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Forhold som vurderes å ha betydning for sikkerheten

A calma, o tempo de refletir, de tornar grupo, de ser professor pedagogo (muito importante), de ser diretor pedagogo! E criar junto a isso; sem resistências e sem ansiedade. AÇÃO – manifestação / Performer. - É no Aquecimento que o espaço teatral se faz/ energias de Ativação!

Du Sarto Relatório 14 do Diário de Bordo do espetáculo Habemus Corpus

Percebo que o trabalho sobre a etapa técnica-criativa desta investigação gerou o au- mento de minha percepção relacionada à função do diretor como o artesão no desen- volvimento da expressividade e da criatividade junto dos/das atores/atrizes. Atado

principalmente no desenvolvimento de material cênico para a criação, “esculpi” no dia a dia o material que irá compor sua obra de arte.

Como esta investigação pressupôs que o material gerado em processo criativo esta- beleceria estruturas e cenas para uma composição final, foi fundamental meu acom- panhamento de todo este processo, direcionando e conduzindo cada etapa de sua realização.

Nele pude estabelecer com mais profundidade minha relação com os atores/atrizes envolvidos, criando de fato uma parceria criativa. Cada cena a ser construída partiria das ações, reações e relações desenvolvidas através de nossos encontros.

Levo objetos que me remetem liberdade e seus contrários para os ato-

res – Facas – Talles/ Baldes – Athos/ Corda – Karla/ Tecido – Diego/.

Os próprios atores escolhem eu espalho pela sala e curiosamente eles se direcionam para os objetos q eu gostaria como diretor que cada um trabalhasse. Não é por acaso, o processo se forma e a intuição é fator importante no trabalho do diretor. (SARTO, Du. Diário de Bordo, Rela- tório 12, Habemus Corpus, UFOP, data: 29/04/2015/)

É muito importante que o diretor acompanhe esta fase técnica de seu processo. A descoberta desta relação, as dificuldades de realização, os fundamentos necessários para a cena futura, as discussões e surpresas junto dos/das atores/atrizes, e até as influências estéticas de nosso espetáculo Habemus Corpus, foram geridas durante esta fase de nossa prática. Para que ela acontecesse, foi essencial a intuição e a entrega dos envolvidos em investigar – individual e coletivamente – o nosso fazer.

Percebo e concluo que: um diretor criador pressupõe um ator ainda mais criativo, também criador conjunto. […] Quando o diretor é cria- dor? O tempo todo! (Sarto, Du. Diário de Bordo, Relatórios 27 e 34,

Habemus Corpus, UFOP, data: 15/07/2015).

Percebo que, assim como sou sempre eu quem escrevo nossos relatórios de trabalho – em meu diário de bordo – e chego a algumas conclusões a partir de minha experi- ência como diretor em processo, são também sempre os/as atores/atrizes que cons- troem e transformam comigo todo meu pensar sobre a prática criativa desenvolvida. Isto se dá por meio de nossa experiência partilhada, na qual as proposições de exer- cícios e atividades técnicas-criativas utilizadas para a criação deste processo, partiram de mim, mas foram apreendidas pelo coletivo e posteriormente foram res-significadas por nós, juntos e em ação. “Você propõe um texto para jogo e os atores reconstroem

e derivam significados para o trabalho! A pesquisa da sala de ensaio é sempre em processo e em construções e desconstruções de sentidos” (SARTO, Du. Diário de Bordo, Relatório 28, Habemus Corpus, UFOP, data: 24/06/2015).

A mim como diretor coube, nesta fase de trabalho, aplicar todos estes exercícios des- critos anteriormente, e então perceber o que cada ator/atriz me trazia a partir desta prática, o que ele/ela derivava criativamente das minhas proposições.

Após propor uma atividade, colocava-me a observar suas derivações nos corpos e ação dos atores e das atrizes. Ao final de cada dia de processo, estas proposições voltavam a mim, ressignificadas pelo coletivo, para que eu fizesse uma organização mais consciente do material cênico produzido e das reflexões teóricas geradas a partir delas em minha prática como diretor e em nossa como coletivo de trabalho. “O diretor tem de ir orquestrando estas energias e potencializar o que pede potência”. (SARTO, Du. Diário de Bordo, Relatório 07, Habemus Corpus, UFOP, data: 01/04/2015).

Assim, após aquela primeira apreensão da prática executada, num próximo encontro, propunha-me a provocar questões e reflexões junto do elenco sobre a prática desen- volvida – estabelecendo relações – entre nossos pressupostos e temáticas iniciais e nossa ação criativa em desenvolvimento.

Assistir a um ensaio, ou pedir realizações, e somente observar o trabalho dos/das atores/atrizes é uma tarefa de viver a situação junto deles/delas, de criar em conjunto e, principalmente, ter paciência junto ao tempo necessário para o estabelecimento da produção de suas ações criativas.

Com meu pedido de atenção ao grupo por todos, existe um esforço coletivo em busca de uma qualidade de ação, e de encontro com o outro. Um aumento da presença cênica se instaura. (SARTO, Du. Di- ário de Bordo, Relatório 25, Habemus Corpus, UFOP, data: 17/06/2015).

A ação que eu produzo como diretor por vezes é passiva, mas desta forma possibiliza o desdobrar das práticas aplicadas nelas mesmas, produzindo resultados inesperados e levando o diretor a ter muitas ideias para a sua produção artística final.

No desenvolvimento de técnicas-criativas de trabalho, a pesquisa é intensa, o trabalho é insano, dinâmico e duradouro. Trocando em miúdos, o tempo da descoberta em

processo deve ser respeitado, e eu como diretor não devo forçar descobertas preme- ditadas. O Diretor cria e se renova durante a construção do processo criativo do/da ator/atriz. Portanto, deixar ser é a necessidade para se criar em conjunto e se fazer criador ativo durante um processo como este.

4. I

DEIAS INICIAIS DE CONSTRUÇÃO DO

P

ROCESSO