3 STYRETS HANDLEPLIKT ETTER ASL. § -5
3.4 Forholdet til generalforsamlingen
Elizabeth Nicolau Saad Corrêa é professora titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Atua como docente e pesquisadora nas áreas de comunicação digital e jornalismo digital. É coordenadora do grupo de pesquisa COM+, coordena o curso de especialização lato sensu DIGICORP - Gestão Estratégica da Comunicação Digital em Ambientes Corporativos - junto à ECA-USP. É autora dos livros Curadoria Digital, Campo da Comunicação (e-book) e Estratégias 2.0 para a Mídia Digital.
A entrevista a seguir foi feita no dia 30 de outubro de 2014 na sede da ECA- USP, em São Paulo, e teve a duração de 17 minutos.
Pesquisador: Alguns dos jornalistas entrevistados para esta pesquisa lamentaram a redução de espaço para divulgação científica nos veículos impressos, sobretudo nos jornais. Mas por outro lado, eles lembram da internet como alternativa para o jornalismo científico. Você acredita nesta ideia de que a internet trouxe uma nova oportunidade de comunicação, mas acabou competindo com o meio impresso?
Saad Corrêa: Não (risos). Conceitualmente sim, pois na internet o espaço é ilimitado. Mas eu não vejo conteúdos mais amplos na internet do que no impresso, por exemplo. Em geral, percebemos uma replicação dos dois conteúdos. Em algumas editoriais é possível ver atualizações ao longo do dia com conteúdos adicionais na internet, mas não vemos matérias especiais apenas para o on-line. Isso eu estou falando nos veículos mais tradicionais, como a Folha, o Estadão e o O
Globo... Se isso acontece, é muito pontual. Não acredito que está havendo essa
Pesquisador: Os jornalistas da Folha e do Estadão entrevistados disseram que acontece, às vezes, de produzirem grandes reportagens para o jornal, mas por limites de espaço no jornal, acabam publicando uma pequena nota apenas no impresso e a matéria na íntegra só vai para o site.
Saad Corrêa: Aí sim. Isso acontece. Mas conteúdos que caem totalmente do impresso, não vão totalmente para o on-line. Existe sempre um casamento da edição. Dificilmente vão ter conteúdos exclusivos para o on-line.
Pesquisador: Como você vê o advento da internet para o jornalismo científico? Considera positivo?
Saad Corrêa: Sim. Temos aí um espaço imenso para ser explorado. Os diferentes temas segmentados podem ser favorecidos pelas possibilidades de detalhamento que a internet oferece. Talvez fique mais fácil achar o seu público com muita clareza. O espaço existe. É a mesma lógica quando pensamos no jornalismo local. A gente tem aquele grupo com um interesse muito claro.
No jornalismo científico isso pode ser muito explorado, principalmente na área da saúde. Você tem um público muito interessado que vai atrás da informação. Acredito que temos audiência para isso, o que não temos é muitos veículos fazendo isso. Pesquisador: Algumas vantagens sobre o uso da internet para o jornalismo científico seria o espaço ilimitado para as publicações, o acesso gratuito e a possibilidade de interação entre jornalistas, leitores e fontes. Quais outras vantagens você vê para o jornalismo científico com o surgimento da internet? Saad Corrêa: Acredito que a informação científica pode ficar muito mais bem explicada para o público leigo na medida em que é possível atrelar informações de texto à imagens, infográficos, áudios... Quanto mais comunicação multimídia ou transmídia for possível colocar, melhor ela fica. E o on-line te dá todo esse espaço, o que não acontece no impresso. Usar o on-line é muito vantajoso para o jornalismo científico. Especialmente para a produção de infográficos.
Pesquisador: Mas na internet qualquer um publica qualquer informação. Que riscos isso pode trazer para o jornalismo, em especial, para o jornalismo científico?
Saad Corrêa: O ideal mesmo seria ter o jornalismo tradicional por de trás das publicações científicas ou que as pessoas soubessem como fazer um filtro editorial. Alguns autores defendem que a internet tem seus filtros próprios e que o usuário sabe fazer isso, mas eu acho que isso tem limites. Quando estamos falando de saúde e ciências há vários limites, pois começamos a esbarrar em informações muito sensíveis. O ideal é que as informações venham assinadas por instituições de credibilidade...
Pesquisador: Uma pesquisa feita pela Nature com jornalistas que cobrem ciências mostrou que muitos perderam empregos, após a diminuição de espaço nos jornais, ou que ficaram sobrecarregados, pois agora são obrigados a escreverem para o impresso e para o on-line. Você também observa essa tendência?
Saad Corrêa: Não sei se a internet necessariamente tirou o emprego dos jornalistas do impresso, mas essa multiplicação de tarefas percebo que aconteceu sim. O que tem ocorrido, principalmente no exterior, é que muitos jornalistas se tornaram mais
freelancers, mas acabaram também vendendo muito mais matérias para muito mais
gente. E isso dá muito mais trabalho. Para poder dar conta dessa aspecto mais exigente imposto pela internet, que é a possibilidade de publicar infográficos e vídeos, por exemplo, o jornalista acabou também tendo que adquirir mais competências e habilidades que anteriormente...
Pesquisador: No jornalismo impresso, a notícia é publicada e nem sempre há para a repercussão direta com os leitores. No meio digital, todas as fontes envolvidas na publicação podem também fazer seus comentários abaixo do texto ou nos seus blogs e nas suas redes sociais sobre o tema que foram entrevistadas. A internet trouxe mais controle das fontes sobre as informações divulgadas pela mídia?
Saad Corrêa: Nesse sentido, se a reportagem não for muito bem amarrada pelo autor, ele pode perder o controle daquela informação. Justamente porque os
envolvidos podem publicar o links nas suas redes sociais e as pessoas vão comentar... Isso democratiza e a discussão é ampliada, mas se o veículo original não tiver noção dessa amplitude, ele pode perder essa grande oportunidade de discussão que a internet promove. Vale a pena os publicadores originais prestarem um pouco mais de atenção no que acontece nas redes e retomarem algumas discussões, pois elas podem ser positivas.
Pesquisador: Em sua opinião, qual será o futuro dos jornais e consequentemente do jornalismo científico nos meios impressos com o avanço cada vez maior da internet?
Saad Corrêa: Na verdade, o conglomerado de mídia brasileira tem muita dificuldade de se desprender dos seus meios de negócios tradicionais. Ela continua achando que a internet tem que dar dinheiro, e tem que dar dinheiro no modelo anterior, ou seja, por meio de publicidade. Mas a internet não dá dinheiro por meio de publicidade. Isso é inviável e está comprovado. A gente pode incluir o meio digital como um meio de agregar audiência e a partir disso é que é possível obter resultados financeiros. Aí sim será possível fazer publicidade, mas depois de ter agregado aquele público a sua marca e ter aquele conjunto de pessoas fidelizadas. Existe uma enorme dificuldade de aceitar e entender isso aqui no Brasil. Cada vez mais o impresso vai perder espaço, pois as pessoas estão migrando para outras plataformas. Elas não querem mais ler notícias do dia seguinte. É só ver a massa da população que anda conectada via celulares e tablets. Esse modelo aqui no Brasil deve perdurar enquanto perdurarem as cabeças que dirigem esses veículos. Podemos ver alguma movimentação, mas ainda não é radical.