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Forholdet mellom privatbil og kollektivtransport

Planleggja for auka bruk av kollektivtransport i norske distrikt

4.2 Forholdet mellom privatbil og kollektivtransport

Gênero é um conjunto de elementos estáveis que caracterizam um determinado objeto de modo que ele seja reconhecível, também, em outro contexto. É isso que se pode depreender, a partir da definição de Charaudeau (2006, p. 204), segundo a qual “um gênero é constituído pelo conjunto das características de um objeto e constitui uma classe à qual o objeto pertence. Qualquer outro objeto tendo essas mesmas características integrará a mesma classe”. O autor propõe explicar o gênero de informação midiática, ainda, segundo o resultado do cruzamento entre um tipo de instância enunciativa, um tipo de modo discursivo, um tipo de conteúdo e um tipo de dispositivo.

136 Conforme Charaudeau (2006), a instância enunciativa é o sujeito falante, que pode ser a própria mídia – um jornalista – ou alguém de fora, convidado a falar/escrever na mídia. O modo discursivo transforma o acontecimento em notícia, atribuindo tratamentos diferentes a informação: a reportagem – relato do acontecimento; o editorial – comentário do acontecimento; e o debate – provocar o acontecimento. O conteúdo temático permite organizar os domínios da abordagem da notícia: são as editorias (seções) de cultura, esporte, política entre outras e, dentro delas as subdivisões (rubricas). O dispositivo, “por sua materialidade, traz especificações para o texto e diferencia os gêneros de acordo com o suporte midiático (imprensa, rádio, televisão)”. “Isso permite distinguir, por exemplo, uma entrevista radiofônica” de uma televisiva pelos aspectos específicos de cada uma, explica Charaudeau (2006, p. 207). Ao sugerir que o gênero informativo se dê a partir destes quatro elementos, o autor busca distinguir a noção de gênero midiático. Se há uma instância enunciativa e um modo discursivo que caracterizam o gênero informativo, também, existe o

conteúdo temático e o dispositivo que atribuem autonomia e especificidade,

sendo assim, o gênero acumula expressividade.

Assim, os gêneros são tipos de enunciados que reúnem em si caracteres distintivos relacionados a uma determinada classe. Martínez-Costa e Herrera (2007, p. 406) avaliam que os gêneros radiofônicos são capazes de imprimir criatividade e novas formas expressivas a um programa. Uma renovação de conteúdos para conquistar novos públicos exige uma nova forma de contar, que depende, não somente, da diversificação temática da programação da emissora, mas, também, salientam as autoras, no emprego de estruturas de apresentação mais variadas, “o que costumamos chamar de gêneros radiofônicos: modelos de representação da realidade que concedem estrutura e ordem aos conteúdos de rádio para a criação de sentido pelo emissor e a interpretação de suas mensagens pelo destinatário”.

Deste modo, é possível dizer que uma matéria jornalística de rádio é uma notícia, quanto ao gênero, e, não uma reportagem, pelos elementos estruturais específicos que caracterizam sua composição e pelo tipo de dispositivo. Conforme a classificação de Marques de Melo (2010) existem cinco

137 gêneros jornalísticos: informativo, opinativo, interpretativo, utilitário e diversional. Diante disso, vários autores propõem classificações para os gêneros radiofônicos, com algumas diferenças de nomenclatura. Não interessa aqui problematizar estas classificações e subdivisões, mas apresentar os gêneros informativos que constituem, em maior e menor número, o cotidiano dos programas das emissoras, segundo Lucht (2010), Prata (2009), Ferraretto (2007), Barbosa Filho (2003), McLeish (2001) e Prado (1989).

Lucht (2010) faz uma primeira classificação geral dos gêneros radiojornalísticos52 de acordo com Marques de Melo. Os outros autores não utilizam esse primeiro nível de distribuição, abordando, deste modo, o que seriam os chamados gêneros radiofônicos, tais como:

Nota – Relato breve de um acontecimento atual, o tempo de transmissão é sempre curto, de 30 a 40 segundos, e caracterizado por frases diretas, sem detalhamento, conforme Lucht (2010), Prata (2009) e Barbosa Filho (2003).

Notícia – É a unidade estrutural básica da informação radiofônica. É uma ampliação da nota e, caracteriza-se pela rapidez com que é transmitida e pela atualidade de seu conteúdo. Possui uma média temporal de um minuto e trinta segundos, de acordo com Prado (1989), Lucht (2010), Prata (2009) e Barbosa Filho (2003). Existem três tipos de notícias, com características diferenciais, define Prado (1989): a notícia estrita (composta por um texto que será narrado); a notícia de citação “com voz” (além do texto alguns dados serão transmitidos pela fonte através de sonora); e a notícia com entrevista (um texto introdutório, ou cabeça, seguido de uma entrevista curta e ágil).

Boletim do Repórter53 – “Matéria breve do repórter, composta da

narração [...], sem a utilização de sonora” Lucht (2010, p. 275). Já Ferraretto (2007, p. 265) aponta uma definição mais ampla, segundo a qual, é a

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Assim, o gênero informativo abrange: nota, notícia, reportagem, boletim, flash, manchete e entrevista. O gênero opinativo é composto por: editorial, comentários, resenha, crônica, testemunhal, debate, painel, charge eletrônica, participação do ouvinte e rádio-conselho. O gênero interpretativo engloba: coberturas especiais, perfil, biografia, documentário, enquete e divulgação técnico-científica. No gênero utilitário se encontram: indicador, previsão do tempo, trânsito, roteiro, cotação, serviço/utilidade pública e necrologia. Por fim, o diversional com feature radiofônico, fait divers e história de vida.

53 Utilizou-se no termo Boletim as expressões complementares do Repórter e Informativo para salientar a

diferença que os autores Lucht (2010) e Ferraretto (2007) fazem da forma informativa descrita por Barbosa Filho (2003) e Prata (2009).

138 “expressão máxima do trabalho do repórter em rádio. É a informação que, depois de apurada, será transmitida pelo próprio jornalista que fez a coleta de dados, [...] no momento em que o fato ocorre e direto do [...] palco de ação”. O autor explica, ainda, que o boletim pode utilizar até mais do que uma sonora e seu tempo deve ser de um minuto e meio. Atualmente, esta forma noticiosa é chamada mais usualmente, nas rádios, como entrada ao vivo do repórter, embora possam existir boletins gravados.

Boletim Informativo – “Pequeno programa informativo com no máximo cinco minutos de duração, que é distribuído ao longo da programação [...]”, descreve Barbosa Filho (2003. p. 92). Prata (2009) corrobora com a definição do autor. Ferraretto (2007) descreve como Síntese Noticiosa aquele informativo que pretende fornecer os principais fatos ocorridos desde sua última transmissão, onde a edição se caracteriza por textos curtos e diretos. Assim, depreende-se que Boletim Informativo e Síntese Noticiosa são sinônimos. Reportagem – Relato de um tema tratado com maior amplitude, em seus diversos aspectos e ângulos distintos. Segundo Prado (1989), ao fato central se une outras representações fragmentadas de temas adjacentes, que contribuem para a melhor compreensão do fato. É um gênero bastante rico do ponto de vista informativo, já que permite o aprofundamento do assunto, salientam Prata (2009) e Barbosa Filho (2003). Tem uma duração de três a cinco minutos (Lucht, 2010).

Entrevista – “Em todos os seus tipos e modelos, é formalmente um diálogo que representa uma das fórmulas mais atraentes da comunicação humana”. É um gênero muito ágil tanto para transmitir uma informação como para aprofundar os fatos e suas conseqüências (Prado, 1989, p. 57). A entrevista é, também, uma das principais técnicas de coleta de informações de um veículo, apontam Prata (2009) e Barbosa Filho (2003).

Comentário – Tem a função de explicar as notícias, seu alcance e circunstâncias, deve ser veiculado após a informação, na voz do próprio comentarista, com duração aproximada de três minutos. Seu conteúdo é opinativo e exige conhecimento especializado. Normalmente, os comentaristas integram a folha de pagamento da emissora, indicam Barbosa Filho (2003) e Lucht (2010).

139 Editorial – É um texto não assinado, que representa a opinião oficial da empresa de comunicação, contudo, um gênero pouco utilizado no rádio. O editorial deve, ainda, ser impessoal, ou seja, usar a terceira pessoa do singular ou a primeira do plural, descrevem Prata (2009), Barbosa Filho (2003) e Lucht (2010).

Crônica – “Situa-se na fronteira entre a informação de atualidade e a narração literária. Embora mais corriqueira nos meios impressos, no rádio a crônica ganha espaço especialmente durante as transmissões de futebol [...]” (Lucht, 2010, p. 277). “É com e pela crônica que o jornalismo se livra das amarras do texto enxuto, conciso, da sequência particular para o geral”, ressalta Barbosa Filho (2003).

Radiojornal – “[...] tem por função cobrir o último período informativo entre uma emissão da espécie e outra” explica Ortriwano (1985, p. 93). Os radiojornais podem variar de 15 minutos a duas horas e, terem várias edições por dia. São constituídos por várias formas jornalísticas, como notas, notícias, boletins, reportagens, entrevistas, comentários, seções fixas e serviços (Ferraretto, 2007). Nele as notícias mais antigas (de horas atrás) podem ser aproveitadas e outras aprofundadas. A locução é menos formal e pode ser apresentado por duas pessoas, de modo dialogado, conforme Barbosa Filho (2003) e Chantler e Harris (1998).

Documentário jornalístico – É a experiência de levar para o rádio uma ação, um acontecimento, na sua maior dimensão possível, em toda sua abrangência. O documentário registra, interpreta, comenta e esclarece um fato, um ambiente ou uma determinada situação em todo o seu contexto, salienta McLeish (2001). Ele apresenta somente fatos, baseados em evidências documentadas - registros escritos, fontes que podem ser citadas, entrevistas atuais, comentário de especialistas e fatos reais de conotação não artística, completa Barbosa Filho (2003).

Mesas-redondas ou debates – “São espaços de discussão coletiva em que os participantes apresentam ideias diferentes entre si” (Barbosa Filho, 2003, p. 103). O objetivo é fazer o público da emissora, tornar-se conhecedor dos argumentos e contra-argumentos expressos em forma discursiva por pessoas que sustentam suas opiniões com convicção (McLeish, 2001). São mediados por um apresentador “com experiência, que esteja a par dos

140 assuntos tratados durante o programa, para que possa intervir na hora certa e com propriedade” (Lucht, 2010, p. 278). A mesa-redonda ou painel é composto por especialistas com ideias não necessariamente contraditórias, que visam esclarecer o ouvinte.

Coberturas Especiais – Em dias de acontecimentos de grande repercussão, previstos ou não (eleições, Copa do Mundo, desastres naturais ou provocados pelo homem), “a emissora muda a programação, destacando toda a equipe para trabalhar em diversos turnos, sempre ao vivo, e proporcionar a maior e melhor cobertura para os ouvintes” (Lucht, 2010, p. 280). Entre as coberturas radiofônicas, a esportiva é “uma das mais importantes manifestações do rádio contemporâneo brasileiro, aponta Barbosa Filho (2003, p. 107). E dentre as coberturas esportivas, “o que mais se transmite no rádio do Brasil são as partidas de futebol”, completa Ferraretto (2007, p. 322).

Enquete – Consiste em coletar de forma sonora “a opinião do povo nas ruas sempre é uma boa alternativa para dar credibilidade à matéria. [...] Quando atrelada a algum assunto tratado no programa, ajuda o ouvinte a criar sua própria posição a respeito do tema”, assinala (Lucht, 2010, p. 282).

Gênero de Serviço – “A informação de serviço se distingue da jornalística pelo seu caráter de ‘transitividade’ – indicativo de movimento, circulação, trânsito –, provocando no receptor uma manifestação sinérgica, ao reagir a mensagem” (BARBOSA FILHO, 2003, p. 135). A prestação de serviço ganhou muito espaço no rádio, pela agilidade do veículo de transmitir estas informações, cujo objetivo é de apoiar as necessidades da população no seu cotidiano, conforme (Lucht, 2010). Fazem parte deste gênero previsão do tempo, condições do trânsito, agenda de shows, cotações da bolsa de valores, das principais moedas estrangeiras e, vários outros serviços oferecidos ao público.

Observa-se, deste modo, que os gêneros radiofônicos procuram dar conta das especificidades do que é apresentado no interior dos programas informativos. Imprimem a estes a expressividade própria do gênero, podendo, também, ser compostos pelo uso criativo de vários deles. Ainda, é possível encontrar programas que utilizam, como unidade coerente, apenas um tipo,

141 como no caso de debates e documentários. Contudo, mesmo nestes pode existir a presença de outros gêneros, uma vez que a hibridização, as tênues fronteiras entre programas, gêneros e conteúdos em si, a distribuição da programação em fluxo e outros elementos próprios da convergência tecnológica, movimenta os conceitos aqui expostos. Todavia a classificação dos gêneros radiofônicos e as demais definições são pontos de partida para se poder analisar as evoluções e percursos desenvolvidos pelo rádio informativo.