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FORING AV SLAKTEGRISER A. F6ring og slaktekvalitet

In document Foring og stell av svin (sider 150-180)

Na contramão dos princípios capitalistas temos presenciado as discussões e as práticas que desafiam a construção de uma economia em bases solidárias e populares. A perspectiva de tal economia parte do princípio de que os excluídos, descamisados, desempregados, frações das classes populares precisam se juntar e em relação de cooperação buscar resolver seus problemas, inclusive econômico-políticos.

Essa outra economia se configura numa perspectiva que – diferentemente da economia capitalista que se pauta basicamente na competição para buscar tirar o máximo de esforço dos empregados – fomenta as relações de cooperação e de ajuda mútua para o desenvolvimento do trabalho e da vida.

As relações trabalho nessa economia em construção se baseiam na cooperação entre os parceiros. Esse tipo de economia só consegue se sustentar pela relação de cuidado com o outro, com o grupo, com a sociedade, com o ambiente, pois a sustentação dessa proposta está na relação de cooperação construída com os outros. Enfatizamos o termo construído no sentido de que é algo que carrega consigo uma intencionalidade em permanente movimento de produção, tendo como base determinados princípios que os diferenciam das relações capitalistas.

Reiteramos que quando falamos de outra economia estamos nos referindo a uma economia que se diferencia em seus princípios, objetivos e forma de organização, afirmando-se na perspectiva do humano e em um projeto de sociedade que afirma a potência da vida. Esta economia traz em seus princípios uma lógica de conceber o econômico em função da vida. Exercita um processo de organização do trabalho que busca compartilhar o econômico-político, considerando sua unidade e em relações de parceria entre grupos e movimentos que se comprometem a seguir princípios específicos, tendo como base a solidariedade.

Assim sendo, esta outra economia se baseia em relações de cooperação entre os participantes do processo, a ideia é que todos possam contribuir para que haja desenvolvimento para todos e todas, considerando as questões individuais e coletivas. Todos os participantes do processo de produção contribuirão permanentemente com os outros.

Sendo assim, como todas as alternativas críticas ao capitalismo e voltadas para outro tipo de sociedade, não se isenta de suas contradições, especialmente por se desenvolver dentro de uma sociedade que contradiz seus princípios. Um desafio que se coloca é como alimentar sentimentos e relações solidárias numa sociedade que cultiva o individualismo e a competição.

Como vemos, essa outra economia se baseia na solidariedade, na cooperação, no respeito à natureza, ao ambiente, tendo a vida como valor central. Trata-se de uma economia política que deve satisfazer as necessidades e desejos dos humanos e não os humanos estarem em função da economia, como prevalece no atual modelo de sociedade. Segundo Singer (2002, p. 10):

A economia solidária é outro modo de produção, cujos princípios básicos são a propriedade coletiva ou associada do capital e o direito a liberdade individual. A aplicação desses princípios une todos que produzem numa única classe de trabalhadores que são possuidores de capital por igual em cada cooperativa ou sociedade econômica. (SINGER, 2002, p.10)

Como o capitalismo se baseia no individualismo, na competição, na acumulação, na exploração, tudo em função do lucro, que produz relações de exclusão para aqueles que não se enquadram nos padrões desejados pelo sistema, quais as consequências desses princípios na vida, na produção de subjetividade? Esses princípios parecem naturais, no entanto, são criações humanas, produzidos por uma cultura que vai sendo alimentada pela sociedade dominante segundo os interesses de acumulação de capital.

O exercício da crítica e da autocrítica é imprescindível na construção de alternativas pensadas na intenção de gerar outros jeitos de se relacionar, inclusive economicamente. As organizações de trabalhadores e trabalhadoras que ocorrem através de associações, cooperativas, sindicatos, ONGs, empreendimentos solidários no seu exercício de produção alternativa se desenham como possibilidades de vida para as classes populares.

Para onde vão essas alternativas? São experiências pontuais que ocorrem em diversos espaços para sanar problemas principalmente de ordem econômicas ou são experiências que apontam como pistas de outra lógica de viver em sociedade?

Mesmo reconhecendo o avanço que essas lutas apontam, não se pode negar a presença de contradições presentes no seu interior, porém, isso não dilui seu valor. Assim, mesmo diante de erros que venham ocorrer dentro das organizações é primordial o exercício praxiológico experimentado por todos aqueles que pensam em construir uma sociedade baseada em princípios humanizantes, construídos num processo de relações de criticidade, dialogicidade que ocorrem em organizações dessa natureza.

Entende-se que a economia solidária defende em seus princípios relações solidárias de cooperação entre os participantes. A economia solidária objetiva satisfazer as necessidades das pessoas que exercem seu trabalho para viver. A organização de empresas solidárias e capitalistas se diferencia, entre outras coisas, porque a empresa capitalista segue os princípios da heterogestão, enquanto que a empresa solidária segue a autogestão.

Existem as especificidades de cada empresa, inclusive algumas têm características que estão em ambas, porém, o princípio é o que mantém suas características básicas. Para

Melo Neto (2006, p.33) a autogestão é um estilo de produção que exige a participação e, sobretudo, o controle por parte dos trabalhadores em todo o processo produtivo.

A heterogestão parece ser eficiente em tornar as empresas capitalistas competitivas e lucrativas, que é o que seus donos almejam. A autogestão promete ser eficiente em tornar as empresas solidárias, além de economicamente produtivas, centros de interação democráticos e igualitários (em termos), que é o que os sócios precisam. (SINGER, 2002, p.23)

Enquanto que na grande empresa capitalista as decisões são tomadas por seus acionistas, nas empresas solidárias as decisões ocorrem em assembleias ou em coordenações setoriais, com a participação de todos os trabalhadores/as.

A empresa capitalista trabalha com lucro, enquanto que o empreendimento solidário trabalha com sobras. O objetivo da empresa capitalista é gerar lucro que é posteriormente dividido entre o grupo de acionistas e para investimentos em função da própria empresa. Na economia solidária, partes das sobras são destinadas para os sócios e outra para o fundo indivisível10

coletivo. Segundo Singer (2002, p.15), o fundo indivisível sinaliza que a empresa solidária não está a serviço de seus sócios atuais, mas de toda sociedade do presente e do futuro.

O investimento capitalista concentra as riquezas que são divididas para um grupo que possui investimento de recursos financeiros na empresa. No empreendimento solidário o critério de distribuição das sobras não se dá pelo investimento de capital, mas pelo trabalho exercido pelos participantes. As responsabilidades e os lucros são compartilhados por todos/as.

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