionalizados em termos sociodemográficos, através da descrição das variáveis sociodemográficas e categorização dos indivíduos da amostra;

– Caracterizar os idosos institucionalizados ao nível das suas capacidades funcionais;

– Caracterizar e avaliar as funções cognitivas dos idosos institucionalizados; – Caracterizar os idosos institucionalizados a nível das suas redes sociais;

– Analisar os idosos institucionalizados no que se refere à sua satisfação com a

vida e ao otimismo;

– Caraterizar e avaliar o nível qualidade de vida de um modo geral, e o bem-estar

subjetivo e/ou psicológico dos idosos institucionalizados;

– Caracterizar a resposta que os serviços de apoio da Aldeia de São José de Alcalar têm ao dispor para fazer face às necessidades dos idosos, por forma a introduzir eventuais alterações que possibilitem a promoção e ativação cognitiva do idoso institucionalizado e, consequentemente, uma melhoria do nível de satisfação com a vida e do nível de qualidade de vida;

– Analisar as relações entre os fatores biopsicossociais, e a qualidade de vida dos idosos institucionalizados;

– Analisar as relações entre os fatores biopsicossociais, e os níveis de satisfação

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Como propósito último do presente estudo pretende-se ainda contribuir para o desenvolvimento de estratégias de evitamento dos principais sinais concernentes à deterioração cognitiva associado a certas patologias como o Alzheimer e a Parkinson, ou até mesmo, à chamada depressão geriátrica. Assim, pretende-se delinear uma proposta de um Programa de promoção e ativação cognitiva do idoso institucionalizado que possa ser implementado junto de um grupo de idosos institucionalizados.