4. BEBOERKULTUREN
4.3 Å FORHOLDE SEG TIL REGLENE
O incentivo à comunicação escola/família ocorre dentro de uma compreensão da educação escolar como um processo de comunicação próprio da prática pedagógica compreendida como uma prática social.
O processo de comunicação é fator essencial para a construção e desenvolvimento de relações satisfatórias entre sujeitos. Quando se fala em comunicação, remete-se à mídia eletrônica, mas é válido lembrar que a mídia humana antecede a esta.
Segundo Penteado (2006a, p. 6), “mídias são suportes de processos de comunicação que se realizam por meio de linguagens”. O homem se socializa através da comunicação com seus semelhantes. Esta comunicação pode ser realizada através de diversas linguagens como: oral, escrita, sinais, corporal, dramática e das linguagens midiáticas nas sociedades tecnológicas da atualidade. É a capacidade de comunicar-se que faz do homem um ser social, um ser de relações, de interações.
O processo de comunicação compreende três dimensões e são elas a intracomunicação, a intercomunicação e a transcomunicação. A intracomunicação é realizada pela introspecção, ou seja, pela comunicação consigo mesmo. A intercomunicação acontece através das relações sociais presenciais e a transcomunicação ou intercomunicação à distância, ultrapassa as relações presenciais em direção à comunicação à distância, podendo realizar-se através de textos, da mídia eletrônica, etc. (PENTEADO, 2006b)
O importante em qualquer dimensão do processo de comunicação é a qualidade comunicacional estabelecida, de tal forma a promover o pensamento crítico reflexivo.
... no psicodrama ocorre a intracomunicação do protagonista com o conflito, estimulada pelo diretor psicodramático e que se desdobra em intercomunicação presencial na construção e vivência do drama, com o diretor psicodramático, com as demais personagens do drama, na “revivência atualizada” do conflito, e na etapa dos comentários. (PENTEADO, 2006b, p. 14, grifos do autor)
O homem tem possibilidades de criar e recriar procedimentos comunicacionais. Juntamente com a criação vêm as melhorias e/ou riscos, dependendo do uso que irá fazer destes procedimentos.
Em relação à comunicação escolar, é necessário que esta seja estabelecida, qualitativamente, entre direção e professores, professores entre si, professores e alunos, direção e pais, professores e pais, alunos e alunos, direção e alunos. Enfim, é preciso vivenciar processos comunicacionais de qualidade entre todos os sujeitos envolvidos na
educação escolar, favorecendo a parceira entre estes no processo educativo e colaborando com a melhoria do processo de ensino/aprendizagem. Portanto, é essencial um trabalho colaborativo e de equipe que não deve ser somente formada por professores e alunos, mas por todos os envolvidos com a educação escolar, principalmente pais.
A docência fundamentada na concepção da educação como um processo de comunicação, encontra na metodologia comunicacional de ensino, um encaminhamento didático para as relações cotidianas professor/aluno, superando o processo de dominação/subordinação característico do modelo tradicional de ensino.
a metodologia da comunicação escolar – ou metodologia comunicacional de ensino – prevê para os sujeitos da educação, professor e alunos, uma atuação em parceria. Todos eles se entrelaçam em relações sociopedagógicas por meio das quais se realiza a comunicação escolar. (PENTEADO, 2002, p. 35, grifos do autor)
A escola quando tenta introduzir transformações pedagógicas, depara-se, em grande parte, com resistências familiares. Na maioria dos casos, essas resistências são decorrentes da falta ou má utilização da comunicação escolar com as famílias. É preciso explicar-lhes e conscientizar-lhes dos significados, motivos e conseqüências de tais mudanças para o processo ensino/aprendizagem e ouvi-los a respeito para o estabelecimento de uma interação construtiva entre eles, de tal forma a esclarecer dúvidas e criar um ambiente receptivo e colaborativo no acompanhamento do processo.
Também o desconhecimento das famílias pelos professores leva a expectativas irreais de colaboração, bem como a concepções equivocadas de impossibilidades de colaboração, quando em realidade esta é sempre admissível, ainda que de formas diferenciadas, quando o professor tem clareza dos papéis possíveis e necessários de cada um desses agentes sociais.
Na escola, como na sociedade de modo geral, a linguagem é um dos elementos mais importantes na construção do conhecimento e na compreensão das relações. Para Penteado (2000, p. 169), a pedagogia da comunicação tem “por meta legitimar uma ideologia democrática da educação, segundo a qual se pretende definir o espaço escolar como um local social de encontro/comunicação/trocas culturais ...”
A compreensão deste espaço escolar democrático de encontro, comunicação e trocas, encontra no psicodrama pedagógico um dos procedimentos metodológicos que, através da dramatização, proporciona aos participantes o desenvolvimento da espontaneidade, condição para a criatividade e, por intermédio da introspecção que encaminha à reflexão sobre os papéis desempenhados, permitirá melhor compreensão destes e possibilidade de
resignificação, tendo como conseqüência a melhoria das relações. Nesta metodologia, a linguagem corporal se articula a outras linguagens (oral, simbólica, musical, etc.) ampliando possibilidades de comunicação e de compreensão de valores, significações e traços culturais diversos dos envolvidos. Quando utilizada no ambiente escolar, a metodologia psicodramática envolve sujeitos significativos para a qualificação do processo ensino/aprendizagem - pais e professores - e pode desencadear novas posturas educacionais em suas necessárias relações, esclarecendo novos caminhos colaborativos, profissionais e pedagógicos.
Portanto, o psicodrama pedagógico é uma possibilidade de aproximação compreensiva/criativa entre pais e professores, entre família e escola.
No presente trabalho, as dimensões do processo de comunicação a serem mobilizadas são: a intracomunicação e a intercomunicação, fundamentais na criação de caminhos de resolução de conflitos relacionais e também na formação de um professor reflexivo, através do exercício da introspecção e das relações entre os sujeitos.
“O espaço psicodramático é um dos raros espaços onde a intracomunicação é estimulada e desenvolvida” (PENTEADO, 2006b, p. 5). Portanto, o psicodrama enquanto processo de intra e intercomunicação presencial proporciona aos sujeitos participantes a compreensão de si e dos outros com os quais se relaciona.