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4.4 Etnisitet - samiske samfunn

4.4.4 Forebyggende tiltak

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4.1RESUMO

O clima do Brasil central ao longo do Holoceno ainda permanece controverso, com alguns autores sugerindo umidade constante e outros sugerindo eventos de seca no intercurso. Concomitantemente, no campo da Arqueologia, trabalhos demonstrando uma drástica redução de sepultamentos humanos neste período (Hiato do Arcaico) na região de Lagoa Santa, MG, motivam mais pesquisas em reconstrução climática da área, ao hipotetizar que tal redução poderia refletir deslocamentos populacionais causados pelo estabelecimento de condições climáticas mais severas. O presente trabalho traz uma nova metodologia de investigação paleoclimática, que utiliza correlações entre clima e anatomia da madeira para inferir condições climáticas pretéritas por meio da anatomia de lenhos fósseis. Desse modo, padrões anatômicos de fósseis de Myroxylon

peruiferum L.f., datados do Holoceno médio (cerca de 5.000 anos A.P.) e tardio (cerca de 2.500 anos A.P.), são comparados com padrões anatômicos encontrados em indivíduos viventes em três localidades sob regimes climáticos diferentes: semiárido, tropical com estação seca e subtropical úmido. Diversas características anatômicas se correlacionaram com variáveis climáticas, sendo que maiores correlações foram observadas entre o diâmetro de vaso e índice de sazonalidade hídrica e entre esse diâmetro e a temperatura média anual. Em outra abordagem, diversas características anatômicas foram utilizadas conjuntamente para verificar a proximidade do padrão anatômico dos fósseis com os padrões observados nos indivíduos viventes sob os diferentes climas. Os resultados obtidos não indicam grandes mudanças climáticas no Holoceno médio, mas alguns indícios sugerem uma sazonalidade ligeiramente maior. Durante o Holoceno tardio, a anatomia dos fósseis se assemelha à anatomia de espécimes sob ambientes mais úmidos, indicando um período climático próximo ao atual, corroborando com alguns dos trabalhos da literatura.

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4.2ABSTRACT

The climate of central Brazil during the mid Holocene is still controversial, with some authors suggesting constant humidity, while others suggesting dry periods. In addition, in the archeology field, studies demonstrate a drastic reduction of human burial in this period (Archaic Gap) in the region of Lagoa Santa, motivating more researches in the climate reconstruction of the region, to clarify the hypothesis that this reduction is due to population migrations caused by severe climate conditions. The present study brings a new methodology to paleoclimate investigations, making use of correlations between the climate and the wood anatomy to infer the past climate conditions throughout wood fossil anatomy. Anatomic patterns of wood fossils of Myroxylon peruiferum L.f., dated from the Mid (5,000 B.P.) and Late Holocene (2,500 B.P.) where compared to the anatomy of extant specimens from three regions under different climates conditions (semiarid, tropical and humid subtropical). As a result, many anatomic characteristics were correlated to climate variables, with the most significant associations appearing between the vessel’s diameter and the hydric seasonality index, and also between vessel’s diameter and the annual average temperature. In another approach, several anatomic characteristics were altogether used to verify the similarity of the fossil’s anatomy with the anatomy of extant specimens under different climates. The results show no great climate changes in the mid Holocene, but suggest a slightly higher seasonality slightly higher. During the late Holocene, the anatomy of the fossils resembles the anatomy of species under humid environments, indicating a climate period very similar to the present one. These data is in agreement with other studies conducted on this region.

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4.3INTRODUÇÃO

Trabalhos que relacionam a variação das características anatômicas da madeira com características ambientais vêm sendo realizados desde meados da década de 60, quando Carlquist (1966) organizou a diversidade anatômica do lenho das Compositae e a discutiu em termos evolutivos, baseando-se nas características ambientais em que se encontravam os diferentes padrões anatômicos. Na ocasião, o autor levou em conta a disponibilidade hídrica, latitude, habitat, hábito entre outros. A partir de então, diversos estudos começaram a procurar quais aspectos ecológicos influenciam na estrutura da madeira, e como o fazem. Estes estudos podem ser conduzidos em diferentes níveis taxonômicos, seja entre indivíduos de uma única espécie (Ceccantini, 1996; Jono, 2009; Luchi, A. E., 2004; Marcati et al., 2001; Melo Jr, 2003; Noshiro & Baas, 2000), entre espécies de um mesmo gênero (Alves, 1995; Baas, 1973; Noshiro & Baas, 2000; Van Den Oever et al., 1981), gêneros de uma mesma família (Baas et al., 1988; Dickison & Phend, 1985) ou mesmo de toda uma flora (Alves & Angyalossy, 2000, 2002; Barajas- Morales, 1985; Carlquist, S., 1977).

Em (1981), Van den Oever e colaboradores utilizaram o gênero Symplocos em uma metodologia de amostragem e análise bem consistente, e encontraram correlações significativas de diversas características anatômicas com a latitude e a altitude. Para um grupo de indivíduos, os autores encontraram forte correlação da anatomia com a altitude. Segundo seus resultados, corroborados mais tarde por Noshiro & Baas (1998; 2000), Baas (1973), Van der Graaff & Baas (1974), tanto a altitude como a latitude influenciam inversamente no diâmetro do vaso e diretamente na sua frequência.

Desde então, diversos trabalhos incluíram a latitude e altitude como parâmetros a serem investigados. Muitos deles encontraram correlações significativas não só para o diâmetro e frequência de vasos como também para muitas outras características anatômicas. A literatura mostra que, para determinadas espécies, quanto maior a latitude: maior a frequência de camadas de crescimento (Alves & Angyalossy, 2000), menor quantidade de parênquima (Alves & Angyalossy, 2002; Baas, 1973, 1982; Baas & Schweingruber, 1987; Baas & Zhang, 1986), menor espessura de parede e comprimento de fibra (Alves & Angyalossy, 2002; Noshiro & Baas, 1998, 2000; Van Den Oever et al., 1981) e menor altura de raio (Van Den Oever et al., 1981). No caso do agrupamento de vasos, embora diversos artigos tenham observado uma correlação positiva com a latitude, (Alves & Angyalossy, 2002; Carlquist, 1966; Van Den Graaff

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& Baas, 1974), outros encontraram correlação negativa (Noshiro & Baas, 2000; Zhang

et al., 1988).

Esta clara importância da latitude sobre a anatomia da madeira levou a uma série de questionamentos acerca do motivo de tal influência. De forma geral, as pesquisas associam as baixas latitudes com maior pluviosidade, maior temperatura anual e menor sazonalidade. O inverso para latitudes altas. Essa associação tem se mostrado coerente com diversos trabalhos que utilizam habitats mais úmidos e mais secos para estabelecer correlações com a anatomia. No Brasil é comum esta abordagem: Mina-Rodrigues (1986), Chimelo & Mattos (1988), Ceccantini (1996) e Marcati et al. (2001) são exemplos de trabalhos que estudaram plantas em ambiente de Cerrado/Caatinga e as compararam com indivíduos de floresta.

De forma geral, os estudos apontam para a tendência de indivíduos em ambientes com maior disponibilidade hídrica, menor estação seca e menor latitude apresentarem vasos menos frequentes e de maior calibre que os indivíduos de ambientes sujeitos a déficit hídrico, sazonalidade ou latitude mais elevada.

Tais relações são frequentemente discutidas no âmbito de seu significado adaptativo-funcional. Carlquist, em (1977), dizia que a organização dos tecidos condutores das plantas resultaria do equilíbrio entre a segurança e a eficiência no transporte de água. Neste tema, o embolismo têm sido apontado como grande problema enfrentado pelo tecido xilemático no exercício de sua função de condução (Baas et al., 2004; Maherali et al., 2004). Vasos curtos e estreitos teoricamente resistiriam a maiores tensões na coluna de água, e a redução de área de condução de cada vaso seria compensada pelo aumento da sua frequência (Carlquist, S., 1977).

Zimmerman & Brown (1971), adicionaram à esta discussão conceitos físicos de hidráulica, resgatando a equação de Hagen-Poiseuille que deduz que a eficiência hidráulica de um duto é proporcional à 4ª potência de seu raio e tentando adaptá-la ao transporte xilemático. Desta forma, se o calibre do vaso sofre uma redução pela metade, serão necessários 16 vezes mais vasos para ter a mesma eficiência em condução, mostrando a crucial importância desta medida para o transporte hídrico e, consequentemente, para o metabolismo vegetal (Zimmerman & Brown, 1971). Quanto à resistência aos embolismos, Zimmerman (1983) destaca que um maior grau de agrupamento dos vasos, características das pontoações, maior frequência e menor calibre de vasos também aumentariam a segurança na condução da seiva xilemática, reduzindo a incidência e propagação de embolismos.

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Assim, pelo balanço sugerido inicialmente por Carlquist (1977) e adotado mais tarde por diversos autores (Baas, 1982; Ceccantini, 1996; Luchi, A. E., 2004; Marcati et

al., 2001; Noshiro & Baas, 2000; Roig, 1986), os indivíduos de ambientes sujeitos a stress hídrico tendem a apresentar vasos de menor calibre para evitar os embolismos, compensando (não totalmente) a drástica queda de eficiência hidráulica com um aumento na frequência dos vasos. Por outro lado, indivíduos sujeitos a constante disponibilidade hídrica, em geral, podem investir em maior eficiência hidráulica pois necessitam menos de segurança contra embolismos.

A influência do ambiente externo sobre a anatomia da madeira parece estar bem consolidada, porém, como percebe February (1994), númerosos estudos têm examinado a anatomia da madeira e o clima, mas nenhum estabelece a relação de características específicas de vasos com pluviosidade anual média. Pouquíssimos são os trabalhos que procuram detalhar, afinal, quais são os parâmetros climáticos que influenciam e como o fazem na anatomia da madeira, restringindo-se a correlacionar características anatômicas com ambientes mais xéricos/menos xéricos, mais quentes/menos quentes, ambiente mais sazonais/menos sazonais, sem analisar parâmetros climáticos objetivos.

Um dos poucos exemplos é o trabalho de Noshiro & Baas (2000). Nele, foram estudadas três espécies do gênero Cornus sp e foram encontradas correlações não só com a altitude e latitude, mas também com precipitação anual, amplitude térmica anual e índice de calor.

Em outro trabalho, February (1994) encontrou correlações significativas no diâmetro e frequência de vasos (só analisou estes caracteres) de lenho carbonizado de

Protea rupoelliae em diferentes regimes pluviométricos na África do Sul. Mas o interesse do autor em prospectar parâmetros climáticos correlacionados com a anatomia da madeira não foi um interesse meramente botânico. O maior mérito do autor foi a originalidade em olhar para a correlação climático-anatômica encontrada visando interpretar o regime climático na África do Sul em tempos pretéritos, utilizando para isso, carvões de fogueiras arqueológicas identificados como da mesma espécie.

Como resultado, o autor encontrou correlações da ordem de 74% entre o diâmetro de vasos de carvões atuais de P. rupoelliae e a média anual de pluviosidade. Utilizando o diâmetro de vaso de carvões arqueológicos da mesma espécie e a correlação obtida, o autor estimou a pluviosidade anual média para o período da ocupação arqueológica (2400 anos A.P.). Os resultados não só corroboraram com trabalhos geológicos que evidenciavam um clima mais úmido nos últimos 3000 anos na

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região, como adicionaram dados mais precisos sobre o provável incremento da precipitação anual média para o período.

O presente trabalho tem a mesma concepção de February (1994), pretendendo entender a influência de parâmetros climáticos na anatomia de Myroxylon peruiferum L.f. viventes hoje, e utilizar as correlações e padrões anatômicos obtidos para estimar dados climáticos mais precisos para a região arqueológica de Lagoa Santa, MG, no período de 5000 e 3000 anos A.P., por meio de lenhos fósseis da espécie.

4.4ÁREA DE ESTUDO

A área de estudo (figura 1) compreende quatro localidades climáticas diferentes do país, onde foram coletados os indivíduos de Myroxylon peruiferum L. f.: Cidade Universitária, SP; Ribeirão Preto, SP; Reserva Natural Vale, ES; RPPN Stoessel de Britto, RN. Elas são descritas individualmente a seguir:

4.4.1 ÁREA 01

A Reserva do Particular do Patrimônio Natural Stoessel de Britto (6o12’S de latitude, de 160 a 286m de altitude) é uma unidade de conservação do bioma Caatinga, no semiárido sertão do Rio Grande do Norte, a 256 Km para oeste da capital, região do Seridó. O clima é o mais seco dentre as localidades estudadas, classificado como semiárido quente e seco, ou Bshw, na classificação de Köppen (Roque et al., 2009). A estação chuvosa, no verão, dura apenas os meses de Março, Abril e Maio, onde cai praticamente toda a chuva do ano, que varia de 500 a 800 mm apenas. No inverno, todos os córregos secam, com exceção dos grandes corpos d’água que reduzem sua vazão significativamente. A temperatura é elevada, com média anual de 28oC.

A vegetação local pertence ao bioma da Caatinga, e se enquadra no tipo Savana- Estépica-arborizada, caracterizada como uma “vegetação estacional decidual, tipicamente campestre, em geral com espécies espinhosas entremeadas de plantas suculentas, sobretudo cactáceas que crescem sobre um solo, em geral, raso e quase sempre pedregoso. Árvores são baixas, raquíticas, com troncos finos e esgalhamento profuso” (IBGE, 2004). Algumas poucas espécies conseguem se manter verdes no inverno. M. peruiferum é uma delas.

Incomum na Caatinga, Myroxylon peruiferum L.f. possui ali uma população disjunta das populações que, no sudeste, que ocorrem em florestas estacionais do bioma Mata Atlântica. Esta população habita a vertente da serra, em pequenos bolsões de mata

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4.7CONSIDERAÇÕES FINAIS

A anatomia do lenho de Myroxylon peruiferum L.f. mostrou um padrão bastante complexo, principalmente na localidade de Ribeirão Preto, SP, onde a enorme variação das características anatômicas foi interpretada como influência de outros fatores externos, que não as condições climáticas regionais de cada município. Mesmo considerando esta variação interna em Ribeirão Preto, muitas foram as variáveis anatômicas e climáticas correlacionadas estatisticamente. Entretanto, foi necessário excluir estas amostras para que as correlações apresentassem uma aproximação à curva de regressão suficiente para poder se fazer predições climáticas com a anatomia das amostras fósseis. As correlações de diâmetro de vaso com amplitude térmica anual e com índice de sazonalidade hídrica indicaram diferenças climáticas significativas para Lagoa Santa, MG, durante os últimos 5000 anos A.P. Um Holoceno médio bastante estacional em termos pluviométricos, e um Holoceno tardio de “muito úmido” a “pequeno déficit hídrico”, como ocorre atualmente na região. Enquanto para o Holoceno tardio os resultados parecem corroborar com os trabalhos publicados na literatura (Behling, 2003; Ledru, 1993; Parizzi et al., 1998; Raczka, 2009), os resultados para o Holoceno médio corroboram com Ledru (1993), que encontrou evidências sedimentares e palinológicas de um intenso evento árido de curta duração em Salitre, MG.

Por outro lado, as análises multivariadas conseguiram encontrar padrões anatômicos coerentes entre os espécimes de cada localidade. Foram formados grupos anatômicos coesos para cada localidade climática (exceto para os espécimes de Ribeirão Preto), revelando assim diferenças anatômicas possivelmente influenciadas pelas condições climáticas regionais.

Tais análises não revelaram uma diferença tão pronunciada no clima do Holoceno médio e tardio como a análise baseada apenas na variável diâmetro de vaso. Tampouco revelaram uma aproximação dos fósseis do Holoceno médio com a anatomia de espécimes do semiárido potiguar. A única amostra fóssil do primeiro período passível de ser analisada se assemelha fortemente com o padrão anatômico dos espécimes sob clima de Linhares, ES. No caso das amostras do Holoceno tardio, as análises multivariadas mostraram um padrão mais semelhante com o encontrado em espécimes de São Paulo e Ribeirão Preto mas também com similaridades pontuais com Linhares, ES, resultado este que seria

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esperado para amostras atuais de M. peruiferum da região de Lagoa Santa, MG, se tivessem sido amostrados.

Sendo assim, o conjunto dos resultados obtidos não sugere uma mudança significativa no regime climático em Lagoa Santa nos últimos 5000 anos A.P., mas indícios de uma sazonalidade ligeiramente maior durante o Holoceno médio foram encontrados, mostrando que o evento de seca apontado por Ledru (1993) pode ter ocorrido, embora não tenha-se mostrado tão intenso quanto os resultados da autora.

4.8REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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