Para uma maior compreensão da relação entre o índice de pH, o fornecimento de nutrientes ao solo e os tratamentos utilizados no presente experimento, fez-se uma rápida discussão sobre o assunto.
4. 4. 1. pH
Os valores médios dos índices de pH (CaCl2) dos solos amostrados estão
expressos no Quadro 10. Neste mesmo Quadro, pode-se observar que a matéria orgânica adicionada ao solo, causou aumentos significativos dos índices de pH somente para os tratamentos solarizados. Para os tratamentos não solarizados, a adição de matéria orgânica não afetou o índice de pH.
Quando avaliou-se a ação da solarização sobre os valores médios dos índices de pH das amostras de solo coletadas, verificou-se que a solarização foi responsável pelo aumento destes valores nos tratamentos com acréscimo de matéria orgânica, para todos os momentos de coleta do material no campo. Como sugestão para um próximo trabalho, talvez seria interessante observar se este aumento de pH é mantido após a retirada do filme plástico do solo. Pois a solarização por si só, também promoveu aumento no índice de pH mas, somente, até o segundo momento de coleta de solo, realizado no 21º dia do experimento.
Para os tratamentos não solarizados, com e sem acréscimo de matéria orgânica, estes não apresentaram variações dos valores dos índices de pH entre todos os momentos de coletas de solo realizadas durante o experimento, sendo o mesmo fato observado para os tratamentos solarizados com acréscimo de matéria orgânica. Entretanto, os tratamentos apenas solarizados apresentaram valores de índices de pH significativamente maiores no primeiro momento de coleta (7 dias de solarização) e posteriormente, estes índices foram gradativamente diminuindo no transcorrer do experimento.
O fator pH de um solo vem a ser o expoente da concentração hidrogeniônica com o sinal positivo, interpretado como acidez na solução do mesmo. Esta acidez acaba por interferir na comunidade microbiana de maneira direta, atuando nos processos microbianos fisiológicos e bioquímicos específicos, ou indiretamente, através da neutralização de elementos tóxicos (KAMEL, et al., 1989). A comunidade fúngica de um solo tolera os baixos índices de pH ou seja, solos ácidos, o que pode ter favorecido o desenvolvimento da comunidade fúngica no presente experimento para os solos não solarizados, como mostra a Figura 6, enquanto que a comunidade bacteriana desenvolve-se melhor em solos tendendo à alcalinidade.
O pH também afeta a comunidade de actinomicetos que, geralmente, são influenciados de forma negativa em solos com pH menores que 5,0 pois, não toleram valores de pH baixos; e a distribuição e o tamanho dessas populações relaciona-se inversamente com a concentração iônica do hidrogênio no solo (CRAWFORD et al., 1993). As populações de actinomicetos são capazes de produzir antibióticos e, desta forma, podem interferir nos demais componentes da comunidade microbiana presente no solo não tolerantes a estes antibióticos (WELLINGTON; TOTH, 1994). Assim, podem ter afetado diretamente a população de fungos e bactérias encontrados na comunidade microbiana dos tratamentos que apresentaram índices de pH maiores que 5,0, como ocorreu com os solos solarizados com acréscimo de matéria orgânica neste experimento.
Quadro 10. Médias de valores de pH (CaCl2), em função da solarização, adição de matéria orgânica e
momentos de coleta e respectivos resultados do teste estatístico. Momentos da coleta, dias Solarização Adição de
couve 7 21 35 49
Ausente sem 4,26aBα (1) 4,16aBα 4,23aAα 4,10aAα
com 4,23aBα 4,23aBα 4,36aBα 4,23aBα
Presente sem 4,86bAγ 4,66bAαβγ 4,33bAαβ 4,13bAα
com 5,20aAα 5,03aAα 5,33aAα 4,93aAα
CV (%) 4,84
1 Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Tukey, no nível de 5% de
significância. Médias de três repetições. Para a comparação dos níveis de adição de matéria orgânica ao solo, fixados os níveis de solarização e momento da coleta, utilizou-se as letras minúsculas; para comparação dos níveis de solarização, fixados adição de matéria orgânica e momento da coleta, letras maiúsculas; para comparação dos momentos de coletas de solo, fixados solarização e adição de matéria orgânica, letras gregas.
4. 4. 2. Matéria orgânica do solo
Os valores médios dos teores de matéria orgânica disponíveis no solo, expressos em g dm-3 foram maiores nos tratamentos solarizados com acréscimo de matéria orgânica
fresca (couve) para todas as amostras de solo coletadas durante o experimento. Os solos não solarizados, com acréscimo de matéria orgânica, apresentaram diferença significativa somente no trigésimo quinto dia de coleta de solo, como mostra o Quadro 11. Para todos os tratamentos houve uma tendência de redução no teor de matéria orgânica em função do tempo. Esta redução foi significativa para o tratamento solarizado adicionado de matéria orgânica.
A matéria orgânica do solo e de resíduos, do ponto de vista estritamente teórico, pode ser dividida em dois grandes compartimentos: um, composto de fração não humificada, representada pelos restos vegetais e animais pouco decompostos e pelos compostos orgânicos com
categoria bioquímica definida (proteínas, açúcares, ceras, graxas, resinas) e outro compartimento formado pelas substâncias humificadas, compostas de produtos de intensa transformação dos resíduos orgânicos pela biomassa microbiana e polimeração dos compostos orgânicos (principalmente através de reações de condensação, demetilação e oxidação) até macromoléculas resistentes a degradação biológica (SANTOS; CAMARGO, 1999), o quedificulta a quantificação no presente trabalho, da porcentagem de degradação microbiana da matéria orgânica adicionada inicialmente ao solo e a encontrada nas coletas de solo realizadas, sendo necessárias análises mais específicas para tal quantificação.
Segundo Canellas et al. (2001) a argila presente num Latosssolo Vermelho- Amarelo pode favorecer a estabilização da matéria orgânica humificada por meio da formação de complexos organo-minerais, tornando a matéria orgânica relativamente mais protegida da degradação microbiana, o que também pode ter ocorrido no presente solo analisado (Latossolo Vermelho Distrófico) solarizado com adição de couve. Pois com as altas temperaturas encontradas neste tratamento (Figura 4 D), as partículas de argila podem ter se expandido, favorecendo a uma maior área de contato com a matéria orgânica adicionada ao solo e tornando-a mais protegida à degradação microbiana, e aumentando seus teores no solo analisado, como mostra o Quadro 11.
Quadro 11. Médias de matéria orgânica do solo (g dm–3), em função da solarização, adição de matéria
orgânica e momentos de coleta e respectivos resultados do teste estatístico. Momentos da coleta, dias
Solarização Adição de
couve 7 21 35 49
Ausente sem 19,33aAα (1) 17,00aAα 15,66bAα 15,66aAα
com 20,66aAα 18,66aBα 19,00aAα 18,33aAα
Presente sem 17,33bAα 16,66bAα 15,00bAα 13,00bAα
com 22,66aAαβ 25,00aAα 20,00aAβ 20,66aAβ
CV(%) 10,80
1 Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Tukey, no nível de 5% de
significância. Médias de três repetições. Para a comparação dos níveis de adição de matéria orgânica ao solo, fixados os níveis de solarização e momento da coleta, utilizou-se as letras minúsculas; para comparação dos níveis de solarização, fixados adição de matéria orgânica e momento da coleta, letras
maiúsculas; para comparação dos momentos de coletas de solo, fixados solarização e adição de matéria orgânica, letras gregas.
4. 4. 3. Fósforo
Os valores médios de fósforo total das amostras de solo coletadas dos tratamentos, expressos em mg dm–3, apresentaram aumento significativo decorrente da adição de
matéria orgânica, somente para os tratamentos solarizados, no primeiro momento de coleta de solo, realizada no 7º dia do experimento, o que não ocorreu para o tratamento não solarizado (Quadro 12). Segundo Mafongoya et al. (2000), a maior fonte de fósforo disponível para as plantas em solos tropicais, são derivadas da mineralização da matéria orgânica recentemente adicionada ao solo.
Este aumento nos teores de fósforo, foi estatisticamente significativo devido a ação da solarização, até os 21 dias do experimento no campo, podendo ser explicado pela ação das altas temperaturas quantificadas neste tratamento (Figura 4D), que podem ter provocado um aumento da liberação de CO2 microbiano, como mostra o Quadro 8, ou seja, um aumento na atividade
microbiana decorrente do estresse térmico sofrido pela mesma, o que pode ter acelerado o metabolismo da microbiota ali presente e conseqüentemente, acelerado a degradação da matéria orgânica adicionada e desta forma, imobilizando elemento fósforo para o seu metabolismo e disponibilizando-o na forma orgânica no solo. Guerra et al (1996) observou que em Latossolos, o fósforo orgânico total oriundo da decomposição de materiais orgânicos, se correlaciona positivamente com o fósforo total e com o teor de argila do mesmo.
Os maiores teores de fósforo total do solo obtidos para os tratamentos solarizados com adição de matéria orgânica, apresentaram significativa redução nas análise realizadas nos solos coletados. Kwabiah et al. (2003), através da análise de incorporação de diferentes materiais orgânicos ao solo, também observaram que os valores de fósforo decaíram imediatamente depois do início das análises, provavelmente devido ao aumento do número de microrganismos que foram capazes de imobilizar o fósforo solúvel da solução do solo para seu crescimento e multiplicação.
Quadro 12. Médias dos teores de fósforo (mg dm–3), em função da solarização, adição de matéria
orgânica e momentos de coleta e respectivos resultados do teste estatístico. Momentos da coleta, dias
Solarização Adição de
couve 7 21 35 49
Ausente Sem 3,33aAα (1) 3,33aAα 3,00aAα 4,66aAα
Com 5,33aBα 2,26aBα 1,36aAα 4,66aAα
Presente Sem 11,33bAα 8,66aAα 13,33aAα 3,66aAα
Com 45,33aAα 18,66aAβ 4,83aAβ 6,66aAβ
CV(%) 103,18
1 Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Tukey, no nível de 5% de
significância. Médias de três repetições. Para a comparação dos níveis de adição de matéria orgânica ao solo, fixados os níveis de solarização e momento da coleta, utilizou-se as letras minúsculas; para comparação dos níveis de solarização, fixados adição de matéria orgânica e momento da coleta, letras maiúsculas; para comparação dos momentos de coletas de solo, fixados solarização e adição de matéria orgânica, letras gregas.
4. 4. 4. Potássio
Os valores médios de potássio, expressos em mmolc dm-3, para todos os
tratamentos, estão apresentados no Quadro 13. Observando os dados obtidos, foi verificado que a matéria orgânica adicionada ao solo, provocou aumento significativo nos níveis de potássio para os tratamentos solarizados e não solarizados. Para os tratamentos solarizados, este aumento foi expressivo durante todo o experimento, enquanto para o não solarizado, a matéria orgânica não foi responsável por um aumento significativo de valores de potássio apenas no 35º dia de coleta do material no campo.
O efeito da solarização nos níveis de potássio das amostras coletadas foi significativamente maior apenas para as amostras dos tratamentos solarizados e com acréscimo de
matéria orgânica, até o 3º momento de coleta de solo (35 dias) e no 49º dia de experimento, esses valores foram menores do que os encontrados para os solos não solarizados com adição de matéria orgânica. O aumento dos níveis de potássio nos primeiros dias de coleta das amostras dos tratamentos solarizados com matéria orgânica, comparados aos tratamentos que receberam apenas matéria orgânica e não foram solarizados, também pode ser conseqüente da ação das altas temperaturas do solo encontradas neste tratamento (Figura 4D), que provocaram um aumento no metabolismo microbiano, e desta forma, os microrganismos presentes também utilizaram este nutriente de forma mais rápida, fazendo com que decaísse seus teores na última coletas de solo.
Este aumento de valores de potássio para os tratamentos solarizados com adição de matéria orgânica, foi mais significativo no primeiro momento de coleta (7 dias) e o mesmo foi observado nos tratamentos não solarizados com adição de matéria orgânica apenas no final do experimento. Franchini et al (1999) observou num trabalho realizado em solos ácidos que o cátion mais retido pelo solo quando presente na solução foi o potássio e embora o aumento dos teores de potássio no solo para os tratamentos apenas solarizados não tenham sido expressivos, Katan e Devay (1991) afirmam que com o aumento das temperaturas dos solos, obtido através da solarização, este provoca uma expansão nas camadas de argila, liberando potássio que estava retido nestas camadas para a solução do solo.
Quadro 13. Médias dos teores de potássio (mmolc dm–3), em função da solarização, adição de matéria
orgânica e momentos de coleta e respectivos resultados do teste estatístico. Momentos da coleta, dias
Solarização Adição de
couve 7 21 35 49
Ausente sem 0,86bAα (1) 0,70bAα 0,53aAα 0,46bAα
com 2,66aBβ 2,26aBβ 1,36aBβ 7,66aAα
Presente sem 2,10bAα 1,10bAα 0,73bAα 0,60bAα
com 6,53aAα 3,96aAβ 4,83aAβ 4,03aBβ
CV(%) 30,15
1 Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Tukey, no nível de 5% de
significância. Médias de três repetições. Para a comparação dos níveis de adição de matéria orgânica ao solo, fixados os níveis de solarização e momento da coleta, utilizou-se as letras minúsculas; para
comparação dos níveis de solarização, fixados adição de matéria orgânica e momento da coleta, letras maiúsculas; para comparação dos momentos de coletas de solo, fixados solarização e adição de matéria orgânica, letras gregas.
4. 4. 5. Cálcio
Os teores de cálcio, expressos em mmolc dm-3 (Quadro 14), mostraram que a
matéria orgânica adicionada ao solo proporcionou aumentos significativos deste nutriente na solução do solo somente para os tratamentos solarizados. Provavelmente, a adição da matéria orgânica fresca ao solo não solarizado, também causou aumento deste elemento, porém, ele não foi encontrado na forma disponível, ou seja, na sua forma iônica, pois segundo Mello et al. (1983) o cálcio é um elemento que se perde no solo em quantidades bastante elevadas, podendo ser facilmente lixiviado, quelatizado ou adsorvido às partículas coloidais do solo, o que promove uma menor disponibilidade deste elemento na solução.
No primeiro momento de coleta de solo, observa-se um maior número de unidades formadoras de colônias fúngicas e bacterianas, (Quadro 6 e 7,) que provavelmente participaram da decomposição da matéria orgânica fresca adicionada e promoveram a liberação de cálcio na solução do solo, porém, em solos não solarizados, o cálcio liberado não foi encontrado na sua forma solúvel, sendo provavelmente imobilizado pelos ácido orgânicos encontrados no solo ou adsorvido às partículas coloidais do solo, mostrando-se até mesmo em quantidades inferiores à dos tratamentos que não receberam a incorporação de matéria orgânica.
Já para os solos dos tratamentos solarizados, a matéria orgânica adicionada promoveu maior disponibilidade de cálcio, provavelmente devido ao fato das partículas coloidais do solo terem se expandido, provavelmente conseqüente do grande aumento da temperatura encontrado no solo deste tratamento (Figura 4D), tornando-as incapazes de reter os íons solúveis de cálcio da solução do solo, ou então evitando sua provável quelatização, deixando-os na sua forma solúvel, e podendo ser dessa forma, quantificado.
A solarização proporcionou aumento significativo dos teores do elemento cálcio somente para os tratamentos que receberam incorporação de matéria orgânica até o segundo momento de coleta das amostras de solo neste tratamento (21 dias do experimento), equivalendo-se aos demais tratamentos nas análises realizadas na amostras coletadas posteriormente.
Os tratamentos não solarizados com incorporação de matéria orgânica não apresentaram diferenças significativas de teores de cálcio entre os dias de coleta das amostras de solo, enquanto que os tratamentos não solarizados e sem incorporação de matéria orgânica apresentaram maiores aos 7 dias de experimento no campo, diminuindo gradativamente seus teores de cálcio até o final do período de coleta de solo. Os tratamentos solarizados apresentaram maiores teores de cálcio nos dois primeiros momentos de coleta das amostras de solo, porém foi observado uma diminuição destes teores a partir do vigésimo primeiro dia do experimento para o tratamento com incorporação de matéria orgânica, enquanto que para os tratamentos apenas solarizados, os teores de cálcio permaneceram maiores até os 35 dias. Ao final das análises das amostras coletadas, todos os tratamentos apresentaram valores estatisticamente iguais de cálcio disponível na solução do solo. Quadro 14. Médias dos teores de cálcio (mmolc dm–3), em função da solarização, adição de matéria
orgânica e momentos de coleta e respectivos resultados do teste estatístico. Momentos da coleta, dias
Solarização Adição de
couve 7 21 35 49
Ausente Sem 25,33aAα (1) 9,66aAαβ 8,33aAα 9,33aAβ
Com 10,66bBα 11,66bBα 10,33aAα 7,66aAα
Presente Sem 25,33bAα 17,66aAαβ 12,00aAαβ 7,66aAβ
Com 44,66aAα 32,00aAαβ 22,00aAβ 16,66aAβ
CV(%) 43,19
1 Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Tukey, no nível de 5% de
significância. Médias de três repetições. Para a comparação dos níveis de adição de matéria orgânica ao solo, fixados os níveis de solarização e momento da coleta, utilizou-se as letras minúsculas; para comparação dos níveis de solarização, fixados adição de matéria orgânica e momento da coleta, letras maiúsculas; para comparação dos momentos de coletas de solo, fixados solarização e adição de matéria orgânica, letras gregas.
4. 4. 6. Magnésio
Os valores médios de magnésio, em mmolc dm-3, estão demonstrados no
Quadro 15, para todos os tratamentos, bem como a sua análise estatística. Foi observado que a matéria orgânica fresca adicionada ao solo, proporcionou aumento significativo dos valores de magnésio para os tratamentos não solarizados até o segundo momento de coleta das amostras de solo (21 dias do experimento) e para o solo solarizado este aumento também foi significativo durante todos os momentos de coleta de solo do experimento.
A solarização proporcionou o aumento significativo dos teores de magnésio somente para os tratamentos que receberam incorporação de matéria orgânica também durante todos os momentos de coleta de solo (7, 21, 35 e 49 dias). Entretanto entre os solos que não receberam acréscimo de matéria orgânica, a solarização não promoveu aumento significativo dos teores deste elemento, ao contrário do que foi observado por Ghini et al. (2003) que observou um aumento significativo de magnésio em solos apenas solarizados.
Entre os momentos de coleta das amostras de solo no campo, não foi observado diferença da disponibilidade de magnésio entre os dias de coleta para os tratamentos não solarizados, o que também ocorreu para o tratamentos apenas solarizados, entretanto os tratamentos solarizados com incorporação de matéria orgânica apresentaram valores estatisticamente maiores entre o sétimo e vigésimo primeiro dia de coleta das amostras de solo, diminuindo gradativamente nas coletas realizadas posteriormente (35 e 49 dias) até o final do experimento.
Quadro 15. Médias dos teores de magnésio (mmolc dm–3), em função da solarização, adição de
matéria orgânica e momentos de coleta e respectivos resultados do teste estatístico. Momentos da coleta, dias
Solarização Adição de
couve 7 21 35 49
Ausente sem 3,33bAα (1) 2,33bAα 2,00aAα 2,33aAα
com 5,00aBα 6,00aBα 4,66aBα 3,33aBα
Presente sem 6,33bAα 4,66bAα 3,66bAα 3,00bAα
com 18,33aAα 13,33aAβ 9,66aAβγ 9,00aAγ
CV(%) 32,12
1 Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si, pelo teste de Tukey, no nível de 5% de
significância. Médias de três repetições. Para a comparação dos níveis de adição de matéria orgânica ao solo, fixados os níveis de solarização e momento da coleta, utilizou-se as letras minúsculas; para comparação dos níveis de solarização, fixados adição de matéria orgânica e momento da coleta, letras maiúsculas; para comparação dos momentos de coletas de solo, fixados solarização e adição de matéria orgânica, letras gregas.
4. 4. 7. Alumínio
Observando o Quadro 16, onde estão demonstrados os valores médios dos teores de alumínio na solução do solo em mmolc dm-3 para os tratamentos envolvidos, verificou-se que a
matéria orgânica incorporada proporcionou redução significativa nos níveis de alumínio no solo não solarizado no último momento de coleta, realizado aos 49 dias do experimento. Já para os solos dos tratamentos solarizados com acréscimo de couve esta redução foi observada a partir do 21° dia de
coleta das amostras de solo. A solarização também foi responsável por esta redução nos dois primeiros momentos de coleta do solo (7 e 21 dias) e permaneceu reduzindo a disponibilidade deste elemento, nos momentos de coleta de solo subseqüentes somente para o tratamento solarizado com acréscimo de matéria orgânica.
Esta redução dos teores de alumínio para os solos solarizados com incorporação de matéria orgânica durante todo o experimento pode ter ocorrido devido ao aumento do índice de pH dos solos destes tratamentos, pois, segundo Mello et al (1983) em solos com pH mais altos, ou seja, menos ácidos, ocorre menor disponibilidade deste elemento no solo, ou então pode ter sido precipitado pelo cálcio, que foi encontrado em maior disponibilidade nestes tratamentos. Esta redução de alumínio nos solos é muito desejável, pois, a presença deste elemento na solução do solo acaba por promover toxidade às plantas cultiváveis e a solarização juntamente com a adição da matéria