O trabalho de campo começou no início do mês de agosto com conversas informais com cada um dos dirigentes sobre a empresa como um todo e sobre o setor específico que coordenam. Percebi neles uma grande preocupação com o processo estratégico. As
conversas no cafezinho e durante o cotidiano de trabalho em suas áreas me fizeram perceber que os dirigentes estão tomando decisões importantes relacionadas aos caminhos que a empresa deve seguir para continuar crescendo e em relação aos problemas do crescimento.
Após estas conversas informais iniciais com os dirigentes separadamente, que aconteceram até meados de agosto e a partir do convite formal para participarem da pesquisa, que foi feito em 21 de agosto para os três dirigentes, iniciei a coleta de informações sobre a estrutura organizacional. Conversei com os outros dois supervisores e com alguns funcionários para entender as atividades da empresa e o papel de cada um.
As duas primeiras entrevistas foram feitas nesta primeira fase. A primeira aconteceu em 26 de agosto, uma quarta-feira no período da manhã. A conversa teve como questão principal a seguinte: Quais são as especificidades da pequena empresa de tecnologia da
informação? Para abordar o tema, pedi que os dirigentes falassem um pouco sobre as
características que eles acreditam ser específicas na pequena empresa do setor.
Eu tinhaà e à osà oà Mapaà Co eitual:à Espe ifi idadesà daà Pe ue aà E p esa à (Apêndice A), elaborado a partir da revisão da literatura sobre pequena empresa, apresentada nas seções 2.4 e 2.5 deste trabalho. No entanto, é importante ressaltar, como discutido no capítulo anterior, que o mapa não teve como objetivo amarrar a conversa em torno do referencial teórico da pesquisadora.
Pe soà ueà o etià u à deslize à estaà p i ei aà e t e ista,à poisà o duzià aà o e saà para os três conjuntos de especificidades revisados na literatura: dirigente, organização e contexto. Agora, após compreender melhor a etnometodologia e a análise da conversação, penso que seria mais adequado colocar o tópico como especificidades em geral da pequena
empresa. Assim, os participantes da conversa, colocariam os sub-tópicos de maneira mais espontânea e eu faria a categorização a partir dos três conjuntos, durante a conversa e após. Esta primeira entrevista, ou conversa, foi a mais longa, passando do tempo máximo para uma entrevista (segundo a literatura, uma hora e meia). Penso que isso aconteceu por dois motivos. Primeiro, pela motivação dos dirigentes de falar sobre a empresa e de aproveitar aquele momento de reflexão. Percebi que para eles é uma oportunidade de pensar a empresa com mais tranqüilidade e trocar idéias entre eles e alguém de fora. Percebi também que os funcionários sabem que é um momento importante quando os três entram na sala de reunião, somente eles ou com alguém de fora, e por isso interrompem a conversa somente quando algo não pode esperar.
Segundo, porque após um pouco mais de uma hora de conversa fomos interrompidos por uma funcionária com uma questão urgente que precisava ser resolvida por um dos dirigentes. Aproveitamos a parada e fomos tomar um café. Depois retornamos, com mais disposição de falar. Comecei com um balanço da primeira parte da conversa, quando foram abordadas as especificidades do dirigente e da organização, e introduzi o t pi oà espe ifi idadesàdoà o te to .àEstaàpa teàdaà o e saàdu ouàap o i ada e teàu aà hora. Assim, foram um pouco mais de duas horas de conversa sobre o primeiro sub-tema da pesquisa.
A segunda entrevista foi feita em 23 de setembro, uma quarta-feira no período da manhã, e teve como questão principal a seguinte: Como o dirigente da pequena empresa de
tecnologia da informação compreende o ambiente organizacional?
Eu tinhaà e à osà oà Mapaà Co eitual:à á ie teà O ga iza io al à Apêndice B), elaborado a partir da revisão da literatura sobre ambiente organizacional, apresentada nas seções 2.1, 2.2 e 2.3 deste trabalho. Comecei lembrando que o tema da conversa era o
ambiente da empresa, o meio externo. Pedi que os dirigentes falassem um pouco sobre a importância do meio externo para a empresa. Eles começaram justificando a importância a partir dos elementos do ambiente. A conversa durou um pouco menos de uma hora.
Na segunda fase do trabalho de campo, participei de maneira bastante intensa do cotidiano da empresa. Estive todos os dias na empresa, em horário de trabalho, durante dois meses e meio. Ocupei três espaços diferentes para observar os quatro setores e participei de muitas reuniões e conversas. A observação do cotidiano da empresa me permitiu ter contato com situações que eu não teria oportunidade de ter e compreender caso minha pesquisa fosseà ape asà aseadaà e à e o t osà fo ais,à doà tipoà e t e ista .à Boaà pa teà dasà o se aç esàest à egist adaà oà Di ioàdeàCa po .à
A terceira entrevista foi feita neste período, no dia 22 de dezembro, uma terça-feira no período da manhã. A questão principal desta entrevista, e central para a pesquisa, foi a seguinte: Quais são as práticas do dirigente da pequena empresa de tecnologia da
informação relacionadas ao ambiente organizacional?
Eu tinhaà e à osà oà Mapaà Co eitual: Práticas relacionadas ao Ambiente O ga iza io al à áp di eàC ,àela o adoàaàpa ti àdaà e is oàdaàlite atu aàso eàaàTeo iaàdaà Dependência de Recursos e a Teoria Institucional, apresentada nas seções 2.2 e 2.3 deste trabalho. Iniciei a conversa mostrando para os dirigentes algumas tabelas que elaborei sistematizando a compreensão que eles têm do ambiente organizacional e algumas práticas relacionadas a ele, a partir do que foi conversado nas duas primeiras entrevistas e da observação das conversações cotidianas. A conversa foi baseada nesta sistematização e durou um pouco menos de uma hora e meia.