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2. Europeiske nettverksrelasjoner

2.3 Forholdet til paven

O debate sobre a categoria consciência tem avançado. As diversas contribuições enriquecem esse tema e ajudam no desafio de compreender o de que trata essa categoria tão complexa.

No entanto, para delimitar a concepção de consciência que foi adotada neste trabalho, é necessário, a princípio, discutir algumas abordagens teóricas que estudam essa categoria. É oportuno ressaltar que essa discussão não se propõe a ser uma análise profunda e minuciosa da categoria consciência em cada arcabouço teórico apresentado nesta seção. O que se pretende é estabelecer a visão geral do conceito em cada teoria, ou seja, delinear seus limites e alcances. Todavia,

assumindo essa posição, está-se ciente de que se pode ser superficial em alguns momentos.

É importante ressaltar que a escolha das teorias foi realizada com base em critérios considerados relevantes para o estudo da categoria consciência. A Psicologia da Gestalt foi escolhida por ser uma teoria consolidada, com um arcabouço conceitual bastante desenvolvido e, principalmente, porque possui a consciência como um dos seus principais fundamentos teóricos. A outra abordagem escolhida foi a Psicanálise, pois – apesar de privilegiar a categoria inconsciente nos seus estudos – possui uma definição explícita do conceito de consciência, inclusive em relação ao inconsciente. Por fim, escolheu-se a Psicologia Sociohistórica porque os teóricos que embasam essa abordagem, tais como Vygotski e Leontiev, tratam, nos seus estudos, dos aspectos essenciais da consciência e do seu desenvolvimento, bem como enfatizam a relação entre a atividade e a consciência.

Inicialmente, tratar-se-á da Psicanálise. Embora Sigmund Freud, o criador da psicanálise, nunca tenha publicado um trabalho específico sobre a consciência, em vários pontos da sua obra faz referências ao tema.

Seria um engano pensar que, por ser uma teoria e clínica do inconsciente, a psicanálise não se ocupa com a consciência. Basta pensar em toda a importância que a psicanálise dá ao discurso do paciente. Todas as representações e processos inconscientes de que trata a psicanálise só podem ser inferidos daquilo de que o paciente tem consciência. (GOMES, 2003, p. 3).

Ele ainda destaca que, no modelo teórico da psicanálise, a consciência está em conexão com o sistema responsável pelos processos psíquicos em geral: percepção, memória, desejos e fantasias. Segundo Gomes (2003), podem-se encontrar, no capítulo sétimo da Interpretação dos sonhos, algumas indicações sobre a concepção de consciência para Freud. Nesse capítulo, Freud afirma que:

... a consciência, que tem para nós o sentido de um órgão sensorial para a apreensão de qualidades psíquicas, é excitável, no estado de vigília, a partir de dois lugares. A partir da periferia do aparelho global, do sistema de percepção, em primeira linha; e em seguida, a partir das excitações prazer e desprazer... Mas ... a consciência...tornou-se um órgão sensorial para uma parte de nossos processos do pensamento. Há... duas superfícies sensoriais, uma do perceber, a outra voltada para os processos de pensamento pré-conscientes. (FREUD 1900/1982 apud GOMES, 2003, p. 6).

Gomes (2003) ressalta que a consciência é para Freud um sistema específico do aparelho psíquico, responsável pela percepção do mundo exterior, de

sentimentos e de processos do pré-conscientes. Para Gomes (2003), a análise do discurso do paciente indica que o conteúdo da consciência é sempre marcado pela influência do inconsciente. Na prática psicanalítica, pode-se verificar que o analista explora aquilo que o paciente pode ter consciência, para chegar ao seu inconsciente.

A Gestalt-terapia é uma das teorias que discute o conceito de consciência no seu arcabouço teórico. Essa teoria criada por Frederick Perls em 1940 sofreu influência da Psicologia da Gestalt. Segundo Perls (1981, p. 19) “[...] a premissa básica da Psicologia da Gestalt é que a natureza humana é organizada em partes ou todos, que é vivenciada pelo indivíduo nestes termos, e que só pode ser entendida como uma função das partes ou todos dos quais é feita”.

A Gestalt-terapia fundamenta-se no existencialismo e na fenomenologia para desenvolver uma teoria que fornece coerência e suporte ao seu modelo terapêutico. É a partir da fenomenologia, que nasceu com as análises de Franz Brentano sobre a intencionalidade da consciência, que a Gestalt-Terapia discute e analisa a categoria consciência.

A maior contribuição de Brentano para a psicologia foi a noção de intencionalidade. Mas essa noção está pesadamente conectada a outras, e traz em si mesma uma tentativa de descrever a totalidade da psique humana como uma tensão direcionada à realidade. (MACIEL, 2001, p. 30). Segundo o autor, para Brentano a característica fundamental e intrínseca dos atos psíquicos é a intencionalidade. Sendo assim, para a Gestalt-Terapia não existe uma consciência em si, com uma estrutura psíquica específica. Há uma consciência enquanto consciência de algo. A consciência somente se define a partir desse movimento, dessa intencionalidade, dessa relação entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido.

Se o objeto é sempre um objeto-para-uma-consciência, ele não será jamais objeto em si, mas objeto-percebido, ou objeto-pensado, rememorado, imaginado etc. A análise intencional vai nos obrigar assim a conceber a relação entre a consciência e o objeto sob uma forma que poderá parecer estranha ao senso comum. Consciência e objeto não são, com efeito, duas entidades separadas na natureza que se trata, em seguida, de pôr em relação, mas consciência e objeto se definem respectivamente a partir dessa correlação que lhes é, de alguma maneira, co-original. (DARTIGUES 1973 apud RIBEIRO, 1985, p. 43).

A Psicologia Sócio-Histórica possui como categorias fundamentais a consciência e a atividade. Ela se baseia principalmente nas aportações teóricas de

Vygotski e Leontiev e toma como método o materialismo histórico e dialético. Essa abordagem teórica considera que as categorias consciência e atividade permitem analisar a constituição do homem e a sua relação com o mundo. Para essa teoria, o homem está em relação com o mundo, interfere nesse mundo a partir da sua atividade prática e, ao mesmo tempo, constitui-se a partir dessa relação com o mundo exterior.

Segundo Aguiar (2002), para a Psicologia Sociohistórica é pela atividade externa que se criam as possibilidades de construção de um mundo interno. É importante frisar que a atividade de cada indivíduo é determinada pela forma como a sociedade se organiza para o trabalho, entendido este como trabalho concreto, como ato de transformar a natureza para produzir a existência humana.

A Psicologia Sociohistórica compreende a consciência “[...] como um sistema integrado, numa processualidade permanente, determinada pelas condições sociais e históricas, que num processo de conversão se transformam em produções simbólicas, em construções singulares”. (AGUIAR, 2002, p. 98). Nesse sentido, é fundamental frisar o aspecto social e histórico da consciência e sua origem a partir da relação do homem com sua realidade.

Diante da exposição efetuada, considera-se que o arcabouço teórico da psicanálise não está apropriado à análise do fenômeno ao qual este trabalho se propõe investigar, uma vez que – apesar de existirem algumas referências sobre o conceito de consciência na psicanálise – é o inconsciente que ocupa o lugar central na teoria. Além disso, a concepção de consciência na teoria psicanalítica não privilegia a relação da consciência com a atividade prática do sujeito e as condições sociais e históricas na qual o indivíduo está inserido, elemento fundamental para a discussão da categoria trabalho.

A Gestalt-terapia, de fato, privilegia a categoria consciência no seu modelo teórico, bem como, considera a relação entre consciência e mundo, sendo o mundo a realidade percebida pelo sujeito. No entanto, a Gestalt-terapia não enfatiza a relação da consciência com a atividade prática dos indivíduos, nem tampouco a constituição da consciência a partir da relação dialética entre o sujeito e a realidade específica na qual ele está inserido.

Portanto, considerando o conceito de consciência adotado pela Psicologia Sociohistórica e a ênfase que ela atribui à relação entre a consciência e a atividade prática do sujeito, entendida enquanto trabalho na sua dimensão concreta, acredita-

se que seja possível construir um arcabouço teórico que permita refletir sobre o objeto de estudo deste trabalho. Dessa forma, na seção seguinte, aprofundar-se-á na análise da categoria consciência, suas origens, desenvolvimento e desdobramentos à luz da Psicologia Sociohistórica.