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O processo de criação e desenvolvimento do desenho animado ou da animação é um conhecimento muito especializado, que não será particularmente explorado neste trabalho. Limitar-se-á a um breve apanhado histórico, com algumas técnicas do vasto, competitivo e altamente tecnológico campo de estudo de que trata a animação.

Registros apontam que os primeiros esboços do trabalho de animação tenham, de fato, começado com “Lanterna Mágica” de Kirchei, datado de 1640, para, muito tempo depois, acontecer a chegada do fenascistocópio, em 1832, de Joseph Plateau38. É apenas em 1835 que Horner coloca os desenhos dentro de um tambor chamado zootrópio.39

37 MACHADO, Arlindo. A televisão levada a sério. 2. ed., São Paulo: Editora SENAC, 2001.

38 Joseph Plateau (October 14, 1801 – September 15, 1883) was a Belgian physicist best known as the inventor of the stroboscope. Disponível em: <http://www.famousbelgians.net/plateau.htm>. Acessado em 25 ago. 2009.

39 Zootropo (também conhecido como Zootrópio), criado em 1834 por William George Horner. Trata- se de um tambor giratório com frestas em toda a sua circunferência. Em seu interior, montavam-se sequências de imagens produzidas em tiras de papel, de modo que cada imagem estivesse posicionada do lado oposto a uma fresta. Ao girar o tambor, olhando através das aberturas, assiste-

se ao movimento. Disponível em:

<http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=866&sid=7>. Acessado em 25 ago. 2009.

Joseph-Antoine Plateau, cidadão belga, cria a primeira animação, que trazia o galope de um homem sobre um cavalo. Aparentemente um desenho que hoje se faz num bloco de papel na escola, mas que, no século XIX, era uma inovação.

Plateau criou uma espécie de máquina que podia ser girada, fazendo com que os desenhos se refletissem e se sobrepusessem num espelho fixo, colado no interior, o que gerava imagens em movimento.

Já em 1892, o francês Charles Émile Reynaud, inventor do Praxynoscópio40, aperfeiçoou a técnica de Plateau, montando imagens num “aparelho que projeta na tela, imagens desenhadas sobre fitas transparentes”.

A multiplicação das figuras desenhadas e a adaptação de uma lanterna de projeção possibilitam a realização de truques que dão a ilusão de movimento.

Bem depois, Émile Eugène Jean Louis Courtet, mais conhecido como Émile Cohl, criou a primeira animação da história, Fantasmagorie – 1908. Para fazer a animação, colocou cada desenho em uma placa iluminada de vidro e depois tracejou o desenho seguinte, obtendo cerca de 700 desenhos, que, projetados em sequência, davam a noção de movimento.

Com a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumiére – cujo aparelho projetava, em rápida velocidade, slides sucessivos em uma tela branca, dando a sensação de movimento –, muitas técnicas usadas em filmes também passaram a ser utilizadas pelos desenhos.

Em seguida, o norte-americano James Stuart Blackton apresentou o primeiro desenho animado do mundo, conhecido por “Fases Cômicas de Caras Engraçadas”, filmando uma sequência de desenhos em que cada um dava origem a outro.

Foi no fim de 1914, em meio ao início da Primeira Guerra, que o norte- americano Earl Hurd inovou com uma contribuição muito relevante para a técnica da animação, e que é ainda usada. Ele começou a utilizar o papel-celuloide, semelhante a um plástico transparente. Com isto, o artista podia desenhar cenários numa película e personagens em outra, para, então, sobrepô-las.

Certamente isto economizou muito tempo, material e retrabalho do artista, já que o mesmo cenário era utilizado em diferentes filmagens e os personagens podiam ser desenhados sozinhos, em várias posições, e aplicados sobre o cenário de fundo.

Nascem, então, diversas produções de todos os tamanhos. Acontece a popularização do desenho animado e sua arte. O Gato Félix41, criação de Otto Messmer e Pat Sullivan, estreia na era muda do desenho animado e foi à época, 1930, a primeira animação a ser transmitida pela televisão. Depois da exibição deste muitos outros o seguiram, como Popeye e Betty Boop.

Foi também com o aprimoramento e desenvolvimento da técnica de Earl Hurd que as animações deixaram de ter temática adulta, ganhando, pouco a pouco, as demais idades, incluindo as crianças.42

De qualquer maneira, o desenho animado tem origem remota. Desde os primórdios o homem sempre desenhou. Conhecer a cronologia de acontecimentos que influenciaram a linguagem do desenho ajuda a entender este mundo tão humano. Segundo o Professor Marel43, “aproximadamente há 30 mil anos A.C. foram desenhados signos e figuras em grutas paleolíticas e até aqui são os primeiros registros do homo sapiens”.

São inúmeras as formas de animação, técnicas e avanços na produção da animação. Assim, as últimas gerações têm crescido com este fenômeno, televisionado e consumido de forma crescente em todo o mundo. A sua influência, recepção e mensagem são alvos de inúmeras discussões em diversos lugares do mundo44.

Deve-se, aqui, citar o conceito de moral que acompanhava, desde os primórdios, o que podia ou não ser veiculado. Exemplo disto foi Betty Boop, que, depois de mais de 100 animações, em 1934 foi vítima do Código de Produção, censurando a personagem em nome da família americana e da moralidade. As roupas provocantes e a sensualidade dos decotes não poderiam mais ser exibidas. Os produtores não se intimidaram e cobriram a personagem com roupas colantes destacando seus seios e o corpo modelado. Em 1939, proibiram Betty de aparecer na TV.

41 Gato Félix (Felix, The Cat) em 1919. Sucesso em um curta chamado Folias Felinas (Feline Follies). 42 Para uma pesquisa rápida ou mesmo exaustiva, conferindo, item a item, ilustrações, animações, nomes e referências sobre o desenho animado, a Internet oferece uma linha do tempo, através do

site de buscas Google. Disponível em:

<http://www.google.com.br/archivesearch?q=a+história+do+desenho+animado&scoring=t&um=1&nav _num=20>. Acessado em 25 ago. 2009.

43 Disponível em: <http://www.marel.pro.br/>. Acessado em 25 ago. 2009.

44 Com respeito ao desenho animado, mais especificamente, seguem outros trechos selecionados do site do professor e artista plástico Mário Toschi Maciel, conhecido entre sites e literaturas como Prof. Marel.

Atualmente os desenhos iniciais podem parecer muito rudimentares, simples, feios e sem graça, mas, em seu tempo, foram grandes avanços de técnica e tecnologia, abrindo espaço para o que existe hoje.