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Foreligger det et arbeidsforhold mellom Uber og sjåførene?

3.5 Tilfellet Uber og FINN småjobber

3.5.1 Foreligger det et arbeidsforhold mellom Uber og sjåførene?

A partir dos achados desse estudo, ficou evidenciado que o modo como o ACS busca a valorização do seu trabalho, configura situação de conflito na equipe:

[...] A gente fez um grupo de artesanato e tinha muita gente depressiva frequentando, uma tava senhora chorando, contando do filho que tá preso. [...] Aquele momento [do artesanato] era importante [...] a gente descobriu um monte de coisas daquela paciente que a gente não sabia [...] Mas tenho dificuldade com outros membros da equipe, que acham que isso não tem nada a ver com o trabalho. Às vezes até a gente briga também por causa disso (ACS 1).

Às vezes tem alguns conflitos por causa dessa visão diferente a respeito do nosso trabalho. Uma vez [...] a gente fez um artesanato. E eu cheguei na unidade e me [perguntaram]: –“O que você tava fazendo”? Ah, eu tava lá no grupo de artesanato!!! -“Eh, fica lá fazendo chinelinho [...]”? (ACS 5).

Para buscar legitimidade do seu papel dentro da equipe, o ACS evidencia utilizar-se de ferramentas pertinentes ao seu processo de trabalho. Entretanto, parece que o tipo de trabalho realizado pelo ACS é considerado pela equipe com menor valia do ponto de vista das tecnologias que são utilizadas comumente no campo da saúde. Essa situação é reveladora de conflito na equipe.

Vê-se que a identidade profissional do ACS é construída em uma determinada realidade, que não é necessariamente a presumida pela equipe.

A oferta do cuidado em saúde de acordo com o relato do trabalhador, pressupõe que este cuidar somente terá validade se houver a oferta de um cardápio de serviços, que envolva procedimentos operados pelas tecnologias chamadas duras ou leve-duras, tais como os exames e agendamentos, comumente regulados pela consulta médica. Contudo, é imperativa a criação de espaço para o cuidado operado pelo ACS a partir das tecnologias leves (MERHY, 1997).

Lunardelo (2004) aponta que o trabalho institucionalizado de modelo tradicional de assistência, promove a desvalorização do trabalho extramuro realizado pelo ACS. O estudo identificou um desconforto do ACS diante dessa realidade que está alicerçada na forma estruturante e cristalizada do processo de trabalho em saúde.

Esse jogo de disputa na equipe de SF é a demonstração dos micropoderes que produzem as relações de trabalho, ligados sobretudo à verticalização do saber que se coloca entre os ACS e a equipe legitimada pelos níveis de gestão da secretaria de saúde (FERREIRA et al 2009).

Os mesmos autores supracitados mencionam que as relações de micropoderes na equipe tem respaldo na divisão técnica do trabalho num primeiro momento, mas também tem lugar na divisão social, que fragmenta, aliena, subordina a produção do trabalhador manual ao do trabalhador intelectual. É como se, no imaginário dos outros trabalhadores, o ACS retratasse o lugar do trabalhador manual, aquele que não possui um núcleo específico de saber. Dessa forma, outros trabalhadores o colocam em um plano em que o seu trabalho tem menor valorização em relação aos outros (FERREIRA et al, 2009).

[...] Porque às vezes a gente quer “passar” essa paciente, que tá com problema com marido que tá preso [...] a gente não consegue “passar” [...] eu venho, eu brigo mesmo (ACS 1).

A ausência de uma queixa físico-biológica trazida pelo ACS não é entendida pela equipe como necessidade de saúde. Parece que são leituras diferentes que ACS e equipe realizam, tornando o terreno da ESF num campo de correlação de forças em torno do que significa necessidade de saúde. Para o ACS o fato de a usuária

do serviço “ter o marido preso”, tem significado de carência de ajuda. A ACS sugere que a unidade de saúde pode ser referência para alguém que traz um tipo de sofrimento, não necessariamente uma doença física referida.

O comportamento do trabalhador segundo sua fala, encontra amparo no estudo de Merhy (1997) no qual argumenta que enquanto operador do cuidado em sua dimensão leve ou fluída, o ACS deverá utilizar recursos tecnológicos centrados no trabalho vivo em ato, produzindo um compromisso permanente com a tarefa de acolher, responsabilizar, resolver, autonomizar e, com a defesa radical da vida do usuário.

Por outro lado, pode ser depreendido também do relato, que a atitude do ACS em conflitar por uma consulta médica para alguém que não tem uma “queixa concreta” de doença, pode significar, que o mesmo não se vê portador de instrumentos capazes de atender a essa demanda e, a consulta nesse caso, se apresenta como afirmação do modelo biomédico, que tem esse procedimento mais valorado e central no atendimento da população.

Em relação ao que pensa o ACS sobre o significado de “necessidade de saúde”, Hildebrand; Shimizu, (2009) referem que ainda predomina a percepção de que a atenção à saúde pauta-se nas ações de identificação e resolução de problemas de saúde de acordo com saberes e fazeres do modelo clínico hegemônico.

Os dados desse estudo mostraram também, que o ACS manifesta a face híbrida de sua profissão, ora tem o seu pertencimento na comunidade, ora é elemento institucional enquanto equipe. Se por um lado, ele busca atender às demandas da população da qual integra, por outro, compõe a equipe de saúde que possui contratos e regras próprias, como pode ser visto no depoimento:

Muitas vezes não tenho o mesmo ponto de vista que o profissional que está aqui dentro [da unidade] [...] consigo mostrar pra ele que não é aquilo, [como] tá pensando, ele tem que ver o outro lado, outro aspecto, [...] por isso me sinto um personagem importante [...] embora às vezes é meio difícil mas a gente se preocupa em tá olhando mais pelo lado da comunidade (ACS 5).

Essa polaridade experienciada pelo ACS gera um conflito, inclusive ético para esse trabalhador, que convive com um constante estranhamento por qualquer dos dois grupos a que ele deveria referir-se (a comunidade e a instituição de saúde).

Silva; Dias; Ribeiro (2011) apontam em sua pesquisa, que entre as dificuldades enfrentadas pelo ACS no desenvolvimento de seu trabalho, traduzidas em desconforto, estão aquelas provenientes da ambiguidade do lugar que ocupa no SUS, às vezes representando a comunidade, em outras, a equipe de saúde.

A busca do ACS pela valorização do seu trabalho parece colocá-lo num processo incansável e contraditório, que vai do sofrimento gerado pelo questionamento dos demais profissionais em relação ao seu trabalho, a realização pessoal por fazer aquilo que ele acredita:

[...] A gente “bate de frente” (ACS 1).

Pra mim o dia-a-dia do meu trabalho é satisfatório, pelo menos naquilo que acredito (ACS 5).

O projeto de dança [...] quanto que eu briguei por isso, quanto que eu chorei. Quantas horas que eu perdi. Perdi não, ganhei [...] Vejo adolescentes que estão até hoje dançando. Estão no caminho que eu gostaria que eles estivessem Se quiser pagar hora extra, pague, se não quiser [...] eu não me incomodo, eu vou e faço (ACS 1).

Diante daquilo que ele julga ser o mais adequado no seu fazer, os ACS “batem de frente” com a equipe, na tentativa de valorizar o seu trabalho. Isso significa que eles se colocam na posição de disputar poder com a equipe no intento de terem o reconhecimento das tecnologias leves as quais eles utilizam, como dispositivos legítimos de saúde pertencentes ao seu processo de trabalho. Desse modo, o seu saber reconhecido lhe confere poder, inclusive para posicionar-se linearmente na equipe.

É perceptível também que essa falta de valorização referida, aponta para um sofrimento psíquico que pode impactar negativamente os resultados desse trabalhador.

Reis (2005) identifica que o mal-estar sentido pelos ACS em relação à equipe, origina-se da falta de reconhecimento pelo trabalho que desempenham com dedicação e esforço, afetando diretamente a sua saúde, pois gera sofrimento.

A autora complementa que embora em algumas situações, a relação com a população seja complicada e pontuada por algum nível de conflito, é na relação com

a equipe que são produzidas suas maiores tensões, entremeadas pela lógica da hierarquia na divisão do trabalho, que atribui valores no escalonamento das profissões, o que constitui fonte frequente de conflitos na equipe de SF (REIS, 2005).

Sendo assim, o ACS busca o reconhecimento de sua identidade profissional e a legitimação do seu fazer, sem as quais, nega-se a própria subjetividade desse trabalhador. Se esse processo fosse compreendido pela equipe, influenciaria na diminuição da instabilidade dos ACS na SF (NASCIMENTO, 2005).

Mendes; Ferreira (2007) assinalam que o reconhecimento é o processo de valorização do esforço e do sofrimento investido para a realização do trabalho. A vivência de prazer e realização de si advém da possibilidade de construção da identidade do sujeito.